Octávio Caumo Serrano

Para cada lugar e cada momento, o traje adequado.

Ninguém toma banho de mar de terno e gravata nem vestido de gala.  Para ir à praia as pessoas mais se despem do que se vestem. Vai refrescar-se, ficar ao sol para colorir a pele e quanto mais exposto o corpo mais se atingem os objetivos. No trabalho não vamos de bikini ou sunga, nem com camiseta regata ou chinelo de dedos. Vamos adequadamente compostos, como exige o cargo que ocupamos. Especialmente se lidamos com o público.

No nosso momento religioso, vamos ao templo para cuidar do espírito e não é momento nem lugar para exibicionismo ou desfile de moda. Quanto mais recatados estivermos menos chamaremos à atenção. Isso vale para qualquer religião, embora muitas não vejam a devida gravidade da exposição física sem escrúpulos. E que ninguém use a desculpa de clima quente, porque o calor é igual para todos e, nesses casos, há sempre ar e ventilação suficiente ou suportável.

Como espíritas, sabemos do mundo espiritual que povoa todos os espaços à nossa volta, e se há espíritos ajustados há os que viveram experiências de desequilíbrio sexual quando encarnados e que não modificaram seus gostos apenas porque deixaram a matéria. Resultado, quando alguém exibe sua sensualidade numa reunião desse tipo, por mais que ore e peça ajuda para a solução dos seus problemas, vai sintonizar com maníacos sexuais desencarnados, além de desviar para si a atenção dos que ali estão para ouvir sobre o Evangelho.

Por mais evoluídos que sejamos, ainda somos reféns do mundo material e olhar um corpo provocante nos desequilibra, fazendo-nos desviar dos objetivos buscados no centro. Pessoalmente, já tive que fazer uma palestra com uma jovem bem-dotada sentada na primeira fila do auditório, que portava uma mini-mini-saia e ainda teve o desplante de cruzar as pernas deixando aparente suas roupas íntimas, que quase nada cobriam. Falamos o tempo todo (45 minutos) olhando para o alto como se procurássemos o céu ou as estrelas. É do ser humano essa falta de controle; e que ninguém diga que já superou essa fase porque não cremos.

Por mais inferiores que estejamos espiritualmente, se formos a uma reunião buscar ajuda e estivermos compostos, recatados, sem chamar a atenção por excessos ou ridículos, certamente além de receber ajuda também colaboramos para não desviar o pensamento dos demais que também devem se concentrar em objetivos elevados, sem que nada os afaste. Quando colaboramos para o insucesso de alguém, colheremos em nós as nossas faltas e as que provocarmos. Não se aborreça, portanto, se o dirigente espírita ou o responsável por qualquer igreja, o censure e até o impeça de participar do culto. Ele é o representante e zelador da sua religião dentro da sua igreja. Se for omisso será cúmplice dos atos provocados pelas pessoas que compõem o seu público e responderá também por sua omissão. Isso vale também para outros vícios e defeitos, como o alcoolismo e demais drogas.  Deve tomar atitude e censurar o faltoso, sob pena de ele se retirar da reunião. Não podemos deixar que uma batata podre estrague todas as outras do mesmo saco.

Desculpem se trato deste assunto tão antipático, que muitos chamarão de careta, mas o orai e vigiai se aplica também nestes casos. Pensem nisso com carinho e racionalidade.

Jornal O Clarim – outubro 2019

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