O idoso no movimento espírita

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“(…) É justo que os filhos cooperem com os pais, embora saibamos que os mais jovens de hoje serão os mais velhos de amanhã tanto quanto os maduros de agora, desempenharão, muito em breve o papel de jovens no futuro. Tudo é sequência na Lei.”. (Emannuel – Reformador, julho/76 – 22/04/1951)

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a etapa das nossas vidas denominada velhice começa aos 65 anos. Verificando-se a população eminentemente ativa atual e levando-se em consideração os facilitadores ambientais, farmacêuticos e alimentares, podemos afirmar, sem titubearmos, que mesmo os que atingem esta idade, conseguem fazê-lo em bem melhores condições que os nossos antepassados.

Agregando-se as condições já citadas, a parte religiosa, a criatura tem grande ganho de qualidade de vida. Não estamos nos atendo aos trabalhos vinculados a costura ou distribuição de donativos como via na minha infância. Hoje, os idosos trabalham em outras frentes nas Instituições Espíritas. Aplicam passes, trabalham nas Reuniões Mediúnicas, fazem palestras e tantos outros trabalhos que existam. São figuras participativas na sociedade e na religião que promanam, no nosso caso, a Espírita.

Adendo necessário faz-se com relação aos extremos. Neste caso, o problema não se vincula a idade, mas a inabilidade para a execução do trabalho ou quando a criatura está sim adequada a fazê-lo, mas os mais jovens querem “poupá-los (as)” a título de ajuda que não o é. Vemos que pode haver uma interação salutar entre os mais jovens e os mais velhos quando os envolvidos desejam. Problema se estabelece entre os ditos adultos e mais velhos, quando os primeiros não sabem lidar com os mais velhos ou quando os mais velhos (inabilmente) tentam impor suas convicções, por serem mais velhos. Vemos o Mundo, mesmo que lentamente, mudar de comportamento. Os países estão “envelhecendo” e antes esta parte da população morria, ou era colocada em asilos, ou mais ainda, convivia com a família sem direito a manifestar-se, pois estava “velho (a)”. Hoje, Empresas contratam pessoas que já eram consideradas velhas para o mercado de trabalho, mas que agora estão sendo consideradas como experientes e agregadoras de valor.

Nós do movimento espírita, precisamos também enxergar os mais velhos desta forma. Somar a sabedoria do mais velho com a energia do mais novo para que ambos saiamos enriquecidos dessa experiência. Todos nós temos dificuldade de abrirmos espaço para que o outro cresça, mas quando podemos usar de nossa experiência para facilitarmos o crescimento do próximo e ainda o fazemos em detrimento da doutrina, ganhamos triplamente: crescemos como criaturas, porque nos tornamos úteis; ajudamos no amadurecimento bem orientado do semelhante e contribuímos com o bem comum e propagação da Doutrina. É uma via de mão dupla. Ceder espaço não significa perder espaço, mas multiplicar força de trabalho, perpetuando o bem comum.

Outro ponto a ser levantado é que não somos descartáveis. Principalmente nós, do movimento espírita não podemos pensar dessa forma. Sabemos que o espírito é eterno, que vivemos etapas da vida através das reencarnações, então, todo este processo de infância, fase adulta, velhice e desencarne cumpre o processo normal e natural da evolução. Vivenciando em cada uma dessas fases o necessário aprendizado para evolução. Como então furtar da criatura o que lhe é devido por direito? E nós, que também estamos no movimento e não atingimos a idade madura, vamos querer ser convidados a condição de frequentadores da instituição, sendo ressaltado que já demos o nosso contributo a doutrina?

Quando a primeira edição de O Livro dos Espíritos foi publicada, Kardec contava 53 anos. Para os padrões da época, ele era idoso. Imaginemos se ele tivesse se acomodado e acreditado que não tinha condições de realizar o trabalho? Provavelmente teríamos esperado um pouco mais para que outro realizasse o trabalho que ele fez. Este é outro ponto importante a ser destacado: nunca é tarde para começarmos a realização de nenhum trabalho. Se, em virtude de várias circunstâncias na encarnação, a criatura só pode se dedicar ao trabalho na idade mais madura que as Instituições Espíritas também estejam preparadas para receber este público que nos bate a porta e nos solicita trabalho.

A religião como função de religare faz-nos não só nos religarmos com Deus ou suas Leis, mas coloca-nos na condição de religação com o nosso próximo. Não há lugar melhor para exercermos esta função e praticarmos a caridade do que numa Instituição Espírita. É gratificante podermos trocar experiências e também sermos uma fonte alimentadora de energia e vigor para aqueles que estão mais a frente na caminhada carnal. Da parte dos mais velhos, compreender a dificuldade de permanecer fiel a um ideal por tanto tempo, mesmo com tantos convites ao contrário, como família, trabalho e tantas outras propostas que são feitas ao longo da caminhada e da parte dos mais jovens, compreender que mesmo num meio atualmente tão convidativo para quebra de regras e valores morais há uma busca tão grande pelos jovens nas Casas Espíritas, um desejo de entendimento sobre o mundo espiritual, sobre reencarnação e sobre o porvir.

Por fim, gostaria de acrescentar, que ainda não atingi a idade madura nesta encarnação, então não estou advogando em causa própria. Mas entendo que quando nos abrimos ao saber, abrimos uma janela nova para o auto-conhecimento. Permitimo-nos ter experiências enriquecedoras. As minhas melhores oportunidades de aprendizado no Movimento Espírita foram por mãos que contavam mais de 65 anos e aproveito este artigo para lhes agradecer a todos. No atual momento que vivemos sabemos que alguém já trilhou a estrada antes de nós e mesmo que não tenha pego em nossa mão e nos ensinado o caminho a seguir, através do seu próprio caminhar foi indicando o caminho a seguir. Como o Mestre Jesus fez e ainda faz por nós. Que sejamos nós também uma seta viva a indicar o caminho para aqueles que vem após nós.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2017

Servo bom e fiel

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“Tendo Jesus entrado em Jericó, passava pela cidade – e havia ali um homem chamado Zaqueu, chefe dos publicanos e muito rico, – o qual, desejoso de ver a Jesus, para conhecê-lo, não o conseguia devido à multidão, por ser ele de estatura muito baixa. – Por isso, correu á frente da turba e subiu a um sicômoro, para o ver, porquanto ele tinha de passar por ali. – Chegando a esse lugar, Jesus dirigiu para o alto o olhar e, vendo-o, disse-lhe: Zaqueu, dá-te pressa em descer, porquanto preciso que me hospedes hoje em tua casa. – Zaqueu desceu imediatamente e o recebeu jubiloso. Vendo isso, todos murmuravam, a dizer: Ele foi hospedar-se em casa de um homem de má vida. Entretanto, Zaqueu, pondo-se diante do Senhor, lhe disse: Senhor, dou a metade dos meus bens aos pobres e, se causei dano a alguém, seja no que for, indenizo-o com quatro tantos. Ao que Jesus lhe disse: Esta casa recebeu hoje a salvação, porque também este é filho de Abraão; visto que o Filho do Homem veio para procurar e salvar o que estava perdido.”. (LUCAS, cap. XIX, vv. 1 a 10.)

Humberto de Campos, através da psicografia abençoada do venerando Chico Xavier, nos brindou no Livro Boa Nova, capítulo 23, intitulado O Servo Bom, com uma bela explicação sobre esta passagem retratada em Lucas, a qual nos faz refletir sobre a singularidade da palavra servo e como realmente nos candidatamos a categoria de bons com relação à Lei Divina. Valeremos-nos da referida obra e do nosso próprio entendimento para tecermos alguns comentários.

A ida de Jesus a Jericó não se constituía obra do acaso. Como nada no apostolado do Mestre. Jesus foi com o propósito de encontrar Zaqueu. Chefe dos publicanos, grande influenciador da coletividade. Além de recolher tributos (situação que já o colocava em malquerença com o grupo) também lhe era atribuído o enriquecimento ilícito. Tinha conhecimento das Leis, o que lhe faltava era ter a centelha Divina do Amor acesa novamente em seu coração. O passar do tempo provocou-lhe um vazio existencial que não é preenchido pelo conhecimento, haveres, ou qualquer outra coisa, pois falta-nos o entendimento do Divino em nós.

Sabendo que Jesus passaria por Jericó, Zaqueu, que era de estatura baixa, procurou subir numa árvore que também não era alta (sicômoro). Podemos fazer uma analogia a nossa condição atual. Não possuímos grande elevação moral, ainda somos espíritos em evolução, fazendo parte das primeiras faixas evolutivas (baixos) comparados com os nossos tutelados espirituais, como Jesus, por exemplo, e através das boas ações, das preces, da boa leitura alteramos a nossa vibração (subimos na escala vibracional, na árvore) para conseguirmos ter contato com os do mais alto.

Nesse momento coisa ímpar ocorre, Jesus não só enxerga Zaqueu, mais vai ao encontro dele. Pede que ele desça, pois necessitava da sua hospitalidade e companhia, conforme relata Humberto de Campos. Assemelha-se a forma como os amigos espirituais agem conosco. Quando nos elevamos mentalmente e estabelecemos este contato salutar, os que se apresentam, envolvem-nos em ondas de paz e amor e solicitam-nos a hospitalidade de tarefeiros, empreendedores do bem e que sejamos companheiros destes abnegados espirituais na tarefa de construção da caridade. Elevamo-nos ao mais alto grau quando sedemos a casa mental e o corpo físico para execução das tarefas mediúnicas.

É tão belo e significativo este momento que o Mestre dá o braço a Zaqueu, semelhante ao que ocorre conosco pelo Anjo da Guarda que nos sustenta, ampara e nos encaminha, ouvindo-nos as aflições, os desejos e os petitórios. Nós espíritas, independente do tempo que estejamos estudando e trabalhando no movimento espírita, vivenciamos durante a encarnação momentos de escolhas e por vezes derrapamos pelo despenhadeiro do egoísmo, do orgulho e de outros vícios. Alguns se sentem envergonhados de voltar, esquecendo-se que a própria Doutrina explica-nos que a vida é um eterno recomeço e que não precisamos esperar outra encarnação para recomeçarmos e tomarmos boas resoluções. Outros conhecem a Doutrina bem mais a frente na encarnação. Alegam então, que não poderão fazer a tão famosa “reforma íntima”, pois já erraram muito. Como se tivéssemos um prazo para começar e que se não começarmos naquele prazo teremos obrigatoriamente de fazê-lo na próxima encarnação.

Jesus então nos se apresenta Zaqueu. Alguém que poderia se contentar com a condição que estava. Mas não. Ele procura modificar a condição íntima, entendendo que o contato com Jesus representava a pedra definitiva na construção desta nova obra na construção da sua vida. Já era tocado pela mensagem, pois praticava a caridade, tratava os seus servos com deferência e procurava agir de forma gentil com todos que lhe procuravam. Faltava-lhe o algo mais que só a presença de Jesus poderia provocar em sua vida: o contato com o Amor. Ao contato desse Amor ele modifica. Reconhece os erros de passado, não os enxerga como empecilhos e mesmo diante dos comentários desairosos dos Apóstolos ele se compromete com a mudança e a perseverar nesta mudança.

Sabia que a sua riqueza adquirida, em parte, de forma ilítica, representava um entrave ao processo de mudança e semelhante a nós que reconhecemos o nosso erro e depois queremos reparar, ele também o fez, assumindo compromisso público, como era costume na época. Além disso, resolveu compartilhar parte do que tinha com os pobres. Não é assim que também nós, que abraçamos os trabalhos no movimento espírita fazemos, damos e doamo-nos parte, inclusive de nossas vidas, de nossos lazeres, para podermos ajudar aqueles que necessitam mais que nós?

Por isso, que Jesus após trazer a Parábola dos Talentos para bem ilustrar o movimento de mudança de Zaqueu, afirma: “Bem-aventurado sejas tu, servo bom e fiel!” 

Jornal O Clarim – junho de 2017

O dia da nossa queda

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Octávio Caúmo Serrano

“A quem mais é dado, mais é pedido.”

Não há dúvida que o trabalhador espírita, que estuda a doutrina, tem conhecimento sobre a vida e suas implicações maior do que o comum das pessoas. Saber da Lei da Reencarnação o conscientiza de que os percalços do cotidiano são lições para novos aprendizados ou consequências de atos praticados no passado, recente ou remoto, que exigem uma revisão para que o fracasso anterior seja agora mais bem entendido e não se repita. A reencarnação não nos devolve à vida material para nos punir, mas para nos dar uma nova oportunidade. É a maior misericórdia com que Deus nos presenteia!

Com base nesse conhecimento, é certo que a resignação diante da dificuldade é mais evidente no espírita convicto, um terreno mais bem preparado. Ele aceita sem revolta as dificuldades e não se sente abandonado ou castigado por Deus. Conhecedor da lei de causa e efeito sabe que colhemos o que plantamos. Toda ação gera uma reação de igual intensidade. Não ignoremos, porém, que o lado humano tem ainda grande influência mesmo no espírita mais equilibrado e todos nós estamos sujeitos a um tempo da queda vibratória. Há vezes que o fardo pesa demais nos ombros ainda pouco calejados. Mesmo sabendo e aceitando, dói e sucumbimos. O espírita não tem imunidade total contra a dor e o sofrimento. Cai, às vezes, também!

O que acontece nessas horas? Com o compromisso moral de ser forte, há os que não se atrevem a confessar suas dificuldades, mesmo porque correm o risco de ser censurados e até afastados de suas tarefas na casa onde colaboram, sob a alegação de que estão com perturbação espiritual, o que não se pode aceitar num espírita. Nessa hora, ficamos a sós com o nosso sofrimento, abandonados até pelos parceiros de doutrina que quase nunca percebem as dores alheias. Sentem que estamos doentes, mas não se prontificam a nos ajudar. Somos, inclusive, vítimas de preconceito. Como quer dar-se ao próximo se não consegue nem cuidar-se.

Nos nossos agrupamentos as pessoas pouco se conhecem. Mal sabem o prenome do colega. O José, a Maria, a Sílvia, o Alberto. De quê?  Qual o sobrenome? Em que trabalha? Onde mora? Quantos filhos? Por quais dificuldades econômicas ou enfermidades passa? Às vezes ficamos sabendo de problemas de um companheiro tarde demais e geralmente não temos o cuidado e a atenção de fazer-lhe sequer uma visita ou dar-lhe uma ajuda, financeira ou psicológica. Oferecer-nos para conversar para que o outro desabafe, dividindo conosco um pouco do fardo que já está pesando demais.

Isso ocorre mais que supomos, em todos os agrupamentos espíritas. Por isso defendemos, há mais de quarenta anos, que os centros (especialmente os maiores, com muitos trabalhadores) deveriam ter um dia para atendimento dos que colaboram no grupo, sem que tenham necessidade de socorrer-se de outras casas, por abandono ou vergonha de expor suas fraquezas, preocupados com o julgamento não fraterno e até censuras que receberão por confessar suas dificuldades. Obrigam-no a ter uma força que ainda não adquiriu.  Isso os leva amiúde a buscar consultas com médicos analistas ou socorrer-se de outros centros onde não são conhecidos.

Seria importante que os núcleos avaliassem como estão tratando seus “irmãos”.  Como vai o “amor ao próximo como a si mesmo”, na sua Instituição.  Veja como agem onde você participa. Quem sabe pode alertar seus dirigentes que, se não forem radicais e insensíveis, talvez aceitem pelo menos pensar no assunto e verificar se não estão mesmo deixando em plano secundário o atendimento aos que são, mais diretamente, os pilares do núcleo; os colaboradores mais diretos.

A caridade deve começar em casa. No centro está a nossa família espiritual. Ou deveria estar. Se não encontramos suporte ali, melhor procurar um local onde alguém nos dê atenção nas horas de provação. “Os sãos não precisam de médico”, já ensinou nosso querido Jesus!

Jornal O Clarim – junho de 2017

 

 

Jesucristo y el espiritismo

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¿Qué utilidad tienen las orientaciones de los Espíritus?

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

“¿Una vez qué Jesucristo ha enseñado las verdaderas Leyes de Dios, cuál es la utilidad de las enseñanzas de los Espíritus? ¿Tienen ellos algo a más que enseñarnos?” Esto fue preguntado en la cuestión 627 de El Libro de los Espíritus.

Considerándose que el Espiritismo es el cristianismo revivido, lo que significa resucitado o remozado, se pone claro que las lecciones de Jesucristo fueron adulteradas a lo largo de estos tiempos, a punto de que el mayor mandamiento – “amad Dios sobre todas las cosas y el prójimo como a ti mismo” – tener prácticamente desaparecido del seno de la humanidad, especialmente donde debía estar más preservado que es en el medio religioso.

Con su ya conocida educación y prudencia, Kardec dice que los espíritus debían aclararnos porque Jesucristo hablaba por alegorías. No quiso decir que el mercantilismo de las doctrinas divide a los hombres porque cada una enfatiza que solamente los seguidores de su iglesia tendrán la salvación. La intención es alejar la competencia. Quien no acepta Jesucristo en la versión de ellos no gana el Cielo. Y esa salvación pasa por las donaciones que crean privilegios según la generosidad de las ofertas. Mejoran hasta la facturación de las empresas de los que más colaboran.

La Doctrina Espiritista, que Kardec catalogó en el capítulo I de El Evangelio Según el Espiritismo como la tercera revelación, viene en un momento cierto cuando el Evangelio de Jesucristo nada más tiene del original enseñado por el Cristo. Los

creyentes se despegaron yendo cada uno para un lado y es por eso que hoy hay una inflación de sectas que nacen a cada día, con nombres esdrújulos incluso, porque las variedades de tiendas pasaron a ser un comercio lucrativo. ¿Amor al prójimo? No ofrece ganancias; mejor amor propio o amor a sí propio.

La Doctrina dictada por los espíritus en los cuatro puntos de la Tierra y organizada por el maestro francés Rivail, posteriormente conocido como Allan Kardec, trae de nuevo la pureza del cristianismo naciente de los tiempos de Pedro, Paulo, João, Santiago, Magdalena y demás seguidores de los primeros siglos. Descarta los rituales, los paramentos, los altares y adornos dorados de los templos y forma núcleos semejantes a la Casa del Camino, ornamentados de sencillez. La belleza está en el servicio prestado gratuitamente, acogiendo personas de todas las doctrinas que anhelan aclararse en la pureza del Evangelio y no en la sociedad religiosa elitista, donde encontramos templos que seleccionan a sus frecuentadores por la posición social que ocupan en la comunidad. ¡Los importantes de la Tierra!

La disculpa que más oimos cuanto a la explanación del Evangelio es que la alegoría de las lecciones de Jesucristo, cuando se servía de parábolas, dificulta el entendimiento de las orientaciones del Maestro. Sin embargo, cuando Él recomendó que amásemos el prójimo como amamos a nosotros mismos y que hiciésemos al otro exactamente lo que gustaríamos que el otro nos hiciese, no lo hizo de forma alegórica, sino clara y directa. Y es exactamente ahí donde más nos alejamos del cristianismo. Quien no es de nuestra iglesia es nuestro enemigo.

Vea que incluso en las parábolas interpretativas hay enunciados que no dejan dudas. La del buen samaritano, por ejemplo, habla de la indiferencia del sacerdote y del levita, religiosos de la elite judía, y del socorro prestado por el hereje samaritano que solamente veía en aquel hombre – que no conocía ni sabía su nombre – su prójimo. Dijo que un hombre bajaba de Jerusalén hacia Jericó; no un rey, un judío, un rico; simplemente un hombre.

La venida del Espiritismo como revelación posterior a Moisés y Jesucristo obedece a una secuencia lógica, pues se Jesucristo completó, ratificó, pero también corrigió orientaciones de Moisés, porque eran de un tiempo ido, así el Espiritismo vino a restaurar las lecciones originales predicadas por el Cristo y adulteradas a lo largo de los siglos. Repitiendo: no por falta de entendimiento, sino que de propósito para sacar provecho de la confusión que las propias doctrinas establecieron. Todo es para la casa de Dios. Coches, tierras, cheques, dinero, tarjetas de crédito. Ciertamente depositados en el Banco de la Divinidad.

El Espiritismo habla en un lenguaje sin preámbulos, directa y que cabe en la razón de las personas poco cultas de la misma forma como puede ser entendido por los doctores. Podemos alegar que no creemos o no estamos dispuestos al rigor de nuestra reforma interior. Sin embargo, jamás que no comprendemos. Emmanuel, en el libro El Consolador, pregunta 210, dice que el Espiritismo no necesita de los intelectuales de la Tierra, sino que ellos es que deben encontrar soporte en el Espiritismo para más bien ejecutar su progreso. Así como hizo Jesucristo que convocó su apostolado entre los hombres simples; pescadores, publicanos, etc. No buscó los doctores del Templo de Jerusalén, porque ellos nada entendían del reino que estaba siendo anunciado. La charla con Nicodemo es una comprobación.

Hay una plegaria, la Oración de la Sabiduría, que dice: “Dame, Señor, ¡inteligencia para entender, no las cosas difíciles y sencillas de ser comprendidas, sino que las cosas más simple y tan difíciles de ser entendidas!” Por eso cuando preguntaron a Emmanuel lo que era la Biblia, él contesto: “La Biblia es el amor…”. Y replicaron: “¿Pero por qué ella es tan grande?” Y el guía de Chico Xavier contestó: “¡Para explicar el amor! Del amor, ni definirlo sabemos.”

Esperamos haber dejado claro que los espíritus tenían de venir a restaurar lo que los hombres destruyeron. Con el Espiritismo solo es engañado quien quiera o es un ingenuo queriendo aprovecharse.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junio 2017

 

Jesus e o Espiritismo

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Rie_06_2017

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Que utilidade têm as orientações dos Espíritos?

“Uma vez que Jesus ensinou as verdadeiras Leis de Deus, qual a utilidade dos ensinamentos dados pelos Espíritos? Eles têm algo a mais a ensinar-nos?” Isto foi perguntado na questão 627 de O Livro dos Espíritos.

Considerando-se que o Espiritismo é o cristianismo redivivo, o que significa ressuscitado ou remoçado, fica claro que as lições de Jesus foram adulteradas ao longo do tempo, a ponto de o maior mandamento – “ama Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo” – ter praticamente desaparecido do seio da humanidade, especialmente onde deveria estar mais preservado que é no meio religioso.

Com sua conhecida educação e prudência, Kardec diz que os espíritos deviam esclarecer-nos por que Jesus falava por alegorias. Não quis dizer que o mercantilismo das doutrinas separa os homens porque cada uma enfatiza que apenas os seguidores da sua igreja terão a salvação. A intenção é afastar a concorrência. Quem não aceita Jesus na versão deles não ganha o Céu. E essa salvação passa pelas doações que criam privilégios segundo a generosidade das ofertas. Melhoram até o faturamento das empresas dos que mais colaboram.

A Doutrina Espírita, que Kardec catalogou no capítulo I de O Evangelho Segundo o Espiritismo como a terceira revelação, vem no momento certo em que o Evangelho de Jesus nada mais tem do original divulgado pelo Cristo. Os crentes se separaram indo cada um para um lado e é por isso que hoje há uma inflação de seitas que nascem a cada dia, com nomes esdrúxulos até, porque as tendinhas passaram a ser um comércio lucrativo. Amor ao próximo? Não dá lucro; melhor amor-próprio ou amor a si próprio.

A Doutrina ditada pelos espíritos nos quatro cantos da Terra e organizada pelo professor francês Rivail, posteriormente conhecido como Allan Kardec, traz de novo a pureza do cristianismo nascente dos tempos de Pedro, Paulo, João, Thiago, Madalena e demais seguidores dos primeiros séculos. Ela descarta os rituais, os paramentos, os altares e enfeites dourados dos templos e forma núcleos semelhantes à Casa do Caminho, ornamentados de singeleza. A beleza está no serviço prestado gratuitamente, acolhendo pessoas de todas as doutrinas que desejam esclarecer-se na pureza do Evangelho e não na sociedade religiosa elitizada, onde encontramos templos que selecionam seus frequentadores pela posição social que ocupam na comunidade. Colunáveis da Terra!

A desculpa que mais se ouve na explanação do Evangelho é que a alegoria das lições de Jesus, quando se servia de parábolas, dificulta o entendimento das orientações do Cristo. Todavia, quando ele recomendou que amássemos o próximo como amamos a nós mesmos ou que fizéssemos ao outro exatamente o que gostaríamos que o outro nos fizesse, não o fez de forma alegórica, mas clara e direta. E é exatamente aí onde mais nos afastamos do cristianismo. Quem não for da nossa igreja é nosso inimigo.

Observemos que mesmo nas parábolas interpretativas há enunciados que não deixam dúvidas. A do bom samaritano, por exemplo, fala da indiferença do sacerdote e do levita, religiosos da elite judaica, e do socorro prestado pelo herege samaritano que apenas via naquele homem – que não conhecia nem sabia seu nome – o seu próximo. Ele disse que um homem descia de Jerusalém para Jericó; não um rei, um judeu, um rico; simplesmente um homem.

A vinda do Espiritismo como revelação posterior a Moisés e Jesus obedece a uma sequência lógica, pois se Jesus completou, ratificou, mas também corrigiu orientações de Moisés, porque eram de um tempo ido, assim o Espiritismo veio restaurar as lições originais pregadas por Jesus e adulteradas ao longo dos séculos. Repetindo: não por falta de entendimento, mas propositadamente para tirar proveito da confusão que as próprias doutrinas estabeleceram. Tudo é para a casa de Deus. Carros, casas, cheques, dinheiro, cartões de crédito. Certamente depositados no Banco da Divindade.

O Espiritismo fala numa linguagem sem rodeios, direta e que cabe na razão das pessoas menos cultas da mesma forma como pode ser entendida pelos doutores. Podemos alegar que não acreditamos ou não estamos dispostos ao rigor da reforma íntima. Mas jamais que não entendemos. Emmanuel, no livro O Consolador, pergunta 210, diz que o Espiritismo não precisa dos intelectuais da Terra, mas que eles é que devem encontrar suporte no Espiritismo para mais bem executar o seu progresso. Assim como fez Jesus que convocou seu apostolado entre homens simples; pescadores, publicanos etc.. Não buscou os doutores do Templo de Jerusalém, porque eles nada entendiam do reino que estava sendo anunciado. A conversa com Nicodemos é uma comprovação.

Há uma prece, a Oração da Sabedoria, que diz: “Dá-me, Senhor, inteligência para entender, não as coisas difíceis e fáceis de ser compreendidas, mas as coisas mais simples e tão difíceis de ser entendidas!” Por isso quando perguntaram a Emmanuel o que era a Bíblia, ele responde: “A Bíblia é o amor…”. E replicaram: “Mas por que ela é tão grande?” E o guia do Chico respondeu: “Para explicar o amor! Do amor, nem defini-lo sabemos.”

Esperamos ter deixado claro que os espíritos tinham de vir para restaurar o que os homens destruíram. Com o Espiritismo só é enganado quem quer ou é um crédulo imprevidente buscando levar vantagem.

  • RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho de 2017