Octavio Caumo Serrano dia a dia de julho 18

Conselho da pergunta 919 de O Livro dos Espíritos; “Conhece-te a ti mesmo”.

Uma das minhas habituais preocupações é analisar-me para verificar como estou agindo no movimento espírita. Em relação aos outros, a mim mesmo e à casa onde colaboro com meus limitados e atuais recursos.

Também tenho cuidado com as palestras que faço quando convidado a ir numa casa congênere ou quando escrevo nos espaços que, gentil e generosamente, os veículos, espíritas ou não, me oferecem. Geralmente, temos em mente que somos trabalhadores do Espiritismo quando, sem perceber, somos atrapalhadores do Espiritismo, fazendo mais mal à nossa crença do que todas as demais doutrinas concorrentes juntas. Pretenciosos, pseudossábios, respondemos apressadamente a qualquer questionamento, sem nos dar conta que estamos aconselhando mal, provocando desacertos ou falsas esperanças. Imaginamos saber tudo sobre o comportamento dos espíritos e nos consideramos doutores em Espiritismo distribuímos ilusões.

Utilizo com frequência a expressão “não sei”, sem constrangimento, toda vez que não me sinto em condições de dar uma orientação correta. Mesmo que desagrade. Quando se fala de Jesus e as pessoas dizem que o Cristo salva, enfatizo que o homem é salvo por si próprio. O que Jesus disse é que para sermos felizes é preciso segui-Lo, porque Ele é o caminho, a verdade e a vida. Mas não prometeu carregar-nos no colo nem nos brindar com dádivas imerecidas, porque não condiz com a justiça divina.

Como espíritas aprendemos que “fora da CARIDADE não há salvação”. Kardec não disse que só o Espiritismo salva, nem que alguém mais salva, a não ser o bom comportamento e a boa utilidade do homem. Salvação individual e intransferível. Nem mãe salva filho, nem esposa salva marido. Precisamos de dois para reencarnar, mas o desencarne fazemos sozinhos, com nossas obras. Apenas amparados por Espíritos, bons ou maus!

Nunca prometi a um amigo, ou pessoa a mim encaminhada, que frequentando nossa casa espírita, recebendo passes, ouvindo palestras e estudando, teria alguma garantia de que seus problemas estariam resolvidos. Evidentemente que o Evangelho de Jesus é a grande receita para o homem libertar-se do sofrimento. Estando agora reforçado pela orientação lúcida da Doutrina Espírita, há mais condições para utilizá-lo na solução de seus desajustes e infelicidades. Mas certamente, a simples frequência a um templo, seja de que doutrina for, não garante o Céu a ninguém.

Em se tratando da nossa Doutrina que recomenda tudo oferecer de graça, especialmente o conhecimento e a mediunidade, tudo fica mais fácil de entender. Não precisamos enganar as pessoas para agradá-las com falsas promessas a fim de que colaborem com a casa. Há vezes que doações são necessárias, mas que sejam espontâneas. No nosso centro, felizmente, até agora nunca dependemos de ajuda financeira externa. Uma felicidade.

Constantemente damos oportunidade a novos trabalhadores para que se engajem na equipe da casa, deixando-os à vontade para que colabores nos trabalhos que se sintam  bem e, se desejarem, que aprendam outros trabalhos. A reencarnação se destina à obtenção de novos conhecimentos. Se só fizermos o que já sabemos sairemos daqui sem nenhum acréscimo. Perdemos tempo. E é preciso aproveitar cada minuto.

O que ninguém deve é assumir compromissos para os quais não tem vocação e habilidade, nem assumir compromissos que não deseja ou não pode cumprir com responsabilidade e prioridade. Se não quiser ser trabalhador não seja atrapalhador.

Jornal O Clarim – julho 2018

 

 

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