Prática mediúnica

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcanti

“‘Mediunidade … constitui ‘meio de comunicação’, e o próprio Jesus nos afirma: ‘eu sou a porta… Se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens!’ Não existe outra porta para a mediunidade celeste, para o acesso ao equilíbrio divino que anelais no recôndito santuário do coração! Somente através d’Ele, vivendo-lhe as sublimes lições, alcançareis a sagrada liberdade de entrar nos domínios da Espiritualidade e deles sair, conquistando o pão eterno que vos saciará a fome para sempre. Sem o Cristo, a mediunidade é simples ‘meio de comunicação’ e nada mais, mera possibilidade de informação, como tantas outras, da qual poderão assenhorear-se também os interessados em perturbações, multiplicando presas infelizes.’”[1]

Encontramos em O Livro dos Médiuns, que completou no último dia 15 de janeiro, 158 anos de seu lançamento, a obra basilar de orientação para nós que nos dedicamos ao trabalho de prática mediúnica. Sendo lançado entre a publicação de O Livro dos Espíritos e o livro intitulado Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, é composto por duas partes, sendo que a primeira traz em seus quatro capítulos as noções preliminares e a segunda, em seus trinta e dois capítulos, as manifestações espíritas.

Decorrente da 2ª Parte de O Livro dos Espíritos – Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos, é roteiro de orientação a todos os envolvidos com estas relações que ocorrem entrem o mundo espiritual e o mundo material ou extrafísico e físico como quiserem tratar. A mediunidade é uma ferramenta de trabalho que possui em O Livro dos Médiuns o seu manual de instrução.

Feitos estes apontamentos pertinentes a obra, verificamos que Kardec preocupou-se logo na sua introdução a objetá-la, encaminhando o leitor à perfeita análise do que encontraria pela frente. É uma obra para quem realmente se dedica a prática das boas comunicações, tendo plena consciência que encontrará percalços, mas que estes, serão ultrapassados pelo exercício, pela habitualidade orientado através do conhecimento adquirido nesta obra e em obras auxiliares.

Ponto a ser destacado é a questão da formação dos médiuns, capítulo 17. Não existe médium pronto. Todos estamos em formação, o estudo constitui-se como mola propulsora a nos encaminhar, aperfeiçoamo-nos a medida que executamos o trabalho. É um processo de afinidade com o plano espiritual superior, mesmo quando nos tornamos veículo de entidades menos felizes. Estando afinados com as equipes do bem, contamos sempre com a sua assistência, não nos permitindo cair em ciladas preparadas pelo plano inferior.

Mesmo assim, se cairmos, “As ciladas constituem recursos perturbadores durante a experiência humana que têm a finalidade de proporcionar a aquisição de resistências espirituais e de valores pessoais ao indivíduo, mediante os quais o Espírito se enriquece de sabedoria”[2] Em tudo existe aprendizado, no qual sairemos mais fortes e sábios se soubermos compreender a lição.

O Livro dos Médiuns nos traz no capítulo 20 uma advertência muito importante para todos que nos dedicamos a esta prática, este fala-nos sobre a influência moral do médium. A mediunidade não tem relação com a moralidade do médium, pois esta radica-se no organismo, porém o seu uso poderá ser bom ou mau de acordo com as características boas ou más da criatura. Já nos alerta Emmanuel: “Não é a mediunidade que te distingue. É aquilo que fazes dela. A ação do instrumento varia conforme a atitude do servidor.”[3] O direcionamento da mediunidade dar-se muito mais fora da reunião mediúnica, no dia a dia do médium do que no momento reservado à reunião.

Por isso, nós médiuns não podemos atribuir a falta de decoro ocorrida na reunião aos espíritos. Somos instrumentos passivos no sentido de sermos dóceis àqueles que se apresentam a nós naquele momento, não oferecendo resistência a comunicação, mas mantendo o controle sobre tudo o que ocorre. Semelhante a uma visita que adentra a nossa casa, somos responsáveis por todos os seus atos. Não poderemos alegar ao síndico que estávamos dormindo enquanto a visita agia de forma desabonada.

Mesmo falando da mediunidade que se expressa de forma inconsciente. Mais uma vez fazendo analogia, explicamos as regras a nossa visita, mesmo que estejamos impossibilitados, o convidado deverá se portar tal qual nos portaríamos, a questão é se não nos portamos de acordo. Então, mesmo que apresentemos as regras ele verá nosso exemplo e o copiará.

Por fim, não busquemos a perfeição neste terreno, pois que ainda não existe. “Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem, uma tentativa de enganá-lo.”[4] Porque se acreditarmos que somos infalíveis ou perfeitos acabaremos entrando pela senda da obsessão. Explicada no capítulo vinte e três da referida obra. Começando de uma forma simples, se imiscuindo em nosso pensamentos; iludindo-nos ao ponto de acreditarmos nas mais tolas ideias como sendo verdadeiras, paralisando-nos o raciocínio, que seria a fascinação; por último e não obrigatoriamente seguindo esta ordem, constringindo-nos física e/ou moralmente, que seria a subjugação.

A mediunidade ajuda-nos a evoluir. Não foi dada a escolhidos, foi proporcionada àqueles que se colocaram em condição de aprendizado, seja por processo de reajuste moral acelerado, seja por desejo de ajudar ao próximo ajudando a si mesmo. Não se dá nem se tira mediunidade. Trabalha-se, educa-se e se evolue com ela. É uma faculdade do espírito que se manifesta no campo físico. Que possamos aprender com ela, que possamos nos educar com ela, que possamos evoluir com ela. Que sejamos melhores pessoas em virtude do que aprendemos através dela!

Jornal O Clarim – Março de 2019

[1] Livro Missionários da Luz, cap. 9 – Mediunidade e Fenômeno

[2] Livro Entrega-te a Deus, cap. 5 – Ciladas, psicografia de Divaldo Franco, autora espiritual Joanna de Ângelis

[3] Livro Seara dos Médiuns, capítulo 12 – Na Mediunidade

[4] Livro dos Médiuns, capítulo XX, item 226, questão 9ª

Walkiria no Evangelho On Lar – Fed Esp Paraibana

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Evangelho On lar FEPB

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Pais e filhos

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Octávio Caumo Serrano

Já disse Khalil Gibran, no início do seu poema-pensamento sobre os filhos: “Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos. Porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho…”

O Espiritismo também nos informa que os filhos são velhas almas, muitas vezes mais antigas do que nós, que vêm nascer no nosso lar para aprender ou ensinar, ser corrigidos ou corrigir-nos, o que muitas vezes dá origem a conflitos de convivência porque insistimos em desejar que pensem como nós já que, como  somos mais antigos no mundo da matéria, nos faz pensar que sabemos mais que eles, o que pode não ser verdade. A idade cronológica da Terra nem sempre segue a da eternidade. Somos todos premiados pelo esquecimento para evitar que possíveis conflitos do passado venham à tona e criem problemas de convivência por razões óbvias.

Estamos no limiar da nova era, quando grandes mudanças ocorrerão em todo o planeta. Como a Terra está se aprimorando como mundo, passando de provas e expiações para de regeneração, está claro que sua humanidade está sendo substituída, porque a maioria de nós carece das condições mínimas necessárias para ser morador da Terra renovada. Atualmente isso é feito com mais intensidade, porque os tempos chegaram, o que faz com que tragédias coletivas de origem natural ou provocada levem as pessoas aos desencarnes em massa. A mudança tem pressa porque todas as oportunidades nos foram dadas sem que as aproveitássemos, percebêssemos ou nelas acreditássemos. Vulcões, tsunamis, terremotos e desastres de toda ordem, inclusive pela destruição do planeta pelos seus próprios moradores. Poluição de rios, mares e ar e corte indiscriminado de árvores. Sem considerar a poluição mental que a aparelhagem não mostra, mas que contamina o astral em que vivemos. Ódios, desejos de vingança, insatisfação, revolta contra tudo e todos.

Nesse processo de troca na nossa sociedade humana, espíritos de hierarquia mais adiantada começam a receber a incumbência de vir nascer entre nós para a restauração da ordem, dos direitos e deveres, aplacando mágoas e espalhando otimismo e amor entre as pessoas. Serão vistos por nossas acanhadas análises como superdotados que farão prodígios e que serão gênios, entre nós. São crianças difíceis de ser orientadas, educadas e encaminhadas, porque nossos sistemas educacionais não atendem aos seus anseios já mais aprimorados. Muitas vezes recusam-se a estudar, parecem desobedientes e têm convicções próprias. Nossas escolas não sabem como lidar com eles e acabam por prejudicá-los.

Isto aconteceu em todas as épocas, inclusive quando da vinda de Jesus. Ele precisaria de mãe e pai para nascer e Maria, uma moça do Convento das Virgens, foi escolhida por José, descendente de David, para esposá-lo. Assim nasceu aquela criança que viria mudar os destinos do mundo. Mas sua mãe, com toda a amorosidade que a caracterizava, teve muita dificuldade para entender aquele filho tão avançado. Criança ainda, discutia com os doutores do Templo de Jerusalém e quando convivia com seus colegas de mesma idade assustava-os com seu olhar penetrante e sensor diante de fatos como a simples matança de um inseto. As reclamações das mães contra Jesus deixavam a nossa querida “virgem” de cabelo em pé. Passou a vida toda tentando entender as ações daquele filho diferente das outras crianças que certo dia até se recusou a recebe-la, quando disse que “aqueles que fizessem a vontade do Pai, esses seriam sua mãe e seus irmãos.” Imaginamos a tristeza que ela sentiu naquele dia. Nem seus irmãos O acompanharam na sua peregrinação porque nunca foi compreendido. Somente no final, já na cruz, quando entregou o menino João Evangelista à sua querida mãe, dizendo “Mãe eis aí o teu filho, filho, eis aí a tua mãe” que ela o reconheceu como o Messias, a ponto de rogar a Ele que aceitasse também a ela como um de seus discípulos.

Agora também nós rogamos à doce e amorosa Nossa Senhora, Maria de Nazaré, da cidade desprezada pelos judeus, porque era apenas dormitório de caravaneiros e comerciantes que rumavam da Turquia para o Mediterrâneo, via Israel, que nos abençoe e proteja, intercedendo por nós quando nossos atos e pensamentos tentem afastar-nos do bem e da verdade. O momento é de calma e oração. Tudo vai passar.

Ao contemplar Maria Santíssima, com o amado Filho em seu regaço, lembro-me de todos nós, pobres mortais, que, tentando acertar, erramos sempre. Na nossa incompetência, tentando formar homens, criamos feras! Quanto sofrimento a própria mãe Maria passou por não entender, de início, a tarefa de Jesus!

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Um soneto dodecassílabo quaternário. Espero que gostem!

VISÃO LIBERTADORA
Octávio Caúmo Serrano

Olhando a nuvem, vi um retrato. Era bonito! / Mas era estável, não mudava a toda hora…
Olhando firme eu percebi Nossa Senhora/Que, meigamente, olhava os filhos do infinito!…

Eu lhes garanto que era ela, estou convicto, /Pois sua influência me deixou mais calmo agora,/ Eu já não tenho só ansiedade, como outrora, /Só sinto paz e já não mais me ponho aflito…

-Foram seus olhos que criaram essa imagem, /Muitos dirão; foi como um sonho, uma miragem, /Porque nós, pobres deserdados, somos sós!

Mas como a vejo em sua beleza e nitidez, /Fito a Senhora e peço ainda uma outra vez:/
– Mãe de Jesus, serva de Deus, rogai por nós!…

Que assim seja!

Tribuna Espírita    jan/fev 19

 

Longe de ser irmandade

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Octavio Caumo Serrano   caumo@caumo.com

Apesar do hábito, as palavras não exprimem o verdadeiro sentimento.

É comum que os conviventes de uma doutrina, especialmente as cristãs, se tratem usando a palavra irmão. Seria bom se a expressão verbal carregasse junto o verdadeiro sentimento fraternal, porque foi exatamente o que ensinou Jesus: “Meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem.” (Jo, 13:35).

Na prática não é o que vemos. Muitos abraços, beijos automatizados, mas nenhum sentimento que demonstre interesse pelos problemas do outro. Ausências que nem são notadas, doentes que nunca são visitados ou ajudados, quando os problemas não são ignorados de todo e por todos. A maioria de nós nem sabe o nome completo do parceiro de doutrina. Menos ainda sobre seu trabalho ou dificuldades que os visitam. Dia do aniversário, nem pensar. Os mais cuidadosos e que já aprenderam alguma coisa se dão ao trabalho de um telefonema ou, aproveitando a modernidade, mandam um Zap. Por isso no nosso Centro temos cadastrado o dia de nascimentos de cada trabalhador para cumprimenta-lo pela importante data de retorno ao planeta. O dia de mais uma oportunidade de renascimento para libertar-se de erros do passado. Já houve quem houvesse recebido nesse importante dia somente o cumprimento no Centro. Nem filhos doutores, que estudaram com o sacrifício da viúva, lembraram da mãe!

Quando aprendemos com o Espiritismo sobre a parentela, fomos informados que parentes são muitas vezes uniões compulsórias para reajustamentos que ficaram pendentes. A consanguinidade, pela inferioridade dos humanos do nosso estágio, tem um peso expressivo e faz com que nos dediquemos um tratamento especial, o que nem sempre oferecemos aos que não são de casa. Mas a finalidade da família carnal é exatamente essa; transformar os envolvidos na família espiritual.

Isto não significa que os demais, que convivem conosco em diferentes circunstâncias, não estabeleçam vínculos que poderão gerar novos parentes em outra vida. A babá, a secretária do lar, o companheiro de trabalho, os parentes não sanguíneos (sogro, sogra, genro, nora) poderão conviver conosco até mais do que pais e filhos. Isto vale, e muito, para os parceiros das tarefas sociais, religiosas, beneficentes e similares, com os quais podemos realizar expressivas tarefas em favor da nossa sociedade. A empregada doméstica que cuida de nossos pais ou filhos, além de nós mesmos, estabelece laços conosco muitas vezes maiores do que a parentela carnal. No futuro podemos nascer no mesmo núcleo familiar.

É certo que num mundo colonizado por espíritos inferiores como o nosso, as tribulações próprias são já bastante expressivas. Mas os de coração grande sempre terão um espaço para o parente de alma, além do tratamento fraterno ao parente de sangue. É comum que o socorro chegue até nós mais pelo amigo do que pelo parente.

Tratemos de ter sempre gestos de delicadeza com nossos parceiros de jornada. Os cumprimentos e as saudações cabem em qualquer lugar. Se sabemos que alguém adoeceu, nunca esqueçamos de saber se melhorou, se necessita de algo que possamos oferecer. Se possível, uma visita fraterna ajuda muito. Vamos tentar ser na prática o que já conhecemos tanto por teoria. No centro, então, vale o conhecido reforço: “- Espíritas, uni-vos; espíritas, instrui-vos.

Jornal O Clarim – março 2019

Fé y buen sentido

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¡Dicen qué Cristo salva! ¿Será? ¿De qué manera se da esa salvación?

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Entre las calidades más importantes del hombre de la Tierra, especialmente en este momento apocalíptico, está la fe. La fe que, según la Doctrina de los Espíritus, es resultado del raciocinio. Podemos compararla a la ley de acción y reacción. O siembra y cosecha, que se nos permite sembrar, pero que dará como cosecha la consecuencia de esa plantación. Ni podía ser diferente. En la justicia divina no hay excepciones. Sepamos agradecer por la noche bien dormida y también por haber despertado. Agradezcamos también por el día vivido, por las lecciones aprendidas y por todo bien practicado. Muchos no terminaron el día. Se quedaron por el camino.

En todas las religiones nos dicen que necesitamos tener fe en los Santos, los símbolos, en Jesús o incluso en Dios, como si eso fuese suficiente y todo recibiésemos, independientemente de esfuerzo. Por las redes sociales nos mandan dibujos con bendiciones para nosotros y familia, y aún dicen que si no interrumpimos la corriente tendremos buenas sorpresas; en minutos. Sin embargo, indagamos, ¿Por qué motivo? Que privilegio imaginamos tener nosotros, nuestra familia y nuestros amigos para recibir facilidades ante los percances de la vida, pretendiendo coger lo que nunca plantamos. ¿Recibiremos bendiciones por el simple envío de una figurita? Si fuese verdad sería bueno. El mundo estaría salvo. ¡Ah, humanidad confiada y atrasada! Jesucristo nos enseñó que tendríamos de hacer para que el Cielo nos ayudase. Y con grande misericordia, compensándonos a mil por uno de lo que viniésemos a producir. Pero no dijo a mil por cero. Nunca nos prometió que milagros se caerían del Cielo sin merecerlos.

La Ley de Dios es única para todos los seres y, por lo tanto, no nos trata individualmente. Lo que es cierto en un, es cierto en el otro. Las penalidades delante de los errores de un son iguales a las que punen los errores de otros en idénticas condiciones de discernimiento. No depende de sexo, raza o religión. Dios no hace acepción de personas y, como ya advirtió Jesús, la vara que mide todos los hombres es la misma. Y el criterio también. El bien nos crea méritos y el mal nos retrasa. No es Dios quien nos juzga. Somos juzgados por nuestras propias acciones. Como no es el maestro que nos reprueba; ¡es nuestra incompetencia y desinterés por el aprendizaje!

Cuando oramos a Dios, por nosotros o por los nuestros, imaginamos nuestra plegaria siendo enderezada a un Ser Superior, frente a una inmensa computadora, con super HD y sofisticado programa que nos controla y en el cual cada uno de nosotros es un archivo propio, sea DOC, PDF o algo más sofisticado que aún desconocemos. Y a cada movimiento nuestro, Dios, atento, anota una señal de mérito que nos enaltece o un karma negativo a ser enfrentado aún en esta vida o durante nuestra eternidad espiritual, en momento apropiado. El jugador dice que ganó porque es bendecido por Dios. Imagina que Dios simpatiza con su club y por eso permitió que el otro fuese derrotado. Que tontería. Venció porque tuvo más capacidad o contó con fallos de los mediadores del partido, árbitros que se equivocaron o falsificaron el resultado. Dios no tiene nada con eso.

Recordamos que cierta vez, en 1965, “Dr. Fritz” Espíritu quiso operar Chico Xavier a través del médium no espiritista José Arigó: “Yo te pongo bueno de ese ojo. ¡te hago la cirugía ahora, dijo Arigó!” Chico Xavier le contestó: “No; eso es un reflejo del pasado. Sé que el señor puede arreglar mi ojo. Pero como el compromiso del pasado continuará, va a me aparecer otra enfermedad. Como ya estoy acostumbrado con ésa, yo la prefiero. ¿Por qué yo iría a querer una enfermedad nueva?”

Los Espíritus no están a nuestra disposición para promover curas de enfermedades que no raro necesitan de providencias correctivas para nuestro crecimiento espiritual, lo qué se da por la reparación moral. ¡Por todo eso, es urgente no renunciemos de la precaución! Aunque el exceso en todo sea ruinoso, Kardec endosa nuestra actitud diciendo que “vale más pecar por exceso de prudencia de que por exceso de confianza”.

Chico recibió asistencia de su médico particular hasta desencarnar. Los Espíritus serios no curan cuerpos; curan almas. Cada uno puede curarse con sus propias oraciones y actitudes, sin necesitar encender vela, subir escalones de rodillas, ir a Meca, Medina, Santiago de Compostela, Jerusalén, Vaticano, Templo de Salomón, Fátima, Lourdes, Abadiánia, Juazeiro, Canindé o Aparecida del Norte. Ni a cualquier santuario de cualquier doctrina para dejar allá su paquete de pecados.

Vean lo que está en el texto de Juan, 4:23. Adorar a Dios no depende de un sitio. En la charla con la mujer de la Samaría, Jesús critica la manera como las personas de la época hacían adoración a Dios. Lo importante es adorar a Dios en espíritu y en verdad, y para eso no es necesario un lugar especial. Es en el corazón de todo ser humano que Dios debe ser adorado, y no solamente en un monte o en un templo.

Dios habita en todas las personas que Lo reciben con alegría y hacen de su corazón el altar para Él quedarse. Las personas que adoran el Padre en espíritu y en verdad pueden también usar un lugar para, juntas, fortalecer y renovar su fe. Sin embargo, lo importante es lo que está en el corazón de cada una de ellas y no solamente el lugar. Visitemos esos bellos templos como atracción turística o para orar, pidiendo o agradeciendo, pero no con pagos u ofrendas, que nunca son para Dios.

Antes, sin embargo, se recuerden: nos curamos en la casa mismo. Ore y espere. La cura del cuerpo se da por el saneamiento del alma. Haga el bien que pueda y combata penas y resentimientos, para tener salud. El principal trabajo de Chico fue el alivio a las almas sufridas, la mayoría madres sufridas, y no lo de cuerpos destruidos. El propio Jesús hizo algunas curas en momentos que sirvieron para prestar testimonio del poder de Dios… Fueron pocos “milagros” y muchas predicaciones y consejos. Y en esos casos incluso decía: — Tu fe te curó. Va y no peques más.

Espiritismo no puede ser confundido con curandería. Mismo cuando buscamos el centro en la esperanza de cura de enfermedades físicas, o para aprender sobre el Evangelio a la luz de la Doctrina de los Espíritus, tengamos en miente la regla básica: si hay algún tipo de pago, aunque para la compra de ofrendas, huye. No es Espiritismo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Marzo 2019

 

Fé e bom senso

1 Comentário

RIE 03_2019

Dizem que Cristo salva! Será? De que maneira se dá essa salvação?

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Entre as qualidades mais importantes do homem da Terra, especialmente neste momento apocalíptico, está a fé. A fé que, segundo a Doutrina dos Espíritos, é resultado do raciocínio. Podemos compará-la à lei de ação e reação. Ou semeadura e colheita, que nos faculta plantar, mas que dará como safra a consequência desse plantio. Nem podia ser diferente. Na justiça divina não existem exceções. Saibamos agradecer pela noite bem dormida e também por ter acordado. Agradeçamos também pelo dia vivido, pelas lições aprendidas e pelo bem praticado. Muitos não terminaram o dia. Ficaram pelo caminho.

Em todas as religiões nos dizem que temos de ter fé em santos, em símbolos, em Jesus ou mesmo em Deus, como se isso fosse suficiente e tudo recebêssemos, independentemente de esforço. Pelas redes sociais mandam-nos figurinhas com bênçãos para nós e família, e ainda dizem que se não interrompermos a corrente teremos boas surpresas; em minutos. Mas, indagamos, por que motivo? Que privilégio imaginamos ter nós, nossa família e nossos amigos para recebermos facilidades diante dos percalços da vida, pretendendo colher o que nunca plantamos. Receberemos benesses pelo simples envio de uma figurinha? Se fosse verdade seria bom. O mundo estaria salvo. Ah, humanidade crédula e atrasada! Jesus Cristo nos ensinou o que teríamos de fazer para que o Céu nos ajudasse. Aliás com grande misericórdia, compensando-nos a mil por um do que viéssemos a produzir. Mas não disse a mil por zero. Nunca nos prometeu que milagres cairiam do Céu sem os merecermos.

A Lei de Deus é única para todos os seres e, portanto, não nos trata individualmente. O que é certo num, é certo noutro. As penalidades diante dos erros de um são iguais àquelas que punem os erros de outros em idênticas condições de discernimento. Não depende de sexo, raça ou religião. Deus não faz acepção de pessoas e, como já advertiu Jesus, a vara que mede todos os homens é a mesma. E o critério também. O bem nos cria méritos e o mal nos atrasa. Não é Deus quem nos julga. Somos julgados por nossas próprias ações. Como não é o professor que nos reprova; é a nossa incompetência e desinteresse pelo aprendizado!

Quando oramos a Deus, por nós ou pelos nossos, imaginamos nossa prece sendo endereçada a um Ser Superior, diante de um imenso computador, com super HD e sofisticado aplicativo que nos controla e no qual cada um de nós é um arquivo próprio, seja DOC, PDF ou algo mais sofisticado que ainda desconhecemos. E a cada movimento nosso, Deus, atento, anota um item de mérito que nos enaltece ou um carma negativo a ser enfrentado ainda nesta vida ou durante nossa eternidade espiritual, em momento apropriado. O jogador diz que ganhou porque é abençoado por Deus. Imagina que Deus simpatiza com seu clube e por isso permitiu que o outro fosse derrotado. Que tolice. Venceu porque teve mais competência ou contou com falhas dos mediadores da disputa, árbitros que se equivocaram ou fraudaram o resultado. Deus não tem nada com isso.

Lembramos que certa vez, em 1965, “Dr. Fritz” Espírito quis operar Chico Xavier através do médium não espírita Zé Arigó: “Eu te ponho bom desse olho. Faço-te a cirurgia agora, disse Arigó!” Chico Xavier respondeu-lhe: “Não; isso é um reflexo do passado. Eu sei que o senhor pode consertar o meu olho. Mas como o compromisso do passado continuará, vai me aparecer outra doença. Como já estou acostumado com essa, eu a prefiro. Por que eu iria querer uma doença nova?”

Os Espíritos não estão à disposição para promover curas de doenças que não raro precisam de providências corretivas para nosso crescimento espiritual, o que se dá pela reparação moral. Por tudo isso, é urgente não abrirmos mão da precaução! Ainda que o excesso em tudo seja ruinoso, Kardec endossa nossa atitude dizendo que “vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança”.

Chico recebeu assistência de seu médico particular até desencarnar. Os Espíritos sérios não curam corpos; curam almas. Cada um pode se curar com suas próprias orações e atitudes, sem precisar acender vela, subir escadarias de joelhos, ir a Meca, Medina, Santiago de Compostela, Jerusalém, Vaticano, Templo de Salomão, Fátima, Lourdes, Abadiânia, Juazeiro, Canindé ou Aparecida do Norte. Nem a qualquer santuário de qualquer doutrina para deixar lá seu pacote de pecados.

Vejam o que está no texto de João, 4:23. Adorar a Deus independe de um lugar. Na conversa com a mulher da Samaria, Jesus critica a maneira como as pessoas da época faziam adoração a Deus. O importante é adorar a Deus em espírito e em verdade, e para isso não é preciso um lugar especial. É no coração de todo ser humano que Deus deve ser adorado, e não apenas em um monte ou em um prédio.

Deus habita em todas as pessoas que O recebem com alegria e fazem de seu coração o altar para Ele ficar. As pessoas que adoram o Pai em espírito e em verdade podem também usar um lugar para, juntas, fortalecer e renovar a sua fé. Mas o importante é o que está no coração de cada uma delas e não apenas o lugar. Visitemos esses belos templos como atração turística ou para orar, pedindo ou agradecendo, mas não com pagamentos ou oferendas, que nunca são para Deus.

Antes, contudo, lembrem-se: curamo-nos em casa mesmo. Ore e espere. A cura do corpo se dá pelo saneamento da alma. Faça o bem que puder e combata mágoas e ressentimentos, para ter saúde. O principal trabalho de Chico foi o alívio às almas sofridas, a maioria mães inconformadas, e não o de corpos desgastados. O próprio Jesus fez algumas curas em momentos que serviram para testemunhar o poder de Deus… Foram poucos “milagres” e muitas pregações e aconselhamentos. E mesmo nesses casos dizia: — A tua fé te curou. Vai e não peques mais.

Espiritismo não pode ser confundido com curandeirismo. Mesmo quando buscamos o centro na esperança de cura de doenças físicas, ou para aprender sobre o Evangelho à luz da Doutrina dos Espíritos, tenhamos em mente a regra básica: se houver algum tipo de pagamento, mesmo para compra de oferendas, fuja. Não é Espiritismo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Março 2019

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