Octavio Caumo Serrano

Há cento e cinquenta anos nascia no Rio de janeiro, num 22 de setembro, um irmão que mais tarde viria para o interior de São Paulo onde deixaria uma obra extremamente importante. Seja como contribuição social ou como um dos pioneiros para o desenvolvimento da Doutrina dos Espíritos na nossa Pátria do Evangelho.

Chegando da então capital federal, por volta de 1885, para trabalhar em farmácias de Piracicaba e Araraquara, logo depois iria para a pequena Matão, onde viveu por 42 anos, tendo se casado em 31 de agosto de 1905, sem deixar filhos. A esposa Maria Elvira foi seu segundo amor, já que sua primeira paixão foi legalizar o grupo espírita em 15/07/1905, batizando-o de Amantes da Pobreza que se transformaria no Centro Espírita O Clarim.

Logo depois, em 15 de agosto, fundaria este amado jornal O Clarim que chegava à tiragem de dez mil exemplares. Não temos intenção de repassar a biografia deste irmão de luz, já sobejamente conhecida por todo o movimento espírita do Brasil e do mundo, mas enaltecer a sua visão e destemor para trazer-nos verdades tão combatidas no seu tempo, que acabaram dando origem a debates em praça pública contra o clero da sua cidade, na época um lugarejo em desenvolvimento, que havia se emancipado de Araraquara para ser município. Schutel chegou a ser seu prefeito em duas gestões.

A garra e a convicção deste homem eram tão grandes que ele enfrentou a sabotagem do clero que impedia que seu jornal fosse feito em gráfica da cidade, exigindo que viajasse para cidade distante onde imprimia, às suas expensas, os exemplares que na volta entregava gratuitamente aos passageiros do trem, deixando um Clarim em cada banco desocupado. O que fazemos hoje com as mensagens espíritas ele fazia com o jornal.

Em fevereiro de 1925 fundaria ainda a nossa excelente e bem editada RIE – Revista Internacional de Espiritismo, hoje com noventa e três anos, parceira do Jornal O Clarim que em agosto completou cento e treze anos. Nesse tempo muitas revistas e jornais sociais nasceram e morreram e os veículos do Seu Cairbar seguem firmes, circulando no Brasil e diversos países do exterior.

A ideia deste relato é mostrar aos mais jovens, que têm preguiça de ler, que encontraram um Espiritismo pronto e sedimentado, respeitado pelo bem que promove, sendo divulgado por uma plêiade de conferencistas importantes, com a divulgação escrita coadjuvada pela internet, que graças a esses desbravadores é que podemos hoje ter o exercício livre e respeitoso da nossa doutrina.

Escreveu livros interessantes e atualíssimos. Destaco Parábolas e Ensinos de Jesus, ótimo na assessoria aos palestrantes para que bem interpretem as palavras de Jesus.

Algo importante que queremos lembrar é que depois de lançar a segunda e definitiva edição de O Livro os Espíritos, em 18 de março de 1860, Kardec editou um livro que Cairbar Schutel traduziu, adquirindo os direitos, que se chama Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, que esgotou na França rapidamente. E quando o Codificador ia reeditá-lo, numa segunda edição, decidiu substitui-lo pelo lançamento de O Livro dos Médiuns, em 1861. Este fato mostrava a visão do Bandeirante do Espiritismo. O livro ainda faz parte da lista da Casa Editora O Clarim.

A ele, nossa gratidão.

Jornal O Clarim – Setembro de 2018