Advertência Oportuna

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Aos médiuns cabe a grande tarefa de ser ponte entre as dores e as consolações. Aos dialogadores cabe a honrosa tarefa de ser, cada um deles, psicoterapeuta de desencarnados, contribuindo para a saúde geral. Enquanto os médiuns se entregam ao benefício caridoso com os irmãos em agonia, também têm as suas dores diminuídas, o seu fardo de provas amenizadas, as suas aflições contornadas, porque o amor é o grande mensageiro da misericórdia que dilui todos os impedimentos ao progresso – é o sol da vida, meus filhos, que dissolve a névoa da ignorância e que apaga a noite da impiedade.[1]

Compreendendo que a capacidade de ser médium vincula-se a parte orgânica da criatura, mas que se não tiver um espírito que oriente esta capacidade a mediunidade será igual a um carro desgovernado sem condutor, começamos por este pensamento a delinear e estruturar o objetivo deste artigo.

De há muito a criatura humana comanda forças e energias entrando em contato com o mundo de relação espiritual. Fazendo de forma primária e precária, somente tomando corpo organizado após os fenômenos das mesas girantes estudado por Allan Kardec. Este pode observar que mesas não falam e que existiam criaturas que ali estavam organizando a manifestação. De pronto, não soube detectar se eram as mentes dos encarnados presentes ou forças estranhas, mas tinha a certeza que objetos inanimados não poderiam produzir respostas objetivas.

Após o seu trabalhos organizou-se um corpo de doutrina, unificado para estudo e estruturado, tendo em O Livro dos Médiuns sua carta mágna de apresentação e orientação para todos aqueles que se dedicam ao aprendizado e educação deste trabalho. Os médiuns veem de todos os tempos em contato com o mundo invisível que é bastante visível para aqueles que estão em contato.

Sentem, veem, ouvem e se comunicam de forma simples como estivessem fazendo com encarnados. Para muitos, isto não é mais surpresa. Mesmo não constatando em si o fenômeno da mediunidade, creem, pois são confrontados com os fatos que comprovam a existência dos espíritos e a sua comunicabilidade.

Sendo que neste momento de transição planetária outra propositura se apresenta para os lidadores envolvidos neste trabalho, objeto de nossa introdução: somos aqueles que fazemos ponte entre as dores e os consolos. Trazemos um pouco de alívio e nos sentimos também aliviados em nossas próprias aflições quando aparamos os irmãos em luta, não importando em que plano estejamos ambos.

É um trabalho de saneamento. Fala-se de processo de depressão, doenças psicossomáticas, a criatura encharca-se com antidepressivos e todos os tipos de substâncias que possam de alguma forma aliviar suas dores, sendo que a solução muitas vezes está a um passo de ser concretizada: estender a mão ao próximo através da mediunidade. Não estamos falando em grandes espetáculos de cura ou algo semelhante, mas da própria terapêutica desobsessiva, silenciosa, que auxilia aos irmãos desencarnados que agonizam sofrimentos cruéis e que muitas vezes somente desejam serem ouvidos.

Não somos médiuns por acaso. É antes, um compromisso assumido. Reencarnamos aceitando a proposta de aliviarmos dores através do amor, da misericórdia, orientando nossos passos na luz aclaradora da Doutrina Espírita. Adoçando o trabalho com a mensagem redentora do Mestre Jesus. Fazendo com que cada ato seja de glorificação do nome do Mestre em nossas vidas.

Mais a frente no referido capítulo temos: “Sabemos das vossas dores, porque também passamos pela Terra e compreendemos que a névoa da matéria empana o discernimento e, muitas vezes, dificulta a lógica necessária para a ação correta. Mas ficai atentos: tendes compromissos com Jesus…”

Esta e a grande verdade: o nosso compromisso é com Jesus. Quando Ele nos afirmou que os são não tem necessidade de médico, indicava que primeiro Ele estava para ajudar os doentes e que de alguma forma todos somos doentes, da alma ou do corpo; e concitava a todos que quisessem trabalhar com ele na Seara do Senhor, a pegar da sua charrua e seguí-lo.

Percalços existirão porque não existe caminhada sem atropelos, até porque existe um passado espiritual a nos reajustarmos e os que se inimizam com o bem tentaram deter o avanço do progresso. Mas não tenhamos medo, nem desistamos de prosseguir no trabalho abraçado. Da mesma maneira que existem os que não desejam o progresso e que se unem para que isso ocorra, existem os que desejam o bem e trabalham há séculos para que isto aconteça.

O caminho natural é o amor, o bem, o justo. Tudo que estiver contrário a isto estará depondo contra a Lei Natural e cedo ou muito cedo será deposto. Não nos intimidemos, “… as línguas de fogo estão sobre as nossas cabeças … convosco estão os Espíritos elevados. … o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.”” Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!” [2]

[1] Livro: Compromissos de Amor, diversos espíritos/psicografia Divaldo Franco. Cap. 15 – Advertência Oportuna – Bezerra

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4 – Missão dos Espíritas

Tribuna Espírita – março/abril 19

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Será que ainda dá tempo?

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com

Tempo de que? De ser feliz e ver a sociedade em total fraternidade? Não. Por enquanto não dá, com esta humanidade apodrecida. Mas não se imagine que tudo está perdido; espíritos mais adiantados estão nascendo. Ainda não são muitos, mas daqui a uns trinta anos eles se destacarão em todos os setores. Na altura dos meus iminentes oitenta e quatro, não estarei vivo para comprovar. Mas esta convicção em mim é latente.

A organização divina não funciona com a pressa dos homens.  A obra de Deus pode ser retardada, mas não anulada pelos maus ou inúteis, que serão enviados para locais que sintonizem com o seu atraso moral. Lá usarão seus conhecimentos para ajudar os mais atrasados. E assim, praticando a caridade, salvando vidas, crescerão moralmente. Enquanto isso, outros formados na arte de servir vêm habitar a nova Terra para brindar-nos com tecnologias e conhecimentos que nos facilitem a vida, impedindo que precisemos matar, mentir ou roubar para ter o mínimo necessário. As doenças serão sensivelmente reduzidas porque não haverá o estresse da ganância, a aflição pela sobrevivência e o desrespeito ao meio ambiente. Os alimentos serão mais naturais.

Esta é a razão porque são cada vez mais comuns as mortes coletivas por acidentes ou fenômenos climáticos devastadores e os desencarnes individuais crescem cada vez mais. A criminalidade se encarrega de colaborar com as estatísticas, ajudando a banir a desonestidade que está no DNA da sociedade, internacionalmente, num grande percentual em todas as raças, camadas sociais e religiões. Mas, como espírita que crê na continuidade da vida e na volta a um novo corpo (reencarnação) para prosseguir no aprendizado rumo à perfeição, nada disso me assusta. Só tenho como preocupação ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje, para aproveitar a vida, este presente de Deus. Prossigo sereno, porque medo é fé não combinam. Já aprendi que cada um é o único que pode fazer mal a si mesmo. Minha fé nasce do raciocínio.

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – maio 2019

Até entre os espíritas

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Octávio Caumo Serrano    caumo@caumo.com

Há 28 anos eu escrevia o artigo “Nosso Centro”, que me valeu o troféu AJE-SP – Associação dos Jornalistas Espíritas do Estado de São Paulo. Foi amplamente divulgado e muitos centros imprimiram para distribuir entre seus frequentadores, sendo a pioneira a Sociedade Espírita Maria Nunes, de Belo Horizonte, para encartar nos livros de João Nunes Maia, da Editora mineira ligada ao Centro. Pode ser lido em https://www.espiritbook.com.br/profiles/blogs/a-quem-pertence-a-casa-esp-rita

Já naquela oportunidade enfatizávamos que o amor entre as criaturas é escasso também nas casas espíritas onde circula a maledicência, mais precisamente a fofoca, devido à concorrência, melindre, inveja, desejo de evidência por vaidade e disputa por posições que provoquem destaque para o participante da casa. Ciúmes, críticas infundadas e grupos que se isolam dos restantes da instituição. Ou seja, a afirmativa de Jesus que seus discípulos seriam reconhecidos pelo muito que se amassem não encontra eco nas nossas instituições. Deixa claro que estamos longe de merecer ser definidos como discípulos do Cristo. Enquanto uns se gostam outros se odeiam ou se ignoram!

O que afirmamos, longe de ser um comentário crítico, é um lamento escrito devido à tristeza de constatar quão distante estamos do “uni-vos e instrui-vos”, proposto pelo Espiritismo, ou do “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, segundo Jesus.

Dizia também naquela oportunidade que os trabalhadores espíritas são como funcionários que, operando em um setor, fazem o estritamente necessário dentro da função que exercem. Não colaboram com a casa nem com os colegas, auxiliando no simples ato de desligar um ventilador, um aparelho de som ou uma lâmpada, ajudar a fechar a casa ou qualquer ato que deixe claro que ele se sinta um participante da instituição e não um freelance espírita: apenas palestrante, passista, recepcionista, orientador, etc. sem outra participação espontânea para colaborar com os demais. Mal terminam os trabalhos do dia saem, apressadamente, porque nada mais é de sua responsabilidade.

Ignoram quem encapa os livros da biblioteca, quem compra pilha para os relógios, papel higiênico e copos descartáveis. Quem se encarrega da manutenção, material de limpeza. Não sabem quem paga o aluguel, a água ou a luz, embora liguem todos os ventiladores, porque são calorentos… Não saem do seu conforto, agindo como se estivesses nas suas casas. O centro não é problema deles. E ninguém se atreva a censurá-los porque ficam zangados e ameaçam ir embora do grupo. Não suportam advertências.

Antes de criticarem este escrito, os amigos leitores que participam de casas as mais diversas, observem o seu comportamento e o de seus colegas e digam onde exagerei ou menti. Serão forçados a concordar comigo porque visito muitas casas, há quase cinquenta anos, e são todas iguais, porque em todas há os mesmos seres humanos. Orgulhosos, comodistas, insensíveis e egoístas desta sociedade falida.

Quando analisamos o comportamento de religiosos de outras doutrinas, vemos que não somos diferentes em nada. Eles, por isso, são forçados a pagar, dar contribuição compulsória ou ostensiva à sua igreja, porque espontaneamente nada se deve esperar deles. Nem de nós.

Ainda não percebemos a diferença entre ser espírita e frequentar um centro espírita. No nosso livro Pontos de Vista escrevemos sobre o Cristo, o cristianismo e o cristão. Dizíamos que o Cristo é a essência, o cristianismo as suas lições e o cristão aquele que ainda não entendeu nada sobre a proposta do Cristo. Comparávamos com o Espírito, o Espiritismo e o Espírita e a conclusão foi a mesma. Vejo milhares nas plateias dos Congressos, nas palestras dos Centros, mas quase não vejo espíritas que se identifiquem como tal pela vivência dentro da proposta do Evangelho, priorizando o trabalho incondicional em favor do próximo a par de sua modificação moral para servir de bom exemplo onde esteja: no lar, na rua, na, escola, no trabalho… Mesmo esses, prestam mais atenção ao celular do que ao Evangelho.

Estamos no limiar da nova era quando o planeta será promovido a mundo de regeneração e temos a esperança de ser habitante da nova Terra. Só que isto vai depender da nossa conquista pelos méritos que acumularmos. Com o fracasso quase que total desta civilização, o mundo está dependendo da chegada da nova geração que já está se preparando para vir ao planeta e consertar os erros que estamos cometendo há milênios. Este final de encarnação que vivemos, especialmente nós os mais velhos, pode ser aproveitado como vestibular visando o ingresso no planeta renovado. Mas o esforço de renovação deve ser grande como se fosse uma encarnação supletiva na qual faremos o que não fizemos nas últimas cinco ou dez reunidas.

Quando indagamos a uma amiga da Federação Espírita de São Paulo por que um artigo tão simples e mal escrito fez sucesso e foi reproduzido por muitos jornais e revistas, além de centros espíritas que o distribuíram entre seus frequentadores, ela respondeu que fomos o advogado do dirigente espírita que pede socorro para não ficar só com a responsabilidade de administrar a sua instituição. Penso que foi isso!

Este chamado de consciência é para que não sejamos cristãos avestruzes que enfiam a cabeça no solo para ignorar o que se passa ao nosso redor. Não mais podemos ser mornos; temos que ser participantes ativos como colaboradores neste momento de transição planetária; para nós e os que estão chegando. Em vez de jogar nas mãos de Jesus a nossa salvação, cada um que trate de se salvar. Como diz um grande amigo: – Não mais é tempo de distribuir mensagens. Chegou a hora de nós mesmos sermos a mensagem. E que Deus nos ajude!

Tribuna Espírita março/abril 2019

 

Hábitos mentais

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

Hábitos Mentais

“O comportamento é sempre resultado de um hábito que se fixa no inconsciente, passando a expressar-se automaticamente, tornando-se uma das características da personalidade de cada individuo. A repetição de todo pensamento que se transforma em ação irá constituir-se um hábito que passará a manifestar a forma de comunicação com o mundo exterior. Pela qualidade emocional e moral de que se constitui, passa a traduzir os valores enfermiços ou saudáveis que fazem parte dos relacionamentos pessoais com os outros. Transferindo-se de uma para outra existência, esses hábitos fortalecem-se cada vez mais, apresentando-se como tendências e impulsos que conduzem o seu possuidor com submissão…”[1]

Quando adentramos no Espiritismo temos o mau hábito de associarmos tudo o que estamos sentindo, pensando ou o que esteja acontecendo em nossas vidas, até uma topada, um prato que quebra a influência dos espíritos. Mas nem sempre é assim. Influenciamo-nos mutuamente, primeiro ponto que gostaríamos de destacar, isto não importando em que situação estejamos: encarnados ou desencarnados. Dito isto, façamos uma breve explicação sobre os tipos de obsessão, que vem a ser esta influenciação que ocorre de uma pessoa para outra.

A obsessão foi bem estudada por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns em seu capítulo XXIII, Segunda Parte de O Livro dos Médiuns. Pode ocorrer de forma simples, sendo uma influenciação sutil, mas persistente; pode ser uma fascinação, na qual a criatura não enxerga outra coisa a não ser aquilo que lhe está como objetivo de vida; e a subjugação, que pode ser física e/ou moral, na qual as forças da criatura ficam restringidas em um dado período. Ponto a destacar é que estas obsessões ocorrem não somente de desencarnados para encarnados, mas entre desencarnados, entre encarnados e de encarnados para desencarnados. Dito isto, passemos para analise do objeto do nosso artigo: os nossos hábitos mentais.

Depreendendo que somos criaturas que reencarnamos, vivenciamos experiências que se fixam em nós iguais a camadas do caule de uma árvore. São sedimentos morais que se sobrepõe uns aos outros servindo de base para os seguintes. Ocorrendo que diante de novas experiências, buscamos nas anteriores vínculos associativos para desmembrarmos, decodificarmos e podermos fazer juízo de valor de acordo com o que entendemos e o patamar evolutivo que possuímos.

Experiências ruins proporcionam-nos modelos ruins. Fazendo-nos vivenciar circulo vicioso de sentimentos e comportamentos ruins. Forma espirita nos é apresentada para mudança de hábito: Vigiai e horai. Quando vigiamos, detectamos que estamos num processo errôneo de conduta, a oração ajuda-nos a conectarmos com forças superiores e a acordarmos em nós as camadas do bem que estão adormecidas. Pois, não vivenciamos somente coisas ruins em nosso passado espiritual, mas em virtude dos estímulos materiais serem atualmente mais de sofrimento e dor, revolta e ira, conectamos com estes pontos que possuímos em nós, esquecendo-nos dos bons hábitos vividos.

Ficamos normalmente na superficialidade do desenvolvimento da inteligência humana. Com a cultura de fast-food intelectual, desejamos informações rápidas, curtas e que se possível tragam imagens para serem mais rápidas decodificadas pelo cérebro. Ao passo que os médicos dedicados ao estudo principalmente da geriatria informam que se desejamos envelhecer bem mentalmente aprendamos coisas novas sempre. Que mudemos a rotina de ir ao trabalho, que leiamos livros que despertem a nossa cultura, enfim, que enveredemos por áreas que não conheçamos. Sem perceberem, estão nos ajudando a estimular camadas de conhecimento que já possuímos e que estamos acrescendo com conhecimentos novos.

Afastando desta forma, maus pensamentos, tristezas, depressão e tantos outros males que servem de plug para criaturas que se avizinham e desejam estimular todo tipo de sofrimento. A convivência com o próximo ajuda-nos a aumentarmos estes estímulos, bons e ruins. Cabe-nos nutrirmos os bons e catalogarmos os ruins como aprendizado. Mais a frente Joanna de Ângelis diz: “Quando se aceitam os pensamentos habituais, coloca-se um impedimento, sutil mas resistente, que não permite seja alcançada a inteligência, que se entorpece pela falta de uso, dificultando a capacidade de raciocínio e de formulações novas.”

A principal finalidade de estarmos encarnados é evoluir. Somente evoluímos quando mudamos a rota errada do que estávamos fazendo. O condicionante não pode ser maior do que nós que orientamos o percurso. Somos os condutores de nossas vidas, cabe-nos redefinirmos o caminho que iremos trilhar. Em tudo existe uma lei de afinidade. Buscamo-nos fluidicamente. Quando insistimos em mantermos o mesmo pensamento de autopiedade e autocomiseração atraímos companhias que pensam e sentem como nós, sejam encarnados ou desencarnados.

Então, como modificar os hábitos mentais adquiridos? Criando e procurando vivenciar ideais de vida. O que a cultura popular chama de “remar contra a maré”, mas não a maré externa, a nossa maré interior. Traçarmos objetivos nobres de vida e procurarmos vivenciá-los, pensar diferente; agir diferente. Buscarmos novas companhias emocionais. Mudarmos o tipo de leitura que estamos fazendo. Temos ótimos livros espíritas, utilizemo-los. Acreditemos nos ideias que professamos através da própria crença reencarnacionista e tenhamos a certeza que o que fizermos agora estaremos colocando outra camada na nossa árvore de vida imortal.

Jornal O Clarim – Maio 2019

[1] Livro: Libertação do Sofrimento, capítulo 8 – Hábitos Mentais, psicografia de Divaldo Franco, autoria Joanna de Ângelis

Cultivando a Paz que Jesus nos Ensinou

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.” (S. MATEUS, cap. XI, vv. 28 a 30.)

Ao despertarmos no conhecimento espírita, aportamos num mundo novo de aprendizagem. Que nos convida a apaziguar a mente e os sentimentos. Somos compelidos a nos movimentar numa nova ordem de ideias. Mais ainda, a enxergarmos a vida de uma maneira diferente. Para alguns significa acordar de um profundo pesadelo; para outros, ser apresentado a um ser estranho, a si mesmo. Alguém desconhecido, que habitava em si mesmo, mas que estava adormecido em virtude dos anestesiantes morais que a vida nos oferece.

“Um sábio da antiguidade já vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”[1] Mas o que isto teria a ver com o alívio de nossas dores? Os médicos hoje em dia, procuram entender o paciente como um todo antes de fechar um diagnóstico sobre a doença. Se um estranho que tenta nos ajudar a encontrar a cura age desta forma, porque nós, que somos os primeiros e melhores médicos que possuímos também não iremos nos conhecer sem máscaras para chegarmos à cura de nós mesmos?

Sabemos que a encarnação em alguns momentos se torna dolorosa, difícil de ser trilhada. Período que se fala de transição planetária, em que as criaturas ascendem de patamar, muitos acreditam que equivaleria a sairmos de uma condição a outra sem esforço íntimo, nem tão pouco coletivo. Não é assim que se processa a evolução. A semelhança de uma borboleta que antes precisa renascer sobre si mesma para depois sair voando, somos também assim, renascemos somos nós mesmos até conseguirmos alçar o voo definitivo rumo a perfeição relativa que o Mestre Jesus nos ensinou.

Se Ele, enquanto encarnado, vivenciou os percalços que vivenciou como exemplo a nos mostrar: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.”[2] Porque nós iríamos nos isentar do nosso quinhão no processo de aprendizado e na cota evolutiva? Desejamos o lugar mais alto, as esferas superiores, sermos como os espíritos mais elevados, mas nunca nos perguntamos o que estes espíritos fizeram ou o quando de lágrimas derramaram silenciosamente para estarem na condição que estão.

Mais ainda, a renúncia, o trabalho árduo, as horas incansáveis trabalhadas pelo bem contabilizadas somente na própria consciência e por parte daqueles que orquestram, como emissários da Divindade, a evolução humana. Em todos os tempos existiram as guerras, as maledicências, as brigas pelo poder, a soberba, a astúcia, a luta por se ter um pouco mais do que vai se acabar logo mais. Sendo que hoje, em virtude, inclusive, deste processo de última oportunidade de encarnação para muitos aqui no planeta Terra, as cores tornam-se mais fortes, as dores tornam-se mais cruéis. Em tudo se subiu o tom e o choro tornou-se mais doido em todos os lares.

Então, como cultivar a paz que Jesus nos ensinou? “Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos o remédio que vos deve curar. Os débeis, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos, e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados, e sereis aliviados e consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, porque o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo através do Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas. São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua divina lei. Amai e orai. Sede dócil aos Espíritos do Senhor. Invocai-o do fundo do coração. Então, Ele vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui; venho a vós, porque me chamastes!”[3]

O Espiritismo não traz fórmulas mágicas, receituários, nem tão pouco processos de cura que isentam a criatura. Muito pelo contrário. Somos os atores principais neste processo. Assimilando a mensagem promovemos a mudança paulatinamente, de acordo com o entendimento de vida que possuímos, sem ferir a consciência, através do aprendizado experienciado através das várias encarnações, até o momento que se solidifique, como base em nossas vidas, servindo de mola propulsora a novos movimentos de modificação em nossas vidas.

A cada movimento aprendido e solidificado modificamos de comportamento. Assimilamos um pouco do que o Cristo era. Não somos mais os mesmo. Agimos de outra forma. Começamos a viver mais em paz. Gostamos desta paz. Modificamos mais. O que antes não fazia sentido agora faz. As agressões não cortam como lâminas afiadas como outrora, assemelham-se a alfinetas. Começamos a enxergar que ao lado da podridão que nos envolve o sol também nasce e que ele brilha também para nós.

Jesus se faz presente nesta hora. Semelhante a Paulo de Tarso na estrada de Damasco, vemos surgir este Sol de primeira grandeza a nossa frente. Ele não precisa nos perguntar por que o perseguimos. No nosso caso é diferente. O Mestre Rabi estende-nos as mãos, e nos diz: Vem, segue-me. Pois, “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Não há outra alternativa para vivermos em paz, a não ser procurarmos seguir os passos do Mestre Jesus. Ainda não conseguimos em totalidade, mas estamos no caminho que leva a Ele.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Maio 2019

[1] Questão 919 de O Livro dos Espíritos

[2] João, 14:6

[3] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VI, item 7

Um tempo chamado saudade

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com

A física moderna procura explicar-nos que o tempo é uma ilusão.

Passado e futuro não passariam de locais do mesmo espaço, conforme a posição em que nos colocamos. Provavelmente, está aí a explicação para o apocalipse e seus mistérios. Como e para que João foi trazido ao futuro para ver o caos em que se encontrava a humanidade e depois voltar para alertar os seus a fim de que não cometessem os mesmos erros para não ter sofrimento semelhante, quando chegasse a hora de eles viverem nesse mesmo “futuro”. Explicava, portanto, que vamos realizando hoje e construindo, por consequência, novos acontecimentos. Aplicação instantânea da lei de ação e reação. Não fora isso, não pudesse João mudar o “futuro”, por que o Cristo haveria de entristecê-lo mostrando o caos a que chegaram seus conviventes?

Como explicar o dia do juízo final quando nossa história nos é revelada, causando alegria ou infelicidade pelos nossos atos do “passado”? Foi o que descobriu o pesquisador Raymond Moody relatado no seu livro “Vida depois da Vida”, do original “Life after life”. Fê-lo por meio de pesquisa com letárgicos, por traumas ou comas em hospitais, quando relataram o túnel escuro, a chegada a um local luminoso e o filme de suas vidas que era ali exibido, deixando-os tristes ou alegres, conforme o comportamento que tiveram durante a sua existência. Onde estavam guardadas essas imagens? Seria na consciência de cada um, como diz o Livro dos Espíritos na questão 621 sobre a Lei de Deus?

Aceitando que os diferentes tempos não passam de ilusão, conforme as ciências atuais, só há um tempo real: O AGORA, porque daqui a um átimo já não é mais AGORA. E não podemos viver nem antes nem depois do AGORA. A nossa vida é feita de acontecimentos que nos dão alegrias ou decepções. Costumamos ter lembranças deles, ficando felizes com os que nos deram prazer e lamentando os dias de infortúnio. Vem a saudade acompanhada de contentamento ou trauma. Segundo o dicionário, “saudade é essa lembrança melancólica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa(s) ou coisa(s) distante(s) ou extinta(s)”. Relembrar um triste acontecimento é sofrer novamente. Recordar um fato feliz traz-nos a tristeza de não poder vivê-lo de novo.

É por isso que não gosto de ter saudade. Nunca. Os bons momentos procurei desfrutá-los da forma mais intensa que pude. Extrai deles todo o êxtase que podiam me oferecer. Passado o evento, já não posso tê-los. Os maus incorporei naturalmente ao meu saber, transformando-os em experiências para não revivê-los com lembranças do momento desagradável, de situações, coisas ou pessoas.

No que diz respeito aos assuntos de natureza espirituais, cresci com o bem que eventualmente fiz, numa compensação automática das leis divinas, e registrei enganos a serem reparados, segundo a mesma justiça. Já nos valores materiais, procurei fugir da avareza, da ganância, da carência irrefletida, aproveitando experiências dos que afirmavam que “rico não é quem tem muito, mas quem precisa de pouco”. Como o grego, Diógenes, que vivia de camisolão pelas ruas de Atenas dentro de um barril e que jogou fora uma caneca quando viu um menino fazer com as mãos uma concha para beber água num riacho. “Quanta coisa supérflua ainda carrego comigo”, disse o filósofo.

Na vida recebi muitos elogios. Analisava-os para ver se expressavam meus reais méritos ou se buscavam agradar-me com segundas intenções. Filtrei-os, cuidadosamente, aproveitei, ou não, e segui. Recebi também ofensas, ingratidões e o que considerei injustiças. Desculpei todos os meus ofensores porque tais atos vêm de pessoas enfermas da mente ou do corpo. Perdoar sempre faz bem e evita que se acumule detritos na alma. Faço-o, graças a Deus, com certa facilidade. Aprendi com Gandhi que ninguém nos ofende se nós mesmos não nos ofendermos.
Para concluir, cito uma sextilha que diz: “Esta palavra saudade, conheço desde criança. Saudade de amor ausente não é saudade é lembrança. Saudade só é saudade quando morre a esperança!” – Pinto de Monteiro-PB.

Xô, saudade.

Jornal O Clarim – Maio 2019

 

 

Citaciones para pensar

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La vivencia dentro de los preceptos dictados por el Evangelio suaviza a nuestros dolores

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

“Dios, que te creó sin ti, no te salvará sin ti.” Tal citación es atribuida a Santo Agustín. Él también habría enseñado que “nadie puede ser perfectamente libre hasta que todos lo sean” y “conviene matar al error, pero salvar los que van equivocados”.

Ya oímos este mismo principio, formulado un poco diferente, sin que sepamos citar el autor. Pero como la esencia de la lección es más importante de qué el creador de la frase, nos atrevemos a reproducirla: “Dios, que te creó sin tu conocimiento, no podrá salvarte sin tu cooperación.” Deja claro, y el buen sentido la confirma, que somos responsables de todo qué pasa en el mundo, particularmente lo que implica nuestro propio porvenir. Interferimos, para el bien o para el mal, según actuamos y nos comportamos delante la vida, en cualquier local donde actuemos.

Esta afirmación a veces choca a los religiosos, que garantizan que como Dios sabe lo que es mejor para nosotros, irá a tratarnos con Su inmensurable amor y solo nos brindará con la dicha. ¿Pero si eso es real, por qué nos creó simple y sin ningún conocimiento, permitiendo qué nos apurásemos por nuestros propios méritos? ¿Por qué no nos creó perfectos, sin la necesidad de encarnaciones, la mayoría probatorias, llenas de dolores y sufrimientos?

Jesús, según el Evangelio de Lucas (las 16:2), nos dijo: “Da cuenta de tu administración.” ¿Pero, si independientemente de nuestro esfuerzo Dios nos da de todo, por qué el Maestro así lo afirmó?

En el capítulo 75 del libro Fuente Viva, Emmanuel, el noble senador romano, por el psicográfico de Chico Xavier, nos dice: “En la esencia, cada hombre es servidor por el trabajo que realiza en la obra del Supremo Padre, y, simultáneamente, es administrador, porque cada criatura humana detiene posibilidades enormes en el plan en el que actúa. Mayordomo del mundo no es solamente aquél que encanece sus cabellos frente a los intereses colectivos, en las empresas públicas o particulares, combatiendo intrigas mil, a fin de cumplir la misión a que se dedica. Cada inteligencia de la Tierra dará cuenta de los recursos que le fueron confiados. La fortuna y la autoridad no son valores únicos del que debemos dar cuenta hoy y mañana; el cuerpo es un templo sagrado. La salud física es un tesoro. La oportunidad de trabajar es una bendición. La posibilidad de servir es un obsequio divino. La oportunidad de aprender es una puerta libertadora. El tiempo es un patrimonio inestimable. El hogar es una dádiva del Cielo. El amigo es un bienhechor. La experiencia benéfica es una gran conquista. La ocasión de vivir en armonía con el Señor, con los semejantes y con la Naturaleza es una gloria común a todos. La hora de ayudar a los menos favorecidos de recursos o entendimiento es valiosa. El suelo para sembrar, la ignorancia para ser instruida y el dolor para ser consolada son llamados que el Cielo envía sin palabras, al mundo entero. ¿Qué haces, por tanto, de los talentos preciosos qué reposan en tu corazón, en tus manos y en tu camino? Vela por tu propia tarea en el bien, delante del Eterno, porque llegará el momento en el que el Poder Divino te pedirá: — ‘Da cuenta de tu administración.’”

Más de que exploradores o dependientes de Jesucristo somos sus auxiliares en la mejora del mundo. Cuando se trata de vestir, alimentar o abrigar a un semejante, somos sus ayudantes, suavizando los dolores físicos del otro. Aunque él mismo ore y sea resignado, ni siempre tiene condiciones de sobrevivir por cuenta propia, cabiendo a nosotros esta parte, cuando también nos beneficiamos del bien que hicimos, justificando la importancia de la nueva encarnación que rogamos al Padre,

a fin de crecer más un centímetro espiritual. “Fuera de la caridad no hay salvación”, enseña el Espiritismo.

La vivencia dentro de los preceptos dictados por el Evangelio suaviza nuestros dolores, porque donde más el hombre se pierde es en la defensa de sí mismo. Muchos hay que tienen caridad con el semejante, pero guardan penas, rencores, enconos y deseos de venganza en los laberintos del alma. Insaciables, se envenenan lentamente poniendo la culpa en el mundo, en los padres, en el cónyuge, en el patrón, en el gobierno, cuando no se rebelan contra el propio Creador, sintiéndose injustificados y punidos por un mal que creen no haber practicado. Por eso, el estudio del Espiritismo, la certeza de la vida eterna y la necesidad de muchas encarnaciones purificadores son tan importantes. Si no merecemos los dolores por lo que hacemos en esta vida, ciertamente traemos archivados en nuestra esencia errores de otras vidas por los mundos materiales. Y aún ignoramos que los dolores son atenuados por la misericordia divina, si las comparásemos a las necesidades reales de rescate por las cuales tendríamos que pasar. Antes de exigir, vamos a analizar como vivimos y, de corazón abierto y sincero, veamos si estamos dando cuenta de nuestra administración.

A usted, madre del mundo, cariñoso beso de este hijo que ya tuvo muchas madres en estas múltiples vidas de redención y aprendizaje por la Tierra, o mundos análogos, ora dando a ellas alegrías, ora llenando sus ojos de llanto. ¡Disculpas y nostalgias!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Mayo 2019

 

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