Os trabalhadores da última hora

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

 “O reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu de madrugada, a fim de assalariar trabalhadores para a sua vinha.

Este Pai de família sendo Deus. Que cria incessantemente e incessantemente convida a todos nós a trabalharmos na sua vinha, na sua obra. Alguns chegamos muito antes, outros chegamos depois, outros ainda, não despertamos para a verdade bendita que vem a ser essa transformação moral que o Evangelho Segundo o Espiritismo, que a Doutrina Cristã, que o Mestre Jesus veio nos ensinar.

Jesus em suas passagens evangélicas sempre traz na simplicidade do ensino as experiências pessoais do povo como nós espíritas também fazemos para conseguirmos convocar as pessoas a um pensamento, a um entendimento mais fácil, para que depois, cada um a sua maneira, possa trazer para a sua vida pessoal e para as suas experiências a compreensão daquela mensagem. Mas Ele sempre traz um elemento estranho, tido pelos profissionais da área como elemento pedagógico, para fixar o aprendizado.

Tendo convencionado com os trabalhadores que pagaria um denário a cada um por dia, mandou-os para a vinha. – Saiu de novo à terceira hora do dia e, vendo outros que se conservavam na praça sem fazer coisa alguma, – disse-lhes: Ide também vós outros para a minha vinha e vos pagarei o que for razoável. Eles foram.

A questão do denário é para explicitar a vinculação do pagamento. Entendendo aqui que foi estipulado um valor como paga pelo serviço prestado. Outro ponto a ser destacado neste trecho é quando é ditoque pagará o que for razoável. Todos nós que nos dedicamos à labuta espírita, falando dos trabalhadores em particular, convencionamos, mesmo que implicitamente, um salário, seja através da prece, acreditando que os bons espíritos irão nos ajudar, enfim, através de alguma obra ou de algo que nos aconteça nos nossos momentos de sofrimento, que algo ou que alguém irá nos ajudar.

Nós convencionamos algo, algum pagamento, mesmo de forma inconsciente, que seja razoável diante daquilo que estamos fazendo. Vivenciarmos o altruísmo é algo difícil de ser verificado no momento atual, sairmos de nós mesmos, deixarmos de nos enxergar e passarmos a enxergar a necessidade do outro, sem esperar algo em troca. Podemos não esperar do outro, mas esperamos dos espíritos, da Divindade, da Lei, de alguém. De alguma forma combinamos com um desses que sejamos pagos, que recebamos uma restituição por aquilo que estamos fazendo. Então, por analogia, todos aqueles que eram convocados a trabalhar na vinha daquele senhor esperavam receber o pagamento razoável diante daquilo que eles estavam fazendo.

Saiu novamente à hora sexta e à hora nona do dia e fez o mesmo. – Saindo mais uma vez à hora undécima, encontrou ainda outros que estavam desocupados, aos quais disse: Por que permaneceis aí o dia inteiro sem trabalhar? – É, disseram eles, que ninguém nos assalariou. Ele então lhes disse: Ide vós também para a minha vinha.

A questão das horas destacadas explica-se porque, a época, o dia de trabalho começava às seis horas da manhã e terminava às dezoito horas. As horas em questão são respectivamente: seis, doze, quinze e dezessete horas. A hora undécima, correspondia às dezessete horas, sendo este o elemento estranho da passagem.

Todos nós que desejamos trabalhar na Vinha do Senhor, que procuramos por essa renovação moral, por essa transformação de nós mesmos, neste processo de melhoramento como criaturas, que temos como ponto de partida a modificação interior para chegarmos à perfeição, todos nós não importando a hora da vida que acordamos para a verdade eterna: se são nas nossas primeiras horas da encarnação, outros adentraram na adolescência, outros na fase adulta, outros na idade madura, outros as portas de desencarnar, na hora undécima, somos convidados pelo Senhor.

Que importa em que momento estamos? Todos nós abraçamos a Doutrina Espírita, voltando nosso olhar para essa mensagem rediviva, que nos cala fundo e que nos diz que existe uma vida melhor, bastando nos colocarmos à disposição dessa modificação, trabalhando por nós, modificando quem somos através do silêncio do aprendizado.

Ao cair da tarde disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros.

Mesmo na nossa sociedade espírita atual este trecho causa certo desajuste. Esquecemos que nosso acordo foi com a Lei, com a própria consciência, não com os homens. Quando aportamos numa Instituição e nos candidatamos a realizarmos trabalhos e abraçamos um após outro, às vezes verificamos que outro companheiro espírita realiza somente um, sendo ovacionado. Poderemos ficar descontentes por tal fato. Mas será que quando absorvemos os trabalhos que nos foram ofertados foi porque entendemos o sentido da obra ou porque queríamos ser bem quistos pela coletividade?

Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. – Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais; porém, receberam apenas um denário cada um. – Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família, – dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós que suportamos o peso do dia e do calor. Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. – Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.” (S. MATEUS, cap. XX, vv. 1 a 16.)

Quando nos dedicamos a qualquer obra, inclusive a de renovação íntima, acordamos com a Divindade o que entendemos como sendo bom e razoável, mas somos ainda tão infantis espiritualmente que quando vemos o nosso próximo recebendo um pouco mais do que estamos recebendo e acreditamos que ele não se esforçou o mesmo que nós, reclamos com a Divindade, esquecendo-nos da carga reencarnatória de méritos que possuímos e o porvir da criatura. Às vezes estamos há muito tempo na Doutrina Espírita, mas ela não está há um ano em nossas vidas, enquanto outras pessoas, adentraram a pouco, mas fazem que a doutrina esteja dentro de si. O tempo não se constitui como condição demarcatória para candidatar a criatura a ser ou não cristã, mas o seu comportamento diante da mensagem. Somos todos trabalhadores da última hora, sendo convocados incessantemente pelo Pai, num convite amoroso a trabalharmos na sua Vinha de Renovação.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Março 2018

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Coragem com Jesus

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Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com

“Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras. Ide, homens, que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes sem fazerdes questão de ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos; ide, o Espírito de Deus vos conduz. Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.”(Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4).

A perfeição moral constitui-se meta a alcançarmos, mas não sendo condição si ne qua non para executarmos os trabalhos de renovação moral e divulgação da mensagem evangélica. Constituindo-se como mensageiros da Boa Nova, pois trazemos o estandarte da reencarnação, divulgamos a todos que nada finda com o decurso da vida física, sendo um até breve que todos nos dizemos neste momento que antecede o porvir que logo nos encontraremos.

A mensagem sendo trazida pelo Mestre Jesus há mais de dois mil anos, renova-se com o tempo, cabendo ao Espiritismo, ser o tradutor das vozes dos espíritos, decodificando a mensagem em língua clara para que todos possam compreendem, através da comunicabilidade dos espíritos, colocando cada um em sem devido lugar, explicando a simplicidade dos fatos e a analogia com os da época do Mestre Rabi, afasta o maravilhosos e sobrenatural, apresentando o homem do presente ao homem do passado, mostrando-nos que somos os mesmos, com as mesmas características, mas com explicações mais aclaradas sobre os fatos.

Por isso, não deveremos nos acanhar diante das nossas dificuldades morais na divulgação de tamanha informação. Bate a nossa porta o nascer de um novo dia, em que o Mestre, como outrora, evidencia a clareza de um Sol de Conhecimento. A Doutrina, como no princípio de Kardec, vivencia um momento de transbordar, ultrapassando as barreiras dos Centros Espíritas. Nunca se falou de Espiritismo como agora.

ibope notícias sobre o assunto. Verdade seja dita, algumas deturpadas em suas explicações. Por isso, precisamos ter a coragem de Jesus, a coragem de Kardec e nos vestirmos de Doutrina, nos vestir de verdade e prosseguirmos. O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo XX, item 4, Missão dos Espíritas, faz um verdadeiro chamamento para nós espíritas, “…conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres.”

O momento não é daqui a pouco, é agora. Não importa como tenha sido a nossa encarnação até o presente momento. O importante é como iremos nos conduzir a partir de agora. A dor é algo implícito da condição humana, fazendo com que alguns espíritas fraquejem e até desistam da labuta espírita em virtude disso. A exemplo de Kardec, que buscou forças no Espírito Verdade; Chico, em Emmanuel, e tantos outros; busquemos forças em nosso anjo guardião, em Jesus, e prossigamos. Sendo nós, uma mensagem, através do nosso exemplo, de divulgação do Evangelho.

Não nos amedrontemos contra as investidas do mal. Temos o antidoto contra o mal que se chama Evangelho Segundo o Espirito. Temos uma mensagem renovadora, chamada Doutrina Espírita, por fim, temos os bons espíritos a nos sustentarem e nos ampararem na divulgação da mensagem rediviva. Da mesma forma que aqueles que não querem a divulgação da mensagem do bem e do amor se organizam aqueles que, há tempos, se organizaram pela Codificação da Doutrina, continuam a trabalhar, juntamente com outros, por esta mesma Doutrina ajudando e sustentando aqueles que trabalham por ela.

No item já citado, verificamos a convocação a todo instante do “Ide e pregai.” Porque quando dizemos para ir, destacamos o ir com afinco, fazer com afinco, com firmeza, com certeza; sendo o pregar, com atitude, ter uma presença que está fazendo aquilo com convicção. Ser do jeito que é por ter convicção que aquilo lhe faz bem ser daquela forma não porque estão nos impondo ser daquela forma. É uma compreensão da alma diante das informações que são apresentadas. Sendo uma maturidade de vida perante o todo. Nós exalamos aquilo que somos não importando o questionamento exterior, fazendo o que absorvemos como correto diante da Lei.

“Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra.” Palavras que parecem ultrapassadas, mas não o são. Quantas Instituições Espíritas não reservam um horário para estudo das Obras Básicas da Codificação? Se nós não estudamos, nós não compreendemos. Se nós não compreendemos como querermos que essa verdade faça parte de nossas vidas?

“Somente lobos caem em armadilhas para lobos…” Nós que já conhecemos algumas mensagens, temos por obrigação de trazê-las para a nossa rotina. O sentido da frase é não sermos aqueles que nos deixamos pegar fácil diante de algo que já conhecemos, situações que já aprendemos a lição, algumas destas passamos pelo aprendizado e vimos qual o resultado. Porque repetir algo que já sabemos o final?

“Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os dois mundos.” Quantos livros ditos espíritas que de espíritas só possuem o título? Cabe-nos, nós que nos dizemos espíritas, comportarmo-nos como tais. Dentro e fora da Instituição. Mesmo Kardec não tendo escrito uma cartilha de bom comportamento, temos os Livros da Codificação a nos orientar o proceder. Temos a moral cristã a nos ditar a regra de conduta. Temos, por fim, a nossa consciência a nos mostrar o caminho a seguir. E mesmo que ao consultarmos todos estes parâmetros, ainda nos reste à dúvida, perguntemos: O que o Cristo faria se estivesse no meu lugar?

Jornal O Clarim – Março de 2018

Sogras & sogras

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Octavio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Há sogras de genros e sogras de noras. Qual é a diferença?

Embora não devamos generalizar, há diferença entre o comportamento da mulher que casa seu filho daquela que casa a filha. Quase sempre a que ganha um genro diz que tem agora mais um filho. Mas a mãe que ganha uma nora, verá nesta mulher uma concorrente que vai dividir o amor que seu filho lhe dedicava com esta outra mulher. Ela não saberá cuidar dele com o mesmo amor como a mãe o fazia. E o ciúme se instala.

Por que isso acontece? Sem que possamos dar resposta igual para todos os casos, para nós os espíritas isso tem a ver com encarnações passadas. Numa trova, já diz Cornélio Pires espírito, o poeta de Tietê-SP, pela escrita de Chico Xavier que: “Quase sempre nesta vida/ sogro, sogra, genro e nora/ é o amor de Deus unindo/ os inimigos de outrora.” Sem ser regra, é muito comum que os desafetos de uma encarnação retornem como parentes para novo exercício de entendimento, agora sem os requintes da paixão carnal, mas para desenvolver o amor espiritual. Todavia, ainda presos à libido da encarnação anterior, da qual não nos livramos com facilidade, vem à tona a experiência vivida noutros tempos.

Disso resulta que o filho ou a filha desta encarnação pode ter sido o amante que formou o triângulo amoroso e agora ao se reencontrarem esse sentimento humano aflore porque está vivo na mente das pessoas. Daí o ciúme que muitas vezes os filhos têm da mãe ou do pai, a ponto de, caso haja viuvez, nem mesmo aprovarem nova união do cônjuge como outra pessoa. Lhes soa como traição; quase que adultério.

Embora isso seja explicação do Espiritismo, a psicologia fala do complexo de Édipo e de Electra. Segundo Freud, vai desde o desejo sexual pelo cônjuge do outro sexo até o desejo de morte do que é do mesmo sexo, porque é o rival. O próprio psicanalista relata “ter descoberto em si mesmo impulsos carinhosos quanto à mãe e hostis em relação ao pai, estes complicados pelo afeto que lhe dedicava”. Mas como a lei da reencarnação não faz parte da psicologia, tudo fica por conta do inconsciente sem maiores explicações. Freud apenas manteve sua posição de que o conflito se desenrolava verdadeiramente na adolescência, ou melhor, na puberdade, como expresso nas conferencias do Congresso Internacional de Psicanálise de março de 1910, ainda que neste texto e nas Teorias Sexuais Infantis, Freud já estabelecesse a relação entre pais e filhos como “complexo nuclear das neuroses”.

Segundo os mentores espíritas que trataram do assunto, entre eles Emmanuel em seu livro Vida e Sexo ou André Luiz em Sexo e Destino, tudo decorre de experiências ou conflitos de vidas passadas. Daí que cada sogra reage de um jeito quando vai casar filho ou filha. Não é uma regra, mas os leitores que eventualmente tiverem o problema já têm material para analisar e tentar descobrir as razões de certas atitudes; de amor, indiferença ou agressividade.

Jornal O Clarim – abril de 2018

Un regalo de Dios

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“Y yo rogaré al Padre, y Él os dará otro Consolador.” – João 14:16.

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Habiendo llegado día dieses, precisamente el 18 de abril de 1857 – porque 160 años es nada cuando se analiza el contexto de la historia –, el Espiritismo, doctrina organizada por el pedagogo Denizard Rivail, nuestro Kardec, no fue aún asimilado por el hombre de nuestro tiempo.

Equivocado, imagina que él está en la Tierra para resolver problemas financieros y materiales de diferentes órdenes, incluyendo los de salud. Busca el Espiritismo para beneficiarse de las curas mediúmnicas, porque aún no comprendió que la enfermedad es reflejo de un desajuste del Espíritu que anima su cuerpo. Si supiese, comprendería que cada uno puede ser su propio médico y que los grandes males de la humanidad no están en el clima, en los alimentos impropios, en la polución de aguas y aire o en las plagas, pero en la propia mente, porque es el pensamiento que nos hace saludables o enfermos, felices o infelices.

Cuando Jesucristo digo que rogaría al Padre que nos enviase el Consolador, lo que ha ocurrido casi veinte siglos después, sabía que todo necesita venir a su tiempo. Largos períodos se pasaron entre Moisés y Jesús, sin que llevemos en cuenta las primeras revelaciones a Abraham y demás patriarcas, pues Moisés ya encontró el Dios Creador asimilado por su pueblo. El materialismo dogmático de los dioses mitológicos de Grecia y de las idolatrías de Egipto ya estaban superados. El Dios Espíritu ya había sido comprendido, a pesar de ser considerado un protector particular del pueblo judío. Siquiera el nativo de la Samaria tenía derecho a la protección que tenían el judío y el galileo. Dios no era de los gentiles. Postura pretenciosa, pero comprensible. Si hasta hoy hay quien afirme que solo en su iglesia es posible encontrar la salvación, fácil imaginar cómo sería veinte siglos pasados.

El Espiritismo vino a traer lucidez para la comprensión de la Ley de Dios, que nos ha sido claramente recordada por Jesús, ya que ella está desde siempre grabada en nuestro inconsciente, como afirma la cuestión 621 de El Libro de los Espíritus. No entendemos correctamente como se procesa en nosotros mismos la ley de causa y efecto, porque si hubiésemos entendido no nos causaríamos tanto sufrimiento con el desajuste de nuestros pensamientos.

Sufriendo por los males que los otros nos causan, no percibimos qué nuestra defensa consiste en vivir arriba de ese charco, para que la basura no respingue en nosotros. El mal del agravio no está en la carga de maldad que el otro nos echa, sino en la receptividad que damos a la actitud de él. Si decidimos que no es con nosotros y no asimilemos la agresión, ella no nos hará mal. Sin embargo, se somos equivocados cuanto a nosotros mismos, iremos a valorar y ampliar el mal que ella puede provocar. Vamos a sufrir no por la actitud del agresor, sino por nuestra propia inseguridad.

El Espiritismo no exige de nosotros santificación de noche al día, porque sabe que no tenemos condición de conseguirla. El Plan de Dios respeta el habitante de la Tierra y su inferioridad por ser habitante de un mundo de pruebas y expiaciones, que no es una casa de Santos. Quiere solamente que tengamos buenas intenciones y voluntad de crecer, proponiéndonos recursos para ser a cada día un poco mejores. Sin prisa, porque si intentemos atropellar el tiempo y las condiciones vamos a tropezar y no saldremos del lugar. Día a día, mes a mes, año a año, encarnación a encarnación. Despacio, pero siempre. Hacia la frente y al alto.

En vez de pretender enseñar siempre, ya que sabemos casi nada, vamos a usar el mayor tiempo para aprender. Lo que sabemos, distribuimos naturalmente por ejemplos y actitudes que nos identifiquen como persona diferente delante de las dificultades. No perderemos la calma, a pesar de haber motivos para tanto. Sabremos que todo es sólo por un poco. Si hasta la reencarnación es efímera ante la eternidad, imaginemos los pequeños percances del día a día. Son átimos, milésimos de segundos en la conta del tiempo de Dios.

Nada vale nuestra tristeza, nuestro sufrimiento, nuestra angustia. Nada acaba, nada perece; todo simplemente se transforma. Y nosotros, hombres comunes, estamos caminando hacia la angelitud. Podemos acelerar ese tiempo si solo valoramos lo que tiene valor real y no lo que simplemente sirve de ornamento fútil para la vida en la Tierra. Toda una reencarnación representa algunos minutos espirituales. Los tesoros de la Tierra, ya enseñó Jesús, el ladrón roba, la polilla corroe y la herrumbre consume. Cuando vayamos a la espiritualidad serán valores retenidos como contrabando en la frontera del plano espiritual. Por qué, entonces, ¿nos desgastar tanto en su conquista? Vamos a usarlos en la medida que tengan utilidad. ¡Y solo cuando puedan si transformar de tesoros de la Tierra en tesoros del Cielo!

Concluyendo, el mejor proceso de tratamiento y cura para una persona es el estudio. Fue lo que nos enseñó Jesucristo: “Conoceréis la verdad y la verdad os libertará” (João 8:32). ¿De qué verdad nos hablaba El? Ciertamente la qué nos informa quién somos, de dónde vinimos, ¡por qué, para qué y para dónde iremos cómo seres eternos! Entendido eso, los dolores pierden el poder y pasan a ser recursos de crecimiento. Más importante que curarlas es entenderlas y aprovecharlas. Y, al final, ¡curarán por sí mismas!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2018

 

Um presente de Deus

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RIE 04_18

“E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador.” – João 14:16.

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Tendo chegado dia desses, precisamente aos 18 de abril de 1857 – porque 160 anos é nada quando se analisa o contexto da história –, o Espiritismo, doutrina organizada pelo pedagogo Denizard Rivail, o nosso Kardec, não foi ainda assimilado pelo homem do nosso tempo.

Equivocado, ele imagina que está na Terra para resolver problemas financeiros e materiais de toda ordem, incluindo os de saúde. Busca o Espiritismo para beneficiar-se das curas mediúnicas, porque ainda não compreendeu que a doença é reflexo de um desajuste do Espírito que anima o seu corpo. Se soubesse, compreenderia que cada um pode ser seu próprio médico e que os maiores males da humanidade não estão no clima, nos alimentos impróprios, na poluição de águas e ar ou nas pragas, mas na própria mente, porque é o pensamento que nos faz saudáveis ou enfermos, felizes ou infelizes.

Quando Jesus rogou ao Pai que nos enviasse o Consolador, e foi atendido quase vinte séculos depois, sabia que tudo precisa vir no tempo certo. Longos períodos se passaram entre Moisés e Jesus, sem levarmos em conta as primeiras revelações a Abraão e demais patriarcas, pois Moisés já encontrou o Deus Criador assimilado pelo seu povo. O materialismo dogmático dos deuses mitológicos da Grécia e das idolatrias do Egito já estavam superados. O Deus Espírito já havia sido compreendido, apesar de ser considerado um protetor particular do povo judeu. Nem mesmo o patrício da Samaria tinha direito à proteção que tinham o judeu e o galileu. Deus não era de gentios. Postura pretensiosa, mas compreensível. Se até hoje há quem afirme que só na sua igreja é possível encontrar a salvação, fácil imaginar como seria há vinte séculos.

O Espiritismo veio trazer lucidez para a compreensão da Lei de Deus, que nos foi claramente relembrada por Jesus, já que ela está desde sempre gravada no nosso inconsciente, como afirma a questão 621 de O Livro dos Espíritos. Não entendemos corretamente como se processa em nós mesmos a lei de causa e efeito, porque se houvéssemos entendido não nos causaríamos tanto sofrimento com o desajuste dos nossos pensamentos.

Sofrendo pelos males que os outros nos causam, não percebemos que nossa defesa consiste em pairar acima dessa lama, para que a sujeira não respingue em nós. O mal da ofensa não está na carga de maldade que o outro nos atira, mas na receptividade que damos à atitude dele. Se decidirmos que não é conosco e não assimilarmos a agressão, ela não nos fará mal, mas se somos equivocados quanto a nós mesmos, iremos valorizar e ampliar o mal que ela pode provocar. Vamos sofrer não pela atitude do agressor, mas pela nossa própria insegurança.

O Espiritismo não exige de nós santificação da noite para o dia, porque sabe que não temos condição de consegui-la. O Plano de Deus respeita o habitante da Terra e sua inferioridade por ser morador de um mundo de provas e expiações, que não é residência de santos. Quer apenas que tenhamos boas intenções e vontade de crescer, propondo-nos recursos para ser a cada dia um pouco melhores. Sem pressa, porque se tentarmos atropelar o tempo e as condições vamos tropeçar e não sairemos do lugar. Dia a dia, mês a mês, ano a ano, encarnação a encarnação. Devagar, mas sempre. Para a frente e para o alto.

Em vez de pretendermos ensinar sempre, já que sabemos quase nada, vamos usar o maior tempo para aprender. O que sabemos, naturalmente distribuímos por exemplos e atitudes que nos identifiquem como pessoa diferente diante das dificuldades. Não perderemos a calma, apesar de haver motivos para tanto. Saberemos que tudo é só por um pouco. Se até a reencarnação é efêmera diante da eternidade, imaginemos os pequenos percalços do dia a dia. São átimos, milésimos de segundos no tempo de Deus.

Nada vale a nossa tristeza, o nosso sofrimento, a nossa angústia. Nada acaba, nada perece; tudo simplesmente se transforma. E nós, homens comuns, estamos caminhando para a angelitude. Podemos acelerar esse tempo se apenas valorizarmos o que tem valor real e não o que simplesmente serve de ornamento fútil para a vida na Terra. Toda uma reencarnação representa alguns minutos espirituais. Os tesouros da Terra, já ensinou Jesus, o ladrão rouba, a traça corrói e a ferrugem consome. Quando formos para a espiritualidade serão valores retidos como contrabando na fronteira do plano espiritual. Por que, então, nos desgastarmos tanto na sua conquista? Vamos usá-los na medida que tenham utilidade. E caso possam se transformar de tesouros da Terra em tesouros do Céu!

Concluindo, o melhor processo de tratamento e cura para uma pessoa é o estudo. Foi o que nos ensinou Jesus: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). De que verdade nos falava Jesus? Certamente a que nos informa quem somos, de onde viemos, por que, para que e para onde iremos como seres eternos! Entendido isso, as dores perdem o poder e passam a ser recursos de crescimento. Mais importante que curá-las é entende-las e aproveitá-las. E, ao final, curarão por si mesmas!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2018