Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no Reino dos Céus aquele que os cumprir e ensinar.” – (S. MATEUS, cap. V, v.19.)

As palavras de Jesus são eternas, pois se constituem na verdade. Elas nos trazem paz, tranquilidade, equilíbrio, estabilidade e nos dão a consciência nos passos para a realização das coisas da vida terrestre.

A principal função no messianato de Jesus foi à de educador de almas. Aqueles de nós que nos candidatamos a esse apostolado temos que ter a ciência do trabalho que estamos abraçando. Tendo como exemplo maior Jesus e em sequência Kardec e Chico Xavier, depreendemos que quanto mais puro a mensagem chegar ao ponto final após sair da origem, melhor estaremos cumprindo com nosso papel.

Informação válida aos articulistas espíritas que versamos no papel nossos pensamentos adornando-os com passagens evangélicas. Muitas vezes, tirando uma frase de um contexto e não explicando o seu todo, poderemos induzir a um entendimento incorreto dos textos bíblicos. Por isso, todo cuidado é pouco ao transcrevermos algo, necessitamos observar também qual tradução estamos utilizando. Conselhos válidos, não dados por mim, mais reproduzidos. Ditos por confrades mais experientes que nós.

E o que não dizer com relação aos médiuns, que recebem as informações através de si? “Vim a este mundo para exercer um juízo, a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem se tornem cegos. – Alguns fariseus que estavam, com ele, ouvindo essas palavras, lhe perguntaram: Também nós, então, somos cegos? – Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecados; mas, agora, dizeis que vedes e é por isso que em vós permanece o vosso pecado.” (S. JOÃO, cap. IX, vv. 39 a 41.)

Entendo pecado como desvio de rota que a criatura faz e trazendo como informação que esta passagem encontra-se no capítulo XVIII, item 11, Muito se Pedirá Àquele que Muito Recebeu, do Evangelho Segundo o Espiritismo, vemos que os médiuns somos os primeiros a termos os olhos abertos pelas mensagens que nos chegam, através de nós.

Criaturas que ao transmitirem suas dores, mostram-nos o caminho que devemos seguir, se assim quisermos sofrer. Se quisermos agir como fariseus, ricos em palavras, mas pobres em atitudes, acreditaremos que a mensagem foi exemplarmente trazida para um companheiro de reunião ou até para outro espírito presente, mas nunca para nós. As histórias são carregadas de informações, mas principalmente, são carregadas de emotividade. Não há como ficarmos passivos diante de tamanha carga emotiva. Somos impregnados e impregnamos a entidade de nossa emotividade também. Há uma troca.

Não nos é pedido perfeição no trabalho mediúnico, mas comprometimento com a verdade. Em O Livro dos Médiuns, item 220, item 03, que nos fala da Perda e da Suspensão da Mediunidade verificamos que o compromisso do médium é com a melhora espiritual. Quando a criatura põe a mediunidade ao dispor de frivolidades, sejam elas: brincadeiras, adivinhações e assemelhados; de propósitos ambiciosos: recebimento de vantagens de forma direta ou indireta, os chamados “presentinhos”; ou mesmo quando se negam a transmitir as orientações trazidas. Este último ocorre, quando os orientadores espirituais do grupo mediúnico trazem explicações sobre fatos que estão ocorrendo e que precisam ser realinhados de acordo com a Doutrina Espírita.

Temos também a responsabilidade de adquirirmos cultura, espírita e não espírita, para podermos saber do que estamos falando. Não somos infalíveis e hoje as informações avançam de forma muito rápida, não podemos fazer citações ultrapassadas nos periódicos ou nas palestras. Mesmo os médiuns, ao se dizer que a criatura é um instrumento passivo diante da comunicação, afirma-se a docilidade, a afabilidade com que se empresta em integralidade para execução do fenômeno, mas somos partícipes na comunicação, por isso, os espíritos buscam em nossos arquivos mentais os subsídios para moldarem as comunicações.

Mas há outro lado que vale ser destacado. Muito será pedido há quem muito foi dado, mas também, “… àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância…” (Mateus, cap. 13, v 12), nada mais justo que aquele que soube ser fiel aos ensinamentos e já desde o momento atual souber aproveitar das benesses recebidas possa viver na abundância. Abundância de conhecimento, de amor, de amparo dos amigos espirituais, da própria consciência tranquila por fazer o certo.

Quando estamos executando qualquer trabalho seja no meio espírita ou não, várias propostas nos são ofertadas. De acordo com a nossa opção, novas portas nos são abertas. Falando de mediunidade, quando nos credenciamos a um trabalho, há um tempo de adaptação, em primeiro lugar; depois, a própria espiritualidade nos encaminha a outros, se assim nos capacitarmos. Como ocorre nos trabalhos da vida de relação, os vinculados a espiritualidade, vamos nos nos adaptando e afinando com a nova proposta assumida associando-nos àqueles que pensam como nós.

Jornal O Clarim – janeiro 2018

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