O tesouro enferrujado

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Os sentimentos do homem, nas suas próprias idéias apaixonadas, se dirigidos para o bem, produziriam sempre, em consequência, os mais substanciosos frutos para a obra de Deus. Em quase toda parte, porém, desenvolvem-se ao contrário, impedindo a concretização dos propósitos divinos, com respeito à redenção das criaturas. …Todos os sentimentos que nos foram conferidos por Deus são sagrados. Constituem o ouro e a prata de nossa herança, mas como assevera o apóstolo, deixamos que as dádivas se enferrujassem, no transcurso do tempo. Faz-se necessário trabalhemos, afanosamente, por eliminar a ‘ferrugem’ que nos atacou os tesouros do espírito. Para isso, é indispensável compreendamos no Evangelho a história da renúncia perfeita e do perdão sem obstáculos, a fim de que estejamos caminhando, verdadeiramente, ao encontro do Cristo.”. (Livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 24 – O Tesouro Enferrujado)

Tudo que há em nós, existe com uma utilidade. Necessário é darmos o direcionamento correto. Assim o é com relação aos sentimentos. Ao lermos tão bela passagem do Livro Caminho, Verdade e Vida não poderíamos deixar de fazer analogia com o capítulo 7, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em especial, itens 11 e 12 que tratam do Orgulho e da Humildade.

Somos criaturas ricas de sentimentos, mas que vivemos de forma apaixonada. Ao falarmos de orgulho e humildade, estamos falando em síntese, do processo de transformação moral que a criatura candidata-se todos os dias, a todos os momentos, de forma incansável. O processo para adquirirmos uma virtude é lento, gradual e persistente.

Conta-se que Santo Antonio queria torna-se Santo. Para isso, recolheu-se e começou um processo intensivo para conseguir tal intento. O Diabo sabendo disso resolveu tentá-lo das mais variadas formas. Fazendo por vinte anos. Ao cabo desse período, o Diabo desistiu, pois não obteve sucesso em nenhuma de suas investidas. Vendo isso, Santo Antonio se ajoelha e diz: Obrigado, meu Deus! Agora eu sou Santo! Nisso, o Diabo que já estava indo embora, volta-se e fala: agora eu tenho acesso a ele.

É uma história pueril, mas que serve para ilustrar o nosso processo de renovação interior, a reforma íntima. É um exercício diário que precisamos fazer. Quantos companheiros de lide espírita acreditam-se imunes as investidas dos seres desavisados que praticam o mal porque já resistiram a “X” investidas ou porque já são espíritas há “Y” anos?. Aquele que tenta não desiste, a nós, cabe a persistência no bem. “281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal? ‘Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. O desejo que neles predomina é o de impedirem, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?’” (Livro dos Espíritos)

A reforma íntima é uma das terminologias mais repetidas no movimento espírita, mas talvez não seja muito explicada. Esse processo de se reformar intimamente passa pela construção de uma criatura nova utilizando-se do material já existente (quem somos,experiências adquiridas, progresso realizado), mas dando um novo direcionando, empregando a mesma energia, sendo que de outra forma. Por isso que Emmanuel na mensagem transcrita acima fala do Tesouro Enferrujado, pois em si, somos criaturas ricas, somos a própria riqueza que precisamos nos descobrir. Tirar a ferrugem e fazer resplandecer o Cristo interno, em nós. A reforma íntima serve para educar e dar o sentido certo. Por isso, precisamos viver num constante estado de vigilância, mas não perdendo o bom-humor. Para que não sejamos máquinas e sim conhecedores de nós mesmos, reconhecendo nossas virtudes (pois será nelas que iremos encontrar forças para prosseguir) e defeitos (com os quais precisaremos do bisturi da razão e da paciência para corrigi-los).

O Evangelho no já referido capítulo sobre O Orgulho e A Humildade nos traz a seguinte passagem: “Todos vós que dos homens sofreis injustiças, sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, ponderando que também vós não vos achais isentos de culpas; é isso caridade, mas é igualmente humildade. Se sofreis pelas calúnias, abaixai a cabeça sob essa prova. Que vos importam as calúnias do mundo? Se é puro o vosso proceder, não pode Deus vo-las compensar? Suportar com coragem as humilhações dos homens é ser humilde e reconhecer que somente Deus é grande e poderoso.”

Todos aqueles que já vivenciamos o processo da calúnia sabemos o quão doloroso é, principalmente quando resvala em procedimentos judiciais. Mas quem não foi injustiçado? O que precisamos analisar é o quanto de importância daremos ao fato e por quanto tempo daremos importância ao fato. Depois, deveremos usar os óculos da ponderação do conhecimento espírita que já possuímos. Com a calma que só tempo produz em nós, transportamo-nos para fora da situação e olhamos com os olhos do macrocosmo que só o contato com a verdade nos produz.

Verificaremos que o que está nos incomodando não é a calúnia ou a injustiça em si, mas o orgulho ferido. Entendendo que não somos dados jogados ao acaso, que estamos encarnados com a finalidade de evoluirmos e dos nos reajustarmos com a Lei Divina, aquietar-nos-emos e compreenderemos que sim, é sinal de humildade ultrapassar este pórtico e caminharemos firmes, resolutos, rumo a Jesus. Jesus há mais de dois mil anos trouxe-nos uma mensagem de renovação, de reconstrução, de reencarnação. E convida-nos a fazermos este movimento em nós mesmos.

Haverá dias que tenderemos ao desânimo. Que acreditaremos que não iremos conseguir. Mas lembremo-nos sempre de outra passagem também contida no Evangelho: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as suas inclinações más.”(Cap. XVII, item 4). Esforcemos-nos sempre pela construção de um mundo novo, lembrando que esta construção começa com homens reconstruídos e renovados em si mesmos.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2017

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Escravo de mim mesmo

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“É necessário dizer, também, que se acusam, frequentemente, os Espíritos estranhos de danos dos quais são muito inocentes; certos estados doentios, e certas aberrações que se atribuem a uma causa oculta, por vezes, devem-se simplesmente ao Espírito do próprio indivíduo. As contrariedades, que mais comumente cada um se concentra em si mesmo, sobretudo os desgostos amorosos, fazem cometer muitos atos excêntricos que se estaria errado em levar à conta da obsessão. Frequentemente, pode ser-se obsessor de si próprio.”. (Livro Obras Póstumas, Da Obsessão e da Possessão, item 58)

De há muito a criatura se perturba na busca de compreender o que vem a ser esta força exterior que a compele de forma sutil algumas vezes; outras tantas de forma sedutora e outras mais, de forma subjugadora. Sendo necessária a Doutrina Espírita para que a explicação tomasse corpo, compreensão e forma correta. A força externa encontra guarita internamente em nós. Sendo este o ponto de partida para desenvolvermos o nosso raciocínio.

Consistindo num ranço das idéias trazidas de outras religiões, alguns espíritas, coloca nos ombros dos espíritos a responsabilidade total e irrestrita quando se fala de processos obsessivos. Esquecendo-se que a tomada (obsessor) só se conecta no plug (obsediado) que esteja propenso a isso. O processo é eminentemente moral. São matrizes trazidas de outras encarnações, somadas as próprias situações geradas por nós nesta É o nosso mundo íntimo que fala no silêncio dos nossos atos. Trazemos hoje a soma de tudo o que fizemos até a presente data. Exalamos uma vibração captada pelos que nos circundam e se não fizermos um movimento de modificação vibratório continuaremos sintonizando com aqueles de outra que eram nossos cúmplices.

Por isso, é-nos solicitado buscarmos através da prática do bem e amor ao próximo, da prece e do estudo e auto-conhecimento a mudança vibracional tratada anteriormente. Esta se constitui, semelhante ao que fazemos em nossos lares para protegermos as saídas de eletricidade, na proteção que colocamos no plug para que a tomada não consiga fazer a ligação e assim nos colocando fora do alcance deles. Vemos dessa forma, que a criatura

Não podemos nos permitir a condição de vítimas. Essa é a primeira e principal porta de acesso para as auto-obsessões sendo secundadas pelas obsessões. Somos responsáveis pelos nossos atos. Não atribuindo aos outros a responsabilidade daquilo que nós fizemos. Este pensamento faz com que também a criatura saia da situação confortável de vítima do mundo e passe a ser pessoa ativa na decisão de seus atos.

Antes se culpava a Deus, depois os Santos, agora aos espíritos. Mesmo nos casos de subjugação. Este processo começou em algum momento em que a pessoa deu guarita através de pensamentos, palavras e/ou atitudes. Dar-se o mesmo quando culpamos os pais, irmãos ou qualquer outras pessoas pelos nossos sofrimentos. A Doutrina Espírita nos explica que não somos dados jogados ao acaso, se reencarnamos num agrupamento, cumprimos com uma finalidade que não conseguimos abarcar com sabedoria no momento, mas que dentro da necessidade de aprendizado/reajustamento com a Lei Divina ali estamos.

Em vez de ficarmos olhando para trás e reclamando do que nos aconteceu, vivendo um processo de auto-obsessão e sendo escravos de nós mesmos, olhemos para frente. Enxergando o futuro que nos espera. Tendo esperança. Trabalhando para construir algo de melhor para nós e para o nosso semelhante. Se nos faltou amor, amemos; se não fomos compreendidos, compreendamos; se fomos insultados, maltradados, estendamos a nossa compreensão aqueles que compartilham a caminhada conosco. Provavelmente não conseguiremos de pronto termos tais atitudes positivas para com os que nos feririam, mas com o nosso próximo que se avizinha de nós e que nem imagina a nossa história, sim.

Este é o convite que a Doutrina Espírita nos faz quando nos apresenta a passagem: “Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; – e que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhes entregueis o manto; – e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. – Dai àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos queira tomar emprestado. (S. MATEUS, cap. V, vv. 38 a 42.)

Aqui está o antítodo contra a auto-obsessão. Desprendermo-nos de nós mesmos. Quanto mais bem fizermos melhor nos encontraremos diante dos percalços da vida. Não resistindo ao mal que nos queiram fazer caminhamos um pouco mais na senda do entendimento. Entregando a túnica, que a época constitui-a bem valioso para aquele que a possuía, reafirmamos o nosso compromisso com Deus, evidenciando que os bens espirituais estão acima dos bens temporais; e caminhando mil passos estamos demonstrando a perseverança, perseverança esta motivada pelo entendimento correto da Lei Divina.

Quando resolvemos sair da inércia mental e colocamo-nos na condição de protagonistas de nossa própria história não mais permitiremos ser assaltados por pensamentos de auto-escravidão e consequentemente de auto-flagelo. Somos todos Filhos de Deus. Ajamos dessa forma. Existem razões que nos fazem chorar, mas também existem muitas razões que nos fazem sorrir. Se ainda não podemos ter a felicidade completa neste Planeta por ser ele de provas e expiações, podemos suavizar seus males e sermos felizes o quanto for possível (questão 920 de O Livro dos Espíritos). Não aumentemos a carga, pesada que por vezes já é. Diminuamos o mais possível com os nossos pensamentos e com o nosso próprio comportamento. Auxiliando o quanto possível e amando a todos sempre.

Jornal O Clarim – Julho de 2017

A mulher adúltera

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, – disseram a Jesus: ‘Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; – ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?’- Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. – Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: ‘Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.’ – Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. – Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: ‘Mulher, onde estão os que te acusaram? Ninguém te condenou?’ – Ela respondeu: ‘Não, Senhor. Disse-lhe Jesus: ‘Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.’” (S. JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Os Escribas eram os intérpretes da Lei de Moisés e se colocavam em oposição aos Fariseus, estes por sua vez estavam mais preocupados com a forma do que com o conteúdo da Lei, eram orgulhosos e possuíam ânsia de dominação. Compilação da explicação detalhada contida no Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução.

Então estas criaturas que se aferravam a proposta da aplicação da Lei, mas não na verificavam em plenitude com relação a si mesmos, trouxeram a presença do Mestre Jesus a figura da mulher. Junto com os escravos e as crianças, as mulheres eram tidas, à época, como criaturas de somenos importância. Queriam dessa forma, corroborar esta ideia e colocar “em cheque” a postura de Jesus com relação aos costumes vigentes.

Assim, resolveriam dois problemas, situação semelhante ao que ocorreu a insígnia de César na moeda. Afirmaram que a mulher fora surpreendida em adultério, mas em nenhum momento trouxeram a presença do grupo aquele que adulterou junto com ela. Adulterar traz em um dos seus significados a terminologia “corromper”. Mas nós podemos nos corromper ou corromper ao outro, levando intencionalmente ao vício ou ao erro. Por isso, se a mulher ali estava presente, aquele que adulterou com ela também deveria estar.

O primeiro movimento do Mestre após a inquisição que ora se procede é de “abaixar-se”. Movimento extremamente significativo, representando este momento de mergulho interior que deveremos fazer quando somos convidados a nos pronunciarmos sobre qualquer fato. Primeiro revisitando nosso valores mais superficiais (os sociais), após os religiosos e familiares e quando alcançamos um grau de maturidade mais elevado, como que de insight o nosso passado espiritual.

Após estes momentos de reflexão que todos deveríamos fazer, o Mestre escrevinha alguma coisa no chão e levanta-se. Processo análogo acontece conosco depois destes momentos de reflexão. Não será mais o calor das emoções que nortearão o nosso falar, mas a riqueza de experiências e conhecimentos que possuímos. Muitas vezes é necessário termos experienciando algo ou pelo menos alguém a quem amamos ter experienciando para podermos fazer o justo valor sobre algo. Porque se ficarmos na superficialidade da situação tenderemos a analisar as coisas ou como Escribas, muito conhecedores da Lei, mas pouco experienciados; ou como os Fariseus, que quem muitos momentos até já vivenciamos o ocorrido, mas nos é conveniente esquecer e preferimos jogar pecha no nosso semelhante tirando de nós o foco do olhar alheio.

E termo singular Ele diz: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” Neste momento, Jesus novamente abaixa-se e como alguns ainda persistiam em ignorar a própria consciência, ele escrevinhar, no chão, palavras significativas: ladrão, avaro, déspota, etc. As pessoas começam a sair. Sendo os mais velhos primeiro. Entendendo os mais velhos neste trecho como os mais experientes, os mais vividos. Neste momento, acabam por deixar Jesus e a mulher sozinhos. Porque nenhum de nós está livre de experiências desairosas. O que nos falta é fazer ao outro o que desejamos para nós. Agir com a mesma misericórdia e condescendência que desejamos ser tratados. Sendo diferente de conivência.

Tanto é verdade que quando Jesus se vê a sós com a mulher utiliza-se desse momento para educá-la nos princípios da verdadeira caridade, mas também nos princípios da responsabilidade perante a assunção de seus atos. Após Jesus levantar-se pergunta se ninguém a havia condenado, como era o costume. Ela afirma que não. Jesus encerra a lição dizendo que Ele não a condenaria. Sendo para nós o modelo mais perfeito que Deus nos conferiu, poderia Ele neste momento, já que estava a sós com ela proceder a um julgamento moral, mas Ele não o faz, pois sabe que todos somos regidos pelo Tribunal da Consciência.

Encerra a conversa com uma afirmação: “Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” Não é porque erramos (pecamos) uma vez que deveremos permanecer no erro. A escolha é sempre nossa, corrigir o roteiro ou permanecermos errados. A orientação sempre nos será dada, a motivação e o retorno à estrada do bem pertence ao nosso direito de escolha, ao nosso livre arbítrio. Mesmo sabendo que poderia aproveitar o momento e fazer uma reprimenda a mulher, Jesus aproveita a oportunidade para mostrar o caminho, para indicar-lhe que sempre temos alternativas em nossas vidas, basta querermos enxergar.

Tribuna Espírita – maio/junho 2017

O trabalhador espírita

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Octávio Caúmo Serrano

Qual a tarefa mais importante para o colaborador do Centro?

Vamos recapitular como foi a chegada ao Espiritismo da maioria de nós. Embora hoje seja mais comum, ainda são poucos os nascidos em lares espíritas e, mesmo entre esses, nem todos se sentem inspirados a buscar a doutrina porque os espíritas da casa não são bons propagandistas do Espiritismo; não têm conduta condizente com a que deve ter um praticante dessa doutrina.

Vamos imaginar, prioritariamente, uma pessoa que tenha problemas e decida buscar um centro espírita para aconselhar-se, equilibrar-se ou curar-se. Foi convencida por um amigo ou pesquisou e crê que seria uma boa opção para se livrar do problema. Passa pelo atendimento fraterno (uma orientação espiritual), desabafa com o entrevistador, é aconselhado a receber uma série de passes, ouve palestras e, se fizer sentido, participa dos estudos e cursos que a casa oferece. A grande maioria está satisfeita com essa rotina e comporta-se como o que vai à missa católica ou ao culto protestante. Faz-se presente, reza, contribui e já cumpriu tudo o que lhe cabia junto à sua religião. Todavia, há sempre alguns que se sensibilizam com o trabalho do centro, gratuito e fraterno, e sentem vontade de dar sua colaboração.

Que trabalho eles podem fazer? A resposta é: – Muitos. Tudo depende da capacidade, instrução, vivência, conhecimento e experiência doutrinária, porque há serviços acessíveis a todos, mas nem todos podem fazer tudo. Nem sempre o participante tem capacidade para a oratória e consequente divulgação do Evangelho ou do Espiritismo; nem pode ser um entrevistador porque para isso precisa, além da doutrina, alguma experiência da vida e habilidade para o correto aconselhamento.

Mas há outros serviços acessíveis a quase todos. Por exemplo, os passes que precisam de pessoas que abram o coração e deixem jorrar amor; o de distribuidor de mensagem ou recepcionista que dá as boas vindas e assessora o visitante dentro da casa; o que ajuda na limpeza; o que abre e fecha o Centro, se encarrega de ligar e desligar luzes, ventiladores, ar, microfones, etc.; e tantos outros, conforme o tipo de organização. Há em muitas casas a assistência material. Enxovais, sopas, etc. Todos são trabalhos igualmente importantes quando feitos de coração.

Há pessoas dispostas a se deixar ensinar e há outras que são preocupadas com a perfeição, o que os faz recuar quando convocados a algum serviço que não dominam ou quando censuradas por ter executado algo em desacordo com as normas da casa e da própria doutrina espírita. Pedir-lhes para que façam simples prece de abertura ou encerramento da reunião, por exemplo, pode afugentá-las.

Quando convocamos alguém para o trabalho e ele diz que não sabe fazer, informamos que é esse o trabalho que ele deve executar; para aprender. Se apenas repetirmos o que sabemos trazido de outras vidas, sairemos daqui sem acrescentar-nos em nada. Portanto, devemos dar prioridade aos trabalhos que não sabemos fazer; para aprender.

O importante, no entanto, é fazermos da nossa vida particular um prolongamento da nossa atuação religiosa, porque muitos de nós somos especialistas no Espiritismo prático, mas poucos praticamos a essência espírita. Falamos, mas não somos; ensinamos, mas não aprendemos! E, no entanto, segundo Emmanuel a mais importante tarefa do homem na Terra é sua própria iluminação. Corrigir antes a si próprio do que os outros.

Esta recomendação do mentor do Chico encontra eco no próprio Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VIII. No item 9, quando o fariseu observou que Jesus não lavou as mãos antes de comer, o Cristo lendo o pensamento dele, comentou: “Agora vos outros, os fariseus, limpais o que está por fora do corpo e do prato, mas o vosso interior está cheio de roubo e de maldade. Insensatos, quem fez tudo o que está de fora não fez também o que está dentro?” – Lucas XI-37/40.

No item 10, Kardec diz que os judeus haviam negligenciado os verdadeiros mandamentos de Deus. Preocupavam-se com o sábado, as mãos lavadas, as oferendas e orações quilométricas no templo, mas continuavam como eram sem modificar-se. Por isso disse o Cristo: “É em vão que esse povo me honra com os lábios, ensinando máximas e mandamentos dos homens.”

Ainda no item 10, Kardec afirma que o mesmo acontece com a doutrina moral do Cristo que acabou por ser deixada num segundo plano, o que fez com que muitos cristãos, à semelhança dos judeus, creiam que a salvação está mais assegurada pelas práticas exteriores do que pela moral. O homem não chega a Deus enquanto não se fizer perfeito.

Se observarmos bem este trecho que já tem vinte séculos, veremos que permanece atual e se aplica a todos os religiosos modernos, inclusive a nós espíritas, lamentavelmente. Somos muitas vezes presunçosos por conhecer de ectoplasma, perispírito, vampirismo, materialização e esquecemos que damos pouca atenção ao amor ao próximo, especialmente quando se trata de aceitar suas limitações. E o mandamento que nos aconselha amar o próximo como a nós mesmos não estabelece ressalvas; não diz desde que o próximo seja seu amigo, seu parente ou da sua religião.

Na parábola do Bom Samaritano Jesus mostrou que a ação em favor do bem é mais importante que o rótulo da doutrina que abraçamos. Oremos e vigiemos!

Tribuna Espírita – maio/junho 2017

Tatuagens

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Octavio Caumo Serrano

Já há algum tempo acentuaram-se as manias de colocar piercing e de tatuar partes do corpo com nomes, símbolos ou desenhos. Independente dos seus significados místicos ou espirituais, simbologias ou o que quer que se pretenda com isso, gostaria de analisar esta prática à luz da doutrina espírita.

Sabiam que Luiz Sérgio, autor espiritual de mais de trinta livros, que abordou sobre aborto, sobre drogas e outros assuntos delicados, também se manifestou em relação aos piercings e às tatuagens.

Simples pesquisa – “Luis Sérgio e as tatuagens” – nos brindou com o trecho abaixo.  Vamos ao diálogo:

Aqui é o Vale dos Tatuados?  Foi perguntado.
-Sim, aqui é o vale deles.
-Jessé, mas existe tatuado boa gente. Mesmo assim ele vem para cá?
-Não. Aqui se encontram os comprometidos. Porém, todos aqueles que estragaram sua roupa perispiritual terão de pagar ceitil por ceitil. -Como assim? Pode explicar?
-O perispírito é a veste do Espírito e o corpo de carne é a veste do perispírito, quando o homem está encarnado. Se agredirmos o corpo físico, o perispírito é agredido. Olhe aquele grupo ali: seus componentes tatuaram todo o corpo; corpo e perispírito foram agredidos.
-E por que eles vieram parar aqui, Jessé?
-Eles se agrupam, fugindo das criaturas normais. Querem chocar a sociedade.
Das tatuagens daquelas estranhas figuras saía uma fumaça escura, que muito os incomodava.”

Para os espíritas isso é fácil de ser entendido. Mesmo as doenças comuns, que geram lesões físicas, deixam marcas no períspirito que é a matriz usada na encarnação seguinte. Isso se dá com o alcoólatra que pode ter lesado o fígado físico espiritual, o fumante, que lesa pulmões, brônquios, etc., físicos e espirituais, com o assassino, que atrofia mãos e braços espirituais provocando lesões que virão com ele em vidas futuras, por que duvidar que com piercing e tatuagens ocorra o mesmo?

É comum nascermos com cicatrizes inexplicáveis, resultantes de ferimentos em vidas anteriores. No meu caso pessoal, para dar um exemplo, tenho uma cicatriz no fundo do olho esquerdo, só visível por aparelhagem, sendo que não tive lesões nesta vida. Já apareceu há mais de 40 anos e em exame recente lá está do mesmo jeito. Não há explicação a não ser por lesão perispiritual trazida de outras vidas.

O corpo físico é o templo sagrado onde mora o espírito nesta nova fase e deve ser tratado com o maior respeito. Atualmente a cada dia é mais usada a medicina preventiva como os check-ups, as mamografias, exames de próstata e de todas as outras áreas e parte do corpo. Desenvolveram-se  aparelhagens sofisticadas como as ultrassonografias, as ressonâncias e tantas outras.  Se nós devemos dar ao corpo físico todo o cuidado para mantê-lo saudável, não há sentido em flagela-lo com furos e rasgos desnecessários sob o pretexto de destacar-se em aparência ao acompanhar um modismo irracional.

A beleza das pessoas não está nos desenhos de sua pele. Há cobras muito mais bonitas. Se desejarmos homenagear marido, esposa, filho, namorada ou ídolos, tenhamos com eles uma convivência de harmonia sem necessidade de exibicionismo.

Dia destes assisti a um jogo internacional de voleibol feminino entre um clube brasileiro e um russo. As brasileiras cheias de desenhos e nomes e as russas, todas de pele muito clara sem um único sinal. Fiquei me perguntando o porquê dessa diferença de hábitos.

Este alerta é para que as pessoas tenham noção do que estão se fazendo e que se continuarem sujeitam-se a consequências. Quem der risada desta advertência, paciência. Na verdade é problema que diz respeito a cada um porque o livre arbítrio é sempre soberano.

Jornal O Clarim – julho de 2017

 

 

 

 

 

 

Es necesario nacer de nuevo

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“Lo que es nacido de la carne es carne; lo que es nacido del Espíritu es Espíritu” – Juan III 1-2.

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Aunque la creencia de la reencarnación sea normal en casi toda la humanidad, quedando la excepción por cuenta de los cristianos no espiritistas, los mecanismos de esa ley aún son mal comprendidos y nos llevan a divagaciones.

Entre los judíos, había entre los fariseos la creencia en la resurrección, a punto de que anhelaban ser enterrados en el camposanto del Valle del Cedrón, en Jerusalén, de dónde emergerían los primeros que fuesen para el mundo celestial al final de los tiempos. Está entre los muros del Templo y el Monte de los Olivos, donde hay muchos túmulos de judíos importantes, incluso el del profeta Zacarías. Es también conocido como el Vale del Juicio, local donde Dios vendría a buscar los escogidos.

Otros religiosos, los saduceos, creían en Dios y en sus recompensas, sin embargo solamente en esta vida. Recibirían por todo el bien que hiciesen aquí mismo en la Tierra. Muertos, nada más les quedaría. Divergencias en el mismo pueblo que se considera el elegido por Dios.

En Brasil, un país de mayoría católica, y también de adeptos de diferentes doctrinas derivadas del cristianismo, como los protestantes con los diferentes segmentos, por ejemplo, la reencarnación es tratada como fantasía. Incluso los médicos que cuidan de las almas, analistas y terapeutas en general, atribuyen todo a los registros del inconsciente. Usan palabras difíciles para explicar lo que no entienden ni están convencidos, porque se quedan sin coraje de admitir su propio desconocimiento en el asunto. Afirman que se alguien ejecuta un instrumento o habla un idioma extranjero es porque ha escuchado en alguna parte, algún día, alguien tocar la música o hablar el idioma. Fue en la convivencia con alguien, una niñera o cualquier situación, por más fortuita que parezca, que el niño registró el hecho que aflora en determinado momento. Pero no explican cómo alguien puede hablar idiomas muertos hay milenios y ni de quien los tendría oído.

Las redes sociales muestran hoy niños con menos de seis años que son verdaderos virtuosos de la música, de la pintura y otras artes. Niños que hablan media docena de idiomas sin nunca haber estudiado o convivido con personas de estos idiomas. Intentar negar no es inteligente. Es preferible investigar; es menos arriesgado. Si no tiene explicación mejor decir no sé. Al final, nadie sabe todo. Peor; lo que sabemos es tan poco que es casi nada.

Hablan de los complejos de Edipo y de Electra, pero no explican las causas. Complejo de Edipo es uno de los conceptos fundamentales de Freud, en psicoanálisis. Se refiere a una fase en el desarrollo infantil en que hay una “disputa” entre el niño del sexo masculino y el progenitor (figura masculina) por el amor de la progenitora (figura femenina). Complejo de Electra fue estudiado por el psiquiatra y psicoterapeuta suizo Carl Gustav Jung, en referencia con el mito griego de Electra. Ésta es una fase del desarrollo psicosexual de los niños del sexo femenino, de acuerdo con el psicoanálisis. Consiste en la etapa en la que la hija pasa a sentirse atraída por el padre, disputando con la madre la atención de este hombre. ¿Cuál la razón? ¿Esto sucede con todas las niñas, sin excepción? Cierto que no.

El Espiritismo explica que muchos problemas de matrimonios del pasado, con la interferencia de amantes que destruyen hogares, provocan necesidades de rescates y los que fallaron vuelven como padres e hijos para ejercitar un amor sublimado, mayor que el amor carnal de los tiempos que se fueron. Pero esto no es regla absoluta. Hay padres e hijos que ningún comprometimiento tienen en este sentido.

Por más que las religiones y los científicos nieguen, más de un ochenta por ciento de las personas, por curiosidad y buen sentido, tienen dudas sobre si ya vivieron antes y se vivirán después. No pretenden aceptar la reencarnación, pero la razón casi que las obliga. Las investigaciones cada vez más afirman que sí y estamos actualmente, según entrevistados de la psicóloga norte-americana Helen Wambach, en el momento de las grandes revelaciones para la humanidad. Ya descubrieron hasta que el corazón tiene neuronas y, por tanto, piensa, así como la mente tiene sentimiento. Los nuevos conocimientos no paran por ahí y se aceleran a cada día, probándonos que sabemos poco o casi nada con respecto a nosotros mismos. Tenemos todo a aprender sobre de dónde vinimos y qué nos espera.

Las iglesias prefieren negar y vender indulgencias, curas, riqueza, comodidades y alegan que necesitar nacer de nuevo se refiere a una renovación de conceptos que debe operarse en cada uno, como cuando Jesucristo dijo a Saulo que él debía matar el hombre viejo que había en él para dejar nacer el hombre nuevo. Sin duda, es también importante renacimiento, pero no fue de ese nacer nuevamente que Jesús habló a Nicodemo.

El propio Jesús al decir que Juan Bautista era Elías que volviera y la humanidad no percibió, deja claro que decía de la reencarnación. Las enseñanzas de Jesús son sencillas y claras, pero como la simplicidad no permite misterios y divagaciones, las iglesias ponen en esto una pizca de misticismo para tener poder espiritual sobre el pueblo. Cuando sepamos que los templos son secundarios y no necesitamos frecuentarlos para hacer el bien, para llegar a Dios y construir nuestro cielo, nos quedaremos menos presos a esos disfraces. Jesucristo está a nuestro lado permanentemente con su Evangelio. Los grupos religiosos solamente valen por lo que nos enseñan de las Leyes Divinas fortaleciendo nuestra fe y no por supuestas ventajas que puedan ofrecer mismo sin que tengamos merecimiento. Milagros sin mérito serían injusticias. Y Dios no comete injusticias.

Salve el Espiritismo: “Fuera de la caridad no hay salvación”. Damos de gracia qué de gracia recibimos. Que Dios nos ayude para no perder jamás ese foco y ese rumbo.

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – julio 2017

 

É preciso nascer de novo

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RIE julho 2017

“O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é Espírito” – João III 1-2.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Embora a crença da reencarnação seja aceita por quase toda a humanidade, ficando a exceção por conta dos cristãos não espíritas, os mecanismos dessa lei ainda são mal compreendidos e levam-nos a divagações.

Entre os judeus, havia nos fariseus a crença na ressurreição, a ponto de desejarem ser enterrados no cemitério do Vale do Cedrón, em Jerusalém, de onde emergiriam os primeiros que fossem para o mundo celestial no final dos tempos. Está entre os muros do Templo e o Monte das Oliveiras, onde há muitos túmulos de judeus importantes, inclusive o do profeta Zacarias. É também conhecido como o Vale do Julgamento, local onde Deus viria buscar os escolhidos.

Outros religiosos, os saduceus, acreditavam em Deus e em suas recompensas, mas apenas nesta vida. Receberiam pelo bem que fizessem aqui mesmo na Terra. Mortos, nada mais restaria. Divergências no mesmo povo que se considera o eleito por Deus.

No Brasil, um país de maioria católica, e também de adeptos de diferentes doutrinas derivadas do cristianismo, como os protestantes com seus diferentes segmentos, por exemplo, a reencarnação é tratada como fantasia. Mesmo os médicos que cuidam das almas, analistas e terapeutas em geral, atribuem tudo aos registros do inconsciente. Usam palavras difíceis para explicar o que não entendem nem estão convencidos, porque ficam acanhados de admitir o próprio desconhecimento no assunto. Afirmam que se alguém executa um instrumento ou fala uma língua estrangeira é porque ouviu nalgum dia, nalgum lugar, alguém tocar a música ou falar o idioma. Foi na convivência com alguém, uma babá ou qualquer situação, por mais fortuita que pareça, que a criança registrou o fato que aflora em determinado momento. Mas não explicam como alguém pode falar línguas mortas há milênios e nem de quem as teria ouvido.

As redes sociais mostram hoje crianças com menos de seis anos que são verdadeiros virtuoses da música, da pintura e outras artes. Crianças que falam meia dúzia de idiomas sem nunca ter estudado ou convivido com pessoas de tais línguas. Tentar negar não é inteligente. É melhor pesquisar; é menos arriscado. Se não tiver explicação melhor dizer não sei. Afinal, ninguém sabe tudo. Pior; o que sabemos é tão pouco que é quase nada.

Falam dos complexos de Édipo e Electra, mas não explicam as causas. Complexo de Édipo é um dos conceitos fundamentais de Freud, na psicanálise. Este conceito refere-se a uma fase no desenvolvimento infantil em que existe uma “disputa” entre a criança do sexo masculino e o genitor (figura masculina parental) pelo amor da genitora (figura feminina parental). Complexo de Electra foi estudado pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung, em referência ao mito grego de Electra. Esta é uma fase do desenvolvimento psicossexual das crianças do sexo feminino, de acordo com a psicanálise. Consiste na etapa em que a filha passa a se sentir atraída pelo pai, disputando com a mãe a atenção deste homem. Qual a razão? Acontece com todas as meninas, sem exceção? Certo que não.

O Espiritismo explica que muitos problemas de casamentos do passado, com a interferência de amantes que destroem lares, provocam necessidades de resgates e os faltosos voltam como pais e filhos para exercitar um amor sublimado, maior que o amor carnal dos tempos que se foram. Mas isso ocorre sem que seja regra absoluta. Há pais e filhos que nenhum comprometimento têm nesse sentido.

Por mais que as religiões e os cientistas neguem, mais de oitenta por cento das pessoas, por curiosidade e bom senso, têm dúvidas sobre se já viveram antes e se viverão depois. Não pretendem aceitar a reencarnação, mas a razão quase que as obriga. As pesquisas cada vez mais afirmam que sim e estamos atualmente, segundo entrevistados da psicóloga norte-americana Helen Wambach, no momento das grandes revelações para a humanidade. Já descobriram até que o coração têm neurônios e, portanto, pensa; assim como a mente tem sentimento. Os novos conhecimentos não param por aí e se aceleram a cada dia, provando-nos que sabemos pouco ou quase nada a respeito de nós mesmos. Temos tudo a aprender sobre de onde viemos e o que nos espera.

As igrejas preferem negar e vender indulgências, curas, riqueza, conforto e alegam que precisar nascer de novo refere-se a uma renovação de conceitos que deve operar-se em cada um, como quando Jesus Cristo disse a Saulo que ele deveria matar o homem velho que havia nele para deixar nascer o homem novo. Sem dúvida, é também importante renascimento, mas não foi desse nascer novamente que Jesus falou a Nicodemos.

O próprio Jesus ao dizer que João Batista era Elias que havia voltado e a humanidade não percebeu, deixa claro que falava da reencarnação. Os ensinamentos de Jesus são simples e claros, mas como a simplicidade não permite mistérios e divagações, as igrejas colocam nisso uma pitada de misticismo para ter poder espiritual sobre o povo. Quando soubermos que os templos são secundários e não precisamos frequentá-los para fazer o bem, para chegar a Deus e construir nosso céu, ficaremos menos atrelados a essas fantasias. Jesus está ao nosso lado permanentemente com seu Evangelho. Os grupos religiosos só valem pelo que nos ensinam das Leis Divinas fortalecendo a nossa fé e não por supostas vantagens que possam oferecer mesmo sem que tenhamos merecimento. Milagres sem mérito seriam injustiças. E Deus não comete injustiças.

Salve o Espiritismo: “Fora da caridade não há salvação”. Damos de graça o que de graça recebemos. Que Deus nos ajude para não perdermos jamais esse foco e esse rumo.

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – julho 2017