Nossa Cruz

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”[1]

Ao ler o capítulo 74 de mesmo título do nosso artigo do livro Palavras de Vida Eterna, psicografado por Chico Xavier e autoria espiritual de Emmanuel lembramo-nos do capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo, em especial, do item intitulado: Salvação dos Ricos.

As duas passagens falam de carregarmos a nossas cruzes e seguirmos Jesus. Mostram-nos que o crescimento é objeto e objetivo de nossas vidas e que para alcançarmos patamares mais altos precisamos deixarmos para trás o que está servindo como empecilho para nossa evolução.

Sendo que muitas vezes entendemos como vantagens o que são empecilhos e vice-versa. Para o moço rico, os empecilhos eram os bens materiais. Ele não conseguia desvencilhar-se deles porque ainda se sentia possuído por eles, não os possuía. Emmanuel nos traz a proposta de nos desapegarmos do homem velho, da criatura antiga que habita em nós e rumarmos para a nova proposta de vida que almejamos.

As vantagens são as cruzes que carregamos no silêncio da renúncia de nossos dias, onde, cambaleantes muitas vezes diante das intempéries, prosseguimos, por possuirmos um propósito maior. Deixando ressoar em nossa mente a convocação/estímulo do Mestre Rabi, entendendo que seguir-Lhe os passos supera o caminhar sobre eles. É um ato de reconhecimento de si e caminhada sobre si. Ultrapassando todas as barreiras de forma persistente, diária e ininterrupta.

Alguns leitores podem pensar neste momento que não haverá fracassos. Mas é um engano. Eles existirão, porque ainda somos imperfeitos e porque o processo de aprendizado solidifica-se através das tentativas e erros que fazemos através das nossas próprias experiências. Aprendemos a teoria observando o semelhante, estudando o evangelho, mas somente na prática diária que conseguiremos forjar a criatura luminífera que Jesus nos concita no processo evolutivo.

É marcante, quando do calvário, que Jesus ao carregar a sua cruz, cai algumas vezes. Sempre me perguntei por que isso acontecia. Afinal, Ele é Jesus de Nazaré. O tipo mais perfeito que Deus nos ofertou, modelo e guia da humanidade[2]. Hoje, permito-me interpretar esta passagem, entendendo que em todas existe um significado, sendo uma maneira de nos mostrar que ao “pegarmos de nossa cruz e O seguirmos”, iremos cair em alguns momentos, iremos fraquejar em outros tantos. Estaremos caminhando forçosamente para o momento mais cruciante de dor de nossas vidas, mas ao mesmo tempo em que o sofrimento nos aguarda, a forma como o encaramos irá nos libertar ou nos aprisionar ainda mais, prorrogando o momento da libertação.

Os dois textos nos falam da maturidade perante a vida, dizendo-nos que para crescermos necessitamos ressarcir perante a Lei Divina aquilo que conspurcarmos; seja através do sofrimento moral, ou através do desfazimento dos bens materiais, também veículo de atingimento de processo evolutivo moral, como foi proposto ao moço rico, pedindo que ele entregasse aos pobres. “Pois onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração.”[3]

A nossa cruz torna-se mais leve ou mais pesada conforme compreendamos ou não as verdades espirituais. Podendo parecer simples esta afirmação, passa esta compreensão pela ratificação do comportamento. Seria o que o Evangelho Segundo o Espiritismo nos explica sobre o a Obediência e a Resignação: “A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair.”[4]

Quando conseguimos alinhar razão e sentimento, incorporamos a mensagem ao nosso comportamento não modificando assim nossa linha de conduta. Entendendo ser esta a única maneira de viver/exercer determinado papel na vida, mesmo que sejamos questionados, açodados, permanecemos firmes e continuamos a marcha. O processo de negar a si mesmo não é um excludente da criatura. Não é uma anulação do ser espiritual que habita o corpo transitório, mas dos valores transitórios que acompanham o espírito imortal.

Valores estes importantes, mas não fundamentais para nos fazerem chegar à perfeição. São facilitadores na engrenagem da vida, mas não constituem a engrenagem da vida. Tanto que de tempos em tempos a própria sociedade questiona-se qual o rumo que está tomando. Novos ídolos materias surgem, mas os valores imortais do amor, da caridade e da justiça continuam por sendo a espinha dorsal a conduzir a seara humana.

Perguntado a um velho sábio o que ele gostaria de deixar de presente à humanidade no dia em que ele partisse, ele respondeu: “Se só uma coisa me fosse permitido deixar, deixaria o amor. Mas não o amor como às criaturas apregoam. Seria o amor que o Mestre Jesus nos ensinou. O amor que nutre a criatura pela própria existência dele. Que faz se ultrapassem as barreiras da humanidade e enxergue no outro, o outro, não quem ele represente. Que nos coloca diante do próximo e nos aproxima dele, em vez de nos afastar. Que enfim, une a sua a nossa cruz para quem ambas fiquem menos pesadas.”

Se observarmos bem, a madeira é composta de “tecidos lenhosos de plantas”, são camadas e mais camadas que se unem. A nossa cruz são camadas de história que se une a outras cruzes, que possuem outras camadas de histórias, nas quais nossas encarnações se entrecruzam e se tivermos sabedoria, mutuamente nos ajudamos. Então, carregar a própria cruz é libertar-se das próprias marcas e sempre que possível ajudarmos ao nosso semelhante. Foi essa a proposta feita ao moço rico. Libertando-se do apego excessivo aos bens materiais, ele iria ajudar àqueles que carregavam o peso da necessidade material.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2019

[1] JESUS (MARCOS, 8:34)

[2] Questão 625 de O Livro dos Espíritos

[3] Mateus, cap. 6, v 21

[4] Capítulo IX, item 8

Pacíficos

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Walquiria Lucia Araujo Cavalcante

“Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.”[1]

A passividade longe de ser uma situação de inércia, corresponde ao movimento dinâmico de entendimento de que a guerra é a luta moral da criatura para consigo mesma. Travada internamente, eclode em expressões agressivas para com o semelhante (quando não ajustado o comportamento ao ensinamento Crísitico) e mostra-se estóico perante o mundo suportando as investidas do mal (quando alinhado as verdades eternas).

Estamos encarnados num processo depurativo de aprendizado. Fato este comprovado nos pequenos como nos grandes momentos da nossa encarnação. Questionamo-nos como iremos introjetar a mensagem divina, em especial o Espiritismo, proposta de vida que nos explica a reencarnação e a justiça das aflições como balizadora das relações humanas, em nossas vidas diante dos fatos que ocorrem em nosso derredor.

Partindo de extremos, a criatura, em sua grande maioria, vivencia o culto excessivo a si mesma, ao corpo, a inteligência, beleza e etc ou vivencia uma descrença absoluta em si, por isso, o avançado aumento dos casos de depressão e suicídio. Procuramos fora o que deveria ser produzido dentro de nós. A excelência na qualidade de vida começa no que escolhemos como o que é bom para nós.

Ser pacífico, antes é um estado de espírito. “… naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se.”[2]

Para isso é necessário coragem. Coragem para mudar os condicionantes trazidos de outras encarnações e para enfrentarmos os chamados e os desafios impostos durante a encarnação. Criaturas em desalinho moral, corruptores da moral que ainda não compreenderam o sentido existencial, que permeiam e ladeiam a encarnação conosco. Detêm poder e influenciam, muitas vezes decidindo parcelas importantes que influenciam a nossa encarnação.

Outras tantas, são criaturas que estão mais próximas a nós, mas que tem a mesma importância e influencia em nossas vidas. Capazes de interferir sobremaneira, são representantes ou os próprios adversários do passado que ora se encontram junto a nós. Por isso a convocação para sermos pacíficos perante a vida. Pois seremos chamados filhos de Deus. Não significa que agora não o sejamos, mas ainda não possuímos esta perfeita identidade com o Pai.

Lembro-me de uma passagem que ocorre com André Luiz[3], ele aporta na cidade espiritual Nosso Lar. Depois de um ano lá, resolve visitar seu antigo lar. Depara-se com uma situação que lhe desagrada. Evoca a presença de sua amiga Narcisa. Supera a intempérie, entendendo que o amor nos irmana a todos não importando em que condição estejamos e qual função nós executemos no núcleo familiar, o amor nos irmana a todos. Ao retornar a cidade espiritual ele é considera um cidadão por ter se desvinculado das sensações e sofrimentos que o vinculado a Terra.

É a este pensamento que Jesus nos convida: ajudarmos e nos mantermos íntegros, inteiros não importando o que nos ocorra. A deseducação moral, os sentimentos torpes, a desonestidade, a crueldade, o desserviço daqueles que não querem o progresso tentarão nos retardar os passos, pois, ao trabalharmos pelo bem, estaremos trabalhando e moldando a nossa própria argila e contribuindo para o progresso da humanidade.

“O estoico é alguém que encontrou o sentido existencial e reconforta-se nos severos compromissos do autoaprimoramento, descobrindo as fontes de uma vida digna por meio da prática das virtudes e vivendo-as em todos os passos da caminhada enobrecida.”[4] Não são fáceis os dias que estamos vivendo. Mesmo entre o meio religioso, encontramos aqueles que defendem as meias-verdades que são mais corrosivas que as mentiras completas. Servem de desestímulos àqueles que desejam progredir.

Como ainda estamos forjando a nossa fé em bases sólidas, lembremo-nos sempre do Mestre Jesus. A caminhada é composta de uma quantidade indefinida, ainda por nós, de passos. Mas já começamos o processo. Ao olharmos para traz, não enxergamos mais a linha de partida. O clarão do Mestre Rabi está mais a frente, na chega, iluminando nossos passos.

Pedras existirão no caminho. Galhos secos nos rasgarão a pele, mas “… As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus.”[5] Forte e corajoso não é o que reage a agressão, mas aquele que age de forma correta, não permitindo-se seguir a excitação da coletividade e permanecendo fiel aos ensinamentos do Cristo.

Muitos zombarão e tratarão de covarde. Muitos exclamarão que o Mundo clama por justiça e justiça feita pelas próprias mãos. E o Mestre nos mostrará que o caminho é o da busca interior, da paz interior, da pacividade interior. Para que exaltemos o culto do amor e da vivência fraterna entre nós. Forte não é quem luta é quem persevera até o fim, fiel aos preceitos da verdade e do amor.

Jornal O Clarim julho 2019

[1] JESUS (MATEUS, cap. V, v. 9.)

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VIII, item 7

[3] Livro Nosso Lar

[4] Livro: Libertação do Sofrimento, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIV, item 9

Velho Tema

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Velho Tema
Vicente de Carvalho – SP

Só a leve esperança em toda a vida
Disfarça a pena de viver; mais nada.
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada,
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.

Jornal O Clarim – Julho 2019

A força de uma oração

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Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

A prece sempre estabelece uma ligação do homem com o mundo espiritual e jamais deixa de ser atendida, ou aproveitada, quando é dita de coração puro, sem interesse de favorecimentos; particularmente os imerecidos. Quando nos foi ensinado que se pedíssemos obteríamos, está implícito que depende do que pedimos. Há quem peça números que o favoreçam numa loteria e nunca é atendido.

Algo que parece tão simples e que fazemos de hábito mecanicamente, é mais profundo do que imaginamos porque não podemos mudar leis simplesmente recitando palavras que muitas vezes nem sentimos. Quantos rezam terços caminhando na praia ou durante o cooper, cumprimentando quem passa, sem perceber que sua prece está sendo dita automatizada sem que as expressões venham da alma. De nada valem todos os “Pais Nossos” ou as “Ave Marias” porque não nasceram da mente e do coração ao mesmo tempo. Uma lição decorada sem sentido. Há quem confunda oração ou frequência aos templos com fé. Sem que se estabeleça uma íntima ligação entre a criatura e o criador, mesmo por seus prepostos, essa prece não sai do chão nem chega a lugar algum.

É preciso, também, que ao rezar não procuremos derrogar as Leis de Deus e, portanto, aprender a orar é importante. Diante do infortúnio de alguém que goza de nossa estima, oramos pedindo que seja poupado do sofrimento, quando ignoramos a importância eventual que aquele desconforto tem para quem passa pela provação. Quando alguém está enfermo, mesmo que sinta dores lancinantes, nunca roguemos para que Deus o leve porque não somos donos da vida do outro e não sabemos se para ele é melhor morrer ou curar-se. Entreguemos o destino dele ao Criador, Ele sim o dono da vida de todos nós. Difícil? Muito. Nunca dissemos que tais momentos são fáceis.

Para exemplificar, lembremos de Eurípedes Barsanulfo, o apóstolo de Sacramento-MG, que contraiu a gripe espanhola em 1918 durante o tratamento da população infectada, porque era farmacêutico. Sua mãe e outras pessoas oravam ao lado de seu leito, onde ardia em febre, quando ele disse: – Graças, Senhor, estou salvo. Imediatamente as pessoas se afastaram do leito para comemorar e, logo depois, ao voltar, o desenlace tinha se consumado. Enquanto uma corrente de orações o prendia a este mundo, a equipe encarregada de desatar os laços que ligavam o espírito ao corpo físico não conseguia realizar o desligamento. Com a notícia da cura, eles se afrouxaram e a espiritualidade pode completar o trabalho.

Este tipo de comportamento é fácil de ser compreendido pelos espíritas que sabem da continuidade da vida e que novas encarnações nos serão oferecidas para a aquisição de mais experiências e conhecimentos. Para os cristãos de outras doutrinas tal comportamento é mais raro, porque veem na morte uma perda irremediável, sem qualquer oportunidade de reencontro ou aprimoramento para aquela alma que agora retorna ao mundo real. Mas todos, uns mais outros menos, se não acreditam nessa continuidade têm dúvidas se não é assim que funciona. Esta vida que levamos na matéria é muito pequena se comparada ao que a inteligência de Deus pode nos oferecer. Vamos pela rua e um louco dispara uma arma e nós, que não éramos o seu alvo, somos atingidos e “morremos”. Nessa altura o máximo que esperamos de Deus é que nos diga: “Desculpe, falha minha!  Eu estava distraído.” Não, meus amigos, seria uma vida frágil demais para ser tudo o que a inteligência suprema teria para nos oferecer. Afinal, a minha única culpa era estar passando pelo local naquela hora! Não; recuso-me a admitir que tudo seja tão simplista. Até aceito que o episódio fizesse parte de um plano de resgate. Mas que eu desaparecesse para sempre, não consigo aceitar.

Resumindo, a oração mais sábia é aquela que roga a Deus para que nos dê discernimento, sabedoria, aceitação e força para suportar a dificuldade. Em vez de uma cruz leve, devemos pedir ombros fortes.

Jornal O Clarim julho 2019

 

Espiritistas más o menos

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Caminos que llevan el hombre al Espiritismo

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Son múltiples los motivos que impulsan el ser humano a buscar nuestra doctrina. Algunos de ellos: curiosidad, sufrimiento, vacío existencial, respuestas para dudas, confusión mental con perturbación espiritual etc.

Somos un país de tradición católica, con crecimiento del protestantismo. Son las religiones predominantes estos días, pero no pueden ser consideradas oficiales, hasta mismo por regimiento constitucional. Hay adeptos de todas las doctrinas, como las afrobrasileñas y las orientales de diversos segmentos (budismo, xintoísmo, hinduismo, judaísmo, mesiánica, Seicho-no-Ie, islamismo, umbanda, candomblé etc.).

La claridad singular del Espiritismo, sin embargo, siempre provoca curiosidad en los que buscan respuestas y soluciones para sus cuestionamientos y problemas. Una prueba de eso es que los medios de comunicación no pierden oportunidades de explotar el tema. Buscan no envolverse o tomar partido, pero llenan sus espacios con noticias, películas, debates etc., confiados en la audiencia y en el interés popular.

Los desinformados imaginan que después de ser religiosos tibios en sus creencias, lograrán soluciones inmediatas para sus problemas si van a un centro espiritista, ignorando que la salvación y el milagro no viven allí. Lo que podrán encontrar en una institución seria, donde se estudia el Evangelio del Cristo según la interpretación de los Espíritus y del propio Codificador, Allan Kardec, son orientaciones seguras para aprender a administrar sus vidas. Nada más precioso para el ser humano que la oportunidad de nueva existencia en la Tierra para probar de nuevo lo que se quedó mal resuelto en su pasado espiritual. Y quien no cree en reencarnación tendrá que pasar a creer o seguirá sin entender nada. Con la creencia de la vida única nada puede ser explicado. Todo es injusticia.

Sabemos que hay personas encantadas con sus religiones y que no admiten la idea de cambiar para otra. Creen que su iglesia detiene toda la verdad, a pesar de eso no se reflejar en sus vidas, porque sus problemas perduran sin solución. Temen ser castigados por Dios como desertores. Pues que continúen con sus misas o en sus cultos, sin estar impedidos de aclararse.

Cuando Kardec lanzó El Evangelio Según el Espiritismo, en 1864, los Espíritus le dijeron que llegara el momento de presentar el Espiritismo como la única doctrina genuinamente humana y divina. Sería la religión que asesoraría todas las otras que si dispusiesen a estudiarla sin prejuicios o malas intenciones.

Se pone claro, por lo tanto, que nada impide que un católico estudie El Libro de los Espíritus, El Libro de los Médiums, El Cielo y el Infierno, El Génesis, Lo que es el Espiritismo etc., cuando no entiende por qué los humanos tienen suertes tan distintas, a pesar de hijos del mismo Dios misericordioso, ya que van a vivir una única vida. Irá a sorprenderse con la lógica y a claridad del trabajo de Kardec cuando habló con los mentores de la Espiritualidad Superior. Y después de estudiar, de preferencia con un grupo en el centro espiritista, donde puede aclarar sus dudas, vuelva hacia su misa, su culto, ore mucho, haga promesas, cante y baile, mientras necesitar esas prácticas. Verá que cuando empiece a perdonar, practicar caridad, además de la limosna y del diezmo, todo empieza a transformarse. Verá la importancia de ser solidario e indulgente y los rituales perderán su importancia.

Conviene recordar el texto que sigue, intitulado “Un homenaje — profético — a Allan Kardec” incluido en nuestro libro Puntos de Vista, de la Casa Editora O Clarín:

***

El Courrier de Paris de 11 de junio de 1857, pocos días tras el lanzamiento de la primera edición de El Libro de los Espíritus, divulga materia sobre el hecho.

El diario informa que había sido publicada obra debieras notable, incluso curiosa, si no hubiese en ella cosas interesantes que no podrían ser consideradas banales: “El Libro de los Espíritus, escribe, es página nueva en el propio grande libro del infinito y, estamos persuadidos, una marca será posta en esa página.”

Declara el editor, Sr. Du Chalard, que no conoce el autor, pero que alguien que escribió tal prefacio debe tener el alma abierta a todos los sentimientos nobles. Afirma, aún, que jamás hizo cualquier estudio sobre fenómenos sobrenaturales, aunque, vez que otra, se preguntara lo que habría en las regiones donde se decidió llamar “El Alto”.

El periodista, impresionado con la obra, no tiene duda en recomendarla. “A todos los desheredados de la Tierra, a todos cuántos marchan y que en sus caídas riegan con lágrimas el polvo de las carreteras, diremos: — Lean El Libro de los Espíritus; él os tornará más fuertes. También a los felices, que por los caminos solo encuentran aclamaciones y las sonrisas de la fortuna, diremos: — Estudiéis El Libro de los Espíritus y él os tornará mejores.”

Menciona que el trabajo es de la autoría de los Espíritus, habla de las sublimes respuestas, pero enaltece las preguntas que las provocaron. Desafía los más incrédulos a reírse cuando lean el libro en silencio y soledad.

Después del comentario, propone: “¿Usted es hombre de estudio y tienen aquella buena intención qué apenas necesita instruirse? Entonces lea el Libro Primero, que habla sobre la Doctrina Espiritista. ¿Es de aquellos que se ocupan sólo consigo mismo y nada ven además de los propios intereses? Lea las Leyes Morales. Todos los que tienen pensamientos nobles de corazón, lean el libro de la primera a la última página. A los que encuentren materia para chistes, nuestra lamentación.”

En el título, dijimos tratarse de un homenaje profético. Aquel instante, el periodista vislumbró la carretera de luz que se abría con las revelaciones y solo alguien igualmente con gran sensibilidad podría percibir la connotación divina que el libro presentaba. Entre los espiritistas, mismo ya habiendo convivido con estas noticias desde más de ciento sesenta años, hay pocos con las convicciones del editor francés que, de pronto, percibió la llegada del Consolador.

***

Si usted deja y quiera, el Espiritismo puede hacer mucho por usted. Y si un día despertar para la lógica del pensamiento espiritista, abrace la doctrina por entero, trabaje con ella y por ella. Recuerde que en ella todo se hace sin pago. Ningún centavo le será cobrado por la participación en los estudios y tareas. ¡Cómo en las escuelas tradicionales, después de estudiar lo básico precisamos de la enseñanza superior y de las posgraduaciones! Aproveche. No se sabe cuándo va a tener nueva oportunidad. ¡Suerte!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julio 2019

 

Espíritas mais ou menos

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RIE_07_2019

Caminhos que levam o homem ao Espiritismo

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

São múltiplos os motivos que impulsionam o ser humano a buscar a nossa doutrina. Alguns deles: curiosidade, sofrimento, vazio existencial, respostas para dúvidas, confusão mental com perturbação espiritual etc.

Somos um país de tradição católica, com crescimento do protestantismo. São as religiões predominantes nestes dias, mas não podem ser consideradas oficiais, até mesmo por regimento constitucional. Há adeptos de todas as doutrinas, como as afro-brasileiras e as orientais de diversos segmentos (budismo, xintoísmo, hinduísmo, judaísmo, messiânica, Seicho-No-Ie, islamismo, umbanda, candomblé etc.).

A clareza singular do Espiritismo, contudo, sempre provoca curiosidade nos que buscam respostas e soluções para seus questionamentos e problemas. Uma prova disso é que a mídia não perde oportunidades de explorar o tema. Procura não se envolver ou tomar partido, mas enche seus espaços com notícias, filmes, debates etc., confiante na audiência e no interesse popular.

Os desinformados imaginam que depois de serem religiosos mornos em suas crenças, obterão soluções imediatas para seus problemas indo a um centro espírita, ignorando que a salvação e o milagre não moram ali. O que poderão encontrar numa instituição séria, onde se estuda o Evangelho do Cristo segundo a interpretação dos Espíritos e do próprio Codificador, Allan Kardec, são orientações seguras para aprenderem a administrar suas vidas. Nada mais precioso para o ser humano que a oportunidade de nova existência na Terra para reaprender o que ficou mal resolvido em seu passado espiritual. E quem não acredita em reencarnação terá de acreditar, porque senão continuará sem entender nada. Com a crença da vida única nada pode ser explicado. Tudo é injustiça.

Sabemos que há pessoas encantadas com suas religiões e que não admitem a ideia de mudar para outra. Creem que sua igreja detém toda a verdade, apesar de isso não se refletir em suas vidas, porque seus problemas perduram sem solução. Temem ser castigados por Deus como desertores. Pois que continuem nas suas missas ou nos seus cultos, sem ficar impedidos de se esclarecerem.

Quando Kardec lançou O Evangelho Segundo o Espiritismo, em 1864, os Espíritos lhe disseram que chegara o momento de apresentar o Espiritismo como a única doutrina genuinamente humana e divina. Seria a religião que assessoraria todas as outras que se dispusessem a estudá-la sem preconceitos ou más intenções.

Fica claro, portanto, que nada impede que um católico estude O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno, A Gênese, O que é o Espiritismo etc., quando não entende por que os humanos têm sortes tão diferentes, apesar de filhos do mesmo Deus misericordioso, se vão viver uma única vida. Irá surpreender-se com a lógica e a clareza do trabalho de Kardec quando conversou com os mentores da Espiritualidade Superior. E depois de estudar, de preferência com um grupo no centro espírita, onde pode aclarar suas dúvidas, vá para a sua missa, o seu culto, ore bastante, faça promessas, cante e dance, enquanto necessitar dessas práticas. Verá que quando começar a perdoar, praticar caridade, além da esmola e do dízimo, tudo começa a transformar-se. Verá a importância de ser solidário e indulgente e os rituais perderão importância.

Convém recordar o texto que segue, intitulado “Uma homenagem — profética — a Allan Kardec” e incluído em nosso livro Pontos de Vista, da Casa Editora O Clarim:

***

O Courrier de Paris de 11 de junho de 1857, poucos dias após o lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos, divulga matéria sobre o fato.

O jornal informa que havia sido publicada obra deveras notável, até mesmo curiosa, se não houvesse nela coisas interessantes que não poderiam ser consideradas banais: “O Livro dos Espíritos, escreve, é página nova no próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nessa página.”

Declara o editor, Sr. Du Chalard, que não conhece o autor, mas que alguém que escreveu tal prefácio deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres. Afirma, ainda, que jamais fez qualquer estudo sobre fenômenos sobrenaturais, embora, vez que outra, se perguntasse o que haveria nas regiões onde se convencionou chamar “O Alto”.

O jornalista, impressionado com a obra, não tem dúvida em recomendá-la. “A todos os deserdados da Terra, a todos quantos marcham e que nas suas quedas regam com lágrimas o pó das estradas, diremos: — Lede O Livro dos Espíritos; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, que pelos caminhos só encontram aclamações e os sorrisos da fortuna, diremos: — Estudai O Livro dos Espíritos e ele vos tornará melhores.”

Menciona que o trabalho é da autoria dos Espíritos, fala das sublimes respostas, mas enaltece as perguntas que as provocaram. Desafia os mais incrédulos a rirem quando lerem o livro em silêncio e solidão.

Após o comentário, propõe: “O senhor é homem de estudo e têm aquela boa-fé que apenas necessita instruir-se? Então leia o Livro Primeiro, que fala sobre a Doutrina Espírita. É dos que se ocupam apenas consigo mesmo e nada enxergam além dos próprios interesses? Leia as Leis Morais. Todos os que têm pensamentos nobres de coração, leiam o livro da primeira à última página. Aos que encontrarem matéria para zombaria, o nosso lamento.”

No título, dissemos tratar-se de uma homenagem profética. Naquele instante, o jornalista vislumbrou a estrada de luz que se abria com as revelações e só alguém igualmente com grande sensibilidade poderia perceber a conotação divina que o livro apresentava. Entre os espíritas, mesmo já tendo convivido com tais notícias há mais de cento e sessenta anos, há poucos com as convicções do editor francês que, de pronto, percebeu a chegada do Consolador.

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Se você deixar e quiser, o Espiritismo pode fazer muito por você. E se um dia despertar para a lógica do pensamento espírita, abrace a doutrina por inteiro, trabalhe com ela e por ela. Lembre-se que nela tudo se faz de graça. Nenhum centavo lhe será cobrado pela participação nos estudos e tarefas. Como nas escolas tradicionais, depois de estudar o básico precisamos do ensino superior e das pós-graduações! Aproveite. Não se sabe quando terá nova oportunidade. Boa sorte!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2019