Octavio Caumo Serrano

…outros que ensinam a pescar

Após entregar ao público a primeira edição de O Livro dos Espíritos, aquela com 501 questões lançada em 18 de abril de 1857, que seria substituída pela atual com 1019, em 18 de março de 1860, Allan Kardec, em primeiro de abril de 1858, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Foi o primeiro Centro Espírita organizado para divulgação e estudo da Doutrina dos Espíritos, sediado numa sala para aproximadamente vinte pessoas, mas que já enfatizava a importância de estudar o Espiritismo, sintonizando com os apelos de Jesus quando afirmou que conheceríamos a verdade e ela nos faria livres. Sem o estudo não sabemos quem somos, de onde viemos ou para onde vamos nem qual a utilidade deste tempo vivido na Terra pela misericórdia de mais uma encarnação.

Embora os centros possam dar o peixe, expressão que simboliza a aplicação de passes, a sopa, o enxoval para a gestante carente ou outras oferendas materiais, a principal finalidade do Espiritismo é cuidar das almas. Daí a importância de ensinar a pescar para que cada um conquiste, por si mesmo, o alimento para a eternidade. Vemos sempre multidões reunidas nos eventos espíritas, nas conferências de confrades ilustres, com representações artísticas de teatro, de música, e de poesia, mas vejo também salas esvaziadas nos centros quando há reuniões de estudo. Desinteresse, inconstância e quase ou nenhuma participação com interação no estudo.

O mentor do nosso Chico, o experiente e sofrido Emmanuel, já informou que a principal tarefa do homem no Planeta é cuidar do seu próprio aprimoramento. Equivocadamente ele se desgasta tentando consertar os que lhe são caros, censurando os que comandam seus países, sabendo sempre como seria melhor para eles, mas descuidam de si mesmos.

O encontro do sofredor com o Centro Espírita segue a ordem necessária. Como já disse Madre Tereza sobre ensinar a pescar que “muitos nem têm força para segurar a vara”. Por isso, a primeira assistência é a orientação espiritual seguida do tratamento com passes e palestras. Depois, quando o irmão estiver meio reerguido, já pode completar seu tratamento com a participação em alguma tarefa na casa que o acolheu.  Vai fazer o que sua habilidade lhe permite, desde trabalhos materiais até tarefas de natureza espiritual. Trabalhos manuais, sopas, manutenção e limpeza, etc., ou trabalho mediúnico, palestrante, orientador ou assemelhados. O importante é transformar-se de necessitado em servidor, porque é nesta fase que a cura começa a se processar. Dando mais que recebendo. Mas para isso precisa da sua estrutura espiritual sedimentada. Estar firme. E nenhum trabalho é mais importante que o outro. O presidente e o faxineiro não valem pelo cargo que ocupam, mas pelo amor como executam a tarefa.

Para sintetizar o raciocínio, diríamos que tudo é importante: dar o peixe e ensinar a pescar, cada etapa no tempo certo para que uma não atropele a outra nem interfira de forma negativa pelo trabalho apressado sem capacidade e convicção. Enquanto o trabalhador não estiver disposto a fazer do trabalho espírita uma de suas prioridades, senão a maior, preferível não assumir compromissos. Vai criar problemas para os demais em vez de auxiliá-los.

Nossa doutrina deve ser estudada sempre. A grande recomendação vem do próprio Kardec na introdução de O Livro dos Espíritos. Diz ele que “anos são precisos para formar-se um médico, etc. Como pretender em algumas horas conhecer a ciência do infinito.”

Espíritas amai-vos; espíritas instrui-vos. ESE Cap VI item 5. Parte de uma das mensagens do Espírito de Verdade que, segundo muitos defendem, é o próprio Jesus falando aos homens.

Jornal O clarim – abril 2019

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