Octavio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

Assuntos do cotidiano do movimento espírita.

01 – O que podemos entender por um centro espírita de “mesa branca”?

A expressão mesa branca é usada por quem não tem ideia do que é o Espiritismo. A mesa no Centro é só para acomodar os participantes, palestrantes, médiuns. Pode nem existir. Essa confusão é feita pelos que imaginam que Umbanda, Candomblé, etc., sejam um tipo de baixo espiritismo, o que não é verdade. Até o dicionário do Sr. Aurélio define o Espiritismo de maneira incompleta. Diz que é a doutrina que acredita na continuidade da vida e da comunicação entre vivos e mortos pela mediunidade. No entanto, a sua maior meta é a transformação moral do ser humano.

02 – Existe algum espírita que não seja Kardecista?

Não. Espírita e kardecista são sinônimos. São os que estudam, seguem e praticam no dia a dia a Doutrina dos Espíritos, organizada por Allan Kardec, que teve seu marco com o lançamento de O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857, ocasião em que criou também as palavras Espírita e Espiritismo, porque Espiritualista e Espiritualismo já estavam sobrecarregados. Espiritualistas são todos os que não são materialistas. Católicos, protestantes, budistas, hindus e todos os religiosos são espiritualistas. Inclusive nós que somos espiritualistas espíritas.

03 – Qual a sua opinião sobre os chamados “espíritas progressistas”?

Como em todos os movimentos, sejam políticos, sociais ou religiosos, há os pretensiosos renovadores que pretendem saber mais do que os outros. O Espiritismo não escapa dessa regra e por isso vemos confrades querendo reformar até o Livro dos Espíritos dizendo-o superado e necessitando atualização. São como outros religiosos que conhecem de cor cada capítulo e versículo da Bíblia, mas que não confirmam esse conhecimento com a sabedoria da vivência. Na Terra, já dizia Herculano Pires, não há Mestres em Espiritismo. Somos todos aprendizes. Fiquemos com Kardec que por ora é só o que nos compete. E para entendê-lo por inteiro ainda nos falta muito.

04 – Qual a importância do estudo na casa espírita?

Na introdução de O Livro dos Espíritos Allan Kardec adverte que se são precisos muitos anos para formam médicos, advogados e engenheiros que cometem falhas, quantos anos imaginamos que devemos estudar para aprender a ciência do infinito. O Estudo do Espiritismo é tarefa para muitas encarnações, falando só do básico, e não tarefa para um ou dois dias de uma hora por semana, quando geralmente ouvimos a palestra sem a devida atenção. Centro espírita onde não se estuda é mero clube que reúne simpatizantes do Espiritismo. Só o estudo nos conduz à Verdade que liberta.

05 – Quais atividades não podem faltar no centro espírita?

A primeira e fundamental é o estudo regular da doutrina dos espíritos. Ela pode ser complementada com o atendimento fraterno, que ouve as pessoas para orientá-las como superar suas dores, a aplicação de passes, como recurso para melhorar sua energia e, quando possível, reuniões mediúnicas para desobsessão ou voltadas para a espiritualidade deixando a cargo dos espíritos o convite às entidades que devam ser trazidas para doutrinação e esclarecimento.

06 – O que significa educar a mediunidade?

Quando a pessoa sente desconforto psíquico, deve procurar um tratamento num Centro, imaginando que se trate de alguma perturbação espiritual. Caso o problema persista, é possível que a pessoa tenha tarefas no campo mediúnico por compromissos assumidos antes de encarnar e essa mediunidade precisa ser disciplinada com a participação em um grupo sério onde haja uma equipe capacitada a orientá-la. Isso demandará entrega total, disciplina com o compromisso assumido porque vai participar de um trabalho que envolve a espiritualidade que fará programações com base na sua participação responsável. Só assuma se estiver disposta.

07 – Todo aquele que crê na reencarnação pode considerar-se espírita?

Não. Até o ano 500 todas as pessoas religiosas eram reencarnacionistas. Espera-se que muito em breve também católicos e protestantes voltem a sê-lo, mesmo sem abandonar a sua religião. Convém mencionar que a grande maioria, mesmo sem ser declaradamente espírita, crê na continuidade da alma e em outras vidas. Mas não basta crer na reencarnação para ser espírita. “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelo esforço que emprega para combater suas más inclinações.” Por isso Kardec não prometeu a salvação pelo Espiritismo, mas pela caridade, independentemente de religião.

08 – Ir ao centro espírita é garantia de que dias melhores virão?

Não. Sem que isso seja acompanhado da modificação moral e de conduta, não adianta ir a qualquer tipo de igreja. O que nos modifica não é o lugar; são as ações. O Centro espírita é onde ouvimos o Evangelho de Jesus de maneira mais objetiva para aplicá-lo em nossa vida. Mas sem vivenciá-lo o lugar de nada serve. Isso vale para qualquer religião.

09 – O que a doutrina espírita fala sobre a mediunidade de cura?

Convém entender que é o homem quem se cura como é ele também quem se adoece, pelos desequilíbrios. A alma enferma adoece o corpo. Há horas que estamos enfraquecidos e podemos receber da espiritualidade ajuda fluídica para fortalecer-nos temporariamente. O conhecido passe e as vibrações. Mas a cura verdadeira é tarefa nossa, mesmo porque o que importa é a cura espiritual e não apenas a do corpo e isso leva em conta resgates e merecimentos. Para o corpo Deus criou os médicos e os remédios, a par das tecnologias, a cada dia mais avançadas.

10 – Como o espiritismo pode conviver com outras religiões?

Com harmonia e respeito. E as outras religiões, se não tiverem preconceitos, poderão se beneficiar do conhecimento espírita, incorporando-os à sua doutrina para complementá-la e aprimorá-la, sem precisar mudar de igreja. Conheça. Se não concordar, descarte e siga em frente. Se a lição fizer sentido incorpore-a ao seu conhecimento e viva-a. Fiquem com Deus.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto de 2019

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