RIE_11_2017

Em favor do Espiritismo, o respeito e a atenção.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

 

Nosso centro espírita, pequeno e modesto, “Os Essênios”, foi fundado na Paraíba em 1997 e desde o início implantamos itens de disciplina, copiando a instituição fundada em 1982 em São Paulo: iniciamos as reuniões no horário estabelecido, quando fechamos a porta, não permitindo a entrada de retardatários; não fazemos exceções.

Outros itens são exigidos. Por exemplo, que não se usem roupas extravagantes ou sensuais, porque não são próprias para reuniões deste tipo, especialmente as espíritas, em que conhecemos a atuação da espiritualidade inferior que se prevalece da invigilância dos desavisados para espalhar negatividades, enchendo as pessoas de maus pensamentos. Bezerra de Menezes e Luiz Sérgio tem páginas a esse respeito. Pedimos que se sentem pela ordem de chegada para que umas não incomodem as outras. Que não conversem nem desperdicem o tempo de oração e agradecimento com a manipulação dos celulares, que, ali, são altamente inconvenientes. Se nos preocupamos mais com as notícias e as redes sociais, os bons espíritos nos abandonam e vão cuidar de quem esteja realmente interessado. Tudo a seu tempo e na hora e local próprios.

Às pessoas que chegam pela primeira vez ao centro e vão com roupas cavadas ou decotadas, oferecemos um xale, discreto, absolutamente higienizado, dando a ela a opção de usá-lo ou não participar da reunião. No início, como temos amplamente divulgado no site e na porta de entrada, não permitíamos a entrada de pessoas nessas circunstâncias. Todavia, para não decepcionar os que desconheciam as exigências, já que estas não são habituais na maioria das casas espíritas ou templos de qualquer doutrina, decidimos pela alternativa do abrigo temporário e oferecemos nosso folheto, publicado na RIE de novembro de 2006, “Um Centro Diferente”[1], para que saibam as razões que nos levaram a tal procedimento.

Como norma, as pessoas aquiescem à nossa solicitação e aceitam as regras sem problema. Mas, vez ou outra, há alguém que não concorda com nossa maneira de administrar a casa. São pessoas que não aceitam ser contrariadas, pois se zangam. Não são fiéis no pouco, mas querem receber muito de Deus. E há quem diga que não entende porque tanta exigência, o que não se vê noutros centros. Exatamente porque se o dirigente espírita é o guardião da doutrina no seu centro, deve seguir rigorosamente as orientações do Espiritismo para evitar-nos obsessões gratuitas, por meio de providências simples. Se ninguém exibir-se com sensualidade e atitudes provocantes, os pensamentos frívolos ficarão longe da nossa mente. Mas se o cenário estiver mesmo à nossa frente, já aprendemos com Jesus, quem quiser que atire a primeira pedra. Somos todos ainda vulneráveis a tais ocorrências.

Quem vai ao centro não está atendendo a um convite da instituição, mas de Jesus, do Evangelho ou do seu próprio sofrimento. Ninguém está obrigado a permanecer ou entrar num ambiente que o desagrade. Se não concorda com as regras há muitos outros centros como alternativa. Cada atitude implantada na nossa casa foi produto de análise, estudo de prós e contras para que não ofendêssemos os visitantes, mas para que também não contrariássemos a doutrina. Não queremos uma casa cheia de pessoas iludindo-se, mas de criaturas que aproveitem esse sublime e raro instante semanal para colocar mais um tijolo no edifício de sua casa mental, edificando-a na rocha e não em areias movediças.

Quando Emmanuel começou seu trabalho com Chico, logo esclareceu que exigia dele como item básico que houvesse disciplina na obra que realizariam. A natureza dá exemplos todos os dias. Se o sol nasceu hoje em determinada hora, minutos e segundos, neste mesmo dia, no ano que vem, nascerá outra vez no mesmo horário. Alguém se atreve a dizer que é por acaso que isso acontece há milênios sem falhar nunca? Quando plantamos sementes frutíferas num pomar sabemos, de antemão, quanto tempo demorarão a produzir e a quantidade de frutas que colheremos. Há os que vendem a safra antecipadamente. As marés sobem e descem a cada seis horas. A mulher tem seu filho após nove luas. Não é muito organizado para ser confundido com o acaso?

A disciplina da refeição, do sono, do lazer, do estudo mostra que a nossa saúde depende dela. Todos os excessos nos prejudicam, adoecendo-nos. O mesmo se dá com nosso comportamento ao manejar um veículo, ao caminhar na rua, ao usar uma condução ou executar um trabalho. Temos parceiros ao nosso lado em todas as situações, com direitos e deveres iguais aos nossos. Aos outros, o que queremos para nós!

Quando formos a centro para energizar-nos espiritualmente, estejamos despojados de queixas ou preconceitos, exigência ou reclamações, respeitando a casa a concentrando-nos apenas na ajuda que buscamos, sabendo que simultaneamente somos usados para doar e servir, sem prejuízo para a nossa saúde. Ao contrário, recebendo renovadas as eventuais doações que alguém colheu de nós.

Ajude sempre. Ofereça o que puder à instituição que tão bem o recebe. Mas se não puder doar nada material, dê seu respeito, seu silêncio, sua boa vibração e sua disciplina. Sem perceber, será exemplo para muitos que estão ao seu lado e o observam sem que você nem mesmo perceba.

Que Deus nos ajude!

  1. Documento disponível em: https://essenios.files.wordpress.com/2008/10/um-centro-diferente2.pdf

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – novembro de 2017

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