Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“É necessário dizer, também, que se acusam, frequentemente, os Espíritos estranhos de danos dos quais são muito inocentes; certos estados doentios, e certas aberrações que se atribuem a uma causa oculta, por vezes, devem-se simplesmente ao Espírito do próprio indivíduo. As contrariedades, que mais comumente cada um se concentra em si mesmo, sobretudo os desgostos amorosos, fazem cometer muitos atos excêntricos que se estaria errado em levar à conta da obsessão. Frequentemente, pode ser-se obsessor de si próprio.”. (Livro Obras Póstumas, Da Obsessão e da Possessão, item 58)

De há muito a criatura se perturba na busca de compreender o que vem a ser esta força exterior que a compele de forma sutil algumas vezes; outras tantas de forma sedutora e outras mais, de forma subjugadora. Sendo necessária a Doutrina Espírita para que a explicação tomasse corpo, compreensão e forma correta. A força externa encontra guarita internamente em nós. Sendo este o ponto de partida para desenvolvermos o nosso raciocínio.

Consistindo num ranço das idéias trazidas de outras religiões, alguns espíritas, coloca nos ombros dos espíritos a responsabilidade total e irrestrita quando se fala de processos obsessivos. Esquecendo-se que a tomada (obsessor) só se conecta no plug (obsediado) que esteja propenso a isso. O processo é eminentemente moral. São matrizes trazidas de outras encarnações, somadas as próprias situações geradas por nós nesta É o nosso mundo íntimo que fala no silêncio dos nossos atos. Trazemos hoje a soma de tudo o que fizemos até a presente data. Exalamos uma vibração captada pelos que nos circundam e se não fizermos um movimento de modificação vibratório continuaremos sintonizando com aqueles de outra que eram nossos cúmplices.

Por isso, é-nos solicitado buscarmos através da prática do bem e amor ao próximo, da prece e do estudo e auto-conhecimento a mudança vibracional tratada anteriormente. Esta se constitui, semelhante ao que fazemos em nossos lares para protegermos as saídas de eletricidade, na proteção que colocamos no plug para que a tomada não consiga fazer a ligação e assim nos colocando fora do alcance deles. Vemos dessa forma, que a criatura

Não podemos nos permitir a condição de vítimas. Essa é a primeira e principal porta de acesso para as auto-obsessões sendo secundadas pelas obsessões. Somos responsáveis pelos nossos atos. Não atribuindo aos outros a responsabilidade daquilo que nós fizemos. Este pensamento faz com que também a criatura saia da situação confortável de vítima do mundo e passe a ser pessoa ativa na decisão de seus atos.

Antes se culpava a Deus, depois os Santos, agora aos espíritos. Mesmo nos casos de subjugação. Este processo começou em algum momento em que a pessoa deu guarita através de pensamentos, palavras e/ou atitudes. Dar-se o mesmo quando culpamos os pais, irmãos ou qualquer outras pessoas pelos nossos sofrimentos. A Doutrina Espírita nos explica que não somos dados jogados ao acaso, se reencarnamos num agrupamento, cumprimos com uma finalidade que não conseguimos abarcar com sabedoria no momento, mas que dentro da necessidade de aprendizado/reajustamento com a Lei Divina ali estamos.

Em vez de ficarmos olhando para trás e reclamando do que nos aconteceu, vivendo um processo de auto-obsessão e sendo escravos de nós mesmos, olhemos para frente. Enxergando o futuro que nos espera. Tendo esperança. Trabalhando para construir algo de melhor para nós e para o nosso semelhante. Se nos faltou amor, amemos; se não fomos compreendidos, compreendamos; se fomos insultados, maltradados, estendamos a nossa compreensão aqueles que compartilham a caminhada conosco. Provavelmente não conseguiremos de pronto termos tais atitudes positivas para com os que nos feririam, mas com o nosso próximo que se avizinha de nós e que nem imagina a nossa história, sim.

Este é o convite que a Doutrina Espírita nos faz quando nos apresenta a passagem: “Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; – e que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhes entregueis o manto; – e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. – Dai àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos queira tomar emprestado. (S. MATEUS, cap. V, vv. 38 a 42.)

Aqui está o antítodo contra a auto-obsessão. Desprendermo-nos de nós mesmos. Quanto mais bem fizermos melhor nos encontraremos diante dos percalços da vida. Não resistindo ao mal que nos queiram fazer caminhamos um pouco mais na senda do entendimento. Entregando a túnica, que a época constitui-a bem valioso para aquele que a possuía, reafirmamos o nosso compromisso com Deus, evidenciando que os bens espirituais estão acima dos bens temporais; e caminhando mil passos estamos demonstrando a perseverança, perseverança esta motivada pelo entendimento correto da Lei Divina.

Quando resolvemos sair da inércia mental e colocamo-nos na condição de protagonistas de nossa própria história não mais permitiremos ser assaltados por pensamentos de auto-escravidão e consequentemente de auto-flagelo. Somos todos Filhos de Deus. Ajamos dessa forma. Existem razões que nos fazem chorar, mas também existem muitas razões que nos fazem sorrir. Se ainda não podemos ter a felicidade completa neste Planeta por ser ele de provas e expiações, podemos suavizar seus males e sermos felizes o quanto for possível (questão 920 de O Livro dos Espíritos). Não aumentemos a carga, pesada que por vezes já é. Diminuamos o mais possível com os nossos pensamentos e com o nosso próprio comportamento. Auxiliando o quanto possível e amando a todos sempre.

Jornal O Clarim – Julho de 2017

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