Octávio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

No Capítulo XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo há lições sobre o assunto.

Os três primeiros ensinamentos de Jesus e a parábola do mau rico, seguem todos na mesma direção. Mostra que os homens querem adquirir tudo, sem perder ou trocar nada. E Ele já nos havia esclarecido que os tesouros da Terra são frágeis e perecíveis e só têm utilidade quando se transformam em tesouros do Céu. Ensina que matéria e espírito são incompatíveis a menos que se harmonizem e se complementem. Que usemos a matéria para aprimoramento do espírito e não para a sua perdição. Precisamos vestir, comer e cuidar do corpo porque estamos encarnados e nele meio encarcerados. Mas tudo com moderação.

Não se pode, diz Jesus, adorar ao mesmo tempo dois senhores distintos. Que ama, não odeia. Se somos desprendidos, não somos avarentos. Se quisermos só os bens do mundo nada teremos de nosso, de verdade. Somos proprietários de verdade somente daquilo que não nos pode ser tirado. Para ilustrar, temos um carro e dizemos que é nosso, mas não é. Apenas usufruímos do conforto que ele pode nos proporcionar. Ele é emprestado para o tempo em que estamos na matéria. Caso se acidente, incendeie ou o ladrão roube e não tínhamos dinheiro para o seguro, já não mais somos donos de um carro.

Tudo o mais do mundo físico segue esta regra; de nada adianta cuidarmos da beleza do corpo, exagerando em tratamentos, reparos estéticos, enfeites da modernidade, flagelando-nos com piercings e tatuagens, se somos de mau caráter, sem humildade, nunca somos amigos e fraternidade e paciência não fazem parte do nosso temperamento. Muitos exemplos estão no Evangelho de Jesus, todos seguindo nesta linha. “Antes de fazer a tua oferenda, reconcilia-te com teu adversário, enquanto estás a caminho.” “Ninguém sairá daqui enquanto não pagar até o último centavo.” Daqui de onde? Do mundo que nos prende à matéria, está claro, inclusive como desencarnados. João 5:28-30, diz: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.  E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” João 14.12, diz: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.”.

Em vez, portanto, de tudo esperarmos de Jesus, inclusive que nos carregue no colo, por que não ser seu auxiliar na propagação do Evangelho? Na prece que fazemos no nosso Centro, no início de todas as reuniões, há uma frase que diz: “Veneráveis mensageiros celestes, auxiliares de Jesus, fortalecei-nos e amparai-nos para que possamos ajudar as forças do bem na transformação do mundo.” Um privilégio ser parceiro do Cristo para que seu Evangelho se espalhe cada vez mais, em vez de fazê-lo de empregado colocando em seus ombros nossas mazelas para que Ele resolva. Depois de matá-lo quando veio pessoalmente ao mundo para deixar sua mensagem, mostrando que nada entendemos das suas lições continuamos sendo seus exploradores.

Os tempos estão se acelerando e as oportunidades são cada vez menores. Por enquanto as dores desfilam à nossa frente para nos dar a oportunidade de mostrar o quanto estamos cristianizados. Se insistirmos em manter olhos e ouvidos cerrados, os dias passarão e, como na parábola das virgens, continuaremos dormindo. Nossa candeia permanece sob o velador. Enquanto não colocamos nossa luz para clarear o caminho dos semelhantes, nós também permaneceremos no escuro.

Os que já entenderam este minuto espiritual que vivemos na Terra, saberão investir para a melhoria da alma. Quem não percebeu nada, continua juntando tesouros na Terra e portando uma porção de intrigas quando chegar a hora da partida. Os cartórios onde se lavram os inventários estão cheios de ricos desencarnados revoltados porque “seus bens” estão sendo entregues para pessoas que eles não queriam. Morreu, mas continua, equivocadamente, como dono. Que coisa triste! Quer voar, mas o peso da ganância os deixa presos ao mundo físico.

De nada vale divulgarmos o Espiritismo com conferências e distribuindo passes, nem apregoar a nossa fé, se não temos atitudes condizentes com a mensagem do Cristo, quanto à nossa ligação com o Criador. Recomendamos como leitura final e esclarecedora, em O Livro dos Espíritos, sobre a Lei da Adoração; perguntas 649 a 659.

Neste Natal, além da reunião da família em volta da ceia e dos presentes que dará aos seus próximos mais queridos, não se esqueça de dar um presente a você mesmo programando um ano voltado para as conquistas espirituais, porque são seus tesouros eternos. O resto, as coisas do mundo, chegam a nós pelo acréscimo da misericórdia de Deus, acompanhado do merecimento que tivermos construído ao longo da encarnação. Confie e siga.

Tribuna Espírita nov/dez 18

 

 

 

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