Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar; – em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente; pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo. – Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim: Aquele que semeia saiu a semear; – e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram. – Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. – Mas, levantando-se, o sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram. – Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram. Outra, finalmente, caiu em terra boa e produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta. – Ouça quem tem ouvidos de ouvir. ” (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 1 a 9.)

Amélia Rodrigues pela psicografia de Divaldo Franco, no livro Vivendo com Jesus, capítulo 16, Sementes de Vida Eterna, traz-nos uma lúcida explicação sobre esta parábola. Aduzimos o capítulo XVII – Sede Perfeitos, em seus itens 05 e 06, Parábola do Semeador. As parábolas de Jesus trazem sempre ensinamentos vinculados à vivência das pessoas para facilitar o entendimento e compreensão da mensagem. Por isso, que precisamos ter ouvidos para ouvir. Cada um depreende o que melhor constitui-se como verdade criando vinculação com o que já possui em si.

As pessoas da época lançavam as sementes antes de ararem o solo, de prepararem e adubarem. O Semeador é Jesus e as sementes são a mensagem Divina trazida pelo Mestre. Elas são disponibilizadas nos mais diferentes terrenos. Nesta parábola a criatura humana é representada nos quatro tipos de solo. Representa também o processo de revelação da Lei Divina em nossas vidas, cada um de nós analisando o terreno espiritual que possui e quais as circunstâncias que orientam a sua encarnação no momento.

As primeiras sementes foram lançadas à beira do caminho. Quando os agricultores faziam a colheita deixavam, no solo, um caminho por onde eles retornavam. Quando eles voltavam para o local específico para plantar as sementes algumas caíam. É a representação das criaturas que se interessam em receber a mensagem Divina, mas quando ocorre o momento de redefinição de valores, dedicação com relação ao tempo e esforço por mudança de conduta, a criatura deixa-se vencer pelos vícios, pela insensatez e pela transitoriedade da existência.

Querem receber os benefícios da Boa Nova, mas não querem esforçar-se pela mudança. Seu olhar é voltado para o momento presente e pela busca dos prazeres materiais, do que pode ser obtido pela lei do menor esforço, assim também o é com relação a religiosidade em suas vidas. Procuram dissimular o seu real interesse, usando de jogos para conquistar crentes a sua mudança. Podemos dar como exemplo, aqueles que adentram as instituições religiosas desejando que sejam retirados todos os seus problemas, e que aqueles que ali estão em trabalho de socorro e ajuda ao próximo farão o trabalho por elas. Acreditando que o culto de rituais exímias de qualquer esforço.

Existem aquelas que foram lançadas em terreno pedregoso. Amélia Rodrigues chama de “pessoas desafiadoras”, pois são carregadas de rudeza e grosseria. Pessoas duras, tornam-se invulneráveis relutantes com relação à reforma interior. Estão sempre na defensiva não aceitando a ajuda daqueles que querem lhe abrir os olhos com relação a Revelação Divina. Em alguns momento parece que a mensagem brota em seus corações, mas logo se entregam a amargura da agressividade, deixando que o sol lhes queimem as fibras amorosos do coração. Não compreendo a existência da Misericórdia Divina em nossas vidas.

Existem também aquelas que caem nos terrenos espinhosos. São caracterizadas como “… grupo de almas angustiadas, assinaladas pelos espinhos do desconforto moral em que vivem, acolhendo o mau humor e tentando brechas para a autorrenovação.” Somos a maioria de nós, que em contato com a mensagem Crística temos um misto de alegria pelo ensinamento que nos toca, mas nos sentimos angustiados por reconhecermos em nós um terreno difícil de ser trabalho, já provindo de outras etapas em que sementes viciadas foram semeadas. Esforçamo-nos para mudarmos, realindo os propósitos e modificando a perpectiva com relação ao futuro, mas por termos viciado o solo através de emoções deturpadas temos dificuldade neste processo de transformação moral e espiritual.

Por fim, existem aquelas sementes que são lançadas na boa terra. São aquelas almas “… que estão preparadas para a ensementação do evangelho, para a vivência do Bem, faltando somente que alguém lhes alcance as paisagens emocionais e, logo que recebem a dádiva do grão que irá fertilizar-lhes o Espírito, deixam-se dominar pelas alegrias, propiciando todos os recursos hábeis para que haja resultados opimos. Sacrificam-se em favor da oportunidade…”

Como não se lembrar de Chico Xavier? Maior exemplo de criatura que possuía o terreno pronto para receber a semente da mensagem Divina e produzir frutos. Semeador também o foi, colocando a sua vida como veículo para a ensementação do Amor nos corações humanos. Trazendo na sua alegria pela execução do trabalho o exemplo de devoção a prática do Bem na Terra. Oscilamos nos quatro tipos de terreno, demorando-nos naquele que melhor representa quem somos em essência. É um processo lento e gradual, mas constante. A mensagem Divina está disponível para todos, o Mestre até o presente continua semeando-a em nós. Cabe-nos nos colocar em situação favorável adubando-o com a ternura e o amor.

Jornal O Clarim – novembro de 2017

Anúncios