Octávio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

Quando estamos atentos, aprendemos com qualquer pessoa, em qualquer situação, num anúncio de propaganda ou numa canção inspirada.

Lá pelos anos 1980, assistia eu a uma reportagem na TV Cultura de São Paulo quando um repórter entrevistava moradores de rua da nossa cidade. Dirigiu-se a um deles que estava sentado numa mureta, bem vestido, calça social e camisa branca, e lhe perguntou as razões de viver na rua. Após explicar, entre lamentos e prazeres, o repórter apontou um travesti de short, imundo, que tirava comida do lixo. – E aí, o que você pensa sobre aquele irmão? – Que ele está errado e afrontando sua própria dignidade, respondeu; ele deveria tirar do lixo algo para vender e comprar o alimento. Mas ele não sabe. Só sabe viver assim.

Após mais alguns comentários, o profissional indagou: – E o senhor acha que ainda assim vale à pena viver? O homem soltou sonora gargalhada e saiu com esta: – Não é questão de valer à pena, meu caro. O senhor tem que viver porque a vida que o senhor tem não pertence ao senhor! Decretava que sabia da nossa imortalidade como espíritos da qual não escapamos nem pelo suicídio porque o espírito é imortal. O repórter surpreso lhe perguntou: – Onde o senhor aprendeu essas coisas. E ele, estufando o peito envaidecido, respondeu: – Sou autodidata. E prosseguiu: – Se esses magnatas do mundo, fazedores de guerra, soubessem a verdade não ficariam semeando cadáveres na atmosfera, poluindo os ares. Mas eles são ignorantes; não conhecem a Lei Maior…

Em outra oportunidade, conversando com uma pessoa simples, de poucas letras, falávamos dos problemas do mundo e ele questionou sobre Deus. – Por que tanto sofrimento e tanta desigualdade no mundo? Disse-lhe que Deus nos criou, todos igualmente, como espíritos sem nenhum conhecimento e nós fazemos o aprendizado nascendo muitas vezes em mundos materiais, quando vamos crescendo pelo conserto do que fizemos de errado e colhendo bons frutos de nossos acertos. Mas a partir do momento que ele nos criou vamos viver para sempre. Surpreendi-me quando ele se voltou para mim e disse: – Então quer dizer que eu já estou na vida eterna?

No nosso convívio com o próximo o aprendizado e constante. Ora ensinamos, ora aprendemos, mas não há contato inútil. Importante é que estejamos atentos para os sinais que são enviados por Deus, servindo-se do próximo, da mídia, do cartaz, da canção, do inusitado ou do trivial. Isso vale para a rua, a escola, o lar, a igreja ou o local de trabalho. Cada segundo vivido é uma aula para o entendimento da vida. Prestemos atenção para não perder a lição.

Se você está de acordo com o que afirmamos, imagine o que podemos aprender com o Evangelho de Jesus. E nós, os espíritas, quando temos essas lições explicadas por Kardec e pelos Espíritos! “Espíritas, uni-vos; espíritas, instrui-vos.” E como ensinou o Cristo, “conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres.”

Jornal O Clarim – agosto 2019

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