Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á. Qual o homem, dentre vós, que dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? – Ou, se pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? – Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dê os bens verdadeiros aos que lhos pedirem?” (S. MATEUS, cap. VII, vv. 7 a 11.).

 

O Mestre Rabi concita-nos ao trabalho, mostrando-nos a utilidade que a criatura humana possui na Obra Universal. Temos a nossa disposição os meios de evoluir através do trabalho e dos recursos intelectuais. Mesmos aqueles de nós que não possuímos meios de consegui-los, temos naqueles de nossos semelhantes que o podem o contributo para nos ajudar. Sempre existirá a troca. Sempre possuiremos algo para contribuir e recebermos. Ninguém é tão autossuficiente que possua em si todas as capacidades e que não necessite do seu semelhante.

A Lei do Trabalho é estudada em O Livro dos Espíritos, questões 647 a 685. O trabalho não está vinculado somente ao que podemos realizar tendo como resultado algo financeiro. É todo contributo para a sociedade e que nos ajude a desenvolver intelecto-moralmente. Tendo como limite, o das nossas forças, Deus nos deixa livres para exercermos a nossa capacidade laborativa, tendo na velhice o necessário e merecido repouso.

Os bens materiais representam o meio pelo qual nos aperfeiçoamos. Constitui o veículo, não o objetivo principal. Tanto que ao desencarnarmos, não importando a religião que tenhamos abraçado, temos a certeza que deixaremos tudo ao partir. Dependendo de algumas, poderemos barganhar a entrada no “paraíso” em troca de bens materiais, mas o pagamento é feito antecipado e não se tem garantia do recebimento. Tanto, que as nossas reuniões mediúnicas recebem os cobradores destas promessas, que não foram feitas por nós, mas só encontram em nós portas abertas a ouvir os seus lamentos.

Mas será que esta passagem enquadra-se somente com relação à Lei do Trabalho e a aquisição dos bens materiais? De forma alguma. Ajuda-nos a reflexionar sobre o valor da vida e de como estamos nos esforçando para alcançar os objetivos anteriormente traçados. De que forma estamos agindo em prol da nossa evolução espiritual e como estamos contribuindo para a construção de um todo uníssono rumo à perfeição que solicitamos.

Ao reencarnarmos, temos uma programação individual, mas também, contribuímos com a programação cósmica. O Planeta segue o seu próprio processo evolutivo e necessita do nosso contributo. Além do processo individual, das demandas que podemos realizar na sociedade, também somos agentes multiplicadores quando ascendemos na sociedade e assumimos cargos de direção. E nunca estaremos sozinhos nesta empreitada:

“Pedi à luz que vos clareie o caminho e ela vos será dada; pedi forças para resistirdes ao mal e as tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos e eles virão acompanhar-vos e, como o anjo de Tobias, vos guiarão; pedi bons conselhos e eles não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta e ela se vos abrirá; mas, pedi sinceramente, com fé, confiança e fervor; apresentai-vos  com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças e as quedas que derdes serão o castigo do vosso orgulho.”[1]

A questão maior é que desejamos que os nossos problemas sejam solucionados de forma rápida e da maneira que gostaríamos e nem sempre é o melhor para nós. O convite que nos é feito através desta passagem é o da renovação íntima através de uma proposta de entendimento da vida. Com maior segurança dos passos e certeza de um porvir de ventura e consolação.

Somos filhos bem amados do Pai. Todos nós sem exceção. Por isso, não estamos jogados ao acaso, vivenciamos hoje as consequências do que plantamos no passado. Assim sendo, quando não nos é possível modificar a situação material, modifiquemos a situação psíquica. A maneira pela qual enxergamos o que está acontecendo. É o que psicologia chama: olhar sob outro prisma.

Assim, teremos ganhado o aprendizado e possuiremos mais um tijolo na construção da criatura nova de se reconstrói em nós mesmos. Utilizando das experiências para poder ultrapassar os limites impostos por nós mesmos, iremos nos ajudando, ajudando na compreensão da verdade. Chegando ao cume da montanha interior do conhecimento.

São processos graduais de entendimento que solidificam-se com o passar do tempo. Que a experiência mostra que mais teremos forças diante as intempéries quanto mais nos ajudarmos, buscando forças em nós mesmos. Sabendo quem é e reconhecendo em nós as nossas próprias forças. Somos mais capazes do que imaginamos. Precisamos acreditar mais em nós mesmos. Ajudando-nos mais, para podermos nos vincular espiritualmente com a ajuda que vem do alto.

Tribuna Espírita – junho/julho 2019

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXV, item 5

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