Octávio Caumo Serrano 

As promessas não param, mas a humanidade não se salva. Por quê?

Há 1500 anos a lei da reencarnação foi banida dos dogmas católicos. O Concílio de Constantinopla – ANO: 553 D.C., acabou com ela. Saiba mais da história da mulher do Imperador Justiniano:

Teodora era a filha do domador de ursos da cidade. Desde cedo fez grande carreira como cortesã e conseguiu que o Imperador se apaixonasse perdidamente por ela. Quando se tornou Imperatriz, mandou executar quinhentas de suas antigas companheiras, entre escravas, prostitutas e sacerdotisas pagãs, para eliminar testemunhas sobre sua vida.

Extremamente cruel, Teodora, quando aprendeu a doutrina essência, ficou com muito medo de reencarnar como uma escrava negra e ordenou a Justiniano que revisse os códigos canônicos “para que aquilo nunca pudesse ocorrer”. Depois de um concílio faccioso, votou-se que a versão oficial da Igreja seria a Helenista, baseando-se em conceitos de “Céu” e “Inferno”, adaptados  do Hades e Olimpo, para o catolicismo, com uma diferença: pela imposição de Teodora, não haveria “reencarnação”.
Dessa forma, acreditavam que seria possível simplesmente finalizar o que quer que você tenha feito na Terra e subir aos céus se tivesse os contatos certos (daí surge a doutrina das indulgências). Um “quebra galho” do tipo “jeitinho brasileiro” que permanece até hoje. Ou seja, as religiões nos ensinam mentiras há muito tempo.

A mulher confiava que o marido tinha poder para revogar as leis de Deus com decretos e é o que as pessoas seguem pensando ainda hoje. Dizem-nos que basta ter fé, orar, frequentar os templos, oferecer dotes materiais para que o Senhor da Vida nos perdoe e abrande as nossas culpas. E vivemos todos buscando um Salvador sem perceber que para encontrá-lo basta olhar-se no espelho. Cada um é o único que pode salvar a si próprio. Os outros podem servir de estímulo, de orientadores para ajudar-nos na difícil tarefa; mas a decisão final é nossa. Se não quisermos ninguém consegue por nós. Recordando frase dos espíritos, “Deus que te criou sem o teu conhecimento não poderá salvar-te sem a tua colaboração”.

O tempo passou e a Igreja não teve coragem de restabelecer a verdade da Reencarnação, deixando-nos iludidos que com mera confissão e comunhão seríamos perdoados e anistiados das faltas. Reze, faça promessas, romarias, penitências e acenda velas que tudo se resolve. Vá à sua igreja uma vez por semana e quitará suas faltas. Atrasou por 1.500 anos o progresso do cristianismo que só agora, com o Espiritismo, volta a pensar e ser dono do raciocínio.

É tão mentira quanto à lenda de Adão e Eva que a própria Bíblia enuncia e desmente. Menciona logo no primeiro livro, “Genesis” 2:7, que Deus fez o primeiro homem do pó e o soprou para dar-lhe  vida e de uma costela sua fez Eva, a única mulher, com quem teve inicialmente dois filhos, Caim e Abel, e que depois desmente quando diz que Caim, após matar Abel,  deixou sua parentela, ”Genesis” 8:16/17, e seguintes, quando ele foi para longe, na terra de Node, onde casou-se e teve um filho, Enoque, e fundou uma cidade, muito distante do Jardim do Éden. Quem era essa mulher que se casou com Caim, se só existiam Adão, Eva, Caim, Abel e depois Sete (terceiro filho de Adão e Eva)? E se Eva era a única mulher do mundo feita da costela de Adão? Tá faltando capítulo nessa novela! E não me venham com aquela conversa de fé, porque fé que afronta o raciocínio não mais funciona nestes tempos.

Isso é o mesmo que acreditar que religiosos que vivem vida contemplativa, apenas em orações, tenham alguma utilidade. Em nada contribuem; nem mesmo para sua própria manutenção, já que não produzem seu alimento, sua vestimenta ou qualquer bem necessário à vida na Terra. São acomodados exploradores da sociedade. Não pode haver nisso qualquer mérito. Bom senso é o que nos falta para analisar até as escrituras que, apesar de rotuladas como sagradas, contém uma porção de tolices e inverdades. Orar e vigiar, também neste caso, foi a recomendação de Jesus. E não me digam que o que afirmo é uma heresia. Deem-me o direito à lucidez.

Continuo acreditando no que disse Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega a Deus a não ser por mim”. Mas sei que devo caminhar com meus próprios pés! Muitos estão esperando a volta do Cristo porque são cegos e não percebem que Ele nunca nos deixou. Seu Evangelho, o Sermão da Montanha e demais lições são o grande atestado da sua permanente presença entre nós. Obrigado, Senhor por me permitir ver tudo com esta clareza!

Tribuna Espírita – maio/junho 2019

 

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