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Perdão

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, – disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; – ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?” – Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. – Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” – Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. – Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: “Mulher, onde estão os que te acusaram? Ninguém te condenou?” – Ela respondeu: “Não, Senhor.” Disse-lhe Jesus: “Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” (JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Ao lermos a passagem da mulher adúltera nos deteremos no momento em que ela se aparta do Mestre Jesus, no qual Ele a questiona sobre os que a julgavam? E ela informa que todos foram embora. E Jesus afirma que também Ele não a condenaria. Sempre me perguntei o que ocorria depois.

Quando diante das provas da vida nos deparamos com o Amor Incondicional do Mestre a nos envolver os passos, e por questão de escolha nos dispomos a tal intento. Sendo que há com relação a isso uma diferença: podemos vivenciar o sofrimento ou simplesmente passar por ele. No primeiro caso, escolhemos acolher pelas provas e assumimos conscientemente a responsabilidade pelos nossos atos; no segundo caso, nos desobrigamos, mas não aprendemos a lição. Nisso que consiste a chave do aprendizado.

Imaginemos essa mulher de regresso ao lar. Encontra o marido. Será que tem filhos? A esta altura todos sabem do ocorrido. Como encará-los? Como agir de forma digna perante a sociedade? Esta mesma sociedade que já estava pronta para lhe apedrejar. O Mestre nos deu a indicação: Vai-te e de futuro não tornes a pecar. Construímos o nosso futuro através de quem nós somos e ao lado de quem magoamos. Quando o ofendido permite-se esse prélipo ao nosso lado, constitui-se obra de sublimação para ambos. O mais que é macerado neste momento é o orgulho.

Devemos olhar o nosso irmão com o olhar de segunda chance e pensar: Se fosse eu quem estivesse chegando em casa, como eu gostaria de ser recebido? Entendemos que a cada um segundo as suas obras, por isso o necessário ressarcimento pelo mal cometido. Mas não temos o direito de revirar a ferida do outro. Se escolhemos estar ao lado dele, que o façamos com solicitude e caridade. A oportunidade é do perdão.

O ódio provoca doenças e marcas profundas de serem trabalhadas. O perdão serve como a mais profunda cânfura a aliviar as nossas dores, a aliviar as dores do próximo e de tantos que assistem a situação. Alguns torcendo pela reconciliação ou desejando a estocada final.

Imaginemos novamente a mulher adúltera. Ele pode, apesar de toda execração pública voltar e ter uma nova oportunidade. Este é o princípio do Espiritismo: Uma nova oportunidade. A consciência de culpa não precisa de ajuda para se fazer presente em nós. Mas todas as vezes que somos o agressor do outro, neste momento nos vinculamos a ele e por fim, vivemos novamente a dor outrora vivenciada.

Quando optamos pelo perdão, deixamos o outro seguir e seguimos nós também, deixando o amor nos conduzir e a paz inundar nossos corações. Não é um caminho fácil de ser palmilhado até porque os que estão ao nosso redor cobram “atitude”. A impressão que nos dão é que seremos menores se não agirmos como todos esperam.

Mas, muitas vezes, fomos nós mesmos que induzimos o outro a traição, em virtude da indiferença e dos maus-tratos produzidos por nós. Assim, fica mais fácil nos desvencilharmos do outro impondo punição severa, como se, dessa forma, pudéssemos também apagar o que fizemos.

Em tudo na vida existem três verdades: a minha, a do outro e a verdade verdadeira. Com o passar do tempo vamos preenchendo as lacunas da nossa história com o que melhor nos acalenta o coração. Quando isso não provoca prejuízo ao outro é somente um subterfúgio para nos sentirmos felizes e até aliviados. Mas quando traz prejuízo, é fuga para não agirmos como maturidade perante o outro.

Sempre existirão aqueles que gritarão: Apedrejamento àquele que adulterou! Mas antes de sermos juízes precisamos ser irmãos. E analisarmos se o melhor socorro naquele momento não seria o acolhimento. Ninguém foge do cumprimento da Lei. “Não saireis da prisão até que pagues o último ceitil.” Se podemos ajudar ao outro em nome de tudo o que já vivenciamos de bom com ele, que o façamos. Pois assim teremos exercido a prática do perdão e “teremos ganho o nosso irmão.”

Jornal O Clarim de outubro de 2017

Paciência em Ti

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.” (MATEUS, cap. V, vv. 4 e 9.)

O grande problema do ser humano nos dias atuais, inclusive nós espíritas, é tentarmos querer como resposta aos desmandos da vida material a ética da vida espiritual sem ter o compromisso com o certo que essa vida propõe. A vida material constitui-se de desafios com regras que valem para as situações atuais, usualmente não catalogadas como paradigmas de conduta moral. É um consenso criado entre partes que nem sempre entendem o valor do bem e da justiça.

A vida espiritual traz-nos uma abertura de entendimento e a projeção, sempre para o futuro, como resposta ao vivenciado no presente. A crença no espírito imortal nos dá um abandono das práticas irracionais vividas por aqueles que só enxergam a vida material. Então, temos duas vidas? Melhor dizendo, como estar encarnado (vida material) e termos uma conduta pautada na moral do Cristo (vida espiritual)? Mais ainda, é possível viver uma vida material com um olhar espiritual?

É possível sim e foi isso que Jesus vivenciou em seu apostolado. Mas do que parábolas, temos a presença do Cristo em nossas vidas até o presente, nos orientando os passos, moldando nossa conduta e mostrando-nos o caminho a seguir. Enquanto a vida material nos convida ao imediatismo, ao materialismo e a displicência com a conduta humana, nossa e do semelhante; a vida espiritual ou vida do espírito imortal, mostra-nos que somos herdeiros de nós mesmos. Que diante de um plantio livre (livre arbítrio) nos depararemos com uma colheita obrigatória (expiação).

Mas sermos espíritas tão somente não nos candidata a uma posição de superioridade de entendimento perante a vida. Se não introspectarmos o conhecimento espírita seremos iguais a tantos outros adeptos de outras religiões ou aos próprios ateus, que faremos referências a várias passagens de Jesus, mas adendaremos com a afirmação que nós não somos Ele. O parâmetro de conduta nos foi estabelecido e vivenciado não somente pelo Mestre Jesus. Temos outros que vivenciaram a Doutrina e nos deram o exemplo: Allan Kardec, Bezerra de Menezes, Chico Xavier, entre outros.

Estas figuras ímpares em caráter e vivência cristã nos mostraram que é possível fazer. Então, qual seria o caminho a seguir? “A dor é uma benção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.”[1] Só é testado aquele que estudou a lição. E através das provas e expiações da vida vamo-nos fortificando e aprendendo realmente a lição. Ultrapassando a barreira do momento (vida material), projetamo-nos para o que realmente necessário é para realizarmos (vida imaterial). Assim, conseguimos avaliar melhor a situação e não nos apequenarmos diante das pedras do caminho.

A paciência faz com que não ajamos de sobressalto. Sabemos o quando é difícil quando estamos falando do sofrimento. Mas se somente reagirmos e não agirmos (proposta que a paciência nos convida), estaremos nos comportando igual aos animais irracionais, que quando atacados, atacam de volta sem racionalizar. O sofrimento diante das provas não significa fraqueza ou não entendimento do que vem a ser paciência. Antes, significa que entendemos a lição, experienciamos o fato e transformamos em aprendizado, se formos resignados.

“Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a Lei de Caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, consequentemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem a prova a paciência.”[2]

Alguns afirmam que a Doutrina Espírita é a doutrina do sofrimento. Muito pelo contrário, ao compreendermos a imortalidade da alma, a justiça das aflições e a Lei de Causa e Efeito, deixamos de enxergar de forma restrita e passamos a ver com toda amplitude que possuímos à paternidade de Deus e a tutela de Jesus com relação a nós. Somos filhos bem-amados do Pai. Mas nenhum Pai que ama seu filho o poupará do aprendizado necessário. Até para podermos mensurar com juízo de valor o sofrimento alheio.

Mesmo quando falamos das “… mil picadas de alfinete, …, mas que acabam por ferir.”[3] que são os sarcasmos costumeiros, as ironias, as injúrias como somos tratados. Já afirmou o Mestre Jesus que a brandura e a pacificidade nos colocam na condição de Filhos e Herdeiros do Pai. Sendo brandos transmitiremos a docilidade daqueles que conhecem a verdade e que avançam com passos firmes, pois sabem que caminham com segurança, possuidores do conhecimento da verdade. Pacíficos porque Deus é amor e aqueles que amam jamais agredirão seu próximo.

Neste mesmo capítulo, Mateus nos versículos 21 e 22 nos mostra que aqueles que conspurcam a Lei Divina serão entregues ao Juízo (a própria consciência), sendo regulado o comportamento e a medida do reajustamento pelo Conselho (a própria Lei Divina). Pois, enquanto nos mantivermos em erro teremos o “fogo do inferno” (as provas/expiações da vida) sendo o freio e a espora a nos mostrar o caminho do devido reajustamento.

Precisamos elaborar a paciência em nós. Esperando o dia da colheita. Se antes plantamos cactos, hoje colhemos cactos. Para amanhã colhermos flores, precisamos, mesmo diante das dores, plantarmos flores. A Providência Divina nos envolve a todos. Nada foge a Lei. Deus é a inteligência suprema[4] a reger o Universo. A paciência nos mantem firmes ampliando o nosso campo de visão e nos proporcionando o tempo necessário para absorvermos o aprendizado. Até que um dia, adquiramos a maturidade espiritual plena.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo Outubro de 2017

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 9, item 07

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 9, item 07

[3] Idem

[4] Questão nº 01 de O Livro dos Espíritos.

Pensamentos já pensados

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Octávio Caumo Serrano            dia a dia

Muito justo que aprendamos, repitamos e reverenciemos os ensinamentos que nos legaram os vultos da história. Políticos, religiosos, filósofos, cientistas, poetas, jornalistas e de outros seguimentos, que nos deixaram lições para facilitar-nos o curso da vida.

Experimentadores expertos empregaram sua vida em pesquisas, ocupados com soluções que seriam úteis para que o mundo fosse melhor. Daí, profetas e enviados de Deus, destacadamente o nosso Venerável Jesus Cristo, esqueceram-se de si mesmos para amar o próximo e aconselhar-nos a prudência, o bom senso, fornecendo-nos regras para simplificar nossa caminhada, a fim de amainar-nos o sofrimento.

Mas, diz o povo, que há dois tipos de tolos: Os que acreditam em tudo e os que não acreditam em nada. Quando não entendemos ou não concordamos com alguma opinião ou diretriz que nos é proposta, é sabedoria deixar em banho-maria até que tenhamos condições para decidir com bom senso. Não devemos negar sem fundamento o que não conhecermos, mas não podemos também crer de maneira irracional em tudo o que nos digam, especialmente quando provém de pessoas supostamente importantes.

É comum alguém ser chamado de “vaquinha de presépio”, que balança a cabeça sempre aprovando, ou maria-vai-com-as-outras, porque aceitam como verdade tudo o que lhe dizem. Se um religioso lhe disser que basta ir à igreja dele, aceitar Jesus e oferecer o dízimo para livrar-se dos “pecados” ele, crédulo, confia sem raciocinar, embora saiba que nenhum mérito tem para libertar-se do que fez de errado. Se lhe disserem também que acendendo uma vela do seu tamanho conseguirá a graça que procura ou penitenciando-se com o flagelo de uma caminhada de joelhos em solo pedregoso, ele crê que Deus vai se agradar com isso e premiá-lo com a felicidade que busca.

Ainda atendo-nos à religião, vamos encontrar em O Livro dos Espíritos uma questão interessante: A de número 623. Depois de nos dizer que a Lei de Deus está inscrita na consciência (621) e que de vez em quando Deus envia Espíritos Superiores para orientar as pessoas, foi perguntado se “os que pretenderam instruir os homens na Lei de Deus, às vezes não se enganaram transviando-os devido a falsos princípios?” (623). A resposta é clara: “Aqueles que não foram inspirados por Deus e que se dedicaram por ambição a uma missão que não lhes cabia, certamente pode tê-los transviado. No entanto, como eram afinal homens de gênio, mesmo em meio aos erros que ensinaram, muitas vezes, se encontram grandes verdades.” Ou seja, só aceitamos os erros quando nos convém.

Isso significa que não podemos ser crentes cegos; devemos analisar tudo e reter o que é bom, segundo conselho de Paulo de Tarso. Portanto, mesmo aquele orientador que busca tirar de nós vantagens financeiras para “salvar-nos” dizem verdades que podemos aproveitar.  Se do seu discurso separarmos o joio do trigo, ficando só com o que é útil e descartando o que não faz sentido, seremos beneficiados mesmo que as palavras tenham vindo de oportunistas que procuram beneficiar-se a custa da pregação religiosa. Mas para saber que atitude tomar, temos de conhecer a verdade, porque é a verdade que nos libertará, já advertiu Jesus Cristo.

Em síntese, embora possamos seguir pensamentos já pensados, de quando em vez será interessante que tenhamos nossos próprios conceitos sobre o que nos diz respeito diretamente, porque só nós podemos saber aquilo que realmente queremos para a nossa vida. Ninguém pode vivê-la por nós, por mais bem intencionado que seja e pelos melhores conselhos que nos ofereça. Disse o Cristo, no Evangelho de Mateus, capítulo 10,  que temos que ser simples como a pomba, mas  prudentes como a serpente, porque no mundo de hoje os bons são como ovelhas no meio de lobos. Não podemos ser muito sabidos (donos da verdade) nem muito ingênuos (dizendo amém a tudo e todos).

De vez em quando, portanto, em vez de pensarmos com a cabeça dos outros tentemos pensar com a nossa.

Jornal O Clarim de outubro de 2017

Gratidão pelo serviço

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PÚBLICO 26_06_2017É este o ambiente do nosso Centro Kardecista Os Essênios, em João Pessoa – PB

GRATIDÃO PELO SERVIÇO – 26/6/2017
Octávio Caumo Serrano

Eu vejo no Centro pessoas rezando
E outras pensando na vida que têm,
De olhos fechados, sem ver mais ninguém,
Em meditação, ou sonhando, sonhando…

Às segundas-feiras, lá vão pontualmente;
Vejo muita gente com tal compromisso
E eu me pergunto: – Por que fazem isso
De forma contrita e assim reverente?…

São moços são velhos, solteiros, casados,
Descompromissados, homens ou mulheres,
Porém cada um com seus duros misteres,
Que chegam, no mundo, a ficar alienados.

Há já vinte anos que os vejo fazê-lo
Com o mesmo zelo do primeiro dia
Trocando a tristeza por fé e alegria,
Esperando ser para o outro um modelo.

Durante a palestra, que é sobre o Evangelho,
Percebo que o velho e o moço igualmente
Procuram ouvir, e sempre atentamente,
As orientações que só dão bom conselho.

E passam os anos, o tempo se apressa,
Cada um se confessa feliz com a benesse,
Até que ao final, no momento da prece,
Estão satisfeitos e fazem promessa!

Prometem que vão alterar sua vida,
Fazê-la vivida tendo utilidade,
Porque este momento de tranquilidade
Lhes trouxe lições de ternura e guarida…

Todos que fazemos o Lar desses gênios
Há já dois decênios, ficamos felizes
Por ver que não se abrem mais as cicatrizes
Em quem é tratado por mestres Essênios.

E nós seus adeptos, frágeis encarnados,
Fomos convidados a esta parceria
Para dar amor e espalhar alegria,
Que nos faz sentir muito recompensados.

Que possa durar este nosso serviço;
Curando o enfermiço que nos pede ajuda,
Rogamos ao Pai que o ampare e o acuda
Porque é um privilégio poder fazer isso!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo Outubro de 2017

Somos todos divinos

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Como hijos de Dios, tenemos Su ADN.

Octavio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

A pesar de nuestras limitaciones como espíritus imperfectos, que aún necesitan vivir en mundos de pruebas y expiaciones para acelerar su mejora, en la esencia tenemos todos los ingredientes necesarios para ser semejantes al nuestro Creador. “Sois dioses” (Juan 10:34) es una afirmativa de Jesucristo muy utilizada en el medio espiritista para generar motivación y esperanza. Es acompañada, en general, del complemento: “pueden hacer lo que yo hago y mucho más…” (Juan 14:12).

Aprendemos que fuimos criados por Dios a Su imagen y semejanza y, por lo tanto, tenemos en nosotros los atributos necesarios para ser tratados como tal. ¿Entonces por qué somos aún tan imperfectos? No es una respuesta fácil, pero en rápidas palabras podemos contestar: somos educados para todo, menos para ser hijos espirituales del Creador. Nos enseñan las ciencias de los hombres, sin enseñarnos la ciencia de Dios. Nos educan para ser, doctores, buenos comerciantes, tribunos, pero no nos educan para ser correctos, honestos, respetuosos. No hacemos cursos para aprender a disculpar – más que esto, a perdonar –, a tener paciencia – que es una de las vertientes de la fe –, a no ser envidiosos y celosos. Aprendemos a hacer caridad, sin embargo no somos caritativos con nosotros; no nos consideramos como hijos de Dios.

Nos enseñan a ser intrépidos y valientes en cuanto al vigor físico. Tenemos de ejercitarnos, seleccionar alimentos, hacer regímenes, pero poco nos enseñan en cuanto al coraje que necesitamos para vencer nuestros defectos morales. Nos recomiendan el amor-propio y pocos nos hablan sobre amor al prójimo; enfatizan que no debemos llevar ofensas para casa, pero no nos informan que perdonar es la manera más fácil de ser feliz. Cuidamos con celo y requinte de la casa donde moramos y no damos el mismo trato a la casa mental, al corazón y a la conciencia que viven en nosotros y de los cuales no podemos apartarnos, pues nos acompañan donde quiera que estemos.

Nos recomiendan que necesitáramos ser selectivos en el trato con las amistades a fin de no comprometernos con personas de dudosa aptitud. No nos enseñan, sin embargo, que nuestros pensamientos abren totalmente las puertas de nuestra alma para que espíritus inoportunos e inconvenientes penetren a la voluntad. Según sentimos y pensamos, elegimos el tipo de visitas que recibimos en nuestra casa mental. Lo que determina esa ligazón es la sintonía; automáticamente.

Parte de la culpa cabe a los que abolieron la reencarnación de las orientaciones de Jesucristo. Nosotros, los cristianos, volvimos a tener contacto con esa verdad solamente con la codificación del Espiritismo, en 1857. Hubiésemos sido enterados antes, con la conciencia de ya haber vivido otras veces en la Tierra, ciertamente nuestro comportamiento sería otro. Cuando la reencarnación sea aceptada y utilizada por los hombres del mundo, convictos de que todo lo que hacen revierte sobre ellos mismos, tendremos más cuidado con nuestras deshonestidades, mentiras, agresividades y nos empeñaremos en hacer el bien para alcanzar más deprisa planos más felices.

“Nadie saldrá de aquí mientras no pagar hasta el último centavo”, advirtió Jesucristo. De nada vale morir y volver a aquí sin desvencijarse de este mundo que nos aprisiona, porque la vida futura nada tendrá de diferente de esta contra la cual tanto exigimos. Reencarnamos como oportunidad de mejoría. Si dejamos el tiempo pasar, como se dice popularmente, la cola anda y nosotros quedamos parados.

Jamás alguien nos dijo que el mundo material no deba ser aprovechado, incluso en los placeres que ofrece. La vida es agradable y bella. Vean que hasta la relación sexual es placentera. Fuese dolorida, traumática y el mundo estaría despoblado. La comida encuentra en las varias partes de la lengua la respuesta de cada paladar: dulce, salado, picante, etc. Los ojos, además de permitir que nos orientemos en la caminata, nos permiten ver las bellezas de la naturaleza. El olfato nos da oportunidad de sentir el aroma de las flores y de los perfumes. Tenemos todos nosotros derecho a estos placeres. Son creaciones del Padre, para nuestro deleite.

Pero el mundo material nos ofrece también ciertas infelicidades resultantes de pasados engaños y es en esa hora que debemos estar atentos a la solidaridad. No podemos nos sentir confortables delante del sufrimiento ajeno. Tenemos de minorar los dolores del prójimo, porque nuestra insensibilidad ante el flagelo de un hermano deja registrada en nuestra alma esa indiferencia que un día se volverá contra nosotros. Ésta es la razón porque el número de sufridores en la Tierra es muy grande. Casi de forma unánime, porque incluso los abastados tienen desajustes morales y espirituales. Nunca hubo tanto estrés, depresión, esquizofrenia y personas desajustados por el acoso de entidades obsesivas. El pánico es uno de los síndromes más comunes de la actualidad.

Nos asemejamos a las serpientes que cuando necesitan crecer abandonan la piel vieja y después que aumentan de tamaño se revisten de una nueva casca. Matemos el hombre viejo y permitamos que nazca en nosotros el hombre nuevo, como recomendó Jesús al apóstol Paulo de Tarso, mientras aún era Saulo, seguidor de Moisés y acosador de los cristianos, equivocadamente. Hace mucho tiempo que estamos preguntando en el silencio, como Saulo en la carretera de Damasco: “¿Qué quieres de mí, Señor?” Y si pudiésemos oír, ciertamente escucharíamos Cristo a decirnos: “¡Quiero qué dejes de sufrir por la ignorancia y falta de coraje para libertarte del atraso! Sufres por tu voluntad, porque no es para esto que Dios te creó.”

Si todo es apenas por un poco, si quién nace va a morir y quién muere vuelve a nacer, ¿por qué no dejar nuestro ser divino nacer inmediatamente aún en esta encarnación? ¿Por qué morir y enseguida tener de renacer si ya estamos en el mundo rodeado de todos los recursos necesarios para que saboreemos esta dicha?

 RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Octubre 2017

Somos todos divinos

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RIE_out_2017

 

Como filhos de Deus, portamos Seu DNA.

Octavio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Apesar das nossas limitações como espíritos imperfeitos, que ainda precisam estagiar em mundos de provas e expiações para acelerar seu aprimoramento, na essência temos todos os ingredientes necessários para ser semelhantes ao nosso Criador. “Vós sois deuses” (João 10:34) é uma afirmativa de Jesus muito utilizada no meio espírita para gerar motivação e esperança. É acompanhada, em geral, do complemento: “podem fazer o que eu faço e muito mais…” (João 14:12).

Aprendemos que fomos criados por Deus à Sua imagem e semelhança e, portanto, temos em nós os atributos necessários para ser tratados como tal. Então por que somos ainda tão imperfeitos? Não é uma resposta fácil, mas em rápidas palavras podemos responder: somos educados para tudo, menos para sermos filhos espirituais do Criador. Ensinam-nos as ciências dos homens, sem ensinar-nos a ciência de Deus. Educam-nos para sermos espertos, doutores, bons comerciantes, tribunos, mas não nos educam para sermos corretos, honestos, respeitadores. Não fazemos cursos para aprender a desculpar – mais que isto, a perdoar –, a ter paciência – que é uma das vertentes da fé –, a não ser invejosos e ciumentos. Aprendemos a fazer caridade, mas não somos caridosos conosco; não nos conduzimos como filhos de Deus.

Ensinam-nos a ser destemidos e valentes quanto ao vigor do físico. Temos de exercitar-nos, selecionar alimentos, fazer regimes, mas pouco nos ensinam quanto à coragem que precisamos para vencer nossos defeitos morais. Recomendam-nos o amor-próprio e poucos nos falam sobre amor ao próximo; enfatizam que não devemos levar desaforo para casa, mas não nos informam que perdoar é a maneira mais fácil de ser feliz. Cuidamos com zelo e requinte da casa onde moramos, mas não damos o mesmo trato à casa mental, ao coração e à consciência que moram em nós e dos quais não podemos apartar-nos, pois nos acompanham onde quer que estejamos.

Recomendam-nos que devemos ser seletivos no trato com as amizades a fim de não nos comprometermos com pessoas de duvidosa idoneidade. Não nos ensinam, todavia, que nossos pensamentos escancaram as portas da nossa alma para que espíritos inoportunos e inconvenientes penetrem à vontade. Conforme sentimos e pensamos, elegemos o tipo de visitas que recebemos na nossa casa mental. O que determina essa ligação é a sintonia; automaticamente.

Parte da culpa cabe aos que aboliram a reencarnação das orientações de Jesus. Nós, os cristãos, voltamos a ter contato com essa verdade apenas a partir da codificação do Espiritismo, em 1857. Tivéssemos sido informados antes, com a consciência de já ter vivido algumas passagens pela Terra, certamente nosso comportamento seria outro. Quando a reencarnação for aceita e utilizada pelos homens do mundo, convictos de que tudo o que fazem reverte sobre eles mesmos, seja certo, seja errado, teremos mais cuidado com as nossas desonestidades, leviandades, agressividades e nos empenharemos em fazer o bem para galgar mais depressa planos mais agradáveis.

“Ninguém sairá daqui enquanto não pagar até o último centavo”, advertiu Jesus. Não adianta morrer e voltar para cá sem desvencilhar-se deste mundo que nos aprisiona, porque a vida futura nada terá de diferente desta contra a qual tanto reclamamos. Reencarnamos como oportunidade de melhoria. Se deixarmos o tempo passar, como se diz popularmente, a fila anda e nós ficamos parados.

Jamais alguém nos disse que o mundo material não deva ser aproveitado, inclusive nos prazeres que oferece. A vida é agradável e bela. Vejam que até a relação sexual é prazerosa. Fosse dolorida, traumática e o mundo estaria despovoado. A comida encontra nas várias partes da língua a resposta de cada paladar: doce, salgado, apimentado etc. Os olhos, além de permitir que nos orientemos na caminhada, nos permitem ver as belezas da natureza. O olfato nos dá oportunidade de sentir o aroma das flores e dos perfumes. Temos todos direito a tais prazeres. São criações do Pai, para nosso deleite.

Mas o mundo material nos oferece também certas infelicidades resultantes de passados delituosos e é nessa hora que devemos estar atentos à solidariedade. Não podemos nos sentir confortáveis diante do sofrimento alheio. Temos de minorar as dores do próximo, porque a nossa insensibilidade diante do flagelo de um irmão deixa registrado em nossa alma essa indiferença que um dia se voltará contra nós. Esta é a razão porque o número de sofredores na Terra é muito grande. Quase de forma unânime, porque mesmo os abastados têm desajustes morais e espirituais. Nunca houve tanto estresse, depressão, esquizofrenia e pessoas desajustadas tomadas por entidades obsessivas. O pânico é uma das síndromes mais comuns da atualidade.

Assemelhamo-nos às cobras que quando precisam crescer abandonam a pele velha e depois que aumentam de tamanho se revestem de uma nova casca. Matemos o homem velho e permitamos que nasça em nós o homem novo, como recomendou Jesus ao apóstolo Paulo de Tarso, enquanto ainda era Saulo, seguidor de Moisés e perseguidor dos cristãos, equivocadamente. Há quanto tempo estamos perguntando no silêncio, como Saulo na estrada de Damasco: “Que queres de mim, Senhor?” E se pudéssemos ouvir, certamente escutaríamos Cristo a nos dizer: “Quero que deixes de sofrer pela ignorância e falta de coragem para te libertares do atraso! Sofres por tua vontade, porque não é para isto que Deus te criou.”

Se tudo é apenas por um pouco, se quem nasce vai morrer e quem morre volta a nascer, por que não deixar nosso ser divino nascer imediatamente ainda nesta encarnação? Por que morrer e logo depois ter de renascer se já estamos no mundo rodeado de todos os recursos necessários para saborearmos a felicidade?

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Outubro 2017