Quem sabe que não sabe, muito sabe

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com

Somos muito pretensiosos para tão pouco conhecimento;

Ao estudar o Espiritismo ouvimos dos orientadores encarnados notícias de elevado nível, relatando a superioridade dos espíritos comunicantes, como se estes viessem das esferas divinas até ao plano material naturalmente, como em viagem de missão ou turismo. Bom saber que não recebemos orientações de espíritos da esfera do Cristo, mas de seus prepostos recém despojados das vestes do mundo que ainda sofrem muito as suas influências. Há os que ainda são mais humanos do que nós. Incluem-se nessa falange até os anjos guardiões. É fácil compreender isto, porque já aprendemos que não se destina um professor universitário a alunos de jardim da infância. Não adianta eles nos explicarem o que a nossa inteligência rudimentar e nosso conhecimento embrionário são incapazes de compreender.

No Livro dos Espíritos, logo na questão 10, foi indagado se o homem pode compreender a natureza íntima de Deus e os espíritos disseram que não. Falta-nos sentido para isso. Na questão 14 eles são contundentes, após perguntas sobre Deus e seus atributos: “Não vos percais num labirinto de onde não podeis sair. Isso não vos tornará melhores, mas um pouco mais orgulhosos, talvez, já que julgaríeis saber quando na realidade nada saberíeis. Deixai de lado esses sistemas, pois muitas coisas já vos tocam diretamente, a começar por vós mesmos. Estudai vossas próprias imperfeições para vos livrardes delas; isto será mais útil do que querer penetrar no que é impenetrável.”

Os Espíritos que responderam às perguntas que Allan Kardec incluiu em O Livro dos Espíritos, advertiram que não adianta querer viver no Céu se ainda não aprendemos a viver na Terra. Daí porque morrer e desencarnar são coisas diferentes. Muitos morrem, mas não desencarnam devido ao apego aos postos, às honras e outros preconceitos dos quais não se libertaram.

No capítulo XXVIII do livro Emmanuel, por Chico Xavier, o mentor do confrade mineiro fala sobre as comunicações espíritas, ampliando nossa compreensão sobre a mediunidade. Diz ele: “… cada plano recebe do que lhe é superior, apenas o bastante ao seu estado evolutivo, sendo de efeito contraproducente ministrar-lhe conhecimentos que não poderia suportar”.  Diz mais: “… a maioria das entidades comunicantes são verdadeiros homens comuns, relativos e falhos, porquanto conservam, por vezes integralmente (atenção!), o seu corpo somático e têm como habitat o próprio orbe que lhes guarda os despojos e as vastas zonas dos espaços que o cercam, atmosferas do próprio planeta, que poderíamos classificar de colônias terrenas nos planos da erraticidade”. Este conhecimento nos previne contra os médiuns deslumbrados que endeusam as entidades que recebem, chegando a admitir que falaram com os da mais alta corte celeste. Ignoram que não resistiriam sequer a luz emanada deles. O senador romano Publius Lentulus ao escrever a Cesar sobre Jesus disse que ninguém conseguia encará-lo porque “seu olhar resplandece no seu rosto como os raios do sol. Quando resplende apavora e quando ameniza faz chorar”. E Ele ainda estava entre nós!

O progresso espiritual não é algo que alguém conquiste só por querer. É preciso vencer a si mesmo para ser melhor. Há que incorporar virtudes e não apenas defini-las. É o que somos, não o que aspiramos ser. É o que pensamos, não o que falamos. De nada valem a voz mansa e a docilidade quando temos uma consciência cobradora e um coração cheio de mágoa e revolta. A fé é a aceitação da vida e não a frequência a um templo ou uma oração decorada. A fé verdadeira nunca desmorona diante da contrariedade. É inabalável.

“Dos motivos expostos, infere-se que a suposta vulgaridade dos ditados mediúnicos é um fato naturalismo, porque emanam das almas dos próprios homens da Terra, imbuídos de gosto pessoal, já que o corpo das suas impressões persiste com precisão matemática, e somente os séculos, com o seu consequente aglomerado de experiências, conseguem modificar as disposições cármicas ou perispirituais de cada indivíduo. Procuram agir no plano físico unicamente para demonstração da sobrevivência além da morte, levantando os ânimos enfraquecidos, porque dilatam os horizontes da fé e da esperança no futuro, porém, jamais serão portadores da palavra suprema do progresso, não só porque a sua sabedoria é igualmente relativa, como também porque viriam anular o valor da iniciativa pessoal e a insofismável realidade do arbítrio humano.” Você que é médium com tarefas definidas, tenha em mente que é ainda mais médium de si mesmo do que dos sofredores que o rodeiam. É o primeiro que deve aprender as lições sugeridas pelos comunicantes. Sentindo o sofrimento da entidade que se aproxima ficará alertado que se não se cuidar acabará como ela. Por isso a maioria dos médiuns é consciente. Aprende quando em transe para viver quando desperto e consciente. O acréscimo de uma só virtude, que implica o banimento do defeito contrário, já é apreciável conquista para uma encarnação.

“Todas as ciências estão ricas de especulações teóricas e todas as religiões que se divorciaram do amor estão repletas de palavras, quase sempre vazias e incompreensíveis. As predicações são ouvidas, por toda parte; mas a prática é rara, daí a necessidade de se habituar a ela com devotamento, para que os atos revelem os sentimentos, operando com o espírito de verdadeira humildade.” Tenhamos os pés no chão, caros confrades e iniciantes desta doutrina fantástica e esclarecedora. Somos informados mais para doutrinar a nós mesmos do que para converter a humanidade. Sejamos bons exemplos para despertar nos outros a vontade de imitar-nos. Mas sem perder a humildade porque há muito mais a aprender do que o que já nos foi revelado. O que sabemos é uma gota no oceano dos conhecimentos. Estamos ainda no jardim da infância espiritual. Conheçamo-nos, como propôs Sócrates, para aproveitar a encarnação sem pretensões descabidas ou sonhos irrealizáveis. Não esquecer que somos de um mundo de provas e expiações e, portanto, seres muito imperfeitos. Paciência e coragem!

Tribuna Espirita Nov_Dez_2017

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Palavra dita

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no Reino dos Céus aquele que os cumprir e ensinar.” – (S. MATEUS, cap. V, v.19.)

As palavras de Jesus são eternas, pois se constituem na verdade. Elas nos trazem paz, tranquilidade, equilíbrio, estabilidade e nos dão a consciência nos passos para a realização das coisas da vida terrestre.

A principal função no messianato de Jesus foi à de educador de almas. Aqueles de nós que nos candidatamos a esse apostolado temos que ter a ciência do trabalho que estamos abraçando. Tendo como exemplo maior Jesus e em sequência Kardec e Chico Xavier, depreendemos que quanto mais puro a mensagem chegar ao ponto final após sair da origem, melhor estaremos cumprindo com nosso papel.

Informação válida aos articulistas espíritas que versamos no papel nossos pensamentos adornando-os com passagens evangélicas. Muitas vezes, tirando uma frase de um contexto e não explicando o seu todo, poderemos induzir a um entendimento incorreto dos textos bíblicos. Por isso, todo cuidado é pouco ao transcrevermos algo, necessitamos observar também qual tradução estamos utilizando. Conselhos válidos, não dados por mim, mais reproduzidos. Ditos por confrades mais experientes que nós.

E o que não dizer com relação aos médiuns, que recebem as informações através de si? “Vim a este mundo para exercer um juízo, a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem se tornem cegos. – Alguns fariseus que estavam, com ele, ouvindo essas palavras, lhe perguntaram: Também nós, então, somos cegos? – Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecados; mas, agora, dizeis que vedes e é por isso que em vós permanece o vosso pecado.” (S. JOÃO, cap. IX, vv. 39 a 41.)

Entendo pecado como desvio de rota que a criatura faz e trazendo como informação que esta passagem encontra-se no capítulo XVIII, item 11, Muito se Pedirá Àquele que Muito Recebeu, do Evangelho Segundo o Espiritismo, vemos que os médiuns somos os primeiros a termos os olhos abertos pelas mensagens que nos chegam, através de nós.

Criaturas que ao transmitirem suas dores, mostram-nos o caminho que devemos seguir, se assim quisermos sofrer. Se quisermos agir como fariseus, ricos em palavras, mas pobres em atitudes, acreditaremos que a mensagem foi exemplarmente trazida para um companheiro de reunião ou até para outro espírito presente, mas nunca para nós. As histórias são carregadas de informações, mas principalmente, são carregadas de emotividade. Não há como ficarmos passivos diante de tamanha carga emotiva. Somos impregnados e impregnamos a entidade de nossa emotividade também. Há uma troca.

Não nos é pedido perfeição no trabalho mediúnico, mas comprometimento com a verdade. Em O Livro dos Médiuns, item 220, item 03, que nos fala da Perda e da Suspensão da Mediunidade verificamos que o compromisso do médium é com a melhora espiritual. Quando a criatura põe a mediunidade ao dispor de frivolidades, sejam elas: brincadeiras, adivinhações e assemelhados; de propósitos ambiciosos: recebimento de vantagens de forma direta ou indireta, os chamados “presentinhos”; ou mesmo quando se negam a transmitir as orientações trazidas. Este último ocorre, quando os orientadores espirituais do grupo mediúnico trazem explicações sobre fatos que estão ocorrendo e que precisam ser realinhados de acordo com a Doutrina Espírita.

Temos também a responsabilidade de adquirirmos cultura, espírita e não espírita, para podermos saber do que estamos falando. Não somos infalíveis e hoje as informações avançam de forma muito rápida, não podemos fazer citações ultrapassadas nos periódicos ou nas palestras. Mesmo os médiuns, ao se dizer que a criatura é um instrumento passivo diante da comunicação, afirma-se a docilidade, a afabilidade com que se empresta em integralidade para execução do fenômeno, mas somos partícipes na comunicação, por isso, os espíritos buscam em nossos arquivos mentais os subsídios para moldarem as comunicações.

Mas há outro lado que vale ser destacado. Muito será pedido há quem muito foi dado, mas também, “… àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância…” (Mateus, cap. 13, v 12), nada mais justo que aquele que soube ser fiel aos ensinamentos e já desde o momento atual souber aproveitar das benesses recebidas possa viver na abundância. Abundância de conhecimento, de amor, de amparo dos amigos espirituais, da própria consciência tranquila por fazer o certo.

Quando estamos executando qualquer trabalho seja no meio espírita ou não, várias propostas nos são ofertadas. De acordo com a nossa opção, novas portas nos são abertas. Falando de mediunidade, quando nos credenciamos a um trabalho, há um tempo de adaptação, em primeiro lugar; depois, a própria espiritualidade nos encaminha a outros, se assim nos capacitarmos. Como ocorre nos trabalhos da vida de relação, os vinculados a espiritualidade, vamos nos nos adaptando e afinando com a nova proposta assumida associando-nos àqueles que pensam como nós.

Jornal O Clarim – janeiro 2018

Dentro da luta

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“Não peço para que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” Jesus. (JOÃO, 17:15)

Quando estamos sofrendo desejamos ardentemente que o sofrimento seja afastado. Mas o que deveríamos pedir é o enrijecimento das forças para podermos ultrapassar aquele momento e sairmos fortalecidos diante do aprendizado. Proposta lúcida encontrada no capítulo 162 do Livro Fonte Viva.

Proposta esta que se coaduna com a passagem de Mateus em seu cap. VII, vv. 21 a 23: “Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no Reino dos Céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus. – Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? – Eu então lhes direi em altas vozes: Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade.”

Seguir os preceitos do Mestre não é fazer o bem acreditando que iremos receber retribuição. Não podemos querer dobrar a Lei pela quantidade de palavras que dizemos na prece ou pelas obras de caridade que abraçamos, mas pela mudança interior que produzimos dia a dia em nossas vidas. Quando se faz menção a obras de iniquidades, deixa-se evidente que a criatura está agindo com soturnas intenções. A questão 897 de O Livro dos Espíritos nos esclarece que nem pensando no que iremos amealhar na outra vida deveremos praticar o bem, pois ele deve ser feito caritativamente,…, desinteressadamente. Por isso, a reprimenda na passagem de Mateus.

Em síntese, a prática do bem atinge seu ápice quando a incorporamos no nosso modo de viver e não precisamos racionalizar se tal ou qual atitude será revertida em benefício ao próximo. Agiremos de acordo com o certo porque a consciência nos ditará que é o certo e como parâmetro de conduta, não porque representa resultado futuro para colheita do que fizermos. Será algo incorporado ao comportamento de nossas vidas. Como é a respiração nos dias atuais. Assim será a prática do bem.

Nos itens 24 a 27 do mesmo capítulo de Mateus encontramos: “Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. – Quando caiu à chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. – Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derrubada; grande foi a sua ruína.”

Aqueles que ouvimos as mensagens trazidas pelos espíritos imortais e procuramos praticá-las na nossa vida diária equiparamo-nos a rocha que mesmo diante das intempéries da vida, da chuva de lágrimas, dos rios dos sofrimentos, dos ventos dos problemas, temos a nossa estrutura inamovível. Retornamos ao eixo do entendimento superior com mais facilidade. Utilizamo-nos da fé raciocinada para nortear os passos. Mas aqueles que constroem sua fé em bases frágeis, que conspurcam a Lei na busca do imediatismo e dos prazeres materiais vêm toda a estrutura construída ruir ao primeiro sopro de problemas, a primeira turbulência na existência, ao primeiro realinhamento de rota, por parte da Providência.

No referido capítulo do livro Fonte Viva encontramos: “Não supliques a extinção das dificuldades. Procura meios de superá-las, assimilando-lhes lições.” Aprendemos que ao lado do problema Deus coloca sempre a solução, o de que precisamos é termos olhos para enxergar essa solução. Esforçarmo-nos um pouco mais por superá-lo. A proposta é de adaptação visual espiritual ao que Jesus veio nos propor. Equivale a estarmos com miopia moral e o Espiritismo, através dos óculos do entendimento, vir e dissipar a nuvem que estava obscurecendo a nossa visão.

Vivemos a transpor a porta estreita do egoísmo, da idolatria a coisas vás, a pequenez de entendimento sobre a vida espiritual e quais crianças, queremos barganhar com Deus, vendo o que Lhe agrada para podermos ter algum benefício em restituição. Dentro da luta que se constitui o mergulho na encarnação atual, somos convidados, pela Lei, a fazermos também um mergulho interior, nos caminhos mais intrincados que existem em nós.

A cada porta estreita transposta, encontramos a chave com o mapa que nos leva a outro e a outro e a outro caminho. Diferente da brincadeira de criança, que não possuía consequências nenhuma, estas portas internas nos levam ao aprofundamento do conhecimento do ser e faz com avancemos como criaturas eternas que somos. Não basta que roguemos, em altas vozes, o nome do Pai, precisamos nos comportar como filhos do Pai em essência, atribuindo a cada atitude nossa o ensinamento que Jesus nos apregoou, procurando em cada ato praticar as palavras e o exemplo do Mestre Jesus.

Ninguém disse que seria fácil estar encarnado, principalmente num momento de grande turbulência moral que nos encontramos, nos quais forças antagônicas se chocam e que para os mais desavisados, parece que a corrupção, o mal e a derrocada moral estão vencendo. Destaque provisório, notoriedade daqueles que fazem barulho. Dia chegará e não tardará que o bem pacificará a Terra e não mais haverá espaço para o tumulto que se instala hoje nos corações humanos. Permaneçamos firmes, iguais à rocha destacada na passagem de Mateus esperando que as intempéries passem e que a primavera da renovação se instale em nós.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2018

Assuntos de gratidão

2 Comentários

Octávio Caúmo Serrano   dia a dia 1/18 caumo@caumo.com

Os espíritos disseram a Allan Kardec que nós nos perdemos nas palavras. Que o ideal seria existir um idioma no qual cada palavra identificasse claramente uma ideia, sem subterfúgios ou divagações interpretativas.

Ao analisar as palavras humildade, resignação, paciência e outras tantas, vemos que cada pessoa lhes dá uma conotação. Humildade, uma das maiores virtudes espirituais que podemos encontrar em ricos e pobres, é confundida com a miserabilidade. Usa-se para definir uma pessoa sofrida, malvestida, sem recursos.

Resignação é entendida como acovardamento porque nos induz a aceitar tudo sem contestação. Na verdade, é o entendimento de que passamos por aquilo que precisamos, merecemos ou construímos e que, portanto, exige de nós luta sem revolta e não acomodação.

Paciência é entendida como calma passiva, contemplando o caos sem tomar qualquer ação. Mas não é. Paciência é equilíbrio, mas com enfrentamento contra o que nos desagrada, de maneira serena e sem perder a fé. Acreditando que passaremos por mais uma provação.

A gratidão também é entendida como a retribuição ao que nos fez o favor, com simples agradecimento, mas, sempre que possível, com algum bem ou favor. Exemplo dos mais simples é o da senhora que recebe da vizinha uma vasilha com doce e não consegue apenas lavá-la e devolver vazia, agradecida. Precisa pôr, também, algum presente como troca. Segundo os psicólogos essa atitude é feita para quitar a dívida e não ficar em posição inferior. Paga e já não deve nada. Embora aleguem que é apenas pagamento de gentileza com gentileza, o gesto esconde algo mais profundo.

A gratidão consiste em não ser mal-agradecido com quem nos ajuda, mas não há necessidade de ser retribuída para a mesma pessoa, desde que ela não precise. Podemos demonstrar nossa gratidão, ao fazer um favor a quem dele realmente necessite, mostrando que entendemos a possibilidade de ser fraternos. Se gostamos de receber, certamente o outros também se alegrarão com nosso gesto.

Não tenha pressa em se livrar da dívida de gratidão. Mantenha-a viva em sua alma feliz por ter quem preste atenção em você e desfrute o prazer de ter amigos desinteressados. A vida é troca permanente, mas não necessariamente entre as partes envolvidas apenas, mas num leque que abrange toda a sociedade. Já fui menino muito pobre e recebi ajuda de todos os lados, de pessoas às quais nunca pude retribuir. Estudei com desconto na mensalidade do colégio, vesti muita roupa doada, me alimentei de muitas sobras que a mãe, empregada doméstica, levava no final do seu trabalho. Mas depois disso, já ajudei muita gente. E o melhor, tenho vivas na memória todas as ajudas recebidas desde os meus sete anos de idade até hoje. Especialmente até os quarenta quando minha vida começou a estabilizar-se e pude dar mais que receber. Aos oitenta e três continuo na minha proposta de fazer o bem de todas as maneiras.

Gratidão à vida, em primeiro lugar. As pessoas são emissárias de Deus para ajudá-Lo na construção de um mundo cada vez melhor, do qual somos co-criadores. Dando e recebendo, permanentemente, sem sentir-nos humilhados ou envaidecidos. Tudo muito natural.

Se fôssemos nos aprofundar no assunto, veríamos que temos muito mais a agradecer do que a pedir. Gratidão por mais uma encarnação, pelo corpo, pelo lar, pelo trabalho, pelo alimento e pelas oportunidades de servir que passam à nossa frente a cada minuto e que geralmente não percebemos. É precisa que estejamos atentos.

Feliz 2018 e que Deus cuide de nós!

Jornal O Clarim – Janeiro  de 2018

Me permitan ser espiritista

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Por la diversidad de pensamientos es normal haber distintas religiones.

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Vivimos una fase de gran desarrollo científico y tecnológico. Los hallazgos y actualizaciones de procesos y conocimientos evolucionan en una velocidad que la mayoría no puede acompañar. De allí el gran desajuste entre las personas y la facilidad como somos convencidos y engañados por aquéllos que mejor manejan palabras y conceptos.

Aunque haya muchas personas desencantadas con los métodos de divulgación religiosa – y este número crece día a día –, es nuestra opinión que tener fe es importante para consuelo en los momentos de dificil prueba. Si no creemos que hay un poder más arriba de los hombres, que todo organiza y todo gobierna, el desánimo tomará cuenta de nosotros porque nos sentiremos impotentes para combatir, por uno mismo, todo el mal que hay en la Tierra.

Ocurre que hay doctrinas que nos prohíben de pensar, exigiendo la aceptación de dogmas, y otras que condicionan nuestra dicha al valor de las contribuciones pecuniarias que ofertemos a nuestro Dios. De otro lado, hay también las que anhelan que nuestra fe sea producto de la razón y nada se nos cobran para que de ellas participemos.

En todas hay diferentes tipos de adeptos. El pasivo: va al culto de su institución una vez por semana, convicto de que atendió a todos sus deberes religiosos; no se envuelve en la organización. El sin compromiso: aparece una vez u otra y, casi siempre, cuando tiene un problema. Por fin, el actuante: participa de las actividades de la entidad, donándose según su capacidad y según las oportunidades que la propia institución ofrece. Son los celadores del templo, los auxiliares en las ceremonias, los buenos propagandistas de su fe y están siempre dispuestos para lo que de ellos se necesite.

Qué se ve actualmente, sin embargo, es un compromiso mercantilista que supera en mucho el espiritual. Las diferentes doctrinas buscan reclutar fieles, sacándolos de una “rival”, como si fuese una competencia que trajese pérdidas, lo que transforma las corrientes religiosas en enemigas. Y para eso no establecen pudor ni criterio. Mienten y adulteran, porque los objetivos deben ser atendidos por cualquier medio.

Ya pasé por situaciones extrañas al declinar mi corriente de fe, porque las personas tienen grande prejuicio contra el Espiritismo, sin tener siquiera vago conocimiento de los postulados doctrinarios. Cierta fecha, un profesional que ha ido hacer trabajos de mantenimiento en nuestro centro se sorprendió cuando vio sillas en el salón. Él imaginaba, según sus líderes le enseñaron, que allí sería un “terrero”. Él no sabe que el Espiritismo no usa danzas, bebidas, ofrendas, uniformes, velas, inciensos, gallina negra, buzios o bola de cristal. Quien usa esos aparatos en sus rituales son las doctrinas afrobrasileñas, que ya existían antes del Espiritismo. Esta palabra fue usada por primera vez por Allan Kardec, el Codificador de la doctrina, en el prefacio de El Libro de los Espíritus, escrito en 1857. Antes existía espiritualismo y sus adeptos eran los espiritualistas. No eran espiritistas porque esta palabra también no existía. Es otro neologismo creado por Kardec. Hasta mismo entre los espiritistas vemos algunos decir que la Biblia no prohibía el Espiritismo. No podía prohibir ni aprobar porque el Espiritismo no existía cuando ella fue escrita. Quieren hablar de “mediumnidad” (primigenia) y dicen Espiritismo.

Los espiritistas debemos dar a los otros el derecho de profesar la fe que más atienda a sus aspiraciones y que sirvan para mejorarlos como personas. Igualmente nos cabe exigir que nos permitan tener nuestras propias convicciones. Si profesionalmente cada un presenta su vocación, espiritualmente se da lo mismo. No cometamos los errores de los ya sobrepasados currículos escolares que dan clases sobre el cuerpo humano para quien anhele ser contador y explicaciones de geografía para quien vaya a estudiar medicina. El mundo actual exige que seamos prácticos, objetivos y racionales. Quien quiera rellenarse de cultura inútil, busque el internet que irá a encontrar de todo. Todavía, para una preparación seria de lo que usaremos en la profesión que escogemos, hay que tener más rigor.

No tuve la suerte de nacer espiritista. Solo descubrí el Espiritismo hay cuarenta y cinco años, con treinta y ocho de edad, por curiosidad, para ver se encontraba respuestas que mi doctrina, donde fui matriculado por mero tradicionalismo, no me daba. Y entonces encontré el verdadero sentido de la vida, la razón de las desigualdades humanas y la diversidad de carácter de las personas, todo explicado con lógica incontestable que cultivo, divulgo y estudio cada vez más, sin cualquier fanatismo. No trompeteo sobre mi creencia sin que sea pedido. Sin embargo, también no me hurto de dar todas las explicaciones y testimonios siempre que mi fe es posta a la prueba o es indagada.

¡Dejen me ser espiritista! Agradezco a los que intentan salvarme, aconsejando mi transferencia hacia su iglesia, pero por ahora me quedo por aquí, aunque sepa que el propio Espiritismo, y ya nos advirtió Allan Kardec, es una doctrina evolucionista y, por lo tanto, no está listo y acabado. Así como Jesús habló poco para los de su tiempo, usando incluso las parábolas, porque ellos no pudieron entender más sobre las cosas del cielo, también la doctrina de los Espíritus nos trajo solamente las informaciones que podemos comprender con nuestra actual inteligencia y conocimientos básicos. Hasta que vivamos todo qué ella nos enseña, aún siglos pasarán. Pero día llegará que todo necesitará de nueva actualización y el Padre, así como envió el Consolador Prometido, en la figura del Espiritismo, mandará un “upgrade” con detalles más avanzados sobre la doctrina de Jesucristo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Enero 2018

Permitam-me ser espírita

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RIE_01_18

Dada à diversidade de pensamentos é normal haver diferentes religiões.

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Vivemos uma fase de grande desenvolvimento científico e tecnológico. As descobertas e atualizações de processos e conhecimentos evoluem numa velocidade que a maioria de nós não pode acompanhar. Daí o grande desajuste entre as pessoas e a facilidade como somos convencidos e enganados por aqueles que melhor manipulam palavras e conceitos.

Embora haja muitas pessoas desencantadas com os métodos de divulgação religiosa – e este número cresce dia a dia –, somos de opinião que ter fé é importante para consolo nos momentos de maior provação. Se não crermos que há um poder acima dos homens, que tudo organiza e tudo governa, o desânimo tomará conta de nós porque nos sentiremos impotentes para combater, por nós mesmos, todo o mal que há na Terra.

Ocorre que há doutrinas que nos proíbem de pensar, exigindo a aceitação de dogmas, e outras que condicionam nossa felicidade ao valor das contribuições pecuniárias que ofertemos ao nosso Deus. Por outro lado, há também as que desejam que nossa fé seja produto da razão e de nós nada cobra para que dela participemos.

Em todas elas há diferentes tipos de adeptos. O passivo: vai ao culto da sua instituição uma vez por semana, convicto de que atendeu a todos os seus deveres religiosos; não se envolve na organização. O descompromissado: aparece vez ou outra e, geralmente, quando enfrenta algum tipo de problema. Por fim, o atuante: participa das atividades da entidade, doando-se dentro da sua capacidade e dentro das oportunidades que a própria instituição oferece. São os zeladores do templo, os auxiliares nas cerimônias, os bons propagandistas da sua fé e estão sempre prontos para o que deles precisar.

O que se vê atualmente, porém, é um compromisso mercantilista que supera em muito o espiritual. As diferentes doutrinas procuram recrutar fiéis, dissuadindo-os de uma “rival”, como se fosse uma concorrente que trouxesse prejuízo, o que transforma as correntes religiosas em inimigas. E para isso não estabelecem pudor nem critério. Mentem e adulteram, porque os objetivos devem ser atendidos acima de qualquer meio.

Já passei por situações estranhas ao declinar minha corrente de fé, porque as pessoas têm grande preconceito contra o Espiritismo, sem ter sequer vago conhecimento dos postulados doutrinários. Certa vez, um profissional que fora realizar trabalhos de manutenção no nosso centro estranhou quando viu cadeiras no salão. Ele imaginava, pelo que seus líderes lhe ensinaram, que ali seria um terreiro. Ele não sabe que o Espiritismo não usa danças, bebidas, oferendas, uniformes, velas, incensos, galinha preta, búzios ou bola de cristal. Quem usa esses aparatos em seus rituais são as doutrinas afro-brasileiras, que existiam antes do Espiritismo. Esta palavra foi usada pela primeira vez por Allan Kardec, o Codificador da doutrina, no prefácio de O Livro dos Espíritos, lançado em 1857. Antes existia apenas espiritualismo e seus adeptos eram os espiritualistas. Não eram espíritas porque esta palavra também não existia. É outro neologismo criado por Kardec. Até mesmo entre os espíritas observamos alguns dizerem que a Bíblia não proibia o Espiritismo. Não podia proibir nem aprovar porque o Espiritismo não existia quando ela foi elaborada. Querem falar de “mediunismo” (primitivo) e dizem Espiritismo.

Nós, os espíritas, devemos dar aos outros o direito de professar a fé que mais sintonize com suas aspirações e que sirvam para melhorá-los como seres humanos. Da mesma forma, cabe-nos exigir que nos permitam ter nossas próprias convicções. Se profissionalmente cada um apresenta sua vocação, espiritualmente dá-se o mesmo. Não cometamos os erros dos ultrapassados currículos escolares que dão aulas sobre o corpo humano para quem deseja ser contador e explicações de geografia para quem vai estudar medicina. O mundo atual exige que sejamos práticos, objetivos e racionais. Quem quiser preencher-se de cultura inútil, busque a internet que irá encontrar de tudo. Todavia, para um preparo sério do que usaremos na profissão que escolhemos, temos de ter mais rigor.

Não tive a sorte de nascer espírita. Só descobri o Espiritismo há quarenta e cinco anos, com trinta e oito de idade, por curiosidade, para ver se encontrava respostas que a minha doutrina, onde fui matriculado por mero tradicionalismo, não me dava. E então encontrei o verdadeiro sentido da vida, a razão das desigualdades humanas, a diversidade de caráter das pessoas, tudo explicado com lógica irrefutável que cultivo, divulgo e estudo cada vez mais, sem qualquer fanatismo. Não trombeteio sobre a minha crença sem que seja solicitado ou indagado, mas também não me furto de dar todas as explicações e testemunhos sempre que minha fé é posta à prova ou é indagada.

Deixem-me ser espírita! Agradeço aos que tentam me salvar, aconselhando a transferência para a sua igreja, mas por enquanto fico por aqui, embora saiba que o próprio Espiritismo, e já nos advertiu Allan Kardec, é uma doutrina evolucionista e, portanto, não está pronto e acabado. Assim como Jesus falou pouco para os do seu tempo, usando inclusive as parábolas, porque eles não podiam entender mais sobre as coisas do céu, também a doutrina dos Espíritos nos trouxe as informações que podemos compreender com a nossa atual inteligência e conhecimentos básicos. Até que vivamos tudo o que ela nos ensina, ainda séculos passarão. Mas dia chegará que tudo precisará de nova atualização e o Pai, assim como enviou o Consolador Prometido, na figura do Espiritismo, mandará um upgrade com detalhes mais avançados sobre a doutrina de Jesus.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2018