Evangelho On Lar – FEPB

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Progressão dos mundos

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“De duas maneiras se opera, como já o dissemos, a marcha progressiva da Humanidade: uma, gradual, lenta, imperceptível, se se considerarem as épocas consecutivas, a traduzir-se por sucessivas melhoras nos costumes, nas leis, nos usos, melhoras que só com a continuação se podem perceber, como as mudanças que as correntes d´água ocasionam na superfície do globo; a outra, por movimentos relativamente bruscos, semelhantes aos de uma torrente que, rompendo os diques que a continham, transpõe nalguns anos o espaço que levaria séculos a percorrer. É, então, um cataclismo moral que traga em breves instantes as instituições do passado e ao qual sobrevém uma nova ordem de coisas que pouco a pouco se estabiliza, à medida que se restabelece a calma, e que acaba por se tornar definitiva.”[1]

Em O Evangelho Segundo Espiritismo, capítulo III, na parte trazida pelas instruções dos espíritos, vemos o item progressão dos mundos. Mas os mundos progridem porque a humanidade progride. A situação da criatura humana em ser superior ou inferior varia de acordo com o ponto de vista analisado.

Tomando como ponto de partida a criatura encarnada no planeta Terra no qual estamos expiando ou provando, os que estão acima não estão mais sujeitas as doenças que estamos, possuem os sentidos mais apurados, a própria locomoção é mais rápida, a infância é mais curta, consequentemente a longevidade é maior. Os que estão abaixo em contrapartida tem a força bruta como lei entre eles, o sentimento de delicadeza e justiça não predomina entre eles.

Mas quanto a nós, que estamos como ponto de partida para avaliação. Como nos avaliarmos? Baseados nas avaliações do próprio Evangelho, vemos que a superioridade intelectual predomina, mas não ainda, a moral. Ainda estamos propensos a númerosos vícios. Ainda verificamos a questão das provas e das expiações como proeministes em detrimento das missões.

As expiações são os expurgos dos atos cometidos contra a Lei Divina. Ao fazermos o mal a alguém, na verdade estamos conspurcando a Lei Divina utilizando o próximo como veículo. Deixando em nós a matriz do delito, marcas que serão o meio pelo qual nos reajustaremos com a própria Lei. Dia chegará que a divindade por força da necessidade ou nós mesmos pelo esclarecimento da razão desejaremos este reajuste nos colocando em situação de reealinho. Podendo utilizar como veículo a mesma pessoa a quem fizemos mal ou outra.

As provas são os testes que fazemos de tempos em tempos para corroborar as lições aprendidas e renovarmos o saber diante da Lei. Avançamos no conhecimento doutrinário, comprometemo-nos com uma nova de proceder, atentamos para novos preceitos em nossas vidas, ajustamos percursos em virtude desses valores abraçados, mas necessitamos forjar a teoria à prática. A Lei nos coloca em prova diante das lições e das promessas feitas por nós.

Neste nosso planeta ainda verificamos as desigualdades sociais; o merecimento não é o nivelador para alçar, na grande maioria das vezes, os postos mais altos, não importando do que estejamos falando; ambição, orgulho e vaidade sobressaem no ser, fazendo famílias separarem-se e amizades serem dissolvidas; a esperteza, o se dar bem a todo custo cria inimizades e a fraternidade ainda não é bandeira de ordem nos corações humanos.

Mas nós progredimos. Não somente os planetas progridem. Da mesma maneira que a renovação ocorre de duas formas para os mundos, também ocorre para nós. Uma lenta, gradual, formada no aprendizado e suplantado pelas provas e as missões que abraçamos durante as sucessivas reencarnações que possuímos. A criatura sedimenta um alicerce forjado no aprendizado constante e na filosofia do amor, da caridade, da fraternidade e do perdão. Tornamo-nos pessoas melhores, porque enxergamos no outro, nós mesmos.

Há um outro processo, mais rápido. Diante das expiações. Do mesmo jeito que os cataclismos revolvem a terra; temos os nossos cataclismos físicos e morais que nos revolvem de forma tal que nos sentimos abalados, sem chão. São as expiações. Necessárias para o expurgo moral, mas também importantes nesse processo de aprendizado, pois se bem aprendidas colocamo-nos sob um novo prisma do entendimento sobre a vida, sobre quem somos e a forma como nos comportarmos a partir daquele momento.

Não há como sermos iguais após estes cataclismos físicos e/ou morais que vivenciamos de tempos em tempos na nossa encarnação. Processos depurativos de aprendizagem que nos projetam para um novo patamar evolutivo se assim o quisermos. Em alguns momentos, sentimo-nos destruídos, mas mesmo assim, este é um processo que faz parte da renovação.

“É lei da Natureza a Destruição? Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.”[2] Os planetas vivem em constante renovação, nós vivemos em constante renovação. Algumas dessas provocam abalos que não gostamos e até procuramos evitar, mas só conseguiremos ver o arco-íris depois da chuva em nossas vidas.

Deus como Pai amoroso que é não nos deixaria sofrer e ficarmos a mercê de situações que não fossem necessárias ao aprendizado e libertação de amarras pesadas que possuímos. Mas ainda, pensamos como crianças que corremos para o colo de nossos pais, quando o médico quer nos fornecer o remédio necessário para cura, mas que traz sabor amargo naquele momento.

Jornal O Clarim – Abril de 2019

[1] Livro A Gênese, capítulo XVIII, item 13

[2] Questão 728 de O Livro dos Espíritos

Justiça Divina

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“875. Como se pode definir a justiça? “A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais.”

  1. a) – Que é o que determina esses direitos? “Duas coisas: a lei humana e a lei natural. Tendo os homens formulado leis apropriadas a seus costumes e caracteres, elas estabeleceram direitos mutáveis com o progresso das luzes. Vede se hoje as vossas leis, aliás imperfeitas, consagram os mesmos direitos que as da Idade Média. Entretanto, esses direitos antiquados, que agora se vos afiguram monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época. Nem sempre, pois, é acorde com a justiça o direito que os homens prescrevem. Demais, este direito regula apenas algumas relações sociais, quando é certo que, na vida particular, há uma imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência.”[1]

A Lei de Justiça, de Amor e de Caridade encontra-se explicada em O Livro dos Espíritos a partir da questão 873 até a questão 892. Não podendo separar a sua aplicabilidade, as três Leis somam-se e complementam-se, traduzindo a razão de ser, a viga moral que nos conduz a todos.

Começando a desenvolver o nosso pensamento sobre a Justiça, verificamos que a regra de conduta passa pela perfeita compreensão dos direitos de cada um e da coletiva como um todo. Mesmo que não estejamos ferindo o direito individual, quando estamos em coletividade a nossa razão mostra-nos que o todo representa mais que as partes individualmente.

O que seria um leve insulto, podendo ser relevado pela outra parte, torna-se uma grande agressão e vice-versa. Por vezes, em nome do equilíbrio da coletividade, desrespeitamos os direitos individuais da criatura humana, provocando desastres morais que levam a pessoa a desrespeitar aquilo que jamais faria com relação a si mesmo. O ser humano adequa, em muitas situações, a realidade dos fatos e assim a realidade da justiça, ao sabor da necessidade momentânea. Por isso, vemos muito bem explicado, pelos insignes mestres da humanidade, que a justiça consiste em “… respeitarmos o direito dos demais.”

Não existe condicional nesta afirmativa. É uma linha divisória de comportamento alinhando a nossa a conduta a do outro. O direito não permitindo adições de outra parte neste contexto, introduz o pensamento que para sermos justos precisamos aprender a respeitar o próximo. Sendo o respeito um dos filhos diletos do amor, fonte primeira da elevação aos pórticos mais amplos da criação humana, não podemos também separá-lo da caridade.

A caridade, não se constituindo somente a entrega de algo a alguém, também representa a tolerância de uns para com os outros[2], sendo que é o que menos fazemos sobre a Terra, conforme palavras do próprio Evangelho. Para tolerarmos alguém, precisamos passar pelo princípio do respeito. Vemos que este, faz vinculação aos três aspectos, da Lei que nos orienta a convivência com o próximo.

A Lei de Justiça adiciona-se as forças constritoras de educação e elevação do espírito. Limitador da economia humana, as provas e expiações, com olhar mais detido para expiações, produz-nos campo de entendimento sobre o proceder com relação a conduta, o comportamento, as afeições e por fim, com relação ao outro. Tendo um livre-arbítrio limitado, produzimos a caminhada dentro dos limitadores que nos conduzem a evoluir: as provas e as expiações, que a medida que se processamos a compreensão através da prática, acionamos o conhecimento já adquirido e formulamos a nossa conduta estabelecendo parâmetros de conduta diante de nós mesmos, do semelhante e com relação ao todo. Por isso, que se afirma que o aprendizado modifica a forma da criatura enxergar a vida. Esta modificação produz-se muitos mais pela absorção da aprendizagem atual somada ao que já trazemos de experiências passados, do que ao tempo decorrido em virtude da idade.

Sempre competindo a nós a escolha, se enveredarmos para o mal teremos obrigatoriamente que fazer o caminho de retorno. O amor, a elevação, o bem constituem o caminho reto para elevação da criação. Ficando a escolha sob o que deveremos fazer a cada um segundo os limites determinados pela consciência. Fiel amiga, que no silêncio do pensamento aciona a campainha moral, sinalizando que não estamos agindo de acordo com o aprendido e já vivenciado, mas que o interesses pessoal leva-nos a quebra do parâmetro estabelecido.

Por isso que o Livro dos Espíritos nos lembra: “…na vida particular, há uma imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência.” Poderemos fugir ao julgamento legal, social e moral da coletividade, mas não poderemos fugir de nós mesmos. A Justiça Divina estabelece-se da criatura para com Deus, passando pela compreensão de Sua Lei. Por mais que queiramos em alguns momentos e por mais que neguemos, aprendemos e absorvemos a informação. O caminho para execução perfeita da Lei trilha o caminho do exercício. Opcional: provas; ou compulsório: expiações.

Não fugimos de nós mesmos. Não podemos fingir que não sabemos, pois estamos encarnados exercitando o aprendizado, mesmo quando negamos exerce-lo. Cedo ou muito cedo, seremos convidados a revisitá-lo. Até chegar o momento que a criatura, não mais negará a si e Lei em sua vida. Lei de Justiça, de Amor e de Caridade, norte de condução a criatura para perfeição relativa que o Mestre Jesus nos concitou a mais de dois mil anos.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Abril 2019

[1] Livro dos Espíritos

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII, itens 9 e 10

Há Centros que dão o peixe

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Octavio Caumo Serrano

…outros que ensinam a pescar

Após entregar ao público a primeira edição de O Livro dos Espíritos, aquela com 501 questões lançada em 18 de abril de 1857, que seria substituída pela atual com 1019, em 18 de março de 1860, Allan Kardec, em primeiro de abril de 1858, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Foi o primeiro Centro Espírita organizado para divulgação e estudo da Doutrina dos Espíritos, sediado numa sala para aproximadamente vinte pessoas, mas que já enfatizava a importância de estudar o Espiritismo, sintonizando com os apelos de Jesus quando afirmou que conheceríamos a verdade e ela nos faria livres. Sem o estudo não sabemos quem somos, de onde viemos ou para onde vamos nem qual a utilidade deste tempo vivido na Terra pela misericórdia de mais uma encarnação.

Embora os centros possam dar o peixe, expressão que simboliza a aplicação de passes, a sopa, o enxoval para a gestante carente ou outras oferendas materiais, a principal finalidade do Espiritismo é cuidar das almas. Daí a importância de ensinar a pescar para que cada um conquiste, por si mesmo, o alimento para a eternidade. Vemos sempre multidões reunidas nos eventos espíritas, nas conferências de confrades ilustres, com representações artísticas de teatro, de música, e de poesia, mas vejo também salas esvaziadas nos centros quando há reuniões de estudo. Desinteresse, inconstância e quase ou nenhuma participação com interação no estudo.

O mentor do nosso Chico, o experiente e sofrido Emmanuel, já informou que a principal tarefa do homem no Planeta é cuidar do seu próprio aprimoramento. Equivocadamente ele se desgasta tentando consertar os que lhe são caros, censurando os que comandam seus países, sabendo sempre como seria melhor para eles, mas descuidam de si mesmos.

O encontro do sofredor com o Centro Espírita segue a ordem necessária. Como já disse Madre Tereza sobre ensinar a pescar que “muitos nem têm força para segurar a vara”. Por isso, a primeira assistência é a orientação espiritual seguida do tratamento com passes e palestras. Depois, quando o irmão estiver meio reerguido, já pode completar seu tratamento com a participação em alguma tarefa na casa que o acolheu.  Vai fazer o que sua habilidade lhe permite, desde trabalhos materiais até tarefas de natureza espiritual. Trabalhos manuais, sopas, manutenção e limpeza, etc., ou trabalho mediúnico, palestrante, orientador ou assemelhados. O importante é transformar-se de necessitado em servidor, porque é nesta fase que a cura começa a se processar. Dando mais que recebendo. Mas para isso precisa da sua estrutura espiritual sedimentada. Estar firme. E nenhum trabalho é mais importante que o outro. O presidente e o faxineiro não valem pelo cargo que ocupam, mas pelo amor como executam a tarefa.

Para sintetizar o raciocínio, diríamos que tudo é importante: dar o peixe e ensinar a pescar, cada etapa no tempo certo para que uma não atropele a outra nem interfira de forma negativa pelo trabalho apressado sem capacidade e convicção. Enquanto o trabalhador não estiver disposto a fazer do trabalho espírita uma de suas prioridades, senão a maior, preferível não assumir compromissos. Vai criar problemas para os demais em vez de auxiliá-los.

Nossa doutrina deve ser estudada sempre. A grande recomendação vem do próprio Kardec na introdução de O Livro dos Espíritos. Diz ele que “anos são precisos para formar-se um médico, etc. Como pretender em algumas horas conhecer a ciência do infinito.”

Espíritas amai-vos; espíritas instrui-vos. ESE Cap VI item 5. Parte de uma das mensagens do Espírito de Verdade que, segundo muitos defendem, é o próprio Jesus falando aos homens.

Jornal O clarim – abril 2019

Ama al prójimo como a ti mismo

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“Ama a tus enemigos” — Mateo (5:44)

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

La humanidad recibió un regalo del Cielo cuando Allan Kardec, después de muchas negaciones, decidió organizar el Espiritismo, a punto de ser bautizado por Camille Flammarion de el buen sentido encarnado”. Cierto todo estaba programado para convencer al sabio a aceptar la tarea, pero el libre albedrio y el deseo de éxito entre los hombres de la Tierra podrían llevarlo a optar por el colegio, su principal aspiración desde que regresó de la Escuela de Pestalozzi, en Yverdun, Suiza. Sin embargo, la razón prevaleció y él optó por aceptar el difícil trabajo junto a los Espíritus, a pesar de los perjuicios materiales que tuvo por los prejuicios e intereses de los equivocados seres humanos de su época, que siguen siendo los mismos en todas las épocas.

Después de lanzar El Libro del Espíritus en 1857 y El Libro de los Médiums en 1861, decidió escribir un libro que vendría a público el 29 de abril de 1864 con el título Imitación del Evangelio Según el Espiritismo. Con nuevo nombre a partir de la tercera edición como El Evangelio Según el Espiritismo, dio un carácter religioso a nuestra doctrina, ya que el Espiritismo fue definido por los Espíritus como la única institución genuinamente humana y divina, según se lee en la introducción de muchas ediciones.

Es en este libro que Kardec realza los principales objetivos de la nueva doctrina, dejando claro que ella ningún conocimiento esconderá de sus practicantes. En ella la fe es raciocinada y no dogmática. Al elaborarlo, el Codificador tuvo el cuidado de escribir un excelente prefacio de su mentor, el Espíritu de Verdad (según muchos espiritistas el propio Jesús dando orientaciones), explicar los objetivos de la obra y poner en sus veintiocho capítulos solamente la parte moral de las enseñanzas del Cristo.

Después de la introducción, habla de la universalidad de las comunicaciones para mostrar que no es doctrina de una solo persona, como el judaísmo, el islamismo, el budismo y el propio cristianismo, pero la enseñanza de los Espíritus de expresiva superioridad, que habitaron las más diferentes razas y religiones y se manifestaron al mismo tiempo entre doctores y analfabetos, religiosos y ateos, en países de diferentes creencias y costumbres. En ningún momento dice que debemos rezar de pie o sentados, en el claro o en la oscuridad, a los viernes, los sábado o domingos, delante imágenes o con ropas propias para los diferentes rituales.

Muestra el Evangelio de Jesús con claridad y explica los términos de la época usados en las parábolas (fariseos, saduceos, samaritanos, escribas, etc.) para que puedan ser interpretadas correctamente, porque en el Espiritismo no hay misterios ni evangelios velados, como los que solo existen en los misales de la Iglesia, como el Evangelio de Tobías, entre otros. En el Espiritismo todo es público y explicado a todos con claridad. No adorna templos con oro, ni usa falso silencio y adoración con segundas intenciones, cuando alaban al Señor, explotan al Señor, pero no siguen al Señor. No aman el prójimo como él proclamó, aunque hagan romerías, procesiones, ofrendas y promesas.

El Espiritismo enfatiza que la reforma moral es el gran tesoro para ser llevado al cielo al final de la jornada terrena. Por eso él atiende eruditos e ignorantes, desde que ambos abran su corazón para sus revelaciones. Tiene como lema “fuera de la caridad no hay salvación”, pertenezca el fiel a cualquier creencia.

Gracias al Espiritismo, también, sabemos que los familiares de esta vida fueron probablemente desafectos de pasadas encarnaciones. Gracias a la misericordia del olvido ignoramos los males que recíprocamente nos hicimos. Esto significa que en la familia de hoy podemos estar reunidos con enemigos de un pasado inmediato o remoto, pero que vamos a depender de la armonización en esta encarnación para quitar fallas antiguas. Amar a los enemigos no es tener paciencia y perdonar el antagonista de otras relaciones sociales o comerciales. El enemigo a que Jesús se ha referido puede ser perfectamente aquella persona que divide la mesa, el lecho y el hogar con nosotros, y por la cual tenemos más tolerancia debido a la consanguinidad. Disculpamos o, por lo menos, aguantamos agresiones de un familiar, lo que no aceptamos cuando viene de un extraño.

Por todas esas atenciones, El Evangelio Según el Espiritismo es un libro que merece toda credibilidad, porque abre totalmente la verdad para todos los que lo consultan con seriedad y deseos de cambios para cumplir bien la tarea que les fue confiada en esta vida. Por eso Kardec fue homenajeado en su sepulcro por importante científico de su época que así se manifestó: “Si fuese Allan Kardec un hombre de ciencia y de cierto no hubiera podido prestar éste primer servicio y dilatarlo hasta muy lejos, como una invitación a todos los corazones. Él, sin embargo, era lo que yo denominaré simplemente el buen sentido encarnado.” (Del discurso pronunciado junto al túmulo de Allan Kardec por Camille Flammarion.)

A ellos nuestros agradecimientos.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2019

 

Nota del autor: Nicolas Camille Flammarion fue astrónomo, pesquisidor psíquico y divulgador científico francés. Tuvo importante papel en la averiguación y popularización de la astronomía. Recibió notorios premios y fue homenajeado con la nomenclatura oficial de algunos cuerpos celestes.

 

Ama o próximo como a ti mesmo

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Amai os vossos inimigos” — Mateus (5:44)

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

A humanidade recebeu um presente do Céu quando Allan Kardec, após muitas recusas, decidiu organizar o Espiritismo, a ponto de ser batizado por Camille Flammarion de “o bom senso encarnado”. Certamente que tudo estava programado para convencer o sábio a aceitar a tarefa, mas o livre-arbítrio e o desejo de sucesso entre os homens da Terra poderiam levá-lo a optar por seu colégio, a sua principal aspiração desde que retornou da Escola de Pestalozzi, em Yverdon, na Suíça. Mas a razão prevaleceu e ele optou por aceitar o difícil encargo junto aos Espíritos, apesar dos prejuízos materiais que teve pelos preconceitos e interesses dos equivocados seres humanos de sua época, que seguem sendo os mesmos em todas as épocas.

Após lançar O Livro do Espíritos em 1857 e O Livro dos Médiuns em 1861, decidiu escrever um livro que viria a público em 29 de abril de 1864 com o título Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Renomeado a partir da terceira edição de O Evangelho Segundo o Espiritismo, deu cunho religioso à nossa doutrina, já que o Espiritismo foi definido pelos Espíritos como a única instituição genuinamente humana e divina, conforme se lê na introdução de muitas edições.

É neste livro que Kardec realça os principais objetivos da nova doutrina, deixando claro que ela nenhum conhecimento sonegará aos seus praticantes. Nela a fé é raciocinada e não dogmática. Ao elaborá-lo, o Codificador teve o cuidado de colocar excelente prefácio do seu mentor, o Espírito de Verdade (segundo muitos espíritas o próprio Jesus dando orientações), explicar os objetivos da obra e colocar nos seus vinte e oito capítulos apenas a parte moral dos ensinamentos do Cristo.

Logo após a introdução, fala da universalidade das comunicações para mostrar que não é doutrina de uma só pessoa, como o judaísmo, o islamismo, o budismo e o próprio cristianismo, mas o ensinamento dos Espíritos de expressiva superioridade, que habitaram nas mais diferentes raças e religiões e se manifestaram ao mesmo tempo entre doutores e analfabetos, religiosos e ateus, em países de diferentes crenças e costumes. Em nenhum momento diz que devemos rezar de pé ou sentados, no claro ou no escuro, às sextas, sábados ou domingos, diante de imagens ou com uniformes para os diferentes rituais.

Mostra o Evangelho de Jesus com clareza e explica os termos da época usados nas parábolas (fariseus, saduceus, samaritanos, escribas etc.) para que possam ser interpretadas corretamente, porque no Espiritismo não há mistérios nem evangelhos velados, como os que só existem nos missais da Igreja, como o Evangelho de Tobias, entre outros. No Espiritismo tudo é público e explicado a todos com clareza. Não enfeita templos com ouro, nem usa falso silêncio e adoração com segundas intenções, quando louvam o Senhor, exploram o Senhor, mas não seguem o Senhor. Não amam o próximo como ele proclamou, embora façam romarias, procissões, oferendas e promessas.

O Espiritismo enfatiza que a reforma moral é o grande tesouro para ser levado ao céu no encerramento da jornada terrena. Por isso ele atende eruditos e ignorantes, desde que ambos abram o coração para as suas revelações. Tem como lema “fora da caridade não há salvação”, pertença o fiel a qualquer crença.

Graças ao Espiritismo, também, sabemos que os familiares desta vida foram provavelmente desafetos de passadas encarnações. Graças à misericórdia do esquecimento ignoramos os males que reciprocamente nos fizemos. Isto significa que na família de hoje podemos estar reunidos com inimigos de um passado imediato ou remoto, mas que vamos depender da harmonização nesta encarnação para quitar falhas antigas. Amar os inimigos não é ter paciência e perdoar o antagonista de outros relacionamentos sociais ou comerciais. O inimigo a que Jesus se referiu pode ser perfeitamente aquela pessoa que divide a mesa, o leito e o lar conosco, e pela qual temos mais tolerância devido à consanguinidade. Desculpamos ou, pelo menos, suportamos agressões de um familiar, o que não aceitamos se parte de um estranho.

Por todos esses cuidados, O Evangelho Segundo o Espiritismo é um livro que merece toda credibilidade, porque escancara a verdade para todos os que o consultam com seriedade e desejos de mudanças para cumprir bem a tarefa que lhes foi confiada nesta vida. Por isso Kardec foi homenageado no seu sepultamento por importante cientista de sua época que assim se manifestou: “Fora Allan Kardec um homem de ciência e de certo não houvera podido prestar este primeiro serviço e dilatá-lo até muito longe, como um convite a todos os corações. Ele, porém, era o que eu denominarei simplesmente o bom senso encarnado.” (Do discurso pronunciado junto ao túmulo de Allan Kardec por Camille Flammarion.)

A eles nossos agradecimentos. 

Nota do autor: Nicolas Camille Flammarion foi astrônomo, pesquisador psíquico e divulgador científico francês. Teve importante papel na investigação e popularização da astronomia. Recebeu notórios prêmios e foi homenageado com a nomenclatura oficial de alguns corpos celestes.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo  de abril 2019