Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. (S. MATEUS, cap. V, v. 4.) Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Id., v.9.) Sabeis que foi dito aos antigos: Não matareis e quem quer que mate merecerá condenação pelo juízo. – Eu, porém, vos digo que quem quer que se puser em cólera contra seu irmão merecerá condenado no juízo; que aquele que disser a seu irmão: Raca, merecerá condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: És louco, merecerá condenado ao fogo do inferno. (Id., vv. 21 e 22.)

Ao tratarmos de brandura e mansuetude, injúrias e violências estamos trazendo à tona um tipo de situação que gera sofrimento moral, resvalando ou não em problemas físicos, mas que poucos são testemunhas. Tendo como único Tribunal a consciência. Temos nas palavras encorajadoras de Mateus a orientação segura para ultrapassarmos o momento. Utilizando da afabilidade no mais alto grau, gerando a resignação e sendo serenos, gerando a pacificidade operante.

Mateus destaca ainda, que não podemos menosprezar o nosso semelhante, pois todos estamos regidos por um conjunto de Normativos ou Lei Divina e persistindo em tal abuso viveremos um profundo “inferno” interior por não observância desta Lei.

A Doutrina Espírita nos apresenta uma nova forma de enxergar a Lei Divina que nos foi apresentada anteriormente de maneira dogmática e pragmática. Agora, vemos a explicação dos fatos e mais ainda, sabemos o porquê da necessidade de vivenciarmos determinadas experiências, pois sem elas, não ultrapassaríamos o estágio que estamos vivendo. Podemos reclamar da mão que serve de instrumento ou abençoa-la, entendendo a necessidade de evolução.

O Espiritismo nos fala da Imortalidade da Alma, com progressão indefinida. Isso significa dizer que o Espírito Imortal, em qualquer circunstância em que esteja, pela ótica espírita, deverá avaliar a situação por uma visão daquele que vive no momento presente experiências. Algumas dessas, pré-selecionadas como gênero de provas antes de reencarnar: “258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? ‘Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.’” (Livro dos Espíritos)

Ao assumirmos o compromisso de Espíritos Imortais e conscientes desta proposta não mais veremos os ataques e achincalhamentos recebidos de uma forma material, mas como instrumentos de aprendizado, propostas de crescimento e etapas a cumprir perante a nossa própria evolução. Somando-se a isso, precisamos ter em mente que a Providência Divina perpassa todos os atos de nossa vida. Então vemos em muitos casos que acreditávamos “entregues a própria sorte”, a Providência Divina reestabelecer a ordem. Porque ela sempre se faz presente nas nossas vidas. Se assim não fosse, estaríamos entregues a mercê dos desejos humanos.

Em decorrência do entendimento de que somos Espíritos Imortais, sabemos que granjeamos méritos em encarnações passadas e também conquistamos a simpatia de espíritos amigos. Estes, vem em nosso auxílio, como verdadeiros emissários do Criador a nos auxiliar. Enxugam nossas lágrimas, auxiliam-nos na caminhada e como mãos invisíveis mostram-nos o caminho a seguir. Entendemos que nem tudo é resolvido de solapão, por isso, encontramos amparo em o outro item dO Evangelho Segundo o Espiritismo, A Paciência,: “7. A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor neste mundo, vos marcou para a glória no céu.”

Em primeira leitura, pode parecer pregação de doutrina de sofrimento. Mas não o é. Só é testado aquele que se preparou para o teste. Não é assim com a vida acadêmica? Também o é na vida de relação. Necessitamos desses pórticos de dor para nos avaliarmos como criaturas humanas e também e nos humanizarmos. Vendo o nosso sofrer, compreendemos melhor os atos do nosso semelhante, atentando que todos nós somos devedores e credores na contabilidade Divina. O que nos cabe é reconhecermo-nos como Filhos de Deus, executarmos a nossa parte e se tivermos condições, estendermos mão fraterna aquele que estiver caminhando ao nosso lado.

Deus não erra. A Lei não erra. Os sofrimentos gerados em virtude da Lei de Ação e Reação produziram-se através de nossas mãos. Mesmos as injúrias e violências que nos maceram a alma e que lapidam o Espírito. Tais sofrimentos, que foram gerados em virtude de nossa incúria, possuem data certa para o fim, de acordo com a nossa resignação, entendendo-se aí a não revolta, e perfeito reajusto com a Lei. Teremos dessa forma chegado ao ápice do aprendizado. Melhor ainda se conseguirmos após o arrependimento e a expiação culminarmos a experiência com a reparação.

Lembremo-nos do Mestre Jesus e semelhante ao que a passagem final do item 7, nos orienta, ajamos como Ele, pois mesmo não tendo nada de que se penitenciar deu o seu exemplo a todos nós, mostrando-nos o caminho a seguir e ensinou-nos a forma de como agir perante as dores, as injúrias e as violências que nos aportam durante a encarnação.

Jornal O Clarim – agosto 2017

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