Octavio Caumo Serrano   dia a dia outubro

Das mais difíceis abordagens numa explanação do Evangelho é falar sobre a vida humana e a espiritual. Se não tivermos cuidado, parecerá que queremos nos santificar pelo desprezo às coisas da Terra, de uso provisório, já que ser rico, ter casa grande e carro moderno seriam pecados.

Se acreditamos em Jesus, temos de aproveitar seus alertas para que não sintamos traumas ao mudar de plano. Quando Ele disse que não deveríamos acumular tesouros na Terra, mas no Céu, porque estes o ladrão não rouba, a traça não consegue comer e a ferrugem não pode destruir, deixou claro que somente somos donos do que é nosso de maneira inalienável. Tudo que não nos pode ser tirado em vida nem após a morte.

Isto não significa que o mundo da matéria deva ser negligenciado porque dependemos dele para a nossa sobrevivência como espíritos imperfeitos em processo de aprendizado e será com ele que construiremos nossos carmas positivos ou negativos, dependendo da maneira como lidamos com ele. Se com equilíbrio, transformando-o em recurso para melhorar-nos como espíritos imortais ou com avareza, egoísmo, ganância, esquecendo-nos de preparar o futuro, sem levar em conta a afirmação que só é nosso o que podemos levar. O que for preciso deixar quando sairmos do mundo da matéria nunca nos pertenceu. Eram de uso temporário, embora fundamentais para o nosso aprimoramento como espíritos. Quem afirma que tem o direito de lesar até seu próprio corpo está dizendo uma tolice. O corpo é o templo para que nós, espíritos, possamos domar-nos e educar-nos no rumo do crescimento diante da eternidade.

Há uma sábia frase, hoje atribuída a diferentes autores, o que é irrelevante, que diz: “Não somos um ser humano numa experiência espiritual; somos um ser espiritual numa experiência humana.” Aí esta a chave do entendimento para “aproveitar a vida”, como dizem os defensores da existência única, apoiando-se inclusive em texto da Bíblia. A vida é uma só, dizem eles. Mas o Espiritismo diz o mesmo. A vida é uma só, a vida eterna do espírito, vivida em muitas etapas (reencarnações) em diferentes mundos e situações.

À medida que vamos progredindo como espíritos, vamos alterando nossas necessidades e viveremos em mundos melhores, apesar de encarnados com razoável densidade, pois vamos nos sutilizando e fazendo com que a carcaça física nos pese cada vez menos. Um dia, nas esferas sublimadas, seremos apenas energia, sem a necessidade da matéria densa, uma convincente educadora. Neste período longo da evolução, o homem vai perdendo seu peso físico e se tornando mais espiritual. O mesmo se dá com os mundos e teremos que viver nos que são mais afins com nosso desenvolvimento.

Para citar exemplos e comparações, o material que compõe a Terra tem uma densidade de 5,51 g/cm3. Vênus 5,24, Marte 3,93 e Júpiter apenas 1,33 g/cm3. Significa que para viver encarnado em Júpiter temos de pesar quatro vezes menos. Um terráqueo de 60 quilos teria em Júpiter 15 quilos somente. Deslocar-se-ia com mais facilidade até um tempo em que volitará sem precisar se arrastar usando pés e pernas. Flutuar será um atributo natural. Não basta desencarnar para flutuar. André Luiz, no livro O Nosso Lar, nos fala do Aeróbus que transporta espíritos densos, ainda presos à matéria.

Por isso que mesmo aqui na Terra vemos diferença entre seus habitantes. Há os que morrem pela boca comendo mais do que precisam e outros já adeptos da alimentação vegetariana alimentando-se de maneira frugal, sobrevivendo da mesma maneira e tendo uma vida até mais saudável. É porque o nosso progresso espiritual se faz também quando estamos encarnados.

Não desdenhe o mundo material nos seus comentários espiritas porque não convencerá as pessoas e demonstrará pretensões inatingíveis para o nosso estado atual como habitantes de um mundo de provas e expiações. Explique somente os mecanismos da transformação de bens da Terra em bens do Céu. Boa sorte, senhores, explicadores.

Jornal O Clarim – Outubro 2018

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