Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

Hábitos Mentais

“O comportamento é sempre resultado de um hábito que se fixa no inconsciente, passando a expressar-se automaticamente, tornando-se uma das características da personalidade de cada individuo. A repetição de todo pensamento que se transforma em ação irá constituir-se um hábito que passará a manifestar a forma de comunicação com o mundo exterior. Pela qualidade emocional e moral de que se constitui, passa a traduzir os valores enfermiços ou saudáveis que fazem parte dos relacionamentos pessoais com os outros. Transferindo-se de uma para outra existência, esses hábitos fortalecem-se cada vez mais, apresentando-se como tendências e impulsos que conduzem o seu possuidor com submissão…”[1]

Quando adentramos no Espiritismo temos o mau hábito de associarmos tudo o que estamos sentindo, pensando ou o que esteja acontecendo em nossas vidas, até uma topada, um prato que quebra a influência dos espíritos. Mas nem sempre é assim. Influenciamo-nos mutuamente, primeiro ponto que gostaríamos de destacar, isto não importando em que situação estejamos: encarnados ou desencarnados. Dito isto, façamos uma breve explicação sobre os tipos de obsessão, que vem a ser esta influenciação que ocorre de uma pessoa para outra.

A obsessão foi bem estudada por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns em seu capítulo XXIII, Segunda Parte de O Livro dos Médiuns. Pode ocorrer de forma simples, sendo uma influenciação sutil, mas persistente; pode ser uma fascinação, na qual a criatura não enxerga outra coisa a não ser aquilo que lhe está como objetivo de vida; e a subjugação, que pode ser física e/ou moral, na qual as forças da criatura ficam restringidas em um dado período. Ponto a destacar é que estas obsessões ocorrem não somente de desencarnados para encarnados, mas entre desencarnados, entre encarnados e de encarnados para desencarnados. Dito isto, passemos para analise do objeto do nosso artigo: os nossos hábitos mentais.

Depreendendo que somos criaturas que reencarnamos, vivenciamos experiências que se fixam em nós iguais a camadas do caule de uma árvore. São sedimentos morais que se sobrepõe uns aos outros servindo de base para os seguintes. Ocorrendo que diante de novas experiências, buscamos nas anteriores vínculos associativos para desmembrarmos, decodificarmos e podermos fazer juízo de valor de acordo com o que entendemos e o patamar evolutivo que possuímos.

Experiências ruins proporcionam-nos modelos ruins. Fazendo-nos vivenciar circulo vicioso de sentimentos e comportamentos ruins. Forma espirita nos é apresentada para mudança de hábito: Vigiai e horai. Quando vigiamos, detectamos que estamos num processo errôneo de conduta, a oração ajuda-nos a conectarmos com forças superiores e a acordarmos em nós as camadas do bem que estão adormecidas. Pois, não vivenciamos somente coisas ruins em nosso passado espiritual, mas em virtude dos estímulos materiais serem atualmente mais de sofrimento e dor, revolta e ira, conectamos com estes pontos que possuímos em nós, esquecendo-nos dos bons hábitos vividos.

Ficamos normalmente na superficialidade do desenvolvimento da inteligência humana. Com a cultura de fast-food intelectual, desejamos informações rápidas, curtas e que se possível tragam imagens para serem mais rápidas decodificadas pelo cérebro. Ao passo que os médicos dedicados ao estudo principalmente da geriatria informam que se desejamos envelhecer bem mentalmente aprendamos coisas novas sempre. Que mudemos a rotina de ir ao trabalho, que leiamos livros que despertem a nossa cultura, enfim, que enveredemos por áreas que não conheçamos. Sem perceberem, estão nos ajudando a estimular camadas de conhecimento que já possuímos e que estamos acrescendo com conhecimentos novos.

Afastando desta forma, maus pensamentos, tristezas, depressão e tantos outros males que servem de plug para criaturas que se avizinham e desejam estimular todo tipo de sofrimento. A convivência com o próximo ajuda-nos a aumentarmos estes estímulos, bons e ruins. Cabe-nos nutrirmos os bons e catalogarmos os ruins como aprendizado. Mais a frente Joanna de Ângelis diz: “Quando se aceitam os pensamentos habituais, coloca-se um impedimento, sutil mas resistente, que não permite seja alcançada a inteligência, que se entorpece pela falta de uso, dificultando a capacidade de raciocínio e de formulações novas.”

A principal finalidade de estarmos encarnados é evoluir. Somente evoluímos quando mudamos a rota errada do que estávamos fazendo. O condicionante não pode ser maior do que nós que orientamos o percurso. Somos os condutores de nossas vidas, cabe-nos redefinirmos o caminho que iremos trilhar. Em tudo existe uma lei de afinidade. Buscamo-nos fluidicamente. Quando insistimos em mantermos o mesmo pensamento de autopiedade e autocomiseração atraímos companhias que pensam e sentem como nós, sejam encarnados ou desencarnados.

Então, como modificar os hábitos mentais adquiridos? Criando e procurando vivenciar ideais de vida. O que a cultura popular chama de “remar contra a maré”, mas não a maré externa, a nossa maré interior. Traçarmos objetivos nobres de vida e procurarmos vivenciá-los, pensar diferente; agir diferente. Buscarmos novas companhias emocionais. Mudarmos o tipo de leitura que estamos fazendo. Temos ótimos livros espíritas, utilizemo-los. Acreditemos nos ideias que professamos através da própria crença reencarnacionista e tenhamos a certeza que o que fizermos agora estaremos colocando outra camada na nossa árvore de vida imortal.

Jornal O Clarim – Maio 2019

[1] Livro: Libertação do Sofrimento, capítulo 8 – Hábitos Mentais, psicografia de Divaldo Franco, autoria Joanna de Ângelis