Octávio Caumo Serrano  caumo@caumo.com
Por que nossa opinião deve ser a única certa?!

Quando temos uma preferência política, tentamos convencer todas as pessoas a votar no nosso candidato. Nós o definimos como o mais, e talvez o único, honesto do país. Quando torcemos por um clube esportivo, de qualquer modalidade, não admitimos vê-lo derrotado. Tem de ser sempre o vencedor para que fiquemos felizes e não nos interessa a frustração dos demais. Quem mandou não gostar do mesmo clube que nós? Esquecemos que sem adversário não há competição. Todo jogo é uma disputa com vitorioso e derrotado. Mesmo nos esportes onde vale empatar o resultado é melhor para um que para o outro.

Quando temos nossa crença, parece que somos o mais lúcido dos mortais. Ao falar de alguém da maior religião do Brasil, dizemos que a pessoa é muito católica. O que define esse “muito”. Vai sempre na igreja, confessa, comunga e faz promessas? Daí ser muito católica, ou é porque já perdoa, faz caridade e é resignado diante das dores e insucessos? O que a define como “muito católica”? Ninguém diz que alguém é muito evangélico ou muito espírita!

Se temos o direito de buscar Deus pela estrada das nossas convicções, permitamos que os outros façam o mesmo. O Espiritismo, por exemplo, diz que fora da caridade não há salvação. Independente de seita, se a pessoa pratica a caridade está indo pelo caminho que leva ao Céu. Não é a igreja que salva; é a conduta diante do próximo e de si mesmo. Jesus advertiu seus discípulos certa vez, dizendo: “Em verdade vos digo: Os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus. Pois João veio a vós, num caminho de justiça e não crestes nele”. (Mt 21, 31-32). Antes de querer trazer o outro que está ajustado na doutrina dele para a sua religião, afim de salvá-lo, “salve” primeiro você mesmo e a sua conduta servirá de inspiração para que ele também se “salve”, se for o caso, mesmo continuando na igreja dele. Não é o que se diz e sim o exemplo que inspira o outro a mudar de comportamento.

Não devemos esquecer que tudo tem os dois lados e muitas vezes os dois lados estão em nós formando um conflito. Queremos ser de uma maneira e vivemos de outra. Quantas mudanças já se operaram em nós ao longo da vida?! Ninguém é hoje o mesmo que era há alguns anos. O filho é grosseiro com os pais até que experimente a paternidade. Nesse momento entenderá como dói ter um filho ingrato e agressivo. Muitos políticos acreditam que podem consertar seu país, até o dia que têm a oportunidade e fazem tolices maiores do que aqueles que criticavam. Isso se chama crescimento de sabedoria, de moral, possivelmente, o que dá a necessária experiência que buscamos com esta nova encarnação.

Estamos nos aproximando do final de mais um ano, turbulento como todos os outros, e é momento apropriado para meditação e análise do que fizemos no ano que agora finda. Como o começamos e como o terminamos; em que avançamos, social e moralmente; que objetivos entre os listados no início do ano foram realizados. E que propostas temos para o período que vai iniciar brevemente.

Entre as análises que propomos, inclua as de caráter religioso, prestando mais atenção à sua atuação no seu núcleo, onde busca as lições de Jesus para incorporá-las ao seu dia a dia. Fez este ano pela sua instituição um pouco mais que no ano passado? Tem proposta para fazer mais no ano que começa? Ou vai-se manter morno, como é hábito, entrando e saindo da sua comunidade sem prestar atenção às necessidades do núcleo e que colaboração você pode oferecer, em trabalho ou outros tipos de doação. Temos novo presidente, mas o Brasil é o mesmo. É tempo de lembrar a velha frase do presidente Kenedy:- Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país.” A hora é agora.

Bom natal e Feliz Ano Novo. Boa sorte, Presidente.

Jornal O Clarim – dezembro 2018

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