Octávio Caumo Serrano

Parece absurdo ter de pedir para que as pessoas desliguem os celulares ao entrar no Centro. Afinal, se estão mais interessadas no celular do que no Evangelho e na assistência espiritual, o que vão fazer na casa espírita?

Ressalvadas as exceções, médicos e plantonistas de qualquer atividade, que podem deixar ligados seus aparelhos sem o som, apenas com o aviso vibratório que atenderão nas emergências retirando-se para local isolado, nada justifica ir ao centro com a atenção mais ligada nesse rastreador do que na palestra do dia.

É preciso deixar claro para as pessoas que ao entrarmos no Centro já somos ajudados e doamos o que tivermos de melhor para outros necessitados. Importante também que saibam que a explanação da lição do dia é mais importante do que o passe, porque o Evangelho nos dá o conhecimento da verdade que é a real libertação. O passe é reforço fluídico que deve ser acompanhado da colaboração do assistido para maior eficiência.

Dia destes, no nosso Centro, logo na segunda fileira do salão, uma senhora com criança de uns dois anos, brincavam de celular. Antes da palestra a ser feita por uma confreira da nossa Instituição, pedimos a ela que se fosse impossível fazer a criança se comportar, que, por favor, se sentasse mais no final do salão, para não atrapalhar os que tinham interesse no assunto, nem desviar a atenção da expositora, que havia se dedicado na preparação do tema do dia para oferecer-nos o melhor.

A senhora levantou-se naturalmente, deu água para a criança, e acomodou-se na outra sala onde pode assistir à palestra por um monitor de TV. Tudo natural, sem trauma. Apenas disse a ela que a criança não tinha culpa porque o que ali se realizava não despertava nela qualquer interesse. O erro é dar um celular a uma criança a quem a mãe deveria dar uma boneca. Ela estava sonegando da filha a sua infância. Retirei-me e fui participar dos trabalhos dos passes de tratamento.

Dia seguinte, soube que um casal que foi ao Centro por primeira vez estranhou nosso comportamento, censurando-nos.  Lamentei por eles porque mostraram que não conhecem as implicações da hierarquia, da organização e do respeito. Sendo caridoso e calando diante da atitude daquela mãe equivocada, estaríamos desrespeitando todos os demais que destinam aquele pequeno tempo para sua oração semanal, muitas vezes vindos diretamente do trabalho, sem alimentação, porque consideram importante em suas vidas. Preferível, portanto, que dois ou três se zanguem a que todos os demais sejam privados do ambiente equilibrado. Já disse Jesus que não devemos lançar pérolas aos porcos. Baseamo-nos na orientação do item 21, por São Luiz, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X.

Certa vez, o competente José Raul Teixeira, expressivo conferencista espírita, interrompeu a sua fala diante da indisciplina de crianças num Centro, perguntando onde estavam seus pais e os dirigentes da casa que não tomavam providências. Disse que naquelas condições era impossível realizável seu trabalho. E era apenas convidado.

Ninguém é obrigado a ir ao Centro. Mas quem vai deve se submeter à sua organização, sentando onde lhe recomendam, seguindo os trâmites dos trabalhos, comportando-se conforme estabelecido pela administração que antes de criar normas estudou-as, criteriosamente. Quem não se adaptar, procure outro local que mais lhe agrade. O dirigente é o guardião da doutrina dentro do Centro. Os erros e as falhas dos trabalhadores são atribuídos ao Espiritismo, porque o participante insatisfeito dirá que se desencantou com a Doutrina Espírita, pela maneira como é ali divulgada.

Quem dá mais importância ao celular do que ao Evangelho, escravize-se a ele no restaurante, na rua, no carro, em casa. Não na igreja, no templo, no Centro Espírita, no teatro ou em qualquer reunião pública. Queremos nos livrar dos espíritos inferiores, mas temos outros obsessores eleitos por nós mesmos: crediário, cartões de crédito e as famosas redes sociais onde temos amigos aos milhares que, no entanto, nos deixam abandonados quando estamos precisando de atenção e socorro. A opção de cada um é livre, mas o centro se serve das lições do Cristo para ajudar na educação das almas. Quem não concordar com as normas não venha. Diz o povo e aqui se aplica: “Muito me ajuda quem não me atrapalha”.

Jornal O Clarim – novembro de 2017

 

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