Educação moral

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“Sabeis os mandamentos: não cometereis adultério; não matareis; não roubareis; não prestareis falso-testemunho; não fareis agravo a ninguém; honrai a vosso pai e a vossa mãe. ” (S. MARCOS, capítulo X, v. 19; S. LUCAS, cap. XVIII, v. 20; S. MATEUS, cap. XIX, vv. 18 e 19.)

“Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará. (Decálogo: “Êxodo”, cap. XX, v. 12.)” (JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

Ao lermos estas passagens refletimos sobre a constituição da família e das bases que nos norteiam os passos durante a encarnação. Verificamos que todos os mandamentos são precedidos da negativa de fazer, sendo que somente no que tange a vinculação afetiva filial trata-se de forma positiva, elevando ao patamar da honra o apreço que devemos àqueles que são nossos pais ou que fazem às vezes deles, enfim, daqueles que são os nossos educadores de vida. Indo mais além, sendo garantida a estada num lugar de promissão, se assim, agirmos.

A questão 775 de O Livro dos Espíritos nos fala sobre o relaxamento dos laços de família, e se caso acontecesse tal fato, quais seriam as consequências, tendo como resposta que haveria uma recrudescência do egoísmo. Ensaiamos quem somos no núcleo familiar para nos projetarmos na grande sociedade através do anteparo, convivência e exemplos da pequena sociedade que forjamos a nossa educação moral. Numa sociedade na qual o binômio família traz uma nova configuração com a participação de pessoas que não estavam no núcleo base de formação, precisamos nos educar em sentimento e coerência para podermos ser bons educadores e influenciadores daqueles que estão sob a nossa tutela moral e emocional.

Quando somos convocados a honrar está sendo incutida a ideia da piedade filial. É aquele algo mais que ultrapassa o amor. Traduz-se no respeito, nas atenções, na submissão e na condescendência que o Evangelho Segundo o Espiritismo nos traz em seu capítulo 24. Reencarnamos em grupos familiares para que possamos ter a nossa argila moral trabalhada. Condição primeira para estarmos agregados dessa forma. Depois, para todos desenvolvermos a paciência, a resignação e desprendimento.

Para querermos algo precisamos ser o exemplo do que queremos. Em educação moral, isto significa dizer que os educadores familiares constituem-se no exemplo para os seus tutelados. Oferecendo-lhes o direcionamento, mas não deixando de exercer o empoderamento familiar. Através da presença, do exemplo e da educação. Não existe acaso ou arranjo nas constituições familiares: “Os pais, por isso mesmo, não são seres fortuitos que aparecem à frente da prole, descomprometidos moral e espiritualmente. São pilotis da instituição doméstica, sobre os quais se constroem os grupos de consanguinidade e da afetividade.”[1]

Por não haver uma improvisação, precisamos também honrar aquele (s) que está (ão) sob a nossa tutela. Somos emissários de Deus na educação moral do semelhante. Sabendo que os laços corporais são diferentes dos laços espirituais, constitui-se obrigação de todos trabalharmos para que haja uma migração do primeiro para o segundo. Transformando as relações frágeis em duráveis, elevando ao bem querer que ultrapassa as barreiras matérias e mantendo-nos vinculados no mundo dos espíritos.

“Os filhos, por sua vez, renascem através daqueles com os quais têm compromissos morais de gravidade para o desenvolvimento espiritual de ambos: genitores e descendentes.”[2] É muito comum ouvirmos: Eu não pedi para nascer! Ou assemelhados, mesmo no meio espírita. Talvez, não tenhamos pedido para nascer naquele clã, mas fomos atraídos vibratoriamente para àquele conglomerado para aprimorarmos “… a paciência, a resignação, pelo silêncio e pela bondade…”[3], servindo de força e sustentação para “… o enfrentamento com os demais grupos sociais nos quais devemos desenvolver os objetivos superiores da existência.”[4]

Não nos cabe mais o pensamento de que não fazemos parte da família à qual pertencemos. Mesmo tratando dos adotados, dos que formam famílias com enteados, etc. Estamos cumprindo um papel no núcleo que estivermos não importa com que nome estejamos neste grupo. Jesus, num sentido muito maior de família, o de Família Universal faz o agrupamento no qual estava reunido, aproveitando da presença de sua família que ali estava destacando que se constituem famílias todos àqueles que fazem a vontade de Deus.

De nossa parte, os educadores, precisamos oferecer o melhor de nós aos tutelados. Pois “… a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado a vossa guarda?”[5] Precisamos ter a consciência tranquila de termos oferecido o melhor. Também os tutelados, mesmo diante de pais omissos, negligentes e até não cientes da missão de serem pais e mães de outras almas, o dever do respeito e agradecimento pela oportunidade de estar encarnado. “As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando o aceitais com o pensamento em Deus.”[6]

Estar encarnado constitui-se uma benção que deveremos aproveitar. Ensaiando na família todos os ensinamentos apregoados pelo Mestre Jesus: amor, caridade, benevolência, indulgência. Assim, nos fortificaremos, para podermos nos relacionar em sociedade, compreendendo o semelhante e praticando a empatia. Partindo de um ponto nuclear, que é a família, atingiremos todo o globo, transformando a família universal na nossa família em síntese e em profundidade.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – dezembro de 2017

[1] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo: Amor Filial

[2] Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo: Amor Filial

[3] Idem

[4] Idem

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 24, item 9

[6] Idem

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Cuidado, Deus castiga

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Octávio Caumo Serrano

Um amigo comentou que em 1880 o reverendo inglês Gideon Ouseley achou um manuscrito chamado o “Evangelho dos doze santos” num monastério budista na índia, escrito em aramaico. No capítulo 21 ele afirma que Jesus falou: “Vim para abolir as festas sangrentas e os sacrifícios, e se não cessais de sacrificar e comer carne e sangue dos animais, a ira de Deus não terminará de persegui-los, como também perseguiu a vossos antepassados no deserto, que se dedicaram a comer carne e que foram eliminados por epidemias e pestes”. Falar da ira de Deus não contraria os princípios cristãos do amor ao próximo?

Ao longo dos tempos a “figura” de Deus foi usada pelos religiosos como um Pai punitivo que se irava e castigava, contrastando com a bondade e a misericórdia que a Ele atribuímos. Já na questão número 10 de O Livro dos Espíritos está indagado se “pode o homem compreender a natureza íntima de Deus” e os veneráveis responderam que não. Falta-lhe o sentido para isso”. Quando dizemos que somos filhos de Deus criados à sua imagem e semelhança, logo nos vem à mente um velho barbudo, com um cajado, sentado num trono, como os reis terrenos. Mas a nossa semelhança com Deus é espiritual, não física.

Sem reportar-nos a tempos sepultados num passado longínquo da história, chegamos a fatos relativamente recentes com Moisés e os dez mandamentos e vemos que depois de tirar os judeus do Egito ele continuou legislando em nome de Deus. Deus não permitia atividades aos sábados; a circuncisão devia ser feita nos meninos, porque Deus ordenara, quando era simples ato de higiene para evitar doenças. Deus proibia consumo de carne de animais de quatro dedos, como o porco. Hoje sabemos os cuidados que temos de ter ao preparar carne suína. Sempre bem cozida porque traz muitas enfermidades, como a neurocisticercose, por exemplo, que leva um verme do porco a diferentes partes do organismo, inclusive ao cérebro. E muitas outras providências importantes para manter a saúde das pessoas foram por Moisés atribuídas à vontade Deus. E as pessoas acreditavam cegamente e, portanto, obedeciam. Ainda hoje é comum a expressão “temente a Deus”, mas nunca no sentido do respeito, mas de temor; de medo. Se você pecar a ira de Deus se voltará contra você.

Para o Espírita não existe pecado, pois Deus não castiga nem perdoa. Deus é a Lei e não se envolve em nossas intrigas, paixões e desentendimentos, nem em tudo o mais que diga respeito à nossa vida mundana. Para demonstrar a Lei de Deus na prática, exemplificando, Jesus veio pessoalmente ao nosso planeta para informar que só o amor pode nos fazer melhores. Foi humilhado e perdoou, inúmeras vezes, embora tivesse poder para destruir seus inimigos com um simples olhar. Cumpriu um ritual doloroso para os humanos ao testemunhar, na prática, qual deve ser a atitude de um legítimo filho de Deus.

Jesus chegou até os nossos dias graças às anotações de alguns abnegados que viveram no seu tempo. Especialmente os Evangelistas. Há mais de cinquenta evangelhos apócrifos embora a igreja use para a sociedade apenas os de Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas o pouco que foi registrado é mais que suficiente como roteiro para uma vida cristã que nos elevará na escala espiritual. Basta saber que o amor cobre a multidão de pecados, como consta na Epístola de Pedro. Ame e o resto virá por acréscimo de misericórdia.

Como deveríamos, então, comportar-nos diante da vida? Exatamente de forma contrária à que nos comportamos. Substituir a valentia pela mansuetude; o orgulho pela humildade; o egoísmo pelo desprendimento; a derrota provisória pela vitória eterna e a dúvida pela fé. Não precisamos ter sempre razão, pois isto só produz desafetos. Que o outro fique com a sua razão e nós com a paz no coração. Troquemos a bajulação provisória dos homens pela glória eterna de Deus. Assim cumpriremos a Lei.

Quanto a alimentar-se da carne, na questão 723 diz o Livro dos Espíritos: “Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, para que mantenha as energias e a saúde para o cumprimento da lei do trabalho. Portanto deve alimentar-se conforme exige seu organismo”. Com a evolução espiritual, suas necessidades grosseiras vão desaparecendo e alimentos mais frugais o suprirão suficientemente. Sem contar que hoje já existem vegetais com as mesmas proteínas da carne. A soja é um exemplo.

Feliz Natal e um iluminado Ano Novo para cada amigo leitor e para os que compõem a nobre Editora deste jornal que tantos recados libertadores nos oferece. Vamos dar graça a Deus pela oportunidade que temos de continuar vivendo e crescendo como espíritos imortais. E como Deus é misericórdia, fiquem todos certos de que Ele nunca castiga.

Jornal O Clarim – Dezembro de 2017

 

 

No basta leer el Evangelio

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“Cuando alimentaste uno de mis pequeños, era a mí que lo hacías.” (Jesús)

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Cierta vez oí del preclaro amigo Eder Favaro, actuante y laborioso cofrade espiritista, algo así: “Ya no basta distribuir mensajes espiritistas; es la hora de ser nosotros el mensaje.”

Ciertamente él no invalidaba el fecundo y pionero trabajo del Grupo Espiritista “Los Mensajeros”, creado por José Gonçalves Pereira, en la Federación Espiritista del Estado de São Paulo (FEESP), el 18 de abril de 1953, exclusivamente para la edición de mensajes – esos “papelitos” distribuidos en los centros espiritistas que transmiten sabiduría y socorro y que ya salvaron la vida de muchos, evitando suicidios, asesinatos y regenerando personas de mala conducta. Uno de los supervisores de los asuntos a divulgar era el propio Chico Xavier, el primero a recibir los lotes de cada mes. Brazo derecho de Gonçalves, el también amigo Miguel Pereira nos contaba muchas historias sobre el asunto.

Qué Eder quiso decir, y lo dijo, es que la única manera de convencer alguien es con el ejemplo. Muestre en usted lo que anhela aconsejar al otro. Sin eso, sus palabras no serán oídas y sus escritos no dejarán raíces en los lectores. Hace mucho tiempo circula una frase que ya fue atribuida a diferentes autores; entre ellos, André Luiz, Francisco de Asís y Madre Teresa. Pero, independientemente del autor y del enunciado, vamos a transcribir su esencia: “Ve como vives; quizás seas el único Evangelio que tu hermano pueda leer.” Ya se dice popularmente que un gramo de ejemplo vale más que una tonelada de consejos.

La llegada del Espiritismo al planeta atiende a la promesa hecha por Jesucristo de que rogaría al Padre que nos enviase el consolador a fin de que él restableciese las verdades que los hombres adulteraron a lo largo de veinte siglos, teniendo la humanidad se apartado de las orientaciones primeras dejadas por Jesús con su forma sencilla de vivir y enseñar. La doctrina que es de los Espíritus no vino a construir templos de piedra ni monumentos que honren sus seguidores, sino vino a popularizar el cristianismo, sacándolo de las clausuras y llevándola a la calle, haciéndolo accesible al entendimiento de sabios y legos, de doctores y analfabetos. Vino a auxiliar los desheredados de la suerte, incluso sabiendo que también éstos cumplen expiación para corregir fallos pasados. Vino también para aclarar los privilegiados de la economía que han cerrados los ojos espirituales y solo ven en vuelta del propio ombligo, ignorando las miserias del mundo. El templo ahora es el propio hombre.

El mensaje de los Espíritus vino a mostrar que la fe se percibe por la conducta del hombre en sus momentos más penosos, cuando, sin lamentar, comprende que finiquita deudas dolorosas que él mismo contrajo. Y se alegra, porque cuando paga un poco la deuda se reduce. Además, es en uno de eses papelitos, llamados mensajes, que Meimei, Espíritu, divulga por Chico Xavier la extraordinaria página “Confía siempre”. Dice ella que los mayores desheredados son los que pierden la confianza en Dios y en sí mismos, porque “no hay mayor infortunio que sufrir la privación de la fe y proseguir viviendo”.

El Espiritismo clasifica su divulgación como expresivo gesto de caridad para que un número más grande de personas pueda beneficiarse de sus enseñanzas. Pero se entienda como divulgación no solamente los escritos, las conferencias o encuentros, pero el comportamiento que cada miembro de su comunidad presente a la sociedad, especialmente en los momentos de dificultad o convulsión social, manteniéndose equilibrado y fugando al lugar común de la agresividad, de la sedición insensata y del negativismo, destructor hasta de las propias aspiraciones humanas. El hombre que profesa esa creencia tiene el deber de ser el fiel de la balanza para restablecer el equilibrio en los momentos de desorden.

Aunque sin recordar la fuente, leí u oí una asertiva que dice que el Espiritismo se esparcirá por toda la humanidad, con los espiritistas, sin los espiritistas, a pesar de los espiritistas. Aparenta ser una afirmación grosera contra los seguidores de Kardec, pero si la frase existe de verdad, no es de todo infundada. Nosotros, los espiritistas, dejamos a desear cuando se trata de prestar testimonio de la doctrina con acciones, desde nuestro propio hogar. Somos los que más alejan a los familiares de nuestra religión por no mostrar en la práctica lo que el Espiritismo nos enseña, a fin de convencer a los demás a seguir por el mismo camino. También le gusta demostrar conocimiento citando bibliografía con capítulos y versículos, pero solo en la teoría. Este comentario sirve a mí también como caparazón. Soy todavía como Paulo de Tarso que el bien que anhelaba no hacía, pero el mal que no quería, ése es lo que hacía. Pero, me espejando en él, también busco levantar después de cada caída y empeñarme para que sean cada vez más espaciadas. Mi gratitud al Espiritismo es tal que me asusta solo de pensar en macularlo.

Al fin de más un año, otra Navidad llega para rememorar la visita de Jesús a nuestro hogar y más un año que comienza para que hagamos promesas de modificación de carácter, a fin de crecer para servir, sabiendo que al hacer por el prójimo somos los primeros beneficiados. Es el mayor regalo que esperamos de Papá Noel: esta concienciación.

Felices fiestas a todos los que hacen esta elocuente Casa Editora, a los lectores y un especial agradecimiento a los que nos acompañan en la Revista Internacional de Espiritismo, todos los meses, en ésta nuestra caminata que ya llega a veintiocho años en la columna que se nos es reservada y que buscamos honrar.

Revista Internacional de Espiritismo – Deciembre 2017

Não basta ler o Evangelho

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  • RIE_12_2017
  • Quando alimentaste um dos meus pequenos, era a mim que o fazias.” (Jesus)

    Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

    Certa vez ouvi do preclaro amigo Éder Fávaro, atuante e laborioso confrade espírita, algo assim: “Já não basta distribuir mensagens espíritas; é hora de sermos nós a mensagem.”

    Certamente ele não invalidava o fecundo e pioneiro trabalho do Grupo Espírita “Os Mensageiros”, criado por José Gonçalves Pereira, na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP), em 18 de abril de 1953, exclusivamente para a edição de mensagens – esses “papeizinhos” distribuídos nos centros espíritas que transmitem sabedoria e socorro e que já salvaram a vida de muitos, evitando suicídios, assassinatos e regenerando pessoas de má conduta. Um dos supervisores dos assuntos a divulgar era o próprio Chico Xavier, o primeiro a receber os lotes de cada mês. Braço direito de Gonçalves, o também amigo Miguel Pereira nos contava muitas histórias sobre o assunto.

    O que Éder quis dizer, e disse, é que a única maneira de convencer alguém é com o exemplo. Mostre em você o que deseja aconselhar ao outro. Sem isso, suas palavras não serão ouvidas e seus escritos não deixarão raízes nos leitores. Há muito tempo circula uma frase que já foi atribuída a diferentes autores; entre eles, André Luiz, Francisco de Assis e Madre Teresa. Mas, independentemente do autor e do enunciado, vamos transcrever a sua essência: “Vê como vives; talvez sejas o único Evangelho que o teu irmão possa ler.” Já se diz popularmente que um grama de exemplo vale mais que uma tonelada de conselhos.

    A chegada do Espiritismo ao planeta atende à promessa feita por Jesus de que rogaria ao Pai que nos enviasse o consolador a fim de que ele restabelecesse as verdades que os homens deturparam ao longo de vinte séculos, tendo a humanidade se afastado das orientações primeiras deixadas por Jesus com sua forma singela de viver e ensinar. A doutrina que é dos Espíritos não veio construir templos de pedra nem monumentos que honrem seus seguidores, mas veio para popularizar o cristianismo, tirando-o das clausuras e levando-os à rua, fazendo-a acessível ao entendimento de sábios e leigos, de doutores e iletrados. Veio para socorrer os deserdados da sorte, mesmo sabendo que também estes cumprem expiação para corrigir falhas passadas. Veio também para esclarecer os privilegiados da economia que têm fechados os olhos espirituais e só veem em volta do próprio umbigo, ignorando as misérias do mundo. O templo agora é o próprio homem.

    A mensagem dos Espíritos veio para mostrar que a fé se percebe pela conduta do homem nos seus momentos mais penosos, quando, sem lamuriar, compreende que quita dívidas dolorosas que ele mesmo contraiu. E alegra-se, porque quando paga um pouco a dívida se reduz. Aliás, é num desses papeizinhos, chamados mensagens, que Meimei, Espírito, divulga por Chico Xavier a extraordinária página “Confia sempre”. Diz ela que os maiores deserdados são os que perdem a confiança em Deus e em si mesmos, porque “não há maior infortúnio do que sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo”.

    O Espiritismo classifica a sua divulgação como expressivo gesto de caridade para que maior número de pessoas possa beneficiar-se dos seus ensinamentos. Mas entenda-se como divulgação não apenas os escritos, as conferências ou encontros, mas o comportamento que cada membro da sua comunidade apresente à sociedade, especialmente nos momentos de dificuldade ou convulsão social, mantendo-se equilibrado e fugindo ao lugar comum da agressividade, da revolta insensata e do negativismo, destruidor até das próprias aspirações humanas. O homem que professa essa crença tem o dever de ser o fiel da balança para restabelecer o equilíbrio nos momentos de desordem.

    Embora sem recordar a fonte, li ou ouvi uma assertiva que diz que o Espiritismo se espalhará por toda a humanidade, com os espíritas, sem os espíritas, apesar dos espíritas. Aparenta ser uma afirmação grosseira contra os seguidores de Kardec, mas se a frase existe de verdade, não é de todo infundada. Nós, os espíritas, deixamos a desejar quando se trata de testemunhar a doutrina com ações, a partir do nosso próprio lar. Somos os que mais afastam os familiares da nossa religião por não exemplificarmos o que o Espiritismo nos ensina, a fim de convencer os demais a seguirem pelo mesmo caminho. Também gostamos de demonstrar conhecimento citando bibliografia com capítulos e versículos, mas só na teoria. Este comentário serve para mim também como carapuça. Sou ainda como Paulo de Tarso que o bem que desejava não fazia, mas o mal que não queria, esse é o que fazia. Mas, espelhando-me nele, também procuro levantar após cada queda e empenhar-me para que sejam cada vez mais espaçadas. Minha gratidão ao Espiritismo é tal que me assusta só em pensar na ideia de maculá-lo.

    Ao fim de mais um ano, outro Natal chega para rememorar a visita de Jesus ao nosso lar e mais um ano que começa para que façamos promessas de modificação de caráter, a fim de crescermos para servir, sabendo que ao fazer pelo próximo somos os primeiros beneficiados. É o maior presente que esperamos de Papai Noel: esta conscientização.

    Felizes festas a todos os que fazem esta eloquente Casa Editora, aos leitores e um especial agradecimento aos que nos acompanham na Revista Internacional de Espiritismo, todos os meses, nesta nossa caminhada que já beira vinte e oito anos na coluna que nos é reservada e que procuramos honrar.

Revista Internacional de Espiritismo – Dezembro de 2017