Dizem os Espíritos que o egoísmo é a matriz de todos os males do homem. O egoísta é, invejoso, ciumento e nunca pode ser satisfeito, porque nada lhe é suficiente. O egoísmo caminha paralelamente com a insegurança, com o orgulho, o melindre e ele sente necessidade de sempre ter e ser o melhor.  No capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, vemos os itens Egoísmo e Fé e caridade e logo percebemos que são incompatíveis. Ou temos fé e somos caridosos ou somos egoístas. O egoísta jamais é caridoso. Ele não sabe dividir.

Lamentavelmente, essa é uma característica de quase todos os seres humanos. Só grandes Espíritos conseguem vencer essa deficiência. O pior é que ele está em todas as raças, todas as idades, mostrando que é uma deficiência da humanidade. A partir da mais tenra idade o egoísmo já se manifesta. Uma criança rica que tenha todos os brinquedos mais modernos, ao ver um menino pobre com um carrinho de madeira quererá esse também. Parece que a felicidade do outro a incomoda.

A pergunta que não quer calar é: – Mas quem são os Espíritos e por que vêm nos orientar? A resposta não é difícil. São entidades que até pouco tempo viveram num corpo como o nosso e tiveram comportamento desorganizado como o que hoje temos. Ao chegar na espiritualidade sentiram o desconforto que seu tipo de vida lhes causou e como já abrigam alguma bondade em seu coração, advertem-nos para que não cometamos os mesmos erros. Fossem ainda egoístas e não se importariam conosco. Lembram-se da mensagem da Rainha de França de O Evangelho Segundo o Espiritismo? Ilustra bem o que estamos afirmando.

Um dos exemplos mais marcantes da vitória contra o egoísmo é o do nosso querido Adolfo Bezerra de Menezes. Visitado pelo anjo Celina, enviado por Maria de Nazaré, foi informado que já tinha direito a viver em planos mais elevados como prêmio por sua conduta envolvendo o amor ao próximo, quando encarnado e depois desencarnado. Num gesto de desprendimento, Bezerra responde que se lhe é permitido escolher, ele gostaria de ficar junto aos seus irmãos sofridos da Terra enquanto aqui houvesse uma só lágrima a ser enxugada.

Seria essa também nossa atitude ou comemoraríamos por poder deixar este vale de lágrimas para viver em planos celestiais, como mérito por nosso progresso?  Será que como Bezerra também nos importaríamos com a dor do nosso próximo, abrindo mão de vantagens para continuar na prática do bem?

É algo para pensarmos em mudar nosso comportamento desde já porque tudo nos diz respeito. O sofrimento de um respinga na vida do outro. Vejam o que acontece quando uma pessoa da família está desajustada, enferma, viciada ou depressiva. Todos os outros sofrem juntos porque estamos amarrados uns nos outros. Somos gregários; não conseguimos viver sozinhos.

Enquanto formos egoístas, nos desgastamos pelas conquistas e nunca estaremos saciados. Treinando o desprendimento, o desapego a tudo e todos, vemos que seremos mais felizes e passamos a precisar cada vez de menos para ser felizes porque a felicidade não está nas coisas que temos, mas naquilo que somos. Já se disse que o verdadeiro rico não é quem tem muito, mas quem precisa de pouco. Ensina o Espiritismo que é sabedoria saber viver com o necessário. A conquista do supérfluo é desgastante, difícil e quase nunca compensa. Vem acompanhada da doença, inimizade e, em certas situações,  até da desonestidade.  O esforço não vale a alegria que venha a proporcionar.  Temos direito ao progresso, mas que seja com equilíbrio.

Jornal O Clarim – Setembro 2017

 

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