Sintonia

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Porque qualquer que pede, recebe; e quem busca, acha.” — Jesus. (LUCAS, capítulo 11, versículo 10.)

Ao lermos o capítulo 109 – Acharemos Sempre do Livro: Caminho, Verdade e Vida não podemos deixar de fazer uma correlação com o capítulo XXV – Buscai e Achareis dO Evangelho Segundo o Espiritismo. Nas duas lições fica claro que precisamos saber o que pedir e como pedir, pois sempre obteremos algo como resposta a nossa súplica, mas nem sempre compreenderemos a resposta ao nosso pedido.

O primeiro ponto a destacar é qual o interesse que está nos movimentando naquele momento? Qual o verdadeiro interesse, que habita em nós? Pois, mesmo que o nosso objetivo seja aos olhos da coletividade algo bom, mas se intimamente estejamos sintonizando com o mal, encontraremos o mal. E nos associaremos com seres que nutrem o mesmo desejo que nós naquele momento, estabelecendo assim ligações mente a mente entre as criaturas sejam elas encarnadas ou desencarnadas.

Outro ponto a destacar é que iremos sintonizar intimamente com o que intimamente habita no nosso semelhante. Podendo parecer elementar tal pensamento, mas não o é. Sendo um processo de sintonia a princípio e depois um processo de projeção. Projetamos, identificamo-nos com o outro e ultrapassamos as máscaras convencionais utilizadas. Por isso, verificamos pessoas que na aparência são diferentes, mas dão-se bem e vivem em verdadeiro regime de associação fluídica.

Também iremos identificar no outro aquilo que acalenta o nosso coração. Como exemplo, podemos citar: se nos sentimos inundados pela descrença, projetando em nosso derredor a desconfiança, sendo isto que iremos enxergar nos outros e sendo isso que encontraremos, num processo de sintonia que se estabelecerá. A projeção espelho, de forma simples, nasce desse entendimento. Não nos é proibido identificar o erro do semelhante, mas quando isto nos incomoda a tal ponto que isto passa a ser objeto de destaque e único móvel de observação com relação à outra criatura é porque estamos projetando o nosso lado sombra no outro e estabelecendo um processo de sintonia, mesmo que de forma inconsciente.

Avançando no entendimento do Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará, contido nos itens 1 a 5 do já referido capítulo do Evangelho verificamos que a busca pelo bem é trabalho incessante para toda a encarnação. Processo que se verifica durante a caminhada evolutiva da criatura e perpassa toda a vida, entendendo aqui vida como vida espiritual do ser humano. Não basta desejarmos o bem, precisamos ser dínamos do bem. Exercermos o bem de dentro para fora, para que entremos em sintonia com o bem que vibra em nosso semelhante. Uma das razões de se afirmar que chegaremos ao Pai através do nosso próximo, criando-se uma perfeita corrente do bem, vamo-nos ligando uns aos outros até chegarmos às esferas mais altas.

“Inegavelmente, num campo de lutas chocantes como a esfera terrestre, a caçada ao mal é imediatamente coroada de êxito, pela preponderância do mal entre as criaturas. A pesca do bem não é tão fácil; no entanto, o bem será encontrado como valor divino e eterno. É indispensável, pois, muita vigilância na decisão de buscarmos alguma coisa, porquanto o Mestre afirmou: ‘Quem busca, acha’; e acharemos sempre o que procuramos.” (109, Caminho, Verdade e Vida)

Não podemos nos amedrontar diante das labaredas de fogo que estejam sobre as nossas cabeças. Dos convites mundanos, das propostas indecentes recobertas com flores e adornadas com os mais belos enfeites para nos encantar. O que deveremos observar e sintonizar será com o fundo da mensagem, seja qual for esta mensagem e esteja onde estejamos. Para não acreditarmos que é bem o mal que se nos apresenta.

Quando caminhamos para o processo de sintonia mais aprofundada, aquelas que se estabelecem através da mediunidade, verificamos que precisamos redobrar a nossa vigilância. Pois, aqueles que se avizinham de nós, enxergam-nos através das nossas emissões internas e acabam por estabelecer conosco processos de obsessão se não estivermos vigilantes. Não que a mediunidade leve a obsessão, mas todos aqueles que possuímos este canal nos colocamos com mais facilidade em ligação (em sintonia) com os desencarnados, com isso, estabelecemos com mais facilidade e de acordo com os nossos pendores vinculações com aqueles que sintonizam conosco.

O orai e vigiai nunca foi tão importante. A oração constitui-se num elo que estabelecemos com a Divindade. Nos emantamos de amor, pois através da oração abrimos um canal com as energias do bem nos envolvendo delas e passamos a discernir melhor as nossas atitudes. Assim, tornando-se mais fácil o vigiar. Vigiar os nossos atos, as nossas palavras, as nossas atitudes, mais também o que lemos, o que assistimos. Em tudo podemos escolher.

A sintonia sendo um processo de vinculação mental estabelece-se de criatura a criatura, de mente a mentes, de forma individualizada ou coletiva. É um processo simples, rápido, mas ao mesmo tempo delicado, cheio de meandros e que necessitamos estar conscientes do que estamos fazendo para não despertarmos, através desses processos de sintonia memórias que estão dormindo no inconsciente profundo e que no momento atual não deveriam ser despertas, ou pelo menos não da forma que estão sendo. Sintonizar fala muito mais fundo do que a superficialidade das relações. É o Eu interno de uma criatura que entra em contato com o Eu interno da outra estabelecendo relações e criando laços, por isso precisamos avaliar com quem estamos sintonizando.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto 2017

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Brandos e Pacíficos

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. (S. MATEUS, cap. V, v. 4.) Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Id., v.9.) Sabeis que foi dito aos antigos: Não matareis e quem quer que mate merecerá condenação pelo juízo. – Eu, porém, vos digo que quem quer que se puser em cólera contra seu irmão merecerá condenado no juízo; que aquele que disser a seu irmão: Raca, merecerá condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: És louco, merecerá condenado ao fogo do inferno. (Id., vv. 21 e 22.)

Ao tratarmos de brandura e mansuetude, injúrias e violências estamos trazendo à tona um tipo de situação que gera sofrimento moral, resvalando ou não em problemas físicos, mas que poucos são testemunhas. Tendo como único Tribunal a consciência. Temos nas palavras encorajadoras de Mateus a orientação segura para ultrapassarmos o momento. Utilizando da afabilidade no mais alto grau, gerando a resignação e sendo serenos, gerando a pacificidade operante.

Mateus destaca ainda, que não podemos menosprezar o nosso semelhante, pois todos estamos regidos por um conjunto de Normativos ou Lei Divina e persistindo em tal abuso viveremos um profundo “inferno” interior por não observância desta Lei.

A Doutrina Espírita nos apresenta uma nova forma de enxergar a Lei Divina que nos foi apresentada anteriormente de maneira dogmática e pragmática. Agora, vemos a explicação dos fatos e mais ainda, sabemos o porquê da necessidade de vivenciarmos determinadas experiências, pois sem elas, não ultrapassaríamos o estágio que estamos vivendo. Podemos reclamar da mão que serve de instrumento ou abençoa-la, entendendo a necessidade de evolução.

O Espiritismo nos fala da Imortalidade da Alma, com progressão indefinida. Isso significa dizer que o Espírito Imortal, em qualquer circunstância em que esteja, pela ótica espírita, deverá avaliar a situação por uma visão daquele que vive no momento presente experiências. Algumas dessas, pré-selecionadas como gênero de provas antes de reencarnar: “258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? ‘Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.’” (Livro dos Espíritos)

Ao assumirmos o compromisso de Espíritos Imortais e conscientes desta proposta não mais veremos os ataques e achincalhamentos recebidos de uma forma material, mas como instrumentos de aprendizado, propostas de crescimento e etapas a cumprir perante a nossa própria evolução. Somando-se a isso, precisamos ter em mente que a Providência Divina perpassa todos os atos de nossa vida. Então vemos em muitos casos que acreditávamos “entregues a própria sorte”, a Providência Divina reestabelecer a ordem. Porque ela sempre se faz presente nas nossas vidas. Se assim não fosse, estaríamos entregues a mercê dos desejos humanos.

Em decorrência do entendimento de que somos Espíritos Imortais, sabemos que granjeamos méritos em encarnações passadas e também conquistamos a simpatia de espíritos amigos. Estes, vem em nosso auxílio, como verdadeiros emissários do Criador a nos auxiliar. Enxugam nossas lágrimas, auxiliam-nos na caminhada e como mãos invisíveis mostram-nos o caminho a seguir. Entendemos que nem tudo é resolvido de solapão, por isso, encontramos amparo em o outro item dO Evangelho Segundo o Espiritismo, A Paciência,: “7. A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor neste mundo, vos marcou para a glória no céu.”

Em primeira leitura, pode parecer pregação de doutrina de sofrimento. Mas não o é. Só é testado aquele que se preparou para o teste. Não é assim com a vida acadêmica? Também o é na vida de relação. Necessitamos desses pórticos de dor para nos avaliarmos como criaturas humanas e também e nos humanizarmos. Vendo o nosso sofrer, compreendemos melhor os atos do nosso semelhante, atentando que todos nós somos devedores e credores na contabilidade Divina. O que nos cabe é reconhecermo-nos como Filhos de Deus, executarmos a nossa parte e se tivermos condições, estendermos mão fraterna aquele que estiver caminhando ao nosso lado.

Deus não erra. A Lei não erra. Os sofrimentos gerados em virtude da Lei de Ação e Reação produziram-se através de nossas mãos. Mesmos as injúrias e violências que nos maceram a alma e que lapidam o Espírito. Tais sofrimentos, que foram gerados em virtude de nossa incúria, possuem data certa para o fim, de acordo com a nossa resignação, entendendo-se aí a não revolta, e perfeito reajusto com a Lei. Teremos dessa forma chegado ao ápice do aprendizado. Melhor ainda se conseguirmos após o arrependimento e a expiação culminarmos a experiência com a reparação.

Lembremo-nos do Mestre Jesus e semelhante ao que a passagem final do item 7, nos orienta, ajamos como Ele, pois mesmo não tendo nada de que se penitenciar deu o seu exemplo a todos nós, mostrando-nos o caminho a seguir e ensinou-nos a forma de como agir perante as dores, as injúrias e as violências que nos aportam durante a encarnação.

Jornal O Clarim – agosto 2017

Para que serve viver

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Octávio Caúmo Serrano  Dia a Dia 8/2017

O que é, na verdade, a vida? A vida pequena e a vida maior?

Buscamos no outro a nossa razão de viver, porque parece que sem ele tudo é impossível, mas na realidade é para nós e por nós que vivemos, embora o outro sirva como instrumento para nossas ações.

Que certeza podemos ter dessa afirmativa se não perguntarmos quem somos, o que queremos do mundo e como podemos realizar nossos anseios? Consideramos somente este instante pequeno em que estamos rodeados de mentiras, de maldades, de desamor e desonestidade ou temos certeza de que somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança? Acreditamos que o caos é mais forte que o Plano Divino ou já entendemos que somos apenas testados para aferição da nossa coragem e discernimento?

Não podemos pensar com a mente alheia nem ter as dores que o outro sente ou cultivar o ódio ou o ranço do egoísmo que não nos pertence.  Já nos convencemos de que “a cada um segundo suas obras” não é um enunciado filosófico, mas um artigo da Lei de Deus, soberana e universal?

Por isso é que o Espiritismo nos informa sobre a reencarnação e deixa claro que nossas conquistas se incorporam à nossa alma, indelevelmente. Toda virtude conquistada é para sempre e um defeito corrigido fica extirpado definitivamente. Sem deixar sequela. Por isso somos diferentes uns dos outros e porque o que um faz em dez encarnações o outro realiza numa única. Então vale à pena o nosso esforço. Se fosse para uso provisório, só nesta vida, talvez considerássemos um trabalho grande para uma compensação pequena. Mas como vai ficar por toda a eternidade, qualquer sacrifício momentâneo é grandemente valorizado.

Sendo a Doutrina Espírita e revivescência do cristianismo, ou seja, sendo ela Jesus nos falando novamente, com a simplicidade que os homens adulteraram ao longo do tempo, é fácil entender porque o Cristo se preocupa tanto com seus irmãos da Terra. As pessoas do seu tempo, devido ao vaivém das encarnações, são hoje mais eruditas e têm um alcance mental maior o que lhes permite interpretar até mesmo as parábolas de maneira mais inteligente. Naquela época Jesus informou que mais não adiantaria informar porque não entenderíamos. Mas agora que já somos diferentes Ele repete porque sabe que entenderemos com mais clareza. Já repetimos as experiências tantas vezes que pelo menos um mínimo já crescemos como espíritos eternos.

Apesar de toda evolução, somos ainda criaturas muito limitadas e por isso temos de viver ainda num mundo inferior de constantes provações e de resgates aparentemente intermináveis, tantos são os equívocos a serem corrigidos. Mas estamos caminhando aos poucos e ser espírita nos dá uma vantagem porque sabemos que nada do que passamos é por castigo, mas por renovação de oportunidade, devido à misericórdia do Criador. E só o fato de termos Jesus como tradutor das Leis de Deus para facilitar nosso entendimento já nos define como filhos diletos do Pai que só deseja que sejamos felizes.

Não devemos perder a fé ou nos desgastar por valores miúdos, ouropéis descartáveis que só nos iludem. Isso se traduz por juntar tesouros no Céu em vez de acumulá-los na Terra onde a ferrugem corrói e o ladrão rouba. Todos os dias as enxurradas inesperadas destroem conquistas materiais de uma vida inteira, desiludindo as criaturas que colocaram nelas toda a sua esperança. E são obrigadas a começar de novo porque não há alternativa.  Amiúde a ganância simbolizada no terror deixa milhares de desabrigados e aleijados que imaginam estar fazendo justiça ou defendendo algo bom. Mas tudo passa porque tudo é por um pouco. Terminado um período escolar, começa outro. E a Terra não passa de uma grande escola.

Oremos pelos que cometem erros e pelos que são vítimas deles. Combatamos o que nos for permitido, mas não nos esqueçamos de começar por nós mesmos, porque aí reside a nossa maior responsabilidade. A cada um segundo suas obras, ensinou o Messias.

Jornal O Clarim – agosto 2017

Jesús, los Esenios y nosotros

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Qué la historia no cuenta o los hombres desconocen.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

En el desierto de la Judea comenzaron a prepararse los caminos para la gran visita de Jesús de Nazaret. Viviendo en el monasterio del Qum Ran, cerca del Mar Muerto, y en otros esparcidos por toda Palestina, los Esenios vivían con sobriedad y fraternidad. Asistían a todos, independientemente de creencia, color, raza o parentesco. Trataban a cualquiera  como a un hermano. Más tarde, ésa fue la máxima de Jesucristo cuando nos recomendó: “Ama al prójimo como a ti mismo.” Y para aclarar lo que debemos entender por prójimo, explicó a Nicodemo, el doctor de la ley judaica, con la parábola del Buen Samaritano. Dijo que un hombre seguía de Jerusalén hacia Jericó, descendiendo por una pequeña sierra, llena de salteadores, sin hacer mención en cuanto al nombre o posición social del viajante. Solamente aclaró que los religiosos (sacerdote y levita) no se preocuparon en prestar socorro al infeliz; fue un discriminado hereje de la Samaria que lo ayudó, dejando claro que no es el rótulo de la creencia que mide nuestro verdadero valor en el campo de la caridad.

Entre los misterios sobre Jesús se incluye el desconocimiento sobre su vida de los 13 a los 30 años. Unos dicen que salió del país y otros que Él tenía vivido entre los Esenios. Como no hay registros históricos oficiales, todo se queda en el campo de la especulación y qué nos queda es analizar, por buen sentido, lo que podría ser verdad.

La semejanza de la vida de los Esenios con lo que predicó Jesús es grande, qué nos lleva a creer que, por lo menos, hubo de la parte de Jesús contacto con ellos. Gratz afirma que Juan Bautista, “la voz que clamaba del desierto aplanando los caminos del Señor”, era esenio. Que esa comunidad era formada por personas diferentes no quedan dudas. El rey de la Prusia, escribiendo a Voltaire, afirma: “Jesucristo fue un Esenio.” Las costumbres también eran semejantes; la reunión de los Esenios en las comidas recuerda la cena final que Jesús tuvo con sus apóstoles.

Escritores acreditados de la época, como Filón de Alexandria, habló de los Esenios: “Son como Santos que habitan en muchas aldeas y villas de Palestina. Se unen por asociaciones voluntarias más de lo que por lazos de familia. Quieren mejor practicar la virtud y el amor entre las criaturas; en sus casas no hay grito o tumulto; cuando un habla los otros oyen respetuosamente; es un silencio que causa grande conmoción al visitante. Moderan la cólera y sostienen la paz. Lo que dicen vale por un juramento porque, afirmaban, solo necesita jurar quien es mentiroso.” Edmund Wilson, periodista del The New York Times, en serie de reportajes sobre los documentos encontrados en 1947, cerca del Mar Muerto, escribe: “El Convento, ese edificio de piedras junto a las aguas amargas del Mar Muerto, con su horno, tinteros, piscinas sacras y túmulos, es, quizá más de lo que Belém y Nazaret la cuna del cristianismo.”

Los principios de vida de los Esenios eran los mismos predicados por Jesús: amor al prójimo, vida simple y desapego a los bártulos materiales. En los fines de semana estudiaban las escrituras y el que más sabia explicaba para los demás todo qué no fuera entendido debido a la simbología de las lecciones. Como hacía Jesús cuando se reunía con sus discípulos en Cafarnaúm, en la casa de la suegra de Pedro, para explicar las bellezas del reino de los Cielos. Sin embargo, los Esenios exigían que los instructores fuesen igualmente superiores en las costumbres y en los ejemplos. El poder del instructor independe de preparación cultural. Así, si no es capaz de enseñar ejemplificando, cualquier lego puede desempeñar sus funciones. (¡grifo nuestro!)

Por eso, Hempel en 1951 escribió: “Aclarada el origen de los cristianos. El cristianismo es apenas Esenio. Esenio o cristiano es lo mismo.” Aún ahora, cuando el Espiritismo está entre nosotros, vemos las orientaciones de la espiritualidad superior confirmando los principios esenios de hacer el bien sin mirar a quien. Mostrando que todo es viejo y todo se renueva con la evolución del entendimiento.

Sin pretender inventar novedades, recomendamos que las personas lean sobre la vida de esa comunidad que vivió alejada de la opulencia y de los conflictos políticos y religiosos de Jerusalén, recogiéndose en la región inhospitalaria del desierto de la Judea cerca a la legendaria ciudad de Jericó, la más antigua del planeta entre las que tienen más de diez mil años. Tierra del publicano regenerado, nuestro estimado Zaqueo, que así como Magdalena, a cierta altura de la vida, estaba inconformado con la manera como vivía; sintiendo un vacío existencial, asciende en un sicómoro (árbol de la región) para ver a Jesús que visitaba su ciudad y orientarse con Él sobre lo que hacer para redimirse de los errores que creía haber cometido. Es un momento raro que acontece en la vida de todos nosotros y es necesario estar atento en la hora de ese llamado. Y caso tengamos la sinceridad de Zaqueo no necesitamos buscar el Cristo en los templos, porque Él nos visitará en nuestra propia casa como hizo con aquel hombre, proporcionándole extrema dicha. Para que Jesús entre en nuestra vida basta abrirle la puerta de nuestro corazón. Una puerta que solo se abre de adentro para afuera.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto 2017

Jesus, os Essênios e nós

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RIE_Agosto_2017

O que a história não conta ou os homens desconhecem.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

No deserto da Judeia começaram a ser preparados os caminhos para a grande visita de Jesus de Nazaré. Vivendo no mosteiro do Qum Ran, próximo ao Mar Morto, e em outros espalhados pela Palestina, os Essênios viviam com sobriedade e fraternidade. Assistiam a todos, independentemente de crença, cor, raça ou parentesco. Tratavam qualquer um como irmão. Mais tarde, essa foi a máxima de Jesus quando nos recomendou: “Ama o próximo como a ti mesmo.” E para esclarecer o que devemos entender por próximo, explicou a Nicodemos, o doutor da lei judaica, com a parábola do Bom Samaritano. Disse que um homem seguia de Jerusalém para Jericó, descendo por uma pequena serra, cheia de salteadores, sem fazer menção quanto ao nome ou posição social do viajante. Apenas esclareceu que os religiosos (sacerdote e levita) não se preocuparam em prestar socorro ao infeliz; foi um discriminado herege da Samaria que o ajudou, deixando claro que não é o rótulo da crença que mede nosso verdadeiro valor no campo da caridade.

Entre os mistérios sobre Jesus inclui-se o desconhecimento sobre sua vida dos 13 aos 30 anos. Uns dizem que Ele saiu do país e outros que viveu entre os Essênios. Como não há registros históricos oficiais, tudo fica no campo da especulação e o que nos resta é analisar, pelo bom senso, o que poderia ser verdade.

A semelhança da vida dos Essênios com o que pregou Jesus é grande, o que nos leva a crer que, pelo menos, houve da parte de Jesus contato com eles. Gratz afirma que João Batista, “a voz que clamava do deserto aplainando os caminhos do Senhor”, era essênio. Que essa comunidade era formada por pessoas diferentes não resta dúvida. O rei da Prússia, escrevendo a Voltaire, afirma: “Jesus foi um Essênio.” Os costumes também eram semelhantes; a reunião dos Essênios nas refeições lembra a ceia final que Jesus teve com seus apóstolos.

Escritores acreditados da época, como Filon de Alexandria, falou dos Essênios: “Eles são como santos que habitam em muitas aldeias e vilas da Palestina. Unem-se por associações voluntárias mais do que por laços de família. Querem melhor praticar a virtude e o amor entre as criaturas; nas suas casas não há grito ou tumulto; quando um fala os outros ouvem respeitosamente; é um silêncio que causa grande impressão ao visitante. Moderam a cólera e sustentam a paz. O que dizem vale por um juramento porque, afirmavam, só precisa jurar quem é mentiroso.” Edmund Wilson, jornalista do periódico The New York Times, em série de reportagens sobre os documentos encontrados em 1947 no Mar Morto, escreve: “O Convento, esse prédio de pedras junto às águas amargas do Mar Morto, com seu forno, tinteiros, piscinas sacras e túmulos, é, talvez mais do que Belém e Nazaré o berço do cristianismo.”

Os princípios de vida dos Essênios eram os mesmos pregados por Jesus: amor ao próximo, vida simples e desapego aos bens materiais. Nos fins de semana estudavam as escrituras e o mais preparado explicava para os demais tudo o que não fora entendido devido à simbologia das lições. Como fazia Jesus quando se reunia com seus discípulos em Cafarnaum, na casa da sogra de Pedro, para explicar as belezas do reino dos Céus. Mas os Essênios exigiam que os instrutores fossem igualmente superiores nos costumes e nos exemplos. O poder do instrutor independe de preparação cultural. Assim, se não for capaz de ensinar exemplificando, qualquer leigo pode desempenhar as suas funções. (grifo nosso!)

Por isso, Hempel em 1951 escreveu: “Esclarecida a origem dos cristãos. O cristianismo é apenas essênio. Essênio ou cristão dá no mesmo.” Ainda agora, quando o Espiritismo está entre nós, vemos as orientações da espiritualidade superior confirmando os princípios essênios de fazer o bem sem olhar a quem. Mostrando que tudo é velho e tudo se renova com a evolução do entendimento.

Sem pretender inventar novidades, recomendamos que as pessoas leiam sobre a vida dessa comunidade que viveu afastada da opulência e dos conflitos políticos e religiosos de Jerusalém, recolhendo-se na região inóspita do deserto da Judeia junto à lendária cidade de Jericó, a mais antiga da Terra entre as que têm mais de dez mil anos. Berço do publicano regenerado, o nosso estimado Zaqueu, que assim como Madalena, a certa altura da vida, estava inconformado com a maneira como vivia; sentindo um vazio existencial, sobe num sicômoro (árvore da região) para ver Jesus que visitava a sua cidade e orientar-se com Ele sobre o que fazer para redimir-se de erros que acreditava ter cometido. É um momento raro que acontece na vida de todos nós e é preciso estar atento na hora desse chamamento. E se tivermos a sinceridade de Zaqueu não precisamos buscar o Cristo nos templos, porque ele nos visitará na nossa própria casa como fez com aquele homem, proporcionando-lhe extrema felicidade. Para que Jesus entre na nossa vida basta abrir-lhe a porta do nosso coração. Uma porta que só se abre de dentro para fora.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto de 2017