RIE_07_2019

Caminhos que levam o homem ao Espiritismo

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

São múltiplos os motivos que impulsionam o ser humano a buscar a nossa doutrina. Alguns deles: curiosidade, sofrimento, vazio existencial, respostas para dúvidas, confusão mental com perturbação espiritual etc.

Somos um país de tradição católica, com crescimento do protestantismo. São as religiões predominantes nestes dias, mas não podem ser consideradas oficiais, até mesmo por regimento constitucional. Há adeptos de todas as doutrinas, como as afro-brasileiras e as orientais de diversos segmentos (budismo, xintoísmo, hinduísmo, judaísmo, messiânica, Seicho-No-Ie, islamismo, umbanda, candomblé etc.).

A clareza singular do Espiritismo, contudo, sempre provoca curiosidade nos que buscam respostas e soluções para seus questionamentos e problemas. Uma prova disso é que a mídia não perde oportunidades de explorar o tema. Procura não se envolver ou tomar partido, mas enche seus espaços com notícias, filmes, debates etc., confiante na audiência e no interesse popular.

Os desinformados imaginam que depois de serem religiosos mornos em suas crenças, obterão soluções imediatas para seus problemas indo a um centro espírita, ignorando que a salvação e o milagre não moram ali. O que poderão encontrar numa instituição séria, onde se estuda o Evangelho do Cristo segundo a interpretação dos Espíritos e do próprio Codificador, Allan Kardec, são orientações seguras para aprenderem a administrar suas vidas. Nada mais precioso para o ser humano que a oportunidade de nova existência na Terra para reaprender o que ficou mal resolvido em seu passado espiritual. E quem não acredita em reencarnação terá de acreditar, porque senão continuará sem entender nada. Com a crença da vida única nada pode ser explicado. Tudo é injustiça.

Sabemos que há pessoas encantadas com suas religiões e que não admitem a ideia de mudar para outra. Creem que sua igreja detém toda a verdade, apesar de isso não se refletir em suas vidas, porque seus problemas perduram sem solução. Temem ser castigados por Deus como desertores. Pois que continuem nas suas missas ou nos seus cultos, sem ficar impedidos de se esclarecerem.

Quando Kardec lançou O Evangelho Segundo o Espiritismo, em 1864, os Espíritos lhe disseram que chegara o momento de apresentar o Espiritismo como a única doutrina genuinamente humana e divina. Seria a religião que assessoraria todas as outras que se dispusessem a estudá-la sem preconceitos ou más intenções.

Fica claro, portanto, que nada impede que um católico estude O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno, A Gênese, O que é o Espiritismo etc., quando não entende por que os humanos têm sortes tão diferentes, apesar de filhos do mesmo Deus misericordioso, se vão viver uma única vida. Irá surpreender-se com a lógica e a clareza do trabalho de Kardec quando conversou com os mentores da Espiritualidade Superior. E depois de estudar, de preferência com um grupo no centro espírita, onde pode aclarar suas dúvidas, vá para a sua missa, o seu culto, ore bastante, faça promessas, cante e dance, enquanto necessitar dessas práticas. Verá que quando começar a perdoar, praticar caridade, além da esmola e do dízimo, tudo começa a transformar-se. Verá a importância de ser solidário e indulgente e os rituais perderão importância.

Convém recordar o texto que segue, intitulado “Uma homenagem — profética — a Allan Kardec” e incluído em nosso livro Pontos de Vista, da Casa Editora O Clarim:

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O Courrier de Paris de 11 de junho de 1857, poucos dias após o lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos, divulga matéria sobre o fato.

O jornal informa que havia sido publicada obra deveras notável, até mesmo curiosa, se não houvesse nela coisas interessantes que não poderiam ser consideradas banais: “O Livro dos Espíritos, escreve, é página nova no próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nessa página.”

Declara o editor, Sr. Du Chalard, que não conhece o autor, mas que alguém que escreveu tal prefácio deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres. Afirma, ainda, que jamais fez qualquer estudo sobre fenômenos sobrenaturais, embora, vez que outra, se perguntasse o que haveria nas regiões onde se convencionou chamar “O Alto”.

O jornalista, impressionado com a obra, não tem dúvida em recomendá-la. “A todos os deserdados da Terra, a todos quantos marcham e que nas suas quedas regam com lágrimas o pó das estradas, diremos: — Lede O Livro dos Espíritos; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, que pelos caminhos só encontram aclamações e os sorrisos da fortuna, diremos: — Estudai O Livro dos Espíritos e ele vos tornará melhores.”

Menciona que o trabalho é da autoria dos Espíritos, fala das sublimes respostas, mas enaltece as perguntas que as provocaram. Desafia os mais incrédulos a rirem quando lerem o livro em silêncio e solidão.

Após o comentário, propõe: “O senhor é homem de estudo e têm aquela boa-fé que apenas necessita instruir-se? Então leia o Livro Primeiro, que fala sobre a Doutrina Espírita. É dos que se ocupam apenas consigo mesmo e nada enxergam além dos próprios interesses? Leia as Leis Morais. Todos os que têm pensamentos nobres de coração, leiam o livro da primeira à última página. Aos que encontrarem matéria para zombaria, o nosso lamento.”

No título, dissemos tratar-se de uma homenagem profética. Naquele instante, o jornalista vislumbrou a estrada de luz que se abria com as revelações e só alguém igualmente com grande sensibilidade poderia perceber a conotação divina que o livro apresentava. Entre os espíritas, mesmo já tendo convivido com tais notícias há mais de cento e sessenta anos, há poucos com as convicções do editor francês que, de pronto, percebeu a chegada do Consolador.

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Se você deixar e quiser, o Espiritismo pode fazer muito por você. E se um dia despertar para a lógica do pensamento espírita, abrace a doutrina por inteiro, trabalhe com ela e por ela. Lembre-se que nela tudo se faz de graça. Nenhum centavo lhe será cobrado pela participação nos estudos e tarefas. Como nas escolas tradicionais, depois de estudar o básico precisamos do ensino superior e das pós-graduações! Aproveite. Não se sabe quando terá nova oportunidade. Boa sorte!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho 2019