Enfrentamentos

 

“Se Deus houvesse isentado do trabalho do corpo o homem, seus membros se teriam atrofiado; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal. Por isso é que lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás; trabalha e produzirás. Dessa maneira serás filho das tuas obras, terás delas o mérito e serás recompensado de acordo com o que hajas feito. Em virtude desse princípio é que os Espíritos não acorrem a poupar o homem ao trabalho das pesquisas, trazendo-lhe, já feitas e prontas a ser utilizadas, descobertas e invenções, de modo a não ter ele mais do que tomar o que lhe ponham nas mãos, sem o incômodo, sequer, de abaixar-se para apanhar, nem mesmo o de pensar.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXV, itens 3 e 4)

 

Não por acaso somos convidados a exercitar mente e músculos na senda evolutiva. No desenvolvimento intelectual aguçamos os sentidos espirituais; no desenvolvimento físico aperfeiçoamos a matéria, ambos para futuras encarnações. Saindo do envoltório bruto das primeiras encarnações, adaptando o molde para receber o espírito já evoluído, vibrando em outras faixas.

A Lei de Trabalho constitui-se em obra de renovação que a criatura começa não quando sai a campo em busca do sustento, mas quando se decide “enfrentar-se”. Sofremos a pressão externa, em virtude dos modismos e das pessoas que nos são próximas para sermos e seguirmos esta ou aquela profissão; termos ou não determinados comportamentos profissionais e sociais.

Mas estas pressões exercem-se dentro de nós também. Mitologicamente é a figura do anjo e do diabo que ficam um em cada ombro nos soprando o que devemos fazer. Mas em si, somos nós mesmos que ora ouvimos o homem velho que nos convida a permanecermos tal qual somos; ora o homem novo que solicita-nos o enfrentamento bom e salutar para a renovação e mudança.

Verifiquem que estamos falando de enfrentamento, não de luta. Quando enfrentamos, sendo uma interpretação livre da terminologia, nos colocamos a frente dos nossos medos, dos nossos problemas e nos dispomos a não nos escondermos, sermos fortes, resolutos e dispormo-nos a modificação. Já traz o dito popular que água parada cria lodo. Assim acontece conosco, quando não nos movimentamos neste processo de mudança interior, ficamos estagnados pela psicosfera inferior, são os miasmas que encontramos tão bem descritos nas obras de André Luiz.

A luta denota guerra, briga, não sendo este o objetivo de uma proposta renovadora de almas como é a Doutrina Espírita. Mas para haver renovação, necessitamos trabalhar. Por isso que trouxemos esta passagem do Evangelho. Principalmente, precisamos nos ajudar. A cada um segundo suas obras. Para obtermos a ajuda do alto precisamos fazer a nossa parte diante da criação. Ajuda-te a ti mesmo, que céu te ajudará, já nos orientou Jesus.

Nisso surgem os enfrentamos. Por alguns momentos, nos colocamos em posição de educadores de nós mesmos, vamos ao mundo, buscamos informações novas e fazemos o mergulho interior com o aprendizado adquirido. Nisso, encontramos toda uma estrutura já convencionada e solidificada que precisa ser trabalhada e modificada no arcabouço do entendimento evangélico espírita do porvir e do futuro que nos aguarda. Construindo agora o que no porvir iremos colher. Muito de nossos atos atualmente servirão de base para construção do processo evolutivo, não sendo fatores determinantes, nem tão pouco finalistas para esta encarnação.

Nisto também se constitui nossa dúvida e vacilação diante de escolhas que fazemos entre o que se oportuniza como sendo o melhor agora ou melhor para nós como criaturas espirituais que nos encontramos encarnadas. Nem sempre escolheremos o melhor para o espírito, mas mesmo diante das decisões que nos levam a patamares inferiores, extraímos o aprendizado que proporciona-nos o dever agir retamente em outras oportunidades.

Sendo a encarnação humana cíclica e proporcionadora de situações de saneamento físico-espiritual, as oportunidades que hoje entendemos como não abraçadas renovar-se-ão, talvez não na mesma perspectiva, nem tão pouco com os mesmos personagens, mas com certeza com o mesmo objetivo.

Os enfrentamentos são necessários para que possamos evoluir. Se escolhermos ficar parados nos defrontaremos com o vento que tocará em nossa face. Nunca estaremos à margem na criação divina, somos partícipes na obra do Pai. Então, que possamos escolher e fundamentar as nossas buscas interiores e exteriores. Que os nossos medos em alcançar voos mais altos na evolução seja material e/ou espiritual não nos prendam os pés.

Somos filhos de Deus, herdeiros do Pai. Podeis fazer o que faço e muito mais, já nos assinalava Jesus. Iremos desagradar a alguns muito provavelmente, talvez não correspondamos às aspirações dos nossos familiares. Irrevogavelmente conflitos estabelecer-se-ão em nós. Situações todas esperadas diante do momento que vivemos e principalmente, diante da busca evolutiva que estamos fazendo. Que não desistamos. O Mestre Jesus está no leme. Confiemos nele e prossigamos!

Jornal O Clarim – fevereiro 2019

 

 

Jornal O Clarim – Fevereiro de 2019

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