Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Aos médiuns cabe a grande tarefa de ser ponte entre as dores e as consolações. Aos dialogadores cabe a honrosa tarefa de ser, cada um deles, psicoterapeuta de desencarnados, contribuindo para a saúde geral. Enquanto os médiuns se entregam ao benefício caridoso com os irmãos em agonia, também têm as suas dores diminuídas, o seu fardo de provas amenizadas, as suas aflições contornadas, porque o amor é o grande mensageiro da misericórdia que dilui todos os impedimentos ao progresso – é o sol da vida, meus filhos, que dissolve a névoa da ignorância e que apaga a noite da impiedade.[1]

Compreendendo que a capacidade de ser médium vincula-se a parte orgânica da criatura, mas que se não tiver um espírito que oriente esta capacidade a mediunidade será igual a um carro desgovernado sem condutor, começamos por este pensamento a delinear e estruturar o objetivo deste artigo.

De há muito a criatura humana comanda forças e energias entrando em contato com o mundo de relação espiritual. Fazendo de forma primária e precária, somente tomando corpo organizado após os fenômenos das mesas girantes estudado por Allan Kardec. Este pode observar que mesas não falam e que existiam criaturas que ali estavam organizando a manifestação. De pronto, não soube detectar se eram as mentes dos encarnados presentes ou forças estranhas, mas tinha a certeza que objetos inanimados não poderiam produzir respostas objetivas.

Após o seu trabalhos organizou-se um corpo de doutrina, unificado para estudo e estruturado, tendo em O Livro dos Médiuns sua carta mágna de apresentação e orientação para todos aqueles que se dedicam ao aprendizado e educação deste trabalho. Os médiuns veem de todos os tempos em contato com o mundo invisível que é bastante visível para aqueles que estão em contato.

Sentem, veem, ouvem e se comunicam de forma simples como estivessem fazendo com encarnados. Para muitos, isto não é mais surpresa. Mesmo não constatando em si o fenômeno da mediunidade, creem, pois são confrontados com os fatos que comprovam a existência dos espíritos e a sua comunicabilidade.

Sendo que neste momento de transição planetária outra propositura se apresenta para os lidadores envolvidos neste trabalho, objeto de nossa introdução: somos aqueles que fazemos ponte entre as dores e os consolos. Trazemos um pouco de alívio e nos sentimos também aliviados em nossas próprias aflições quando aparamos os irmãos em luta, não importando em que plano estejamos ambos.

É um trabalho de saneamento. Fala-se de processo de depressão, doenças psicossomáticas, a criatura encharca-se com antidepressivos e todos os tipos de substâncias que possam de alguma forma aliviar suas dores, sendo que a solução muitas vezes está a um passo de ser concretizada: estender a mão ao próximo através da mediunidade. Não estamos falando em grandes espetáculos de cura ou algo semelhante, mas da própria terapêutica desobsessiva, silenciosa, que auxilia aos irmãos desencarnados que agonizam sofrimentos cruéis e que muitas vezes somente desejam serem ouvidos.

Não somos médiuns por acaso. É antes, um compromisso assumido. Reencarnamos aceitando a proposta de aliviarmos dores através do amor, da misericórdia, orientando nossos passos na luz aclaradora da Doutrina Espírita. Adoçando o trabalho com a mensagem redentora do Mestre Jesus. Fazendo com que cada ato seja de glorificação do nome do Mestre em nossas vidas.

Mais a frente no referido capítulo temos: “Sabemos das vossas dores, porque também passamos pela Terra e compreendemos que a névoa da matéria empana o discernimento e, muitas vezes, dificulta a lógica necessária para a ação correta. Mas ficai atentos: tendes compromissos com Jesus…”

Esta e a grande verdade: o nosso compromisso é com Jesus. Quando Ele nos afirmou que os são não tem necessidade de médico, indicava que primeiro Ele estava para ajudar os doentes e que de alguma forma todos somos doentes, da alma ou do corpo; e concitava a todos que quisessem trabalhar com ele na Seara do Senhor, a pegar da sua charrua e seguí-lo.

Percalços existirão porque não existe caminhada sem atropelos, até porque existe um passado espiritual a nos reajustarmos e os que se inimizam com o bem tentaram deter o avanço do progresso. Mas não tenhamos medo, nem desistamos de prosseguir no trabalho abraçado. Da mesma maneira que existem os que não desejam o progresso e que se unem para que isso ocorra, existem os que desejam o bem e trabalham há séculos para que isto aconteça.

O caminho natural é o amor, o bem, o justo. Tudo que estiver contrário a isto estará depondo contra a Lei Natural e cedo ou muito cedo será deposto. Não nos intimidemos, “… as línguas de fogo estão sobre as nossas cabeças … convosco estão os Espíritos elevados. … o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.”” Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!” [2]

[1] Livro: Compromissos de Amor, diversos espíritos/psicografia Divaldo Franco. Cap. 15 – Advertência Oportuna – Bezerra

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4 – Missão dos Espíritas

Tribuna Espírita – março/abril 19