Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado.” – Paulo. (HEBREUS, 11:25.)

Este é o capítulo 42 do Livro Fonte Viva. Temática mais que atual para os nossos dias. A filosofia espírita mostra-nos uma visão do comportamento pautada no entendimento da própria criatura, para depois podermos compreender o nosso semelhante, mas se não tivermos parâmetros de comportamento bem definidos, também não conseguiremos enxergar o semelhante, e posteriormente ajuda-lo. Pois, “Ninguém chega ao Pai, senão por mim.”[1]

Afirmação que nos mostra qual a rota a tomar, implicitamente trazendo a ideia que necessitamos do próximo para evoluirmos. Dando o justo valor as situações e verificando a representatividade do fato tal como ele é. Trazendo a luz do pensamento Crístico o entendimento e explicação dos percalços que nos alcançam a caminhada. Assim, mediremos com a mesma vara nós e o semelhante.

Quantos convites nos são feitos durante a encarnação para podermos desvirtuamos o proceder? Começando por analisar o comportamento humano num todo até chegarmos ao próprio comportamento espírita. Alguns confrades nos perguntam como sermos fieis ao Mestre diante da vida que nos é apresentada? Como ser cristão se o que se nos apresenta é uma barbárie social e intimamente sentimos “obrigados” a agir igual aos outros?

Emmanuel nos responde neste capítulo do livro já citado. Para nos candidatarmos ao muito precisamos ser fieis no pouco. Para chegarmos a uma condição de espíritos puros precisamos antes trabalhar esta argila que possuímos em nós, até que ela fique uniforme. Moldando ao ponto que não possua nenhuma falha. O Evangelho Segundo o Espiritismo também nos fala sobre o assunto em seu capítulo 16: Não se pode servir a Deus e a Mamon. É a lição da escolha certa, entre o que é transitório e o que é permanente em nossas vidas.

Quando voltamos o olhar para as coisas transitórias: os bens materias, as relações afetivas superficiais, as emoções supérfluas acabamos nos escravizando ao que nos causa perturbação e deixamos de observar o que realmente tem importância em nossas vidas. É um apego que se constitui educação ancestral em nossas vidas. Precisamos remodular a base para modificar as consequências. Princípio que deve nos nortear o comportamento é que se não estamos obtendo sucesso na maneira como estamos vivendo, modifiquemos as atitudes para termos resultado diferente.

A proposta de Jesus para nós há mais de dois mil anos era uma mudança de comportamento, mas ele não nos apresentou solução para as situações atuais que nós vivemos, mas uma proposta para o futuro. Sendo que a mudança no comportamento, atualmente, gera desde já uma paz íntima que nos leva a caminhar de maneira mais centrada dispensando o que não nos trará proveito para o futuro e ajustando o valor das coisas no presente para aquilo que poderá nos projetar para a vida eterna.

Joanna de Ângelis, nos diz: “O ser humano tem o dever de selecionar os objetivos existenciais, colocando-os em ordem de acordo com a qualidade e o significado de todos eles, para empenhar-se em destacar aqueles que são primaciais, exigindo todo o empenho, e aqueloutros que são secundários, podendo ser conduzidos com naturalidade, sem maior sofreguidão.”[2]

Esta ordem será baseada no conhecimento adquirido, nos valores que possuímos e na carga emocional envolvida na situação. Estabelecendo como prioridade aquilo que melhor entendemos ser o que irá nos fazer feliz. Quando adicionamos a este pensamento e tomada de decisão a orientação religiosa pautada no entendimento da vida futura, conseguimos com um golpe de visão, vislumbrar o futuro e as conseqüências dos nossos atos presentes. Difícil de exercício, mais muito válido quando executado.

No tocando ao sofrimento e a questão das provas que nos batem a porta temos a mesma depreensão do termo: por um pouco. A eternidade vincula-se a vida espiritual, todo o resto cumpre a necessidade de aprendizado em nossas vidas. Queremos mensurar a real necessidade do reajuste com a Lei pessoas que estão em diferentes patamares de entendimento, sendo que todos sem exceção chegaremos ao Pai após transportarmos as barreiras que interditam a nossa entrada em Mundos mais felizes.

O apóstolo Lucas nos diz: “… Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma…”[3]. Esta afirmativa toma real contorno quando observamos em nós ou em pessoas próximas a nós que fazíamos planos para um futuro longuinquo acreditando que teríamos tempo de concredização e por esses reveses, que só a justiça das reencarnações pode nos explicar, não conseguimos concredizar. Se tivéssemos suportado mais, amado mais, tido mais paciência, ultrapassaríamos aquele momento ou anteciparíamos a vivência do amor em nossas vidas.

A negação de algo não faz com que este algo deixe de existir. Demonstramos mais maturidade espiritual quando paramos de lutar contra o aprendizado e trabalhamos a favor. Evitaríamos sofrimentos, ultrapassaríamos fases e chegaríamos ao ponto desejado com mais segurança emocional.

Deus tem o controle de tudo. Por não compreendermos a sua Lei queremos antecipar fatos perdendo a oportunidade de esperar a fruta amadurecer para podermos colher. Tudo se encadeia na mais perfeita ordem na Criação Divina, temos a oportunidade de sermos co-criadores quando desenvolvemos o perfeito entendimento da Lei e passamos trabalhar em favor de nós mesmos. É um processo de desenvolver a consciência e ampliar os sentimento superiores em nós. Tudo, em nossas vidas, tem um fim providencial.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – novembro de 2017

[1] João, cap. 14, v 7

[2] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psiciologia Profunda, capítulo 22 – Propriedade

[3] Lucas: 12:20