Octávio Caumo Serrano

Já disse Khalil Gibran, no início do seu poema-pensamento sobre os filhos: “Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos. Porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho…”

O Espiritismo também nos informa que os filhos são velhas almas, muitas vezes mais antigas do que nós, que vêm nascer no nosso lar para aprender ou ensinar, ser corrigidos ou corrigir-nos, o que muitas vezes dá origem a conflitos de convivência porque insistimos em desejar que pensem como nós já que, como  somos mais antigos no mundo da matéria, nos faz pensar que sabemos mais que eles, o que pode não ser verdade. A idade cronológica da Terra nem sempre segue a da eternidade. Somos todos premiados pelo esquecimento para evitar que possíveis conflitos do passado venham à tona e criem problemas de convivência por razões óbvias.

Estamos no limiar da nova era, quando grandes mudanças ocorrerão em todo o planeta. Como a Terra está se aprimorando como mundo, passando de provas e expiações para de regeneração, está claro que sua humanidade está sendo substituída, porque a maioria de nós carece das condições mínimas necessárias para ser morador da Terra renovada. Atualmente isso é feito com mais intensidade, porque os tempos chegaram, o que faz com que tragédias coletivas de origem natural ou provocada levem as pessoas aos desencarnes em massa. A mudança tem pressa porque todas as oportunidades nos foram dadas sem que as aproveitássemos, percebêssemos ou nelas acreditássemos. Vulcões, tsunamis, terremotos e desastres de toda ordem, inclusive pela destruição do planeta pelos seus próprios moradores. Poluição de rios, mares e ar e corte indiscriminado de árvores. Sem considerar a poluição mental que a aparelhagem não mostra, mas que contamina o astral em que vivemos. Ódios, desejos de vingança, insatisfação, revolta contra tudo e todos.

Nesse processo de troca na nossa sociedade humana, espíritos de hierarquia mais adiantada começam a receber a incumbência de vir nascer entre nós para a restauração da ordem, dos direitos e deveres, aplacando mágoas e espalhando otimismo e amor entre as pessoas. Serão vistos por nossas acanhadas análises como superdotados que farão prodígios e que serão gênios, entre nós. São crianças difíceis de ser orientadas, educadas e encaminhadas, porque nossos sistemas educacionais não atendem aos seus anseios já mais aprimorados. Muitas vezes recusam-se a estudar, parecem desobedientes e têm convicções próprias. Nossas escolas não sabem como lidar com eles e acabam por prejudicá-los.

Isto aconteceu em todas as épocas, inclusive quando da vinda de Jesus. Ele precisaria de mãe e pai para nascer e Maria, uma moça do Convento das Virgens, foi escolhida por José, descendente de David, para esposá-lo. Assim nasceu aquela criança que viria mudar os destinos do mundo. Mas sua mãe, com toda a amorosidade que a caracterizava, teve muita dificuldade para entender aquele filho tão avançado. Criança ainda, discutia com os doutores do Templo de Jerusalém e quando convivia com seus colegas de mesma idade assustava-os com seu olhar penetrante e sensor diante de fatos como a simples matança de um inseto. As reclamações das mães contra Jesus deixavam a nossa querida “virgem” de cabelo em pé. Passou a vida toda tentando entender as ações daquele filho diferente das outras crianças que certo dia até se recusou a recebe-la, quando disse que “aqueles que fizessem a vontade do Pai, esses seriam sua mãe e seus irmãos.” Imaginamos a tristeza que ela sentiu naquele dia. Nem seus irmãos O acompanharam na sua peregrinação porque nunca foi compreendido. Somente no final, já na cruz, quando entregou o menino João Evangelista à sua querida mãe, dizendo “Mãe eis aí o teu filho, filho, eis aí a tua mãe” que ela o reconheceu como o Messias, a ponto de rogar a Ele que aceitasse também a ela como um de seus discípulos.

Agora também nós rogamos à doce e amorosa Nossa Senhora, Maria de Nazaré, da cidade desprezada pelos judeus, porque era apenas dormitório de caravaneiros e comerciantes que rumavam da Turquia para o Mediterrâneo, via Israel, que nos abençoe e proteja, intercedendo por nós quando nossos atos e pensamentos tentem afastar-nos do bem e da verdade. O momento é de calma e oração. Tudo vai passar.

Ao contemplar Maria Santíssima, com o amado Filho em seu regaço, lembro-me de todos nós, pobres mortais, que, tentando acertar, erramos sempre. Na nossa incompetência, tentando formar homens, criamos feras! Quanto sofrimento a própria mãe Maria passou por não entender, de início, a tarefa de Jesus!

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Um soneto dodecassílabo quaternário. Espero que gostem!

VISÃO LIBERTADORA
Octávio Caúmo Serrano

Olhando a nuvem, vi um retrato. Era bonito! / Mas era estável, não mudava a toda hora…
Olhando firme eu percebi Nossa Senhora/Que, meigamente, olhava os filhos do infinito!…

Eu lhes garanto que era ela, estou convicto, /Pois sua influência me deixou mais calmo agora,/ Eu já não tenho só ansiedade, como outrora, /Só sinto paz e já não mais me ponho aflito…

-Foram seus olhos que criaram essa imagem, /Muitos dirão; foi como um sonho, uma miragem, /Porque nós, pobres deserdados, somos sós!

Mas como a vejo em sua beleza e nitidez, /Fito a Senhora e peço ainda uma outra vez:/
– Mãe de Jesus, serva de Deus, rogai por nós!…

Que assim seja!

Tribuna Espírita    jan/fev 19