RIE 07_18

Diz o Espiritismo que logo a Terra será um planeta de regeneração

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Classificação feita por Allan Kardec define as diferentes categorias de mundos pela sua finalidade e de acordo com o estágio evolutivo dos Espíritos que o povoam. Determina, igualmente, a densidade material de cada mundo, que é o que define o tipo de corpo necessário para viver nele, qual seja mais pesado ou mais leve.

Quando se diz que a Terra é um mundo de provas e expiações, pressupõe-se que ela é habitada por Espíritos imperfeitos que carecem de aprimoramento cultural, moral a espiritual. Essa imperfeição nem sempre está relacionada com a maldade dos seres, mas, principalmente, com a ignorância que ainda apresentam. Nossos erros são cometidos muito mais por desconhecimento do que por malignidade.

Os que fazem mal propositadamente são minoria em nossa sociedade. O mais comum é alguém bem-intencionado imaginar que está certo quando, na realidade, age equivocadamente. Às vezes, excessivamente moralista, prejudica as pessoas mais simples, de boa-fé, e que ainda não têm condições de ser como ele gostaria. Exige do outro o que nem mesmo ele pode compreender. Para defender a disciplina, deixa até de praticar a caridade.

Com a passagem da Terra de mundo de expiações para mundo de regeneração, um pouco menos imperfeito do que está o planeta atualmente, quem desejar viver na Nova Terra terá de ser bem melhor do que é agora. Mas o que significa ser melhor, segundo esta definição?

A nós parece que bastam algumas virtudes fáceis de serem conseguidas. Por exemplo: honrar a palavra dada como respeito ao semelhante, pontualidade, assiduidade, perdoar as ofensas, vencer o orgulho e o egoísmo, ter paciência. Não se concebe que um espírita, que se diz candidato a viver no mundo novo, seja leviano em suas atitudes. Assume um trabalho e não comparece para executá-lo; matricula-se num grupo de estudos, porém falta mais do que comparece; chega habitualmente atrasado aos compromissos, incluindo a reunião espírita que tem horário estabelecido para início; entre outras coisas mais graves.

Não se pode, igualmente, testemunhar atitudes de extremo desequilíbrio, melindre, ira incontrolada, vaidade pueril e egoísmo contumaz naquele que se diz candidato a viver no mundo novo, na Nova Terra. Assim como o apego às posições e honrarias do mundo que ficarão por aqui quando formos embora, porque não têm valor.

A propalada reforma íntima e o desprendimento dos bens terrenos, tão apregoados pelo Espiritismo, têm por finalidade aconselhar-nos a sermos melhores enquanto caminhamos. Quem não se libertar dos defeitos mundanos agora, não terá acesso ao mundo mais purificado, porque ele será habitado por pessoas mais simples, mais humanas, mais fraternas, quando a solidariedade, que é exceção no mundo atual, será a regra da nova sociedade terráquea.

Quem pode provar que isso é verdade e vai realmente acontecer?

Jesus disse que seu reino não era deste mundo, que nós somos deuses e quando quiséssemos seríamos tão bons e perfeitos quanto Ele. Completando, Kardec faz a escala dos mundos e explica que eles se aprimoram como as pessoas e a natureza determina o novo ambiente de vida. Se nos foi advertido que deveríamos guardar tesouros no céu, os que forem guardados na Terra perderão seu efeito e serão imprestáveis para uso no ambiente renovado do mundo de regeneração.

Para os que acreditam na existência única e que tem na morte o final da vida, mesmo que ainda aceitem a sobrevivência da alma, este comentário é pueril. Para nós que cremos na orientação dos Espíritos e testemunhamos diariamente, inclusive por vasta literatura, que tudo segue um processo de aperfeiçoamento, ser negligente diante dessa possibilidade de crescer agora pode nos custar dores inimagináveis. A quem mais for dado, mais será pedido. Se temos o conhecimento e ele representa a verdade que liberta, desprezar essa advertência será pura infantilidade; uma nova oportunidade poderá ser demorada e dolorosa.

É bastante conhecido nos meios espíritas o episódio envolvendo o planeta Capela, da Constelação do Cocheiro. Muitos foram extraditados para a Terra para ajudar os habitantes do nosso planeta com seus conhecimentos técnicos e científicos, ao mesmo tempo em que aprendiam com os trabalhos de caridade a amansar seus corações e domar seu orgulho. O intercâmbio é perfeito e as oportunidades são dadas aos que as conquistam por esforço e determinação.

Não há benesses para quem não merece, porque a cada um será dado segundo suas obras. Se quiser morar na Nova Terra, construa desde já seu lar no novo mundo. Ainda que seja, provisoriamente, um lar fluídico de característica espiritual. Mais tarde, no tempo certo, ele será materializado e lhe dará grande prazer. É questão de justiça!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2018

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