Octavio Caumo Serrano     caumo@caumo.com

Encarnação é oportunidade para crescimento espiritual. Não é castigo ou resgate sem utilidade.

Meus telefones particulares são também para contato com o nosso Centro Kardecista Os Essênios, de João Pessoa. Como tal, recebo muitos chamados de pessoas que querem visitar a casa, porque viram os dados pela internet, no nosso blog ou em outros sites de divulgação. O interessante nesses contatos são as perguntas. As mais diferentes.

Como estamos em cidade muito visitada por turistas, há também os que estão a passeio e não querem perder o hábito da ida semanal à casa espírita, onde se encantam com as palestras. São os que começam a despertar para o valor do estudo e do conhecimento da verdade como libertação.

Há também os que são noviços ou que nada conhecem do Espiritismo e desejam saber se há passes, palestras e se podem se consultar diretamente com os espíritos. Muitos se desencantam quando dizemos que as orientações são dadas por encarnados, experientes e com maturidade social e espiritual. Nem dizemos que, na realidade, o importante é vir ao centro e assistir às explanações do Evangelho para poder, o próprio interessado, cuidar da sua modificação. Ainda somos os que desejam transferir para os outros a solução dos nossos problemas.

Nos livros de André Luiz, recebidos por Chico Xavier, há orientações nesse sentido. Ao perguntar se os espíritos respondem à nossa pergunta, a resposta é “sim”. Desde que haja realmente a prática mediúnica verdadeira e não mistificação de falso médium. O que para o leigo é difícil identificar. E quando indagado que tipo de espírito nos atende, a resposta é que isso depende do tipo de pergunta.

Os espíritos atrasados se comprazem em ser consultados, pois se sentem importantes. Afinal, de espíritos ignorantes foram promovidos por nós a orientadores. E se nossas perguntas são medíocres, atreladas aos problemas do mundo, que apenas competem a nós, eles responderão conforme nos agrada ouvir. Se perguntarmos quem fomos noutra encarnação, jamais dirão que fomos marginas, operários ou deficiente mental. Sempre dirão que éramos nobres, ricos, importantes, porque nosso ego precisa dessas informações. Se assim não for o espírito não merece o nosso crédito e respeito.

A espiritualidade superior trabalha em função do coletivo e não do individual. A menos que essa pessoa esteja em preparação para alguma tarefa relevante, como se deu com Allan Kardec que recebia o Espírito de Verdade sem precisar chamá-lo. A sua missão modificaria a sociedade. Se ainda não foi devidamente compreendida pela maioria é porque os homens demoram para perceber as claras verdades de Deus.

Quando recebemos informações dos espíritos e cremos cegamente, corremos o risco de ser enganados, porque espírito não mostra documento de identificação. Se já temos maturidade poderemos julgar pelo teor da conversa se estamos diante de alguém de bem ou de um brincalhão que zomba da nossa inocência e boa-fé. Por isso alertamos que quando alguém lê uma mensagem impressa não se apresse em conferir o autor. O que vale é o conteúdo; o que ela ensina ou adverte. A assinatura é irrelevante. Essa mesma advertência podemos ler em O Livro dos Médiuns quando João recomendou que não acreditássemos em todos os espíritos; antes, verificássemos se são de Deus.

Jornal O Clarim – Fevereiro de 2019

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