RIE julho 2017

“O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é Espírito” – João III 1-2.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Embora a crença da reencarnação seja aceita por quase toda a humanidade, ficando a exceção por conta dos cristãos não espíritas, os mecanismos dessa lei ainda são mal compreendidos e levam-nos a divagações.

Entre os judeus, havia nos fariseus a crença na ressurreição, a ponto de desejarem ser enterrados no cemitério do Vale do Cedrón, em Jerusalém, de onde emergiriam os primeiros que fossem para o mundo celestial no final dos tempos. Está entre os muros do Templo e o Monte das Oliveiras, onde há muitos túmulos de judeus importantes, inclusive o do profeta Zacarias. É também conhecido como o Vale do Julgamento, local onde Deus viria buscar os escolhidos.

Outros religiosos, os saduceus, acreditavam em Deus e em suas recompensas, mas apenas nesta vida. Receberiam pelo bem que fizessem aqui mesmo na Terra. Mortos, nada mais restaria. Divergências no mesmo povo que se considera o eleito por Deus.

No Brasil, um país de maioria católica, e também de adeptos de diferentes doutrinas derivadas do cristianismo, como os protestantes com seus diferentes segmentos, por exemplo, a reencarnação é tratada como fantasia. Mesmo os médicos que cuidam das almas, analistas e terapeutas em geral, atribuem tudo aos registros do inconsciente. Usam palavras difíceis para explicar o que não entendem nem estão convencidos, porque ficam acanhados de admitir o próprio desconhecimento no assunto. Afirmam que se alguém executa um instrumento ou fala uma língua estrangeira é porque ouviu nalgum dia, nalgum lugar, alguém tocar a música ou falar o idioma. Foi na convivência com alguém, uma babá ou qualquer situação, por mais fortuita que pareça, que a criança registrou o fato que aflora em determinado momento. Mas não explicam como alguém pode falar línguas mortas há milênios e nem de quem as teria ouvido.

As redes sociais mostram hoje crianças com menos de seis anos que são verdadeiros virtuoses da música, da pintura e outras artes. Crianças que falam meia dúzia de idiomas sem nunca ter estudado ou convivido com pessoas de tais línguas. Tentar negar não é inteligente. É melhor pesquisar; é menos arriscado. Se não tiver explicação melhor dizer não sei. Afinal, ninguém sabe tudo. Pior; o que sabemos é tão pouco que é quase nada.

Falam dos complexos de Édipo e Electra, mas não explicam as causas. Complexo de Édipo é um dos conceitos fundamentais de Freud, na psicanálise. Este conceito refere-se a uma fase no desenvolvimento infantil em que existe uma “disputa” entre a criança do sexo masculino e o genitor (figura masculina parental) pelo amor da genitora (figura feminina parental). Complexo de Electra foi estudado pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung, em referência ao mito grego de Electra. Esta é uma fase do desenvolvimento psicossexual das crianças do sexo feminino, de acordo com a psicanálise. Consiste na etapa em que a filha passa a se sentir atraída pelo pai, disputando com a mãe a atenção deste homem. Qual a razão? Acontece com todas as meninas, sem exceção? Certo que não.

O Espiritismo explica que muitos problemas de casamentos do passado, com a interferência de amantes que destroem lares, provocam necessidades de resgates e os faltosos voltam como pais e filhos para exercitar um amor sublimado, maior que o amor carnal dos tempos que se foram. Mas isso ocorre sem que seja regra absoluta. Há pais e filhos que nenhum comprometimento têm nesse sentido.

Por mais que as religiões e os cientistas neguem, mais de oitenta por cento das pessoas, por curiosidade e bom senso, têm dúvidas sobre se já viveram antes e se viverão depois. Não pretendem aceitar a reencarnação, mas a razão quase que as obriga. As pesquisas cada vez mais afirmam que sim e estamos atualmente, segundo entrevistados da psicóloga norte-americana Helen Wambach, no momento das grandes revelações para a humanidade. Já descobriram até que o coração têm neurônios e, portanto, pensa; assim como a mente tem sentimento. Os novos conhecimentos não param por aí e se aceleram a cada dia, provando-nos que sabemos pouco ou quase nada a respeito de nós mesmos. Temos tudo a aprender sobre de onde viemos e o que nos espera.

As igrejas preferem negar e vender indulgências, curas, riqueza, conforto e alegam que precisar nascer de novo refere-se a uma renovação de conceitos que deve operar-se em cada um, como quando Jesus Cristo disse a Saulo que ele deveria matar o homem velho que havia nele para deixar nascer o homem novo. Sem dúvida, é também importante renascimento, mas não foi desse nascer novamente que Jesus falou a Nicodemos.

O próprio Jesus ao dizer que João Batista era Elias que havia voltado e a humanidade não percebeu, deixa claro que falava da reencarnação. Os ensinamentos de Jesus são simples e claros, mas como a simplicidade não permite mistérios e divagações, as igrejas colocam nisso uma pitada de misticismo para ter poder espiritual sobre o povo. Quando soubermos que os templos são secundários e não precisamos frequentá-los para fazer o bem, para chegar a Deus e construir nosso céu, ficaremos menos atrelados a essas fantasias. Jesus está ao nosso lado permanentemente com seu Evangelho. Os grupos religiosos só valem pelo que nos ensinam das Leis Divinas fortalecendo a nossa fé e não por supostas vantagens que possam oferecer mesmo sem que tenhamos merecimento. Milagres sem mérito seriam injustiças. E Deus não comete injustiças.

Salve o Espiritismo: “Fora da caridade não há salvação”. Damos de graça o que de graça recebemos. Que Deus nos ajude para não perdermos jamais esse foco e esse rumo.

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – julho 2017

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