Os Essênios

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O bem

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Se, portanto, quando fordes depor vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então voltai a oferece-la.” (Mateus, cap. V, vv 23 e 24)

Coisa singular o capítulo intitulado Bem-Aventurados os Misericordiosos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em síntese, ele nos apresenta a história da humanidade perpassada não pelos fatos históricos, mas pelo que converge para o entendimento do ser humano.

O ato de depositar a oferenda no altar, de representação simples entre os antigos, trazia o significado implícito de se colocar em sentimento perante o Pai. Não podemos nos colocar em sentimentos perante Deus, impuros. Por isso, o convite nos é feito para quando depormos a nossa oferenda o fazermos de coração pacificado e voltados para o bem.

Quando agimos assim abrimos campo para a Misericórdia Divina se fazer em nós. Pacificando sentimentos podemos agir de forma mais racional, nos afastando do núcleo do problema e enxergando de uma maneira mais equilibrada. Por isso dizemos que a Doutrina nos leva a uma fé raciocinada. Caminhando um pouco mais nos estudos que a Doutrina nos oferece e somando-se a temática abordada, aportamos no livro o Céu e o Inferno. Em particular em seu item intitulado: Código Penal da Vida Futura. Que nos apresenta a importante informação sobre o arrependimento, a expiação e a reparação tão necessárias para a criatura humana.

Mesmo estando num planeta de provas e expiações a criatura não experiencia aquilo que não foi acordado e mesmo durante a encarnação, há momentos nos quais ela mesma se dispõe ao reajuste com a Lei. São esses momentos em que antes de depor a oferenda no altar, através da prece, antes de uma palestra, de uma leitura edificante, a criatura como que de insight recobra a consciência de si, reavalia suas atitudes e após o mergulho interior, redireciona a conduta, identifica o erro e propõe-se a corrigir. Este constitui-se o momento do arrependimento. Pode acontecer em desdobramento através do sono ou nos períodos que a criatura se encontra desencarnada.

No momento propício e após análise pela própria Lei, avaliando os nossos méritos e o bem realizado, há a necessidade de experienciar. É a expiação que se faz presente em nossas vidas. Há situações que são equacionadas através de outros tipos de experiências, mas há momentos que precisamos nós próprios vivenciarmos aquilo que fizemos o outro passar para termos o profundo e total entendimento da experiência.

Como a Providencia Divina se faz presente em tudo, concede-nos a oportunidade de ajudarmos aquele a quem fazemos mal. Neste momento, o ciclo se completa, o bem comparece. O mais importante para aquele que estiver vivenciando tal tipo de aprendizado é compreender que em tudo a Divindade atua. Que o bem se faz presente. A intenção não é punir, até porque em Espiritismo não há o que se falar em punição. É aprendizado é responsabilização pelos atos. Através da prática e desenvolvimento do amor fazemos as pazes enquanto estamos a caminho. Para que não sejamos entregues ao Juiz e assim por diante.

A evolução é um processo constante em nossas vidas. A partir do momento que ultrapassamos uma etapa, novas portas se abrem, novas oportunidades se fazem e nós que antes nos considerávamos devedores perante a Criação nos tornamos co-criadores da nossa própria história. Saindo da condição de vítimas para autores operantes. Sendo resignados sim, mais trabalhadores do bem sempre. Pois onde o bem se faz presente, o mal bate em retirada.

O processo de reconciliação começa conosco para depois chegar ao próximo. Fazemos as pazes conosco mesmos em primeiro lugar para depois fazermos um movimento consciente de busca pelo próximo. Temos a tendência em mascarar o que sentimos e até o que pensamos. Como se dessa forma, pudéssemos mudar o que habita em nós. Mas, dia chegará que esta fuga não poderá mais ser feita. Não porque seremos obrigados, sim porque desejaremos e buscaremos a verdade em nós.

A mudança ocorre com o reconhecimento e com o próprio trabalho de mudança que se opera nesse momento. Por isso, reconciliar é olhar com os olhos da caridade para nós mesmos e entendermos que erramos, mas isso não significa o fim. Pelo contrário, se erramos e aprendemos a lição é oportunidade bendita de não fazermos mais, porque já absorvemos que não pode ser daquele jeito.

Assim, ao nos reconciliarmos, estamos nos dando uma nova oportunidade, enchendo-nos de esperança e caminhando rumo à mudança de atitude. Para depois, fazermos o mesmo movimento rumo ao próximo. Reconciliando e juntos depositando a oferenda do entendimento no altar da vida.

Jornal O Clarim – Setembro 2017

 

 

 

Amor aos inimigos

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Aprendestes que foi dito: “Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos.” Eu, porém, vos digo: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos. – Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?” (MATEUS, cap. V, vv. 43 a 47.)

Ao analisarmos a transitoriedade da vida em decorrência da certeza da imortalidade da alma, começamos por ver quão perene é o alicerce que mantem determinados pontos de vista que permeiam e orientam o comportamento humano. A sociedade avança em tecnologia, conhecimento do microcosmo, mas ainda temos dificuldade em conhecermos a nós mesmos. Mais ainda, diante do conhecimento adquirido pela Doutrina Espírita, colocar em prática e promovermo-nos uma mudança de atitude.

Ponto importante e primeiro a ser destacado nesta temática é que os homens não somos superiores a Lei Divina. O momento presente não é maior do que a toda a eternidade. Os homens agimos de acordo com a nossa própria vontade e a Providência Divina restabelece a ordem. Temos a Lei Divina a nos coordenar os atos. Temos o Espiritismo a nos conduzir os passos. Temos a fé em Deus a nos manter firmes e de pé.

O que ocorre conosco, não diferente do que ocorre com a maioria que não abraça o pensamento espírita como norma de conduta, é que passamos mais a observar o que estamos vivendo do que a eternidade da vida. Seria equivalente ao viajante que precisasse fazer várias paradas até chegar ao seu destino e esquece-se do destino, acreditando que a viagem era somente os momentos de parada para reabastecimento, mudança de roupa e descoberta de novas diretrizes para chegar ao local desejado. Aqueles que viajam com constância sabem que acontecem atropelos durante o percurso, mas que o nosso desejo é tão grande em chegarmos ao objetivo visado que damos menos importância aos contratempos. Assim também deveria ser a nossa visão com relação à viagem carnal rumo a perfeição.

Desta falta de foco com relação ao destino visado, nossa fé titubeia e deixamo-nos tomar pelo desespero. Acreditando que o momento presente é único e superdimensionamos os problemas. Nem sempre a dor representa um resgate, para sairmos de um ponto e chegarmos a outro precisamos superar desafios, os quais irão nos proporcionar oportunidades de aprendizado, inclusive e principalmente no campo dos sentimentos, gerando dor sim, mas que essa dor significa à readequação de uma fase a outra.

A questão 887 de O Livro dos Espíritos, nos traz o seguinte com relação a questão de Amor aos Inimigos: “Jesus também disse: Amai mesmo os vossos inimigos. Ora, o amor aos inimigos não será contrário às nossas tendências naturais e a inimizade não provirá de uma falta de simpatia entre os Espíritos? ‘Certo ninguém pode votar aos seus inimigos um amor terno e apaixonado. Não foi isso que Jesus entendeu de dizer. Amar os inimigos é perdoar-lhes e lhes retribuir o mal com o bem. O que assim procede se torna superior aos seus inimigos, ao passo que abaixo deles se coloca, se procura tomar vingança.’”

Jesus veio nos apresentar uma nova ordem de ideias. Provocou uma verdadeira revolução moral na sociedade. Não nos é vedada a defesa contra nenhum ataque, principalmente aqueles que possam colocar a nossa segurança em risco. Entendendo aqui segurança física e emocional. Mas o que não podemos é nos vingar. Essa informação fica destacada na explicação da questão.

O perdão do mal que nos é feito transita pelo entendimento da vida futura, consequentemente, certeza da eternidade da vida. Assim, desenvolveremos a fé em nós. Tomemos como exemplo Maria de Nazaré. Diante de toda a injustiça sofrida por Jesus, vemos um coração de mãe sem revolta. Apaziguado pela certeza da vida eterna, pois após a morte do corpo físico Ele reaparece e prova sem sombra de dúvidas que a vida é eterna e que Ele ainda vivia.

Ter fé diante das agruras da vida não significa não sofrer. Ter fé é uma postura de vida. É sairmos da inércia emocional e nos projetarmos para a vida, sem medo do que irá nos acontecer. Fazendo ao outro aquilo que nos foi ofertado pelo Mestre Jesus e por todos os seus emissários do bem. Almas anônimas que convivem conosco, muitas vezes no recesso do nosso lar e que estão ao nosso lado diante dos sofrimentos. Não enxergando as paradas obrigatórias durante a viagem, enxergando o ponto final e agradecendo aos companheiros de viagem a ajuda ofertada.

Amor aos Inimigos ultrapassa a barreira do agora. Alguns desses inimigos não conseguiremos amar num momento, numa encarnação. Mas precisamos observar onde queremos chegar e quais as bagagens que queremos carregar. Quanto mais ódio, revolta e desejo de vingança, mais teremos malas difíceis de carregar. Amor aos Inimigos representa não nos revoltarmos diante do instrumento que nos fere. Diferente de qualquer objeto inanimado, estas criaturas possuem livre arbítrio. Com isso, vivenciarão as consequências de seus atos.

Diferente do desejo que nos impera neste momento, que o outro deixe de existir para que deixemos de sofrer, lembremo-nos do Mestre Jesus nas suas orientações a Pedro: Ele vai viver. Todos vivemos. Hoje vivemos as consequências do que plantamos, aqueles que servem de instrumento viverão no momento oportuno as consequências do fazem. Assim tudo se encadeia na Lei. Assim, a Providência Divina estabelece a ordem. Que a nossa viagem durante esta encarnação seja permeada pelos apriscos da brisa suave do bem que nos envolve. Olhemos pela janela, observemos a paisagem e num golpe de vista, nos vejamos no local do objetivo visado. Tudo passa. Tudo passa.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Setembro 2017

O egoísmo

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Dizem os Espíritos que o egoísmo é a matriz de todos os males do homem. O egoísta é, invejoso, ciumento e nunca pode ser satisfeito, porque nada lhe é suficiente. O egoísmo caminha paralelamente com a insegurança, com o orgulho, o melindre e ele sente necessidade de sempre ter e ser o melhor.  No capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, vemos os itens Egoísmo e Fé e caridade e logo percebemos que são incompatíveis. Ou temos fé e somos caridosos ou somos egoístas. O egoísta jamais é caridoso. Ele não sabe dividir.

Lamentavelmente, essa é uma característica de quase todos os seres humanos. Só grandes Espíritos conseguem vencer essa deficiência. O pior é que ele está em todas as raças, todas as idades, mostrando que é uma deficiência da humanidade. A partir da mais tenra idade o egoísmo já se manifesta. Uma criança rica que tenha todos os brinquedos mais modernos, ao ver um menino pobre com um carrinho de madeira quererá esse também. Parece que a felicidade do outro a incomoda.

A pergunta que não quer calar é: – Mas quem são os Espíritos e por que vêm nos orientar? A resposta não é difícil. São entidades que até pouco tempo viveram num corpo como o nosso e tiveram comportamento desorganizado como o que hoje temos. Ao chegar na espiritualidade sentiram o desconforto que seu tipo de vida lhes causou e como já abrigam alguma bondade em seu coração, advertem-nos para que não cometamos os mesmos erros. Fossem ainda egoístas e não se importariam conosco. Lembram-se da mensagem da Rainha de França de O Evangelho Segundo o Espiritismo? Ilustra bem o que estamos afirmando.

Um dos exemplos mais marcantes da vitória contra o egoísmo é o do nosso querido Adolfo Bezerra de Menezes. Visitado pelo anjo Celina, enviado por Maria de Nazaré, foi informado que já tinha direito a viver em planos mais elevados como prêmio por sua conduta envolvendo o amor ao próximo, quando encarnado e depois desencarnado. Num gesto de desprendimento, Bezerra responde que se lhe é permitido escolher, ele gostaria de ficar junto aos seus irmãos sofridos da Terra enquanto aqui houvesse uma só lágrima a ser enxugada.

Seria essa também nossa atitude ou comemoraríamos por poder deixar este vale de lágrimas para viver em planos celestiais, como mérito por nosso progresso?  Será que como Bezerra também nos importaríamos com a dor do nosso próximo, abrindo mão de vantagens para continuar na prática do bem?

É algo para pensarmos em mudar nosso comportamento desde já porque tudo nos diz respeito. O sofrimento de um respinga na vida do outro. Vejam o que acontece quando uma pessoa da família está desajustada, enferma, viciada ou depressiva. Todos os outros sofrem juntos porque estamos amarrados uns nos outros. Somos gregários; não conseguimos viver sozinhos.

Enquanto formos egoístas, nos desgastamos pelas conquistas e nunca estaremos saciados. Treinando o desprendimento, o desapego a tudo e todos, vemos que seremos mais felizes e passamos a precisar cada vez de menos para ser felizes porque a felicidade não está nas coisas que temos, mas naquilo que somos. Já se disse que o verdadeiro rico não é quem tem muito, mas quem precisa de pouco. Ensina o Espiritismo que é sabedoria saber viver com o necessário. A conquista do supérfluo é desgastante, difícil e quase nunca compensa. Vem acompanhada da doença, inimizade e, em certas situações,  até da desonestidade.  O esforço não vale a alegria que venha a proporcionar.  Temos direito ao progresso, mas que seja com equilíbrio.

Jornal O Clarim – Setembro 2017

 

Padres e hijos

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Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

Es primavera. Cuidemos a nuestros hijos; semillas, flores y frutos de nuestro árbol.

Educar hijos es una de las misiones más difíciles. ¿Ninguna novedad, cierto?

Mi padre era un hombre de un metro y sesenta que pasó a ser un albañil después de haber sido dispensado de una industria de telas en São Carlos (SP), donde fue promovido a supervisor, pero no pudo asumir el cargo por ser analfabeto.

Vivió poco. Solamente cincuenta y cuatro años. Partió en 1957 después de muchos y largos períodos de enfermedades, especialmente con ulceraciones de estómago. Sin embargo, a pesar de esas limitaciones, al desencarnar dejó su esposa en casa propia, construida a las tardes, después del trabajo, por más de diez años de lucha. Fue en un terreno de ocho por veintitrés metros, comprado en cien prestaciones, en Jabaquara, un barrio de periferia en São Paulo. Ha dejado un hijo de veintitrés años (yo), diplomado en contabilidad, y mi hermano de dieciséis, ya trabajando y estudiando. Más tarde sería un abogado. Ambos trabajamos desde los diez años sin nunca sentirnos víctimas de la explotación infantil. Ayudamos con placer el mantenimiento de la familia y nos transformamos en personas de bien, que siempre se agradaron por el trabajo. Y el padre nunca se subvirtió por ser un sin-tierra.

Aparentemente, eso nada tiene de anormal. Sin embargo, lo que deseo destacar son las lecciones que él, asesorado por la madre, nos ha dado. En los días actuales hay didácticas para orientar en la enseñanza de los niños, con fórmulas para no traumatizarlas. Sin embargo, están cada dia más sin educación. ¿Por qué? No es pregunta de fácil contestación. Sin embargo, la primera que nos viene a la mente es porque decimos y no mostramos. Falsificamos, peleamos en el hogar, fumamos y tomamos alcohólicos, pero no queremos que nuestros hijos sean viciados, falsos o violentos.

Me gusta hacer poemas y muchos de los que tengo son descripciones de fragmentos de la vida de mi padre, porque él me dio grandes ejemplos cuando pudo testimoniar sus actitudes delante las dificultades. No hablaba; mostraba por decisiones. Nunca me dio una tapa. No porque yo fuese un ángel, sino porque el método que él usaba era el del ejemplo y no de la conversación vacía o de la represión por el temor.

Observen esta incoherencia.

Cierta fecha, yo venía de Peruíbe, playa del litoral de São Paulo, hacia la Capital y enfrenté el gran tráfico de la vieja autopista Pedro Taques. Me recordé de un amigo que hacía predicaciones en su iglesia y que decidió no respetar la cola de autos transitando por el acoso de la carretera. Como de hábito, el policía lo paró y la actitud natural era mandar el apresurado regresar por la otra pista hasta llegar nuevamente al fin de la cola. Aquel día, fue diferente, me contó él. Habló con la autoridad y resolvió el problema. Prosiguió viaje con la ayuda de la autoridad que lo encajó en la cola principal.

Su hijo de doce años, que estaba en el banco trasero, al presenciar la escena, le preguntó: “Padre. ¿Usted no dio dinero al policía, dio?”. Antes que él contestase, el hijo continuó: “Usted, no, padre. Usted que enseña a los otros lo que es cierto y errado no podía haber dado dinero a él.” Mi amigo me confesó que nunca una actitud suya le causó tanto arrepentimiento. Jamás volvió a tener la admiración del niño en sus trabajos de orientador. ¡Se cayó del pedestal dónde el hijo lo colocara!

Las actitudes de mi padre fueron siempre al revés. Cierta vez faltó comida en la casa porque el patrón no pagó en el día cierto, pero él tenía un dinero reservado para la prestación de una bomba de pozo. Cuando yo le sugerí que en aquel fin de semana usase ese dinero, él se quedó bravo. En mi poema digo así:

– En mis diez años de edad, con mucha serenidad, le hablé usando criterio. – Se calme, padre, ante el hecho; usted es un hombre derecho y Dios protege quien es serio. – Al final, en el cajón, de la cómoda marrón, usted tiene reservado el valor de la prestación, de la bomba de don Juan; pague unos días retrasados…

– Ese ya no tengo yo, enojado contestó, Aunque yo coma en el pasto; y no quiero discusión, después que está en el cajón, Ya no  pertenece a mí!

¡Me quedé todo embobado, vendo el gigante tumbado! Mi ojo todavía marea… Qué lección tuvo aquel día, Ah Dios mío, ¡Virgen Maria!… ¡Su bendición, dónde esté!

Ya a los siete años, cuando le presenté el primer boletín para hablarle de mi anotaciones de la escuela (todas muy buenas), miró y me devolvió. “Muy bien, siempre que quiera me hable de su boletín, pero no es obligado a hacerlo. Tu estudias para ti, no estudias para mí. ¡Luego corresponde a ti cuidar de tu boletín!” ¡Digan si no es sabiduría! Tuvo la confianza de poner en los hombros de un niño la noción de responsabilidad. Nunca traicione a mi padre, avergonzándolo de alguna manera. Fue mi amigo y mi mayor fan.

Qué falta estos días son ejemplos de conducta. Menos vicios, menos peleas, menos mentiras, menos egoísmo y vanidad. Predicando una cosa y viviendo el inverso. ¿Se recuerdan dela conocida historia del teléfono?

El padre explicaba a su hijo que era feo mentir. El teléfono llama y el niño atiende. – Padre, es para usted; el tío Juan. – ¡Dile qué yo no estoy!…

Allá se fue su hermoso tratado sobre la mentira llevado por la avalancha. No tenemos que decir al hijo lo que queremos que él haga. Es necesario mostrar en nosotros lo que anhelamos que él sea. Pocos hacemos eso, lamentablemente… Pienso que está ahí nuestro mayor fracaso como educadores. La tarea es difícil. Sin embargo nuestra culpa también es grande.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Septiembre 2017

 

 

 

 

Pais e filhos

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RIE_setembro_2017

É primavera. Cuidemos de nossos filhos; sementes, flores e frutos da nossa árvore.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Educar filhos é uma das missões mais difíceis. Nenhuma novidade, não é?

Meu pai era um homem de um metro e sessenta que virou pedreiro depois de ser dispensado de uma indústria de tecidos em São Carlos (SP), onde foi promovido a supervisor, mas não pôde assumir o cargo por ser analfabeto.

Viveu pouco. Apenas cinquenta e quatro anos. Partiu em 1957 após diversos e longos períodos de enfermidades, especialmente com ulcerações de estômago. Mas, apesar dessas limitações, ao desencarnar deixou sua esposa em casa própria, construída às tardes, depois do expediente, após mais de dez anos de luta. Foi num terreno de oito por vinte e três metros, comprado em cem prestações, no Jabaquara, bairro de periferia em São Paulo. Deixou um filho de vinte e três anos (eu), formado em contabilidade, e meu irmão de dezesseis, já trabalhando e estudando. Mais tarde seria advogado. Ambos trabalhamos a partir dos dez anos sem nunca nos sentirmos vítimas da exploração infantil. Ajudamos com prazer no orçamento da família e nos transformamos em pessoas de bem, que sempre se agradaram pelo trabalho. E o pai nunca se revoltou por ser sem-terra.

Aparentemente, isso nada tem de anormal. Mas o que desejo destacar são as lições que ele, assessorado pela mãe, claro, nos deu. Nos dias atuais há didáticas para orientar na educação das crianças, com receitas para não traumatizá-las. No entanto, vemo-las cada vez mais sem educação. Por quê? Não é pergunta de fácil resposta. Todavia, a primeira que nos vem à mente é porque dizemos, mas não mostramos. Fraudamos, brigamos no lar, fumamos e tomamos alcoólicos, mas não queremos que nossos filhos sejam viciados, falsos ou violentos.

Gosto de fazer poemas e muitos dos que tenho são descrições de fragmentos da vida do meu pai, porque ele me deu grandes exemplos ao me permitir testemunhar suas atitudes diante das dificuldades. Não falava; mostrava por decisões. Nunca me deu uma tapa. Não porque eu fosse um anjo, mas porque o método que ele usava era o do exemplo e não o do discurso vazio ou da repressão pelo temor.

Observem esta incoerência.

Certa vez, vinha eu de Peruíbe, praia do litoral de São Paulo, para a Capital e enfrentei o congestionamento da velha Rodovia Pedro Taques. Lembrei-me de um amigo que fazia pregações em sua igreja e que decidiu furar essa fila transitando pelo acostamento. Como de hábito, o guarda o parou e a atitude natural era mandar o apressado retornar pela outra pista até chegar novamente ao fim da fila. Naquele dia, foi diferente, me contou ele. Conversou com o guarda e resolveu o problema. Prosseguiu viagem com a ajuda do policial que o encaixou na fila principal.

Seu filho de doze anos, que estava no banco traseiro, ao presenciar a cena, lhe perguntou: “Pai. Você não deu dinheiro ao guarda, deu?”. Antes que ele respondesse, o filho continuou: “Você, não, pai. Você que ensina aos outros o que é certo ou errado não podia ter dado dinheiro a ele.” Meu amigo confessou-me que nunca uma atitude sua lhe causou tanto arrependimento. Jamais voltou a ter a admiração do menino nos seus trabalhos de orientador. Caiu do pedestal onde o filho o colocara!

As atitudes do meu pai foram sempre o inverso. Certa vez faltou comida em casa porque o patrão não pagou no dia certo, mas ele tinha um dinheiro reservado para a prestação da bomba de poço. Quando eu lhe sugeri que naquele fim de semana usasse esse dinheiro, ele ficou muito bravo. No meu poema digo assim:

Nos meus dez anos de idade, com muita serenidade, falei-lhe usando critério. – Se acalme, pai, dá-se um jeito; o senhor é homem direito e Deus protege quem é sério. – Afinal, lá na gaveta, daquela cômoda preta, o senhor tem reservado o valor da prestação, da bomba do seu João; pague alguns dias atrasados…

– Esse dinheiro não é meu, bravo meu pai respondeu, inda que eu coma capim; e não me faça careta, depois que vai pra gaveta, já não mais pertence a mim!

Fiquei todo embevecido, vendo o gigante ferido! Meu olho ainda mareja… Que lição naquele dia, Deus do Céu, Virgem Maria!… Sua bênção pai, onde esteja!

Já aos sete anos, quando lhe apresentei o primeiro boletim para lhe falar das minhas notas (todas ótimas), ele olhou e me devolveu. “Muito bem, sempre que desejar me fale do seu boletim, mas não é obrigado a fazê-lo. Você estuda pra você, você não estuda pra mim. Portanto, cabe a você cuidar do seu boletim!” Digam se não é sabedoria! Teve a confiança de colocar nos ombros de uma criança a noção de responsabilidade. Nunca trai meu pai, envergonhando-o de qualquer maneira. Foi meu amigo e maior fã.

O que falta nestes dias são exemplos de conduta. Menos vícios, menos brigas, menos desleixos, menos ganância e vaidade; menos leviandades. Pregando uma coisa e vivendo o inverso. Lembram-se da conhecida passagem do telefone?

O pai explicava ao filho que era feio mentir. O aparelho toca e o menino atende. – Pai, é pra você; o tio João. – Fala que eu não estou!…

Lá se foi o belo tratado sobre a mentira levado pela enxurrada. Não temos de dizer ao filho o que queremos que ele faça. É preciso mostrar em nós o que desejamos que ele seja. Poucos fazemos isso, infelizmente… Penso que reside aí o nosso maior insucesso como educadores. A tarefa é difícil. Mas nossa culpa também é grande.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – setembro 2017