Octavio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Há sogras de genros e sogras de noras. Qual é a diferença?

Embora não devamos generalizar, há diferença entre o comportamento da mulher que casa seu filho daquela que casa a filha. Quase sempre a que ganha um genro diz que tem agora mais um filho. Mas a mãe que ganha uma nora, verá nesta mulher uma concorrente que vai dividir o amor que seu filho lhe dedicava com esta outra mulher. Ela não saberá cuidar dele com o mesmo amor como a mãe o fazia. E o ciúme se instala.

Por que isso acontece? Sem que possamos dar resposta igual para todos os casos, para nós os espíritas isso tem a ver com encarnações passadas. Numa trova, já diz Cornélio Pires espírito, o poeta de Tietê-SP, pela escrita de Chico Xavier que: “Quase sempre nesta vida/ sogro, sogra, genro e nora/ é o amor de Deus unindo/ os inimigos de outrora.” Sem ser regra, é muito comum que os desafetos de uma encarnação retornem como parentes para novo exercício de entendimento, agora sem os requintes da paixão carnal, mas para desenvolver o amor espiritual. Todavia, ainda presos à libido da encarnação anterior, da qual não nos livramos com facilidade, vem à tona a experiência vivida noutros tempos.

Disso resulta que o filho ou a filha desta encarnação pode ter sido o amante que formou o triângulo amoroso e agora ao se reencontrarem esse sentimento humano aflore porque está vivo na mente das pessoas. Daí o ciúme que muitas vezes os filhos têm da mãe ou do pai, a ponto de, caso haja viuvez, nem mesmo aprovarem nova união do cônjuge como outra pessoa. Lhes soa como traição; quase que adultério.

Embora isso seja explicação do Espiritismo, a psicologia fala do complexo de Édipo e de Electra. Segundo Freud, vai desde o desejo sexual pelo cônjuge do outro sexo até o desejo de morte do que é do mesmo sexo, porque é o rival. O próprio psicanalista relata “ter descoberto em si mesmo impulsos carinhosos quanto à mãe e hostis em relação ao pai, estes complicados pelo afeto que lhe dedicava”. Mas como a lei da reencarnação não faz parte da psicologia, tudo fica por conta do inconsciente sem maiores explicações. Freud apenas manteve sua posição de que o conflito se desenrolava verdadeiramente na adolescência, ou melhor, na puberdade, como expresso nas conferencias do Congresso Internacional de Psicanálise de março de 1910, ainda que neste texto e nas Teorias Sexuais Infantis, Freud já estabelecesse a relação entre pais e filhos como “complexo nuclear das neuroses”.

Segundo os mentores espíritas que trataram do assunto, entre eles Emmanuel em seu livro Vida e Sexo ou André Luiz em Sexo e Destino, tudo decorre de experiências ou conflitos de vidas passadas. Daí que cada sogra reage de um jeito quando vai casar filho ou filha. Não é uma regra, mas os leitores que eventualmente tiverem o problema já têm material para analisar e tentar descobrir as razões de certas atitudes; de amor, indiferença ou agressividade.

Jornal O Clarim – abril de 2018

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