Octávio Caúmo Serrano  Dia a Dia 8/2017

O que é, na verdade, a vida? A vida pequena e a vida maior?

Buscamos no outro a nossa razão de viver, porque parece que sem ele tudo é impossível, mas na realidade é para nós e por nós que vivemos, embora o outro sirva como instrumento para nossas ações.

Que certeza podemos ter dessa afirmativa se não perguntarmos quem somos, o que queremos do mundo e como podemos realizar nossos anseios? Consideramos somente este instante pequeno em que estamos rodeados de mentiras, de maldades, de desamor e desonestidade ou temos certeza de que somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança? Acreditamos que o caos é mais forte que o Plano Divino ou já entendemos que somos apenas testados para aferição da nossa coragem e discernimento?

Não podemos pensar com a mente alheia nem ter as dores que o outro sente ou cultivar o ódio ou o ranço do egoísmo que não nos pertence.  Já nos convencemos de que “a cada um segundo suas obras” não é um enunciado filosófico, mas um artigo da Lei de Deus, soberana e universal?

Por isso é que o Espiritismo nos informa sobre a reencarnação e deixa claro que nossas conquistas se incorporam à nossa alma, indelevelmente. Toda virtude conquistada é para sempre e um defeito corrigido fica extirpado definitivamente. Sem deixar sequela. Por isso somos diferentes uns dos outros e porque o que um faz em dez encarnações o outro realiza numa única. Então vale à pena o nosso esforço. Se fosse para uso provisório, só nesta vida, talvez considerássemos um trabalho grande para uma compensação pequena. Mas como vai ficar por toda a eternidade, qualquer sacrifício momentâneo é grandemente valorizado.

Sendo a Doutrina Espírita e revivescência do cristianismo, ou seja, sendo ela Jesus nos falando novamente, com a simplicidade que os homens adulteraram ao longo do tempo, é fácil entender porque o Cristo se preocupa tanto com seus irmãos da Terra. As pessoas do seu tempo, devido ao vaivém das encarnações, são hoje mais eruditas e têm um alcance mental maior o que lhes permite interpretar até mesmo as parábolas de maneira mais inteligente. Naquela época Jesus informou que mais não adiantaria informar porque não entenderíamos. Mas agora que já somos diferentes Ele repete porque sabe que entenderemos com mais clareza. Já repetimos as experiências tantas vezes que pelo menos um mínimo já crescemos como espíritos eternos.

Apesar de toda evolução, somos ainda criaturas muito limitadas e por isso temos de viver ainda num mundo inferior de constantes provações e de resgates aparentemente intermináveis, tantos são os equívocos a serem corrigidos. Mas estamos caminhando aos poucos e ser espírita nos dá uma vantagem porque sabemos que nada do que passamos é por castigo, mas por renovação de oportunidade, devido à misericórdia do Criador. E só o fato de termos Jesus como tradutor das Leis de Deus para facilitar nosso entendimento já nos define como filhos diletos do Pai que só deseja que sejamos felizes.

Não devemos perder a fé ou nos desgastar por valores miúdos, ouropéis descartáveis que só nos iludem. Isso se traduz por juntar tesouros no Céu em vez de acumulá-los na Terra onde a ferrugem corrói e o ladrão rouba. Todos os dias as enxurradas inesperadas destroem conquistas materiais de uma vida inteira, desiludindo as criaturas que colocaram nelas toda a sua esperança. E são obrigadas a começar de novo porque não há alternativa.  Amiúde a ganância simbolizada no terror deixa milhares de desabrigados e aleijados que imaginam estar fazendo justiça ou defendendo algo bom. Mas tudo passa porque tudo é por um pouco. Terminado um período escolar, começa outro. E a Terra não passa de uma grande escola.

Oremos pelos que cometem erros e pelos que são vítimas deles. Combatamos o que nos for permitido, mas não nos esqueçamos de começar por nós mesmos, porque aí reside a nossa maior responsabilidade. A cada um segundo suas obras, ensinou o Messias.

Jornal O Clarim – agosto 2017

Anúncios