O tema é reencarnação            Octavio Caumo Serrano

Você acredita na reencarnação? Alguém me perguntou… Não! Não acredito porque não preciso. Eu a vejo e compreendo quando observo as pessoas.

Não cremos na maioria das coisas porque as vemos, mas porque as sentimos ou compreendemos. Assim é, por exemplo, com o ar ou a eletricidade. Existem e basta! Como disse Jesus a Nicodemos. “Falo das coisas da Terra e você não entende; que será quando eu começar a falar das coisas do Céu!”

Mesmo quando não vemos, o bom senso, se é que o temos, nos mostra uma realidade que as palavras não explicam, mas que por dedução inteligente nós a constatamos. Com a reencarnação acontece assim. Embora haja muitos relatos de pessoas, especialmente crianças, que contam fatos de suas vidas anteriores, citando nomes, datas e fatos comprovados por testemunhas ou documentos, nem isso é necessário porque a ideia circula em nossa mente, independentemente de crença religiosa. É intuitiva porque já foi vivida e faz parte das experiências estocadas na alma. Mesmo os que afirmam que ninguém voltou para contar, usam argumento inconsistente. De que forma gostariam que voltassem? Como humanos ou fantasmas?

Certa vez, quando eu tinha casa de campo no município de Mairiporã, São Paulo, visitei um vizinho que havia conhecido um centro espírita e se encantara com as lições do Evangelho explicadas por Kardec. A esposa, de outra doutrina cristã, bem radical, se dirige a mim e argumenta: – Viu as ideias que o seu amigo está tendo, Octávio? Agora só fala de reencarnação. – Você acredita “nessas coisas”, Octávio? Respondi: – Eu não, ao que ela aduziu, eu também não.

Após pequena pausa, voltei ao assunto e argumentei: – Mas, sabe, minha amiga. Uma coisa que me intriga é, por exemplo: – Você crê em Deus. – Sim, claro. – E como é o seu Deus, bom ou mau? – Extremamente justo e misericordioso! – Pois aí é que eu me perco, minha cara. – Por que, então, esse Deus cria filhos tão diferentes? Ricos e pobres, sadios e aleijados, bonitos e feios, uns que morrem tão cedo e outros que ficam tão velhos, se para Ele todos deveriam ser igualmente filhos queridos? Ela me olhou, profundamente surpresa, e disse: – Sabe que eu nunca havia pensado nisso. – Eu também não, minha cara. Penso que é hora de começarmos a pensar. Embora eu já fosse espírita, inclusive palestrante, se dissesse a ela que acreditava em reencarnação seria para ela mais um desequilibrado, segundo o seu conceito.

O número dos que acreditam é muito maior do que o número de espíritas confessos que no Brasil não chegam a sete ou oito por cento da população. E os que não acreditam, mas têm dúvidas formam um percentual enorme, passando de setenta por cento. É a única explicação que leva uma organização de TV líder no Brasil e com penetração internacional expressiva a fazer um seriado falando do tema reencarnação e vidas passadas. Não fez a série para os espíritas porque não atenderia às suas necessidades de audiência. Isso me lembra muito o ditado espanhol: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay.”

Há muitos que preferem acreditar na salvação pela fé com a frequência à alguma igreja que prometa milagres. Não há local ou situação que a todos “salvem” indiscriminadamente porque seria injusto. Mais do que fé vale o merecimento. “Faz que o Céu te ajuda” é uma das célebres promessas de Jesus. Dizem os espíritos que “Deus que nos criou sem o nosso conhecimento não poderá salvar-nos sem a nossa colaboração.” Por isso, conheça a Verdade e liberte-se. Ou seja, liberte-se de si mesmo porque somos nós nosso maior algoz. Obsessor só nos derruba quando sintonizamos com suas “fake news”. Mentiras que nos adulam e iludem porque exploram nossa vaidade e desconhecimento de nossas próprias qualidades e defeitos. O Espiritismo é a doutrina da razão. Estude-o para conhecer-se e então seguirá por caminhos novos, liberto de ilusões e fantasias. Fiquem com Deus!

Tribuna Espírita – julho/agosto 19

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