Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

Capítulo XXI – ESE – itens 1 a 7

Jesus nos dá incansáveis exemplos de discernimento e lógica para que saibamos ver e não sermos enganados. A má árvore não pode dar bons frutos. Do homem mau, quase nada se aproveita. A não ser o exemplo para que nunca o imitemos. Com o mal também aprendemos.

Jesus nos adverte neste capítulo, ainda uma vez, que muitos espertos falarão bonito e parecerão doutos, mas não passam de lobos vestidos como cordeiros. Por isso é preciso que estejamos atentos. E só quem conhece pode ver a diferença.

Profeta palavra grega que significa médium ou intermediário.

No capítulo 24 de O Livro dos médiuns está ensinado como identificar a natureza dos Espíritos. Não creia em todos os Espíritos, mas antes vejam se são de Deus. Advertência de João Evangelista. Isto ele diz também em sua Epístola nº 1.

Mensagens de encarnados e desencarnados. Em qual acreditar mais? O encarnado, pelo menos, tem RG que o identifique e podemos vê-lo nos ambientes onde estamos. Quanto ao espírito, só nos resta conhecê-lo pelo conteúdo da mensagem, não por sua assinatura, porque a maioria de nós não tem capacidade para saber se quem fala é mesmo o espírito que se identifica ou o encarnado que está fantasiando. Se quisermos saber se a mensagem é verdadeira, basta que a examinemos à luz do Evangelho de Jesus. Venha do médium ou do Espírito. Se apenas nos adula e promete vantagens fáceis, descarte porque é falsa ou vem de um espírito impostor que deseja derrubar-nos e desencaminhar-nos do caminho do bem e do esforço que nos cabe para crescermos nesta encarnação.

Temos uma amiga, presidente de um centro em João Pessoa, que tem viajado para outro estado em socorro da filha que vive momentos difíceis. Para não se ausentar da doutrina, contou-nos que foi e vai a várias instituições onde assiste às reuniões, mas não consegue identificar ali o Espiritismo. Quando indagada por um dirigente de um desses centros se havia gostado do tema, ela respondeu, pedindo licença para usar de franqueza, que ali não viu o Espiritismo, segundo Allan Kardec. O homem argumentos que é porque ali seguem Humberto de Campos.

Noutra casa havia convocação para um evento de fim de semana quando viriam médicos da capital para fazer consultas e uma médium pictográfica que pintaria quadros que seriam vendidos (o pacote, quadro e consulta), por R$ 200,00 por pessoa. Ela, horrorizada, indagou-me se é justo um centro espírita cobrar pelo que faz e lhe respondi que não é espírita. A culpa é de quem prestigia os oportunistas por desconhecimento dos verdadeiros propósitos do Espiritismo. A doutrina veio ao mundo no tempo certo para curar almas, não corpos. Corpos se tratam com médicos ou pelos espíritos, espontaneamente, quando há utilidade e merecimento na cura do enfermo. Quando a sua cura o habilitará a trabalhos edificantes em favor da humanidade, ainda que em âmbito pequeno.

As pessoas vivem sendo enganadas porque se oferecem para que os desonestos que falam estranho e bonito possam ludibriá-las. O guia seguro é sempre o Evangelho, sem os requintes da fantasia que muitos procurar lhe dar. Confundem mediunidade com o Espiritismo e todos que se vestem de branco ou com roupas exóticas lhes parecem enviado do Céu para salvar os homens.

Diz o espírito Luiz Sérgio no livro Dois mundos tão meus, sobre a disciplina no Centro Espírita: “Quem chega numa casa espírita não imagina o trabalho dos mensageiros do Cristo. Desde o pátio inicia-se a proteção divina. Por isso as casas espíritas não devem promover festas, bingos, rifas, jantares, enfim, recreação festiva em suas dependências, pois elas são hospitais de Deus.” O centro é um local simples, limpo, ordeiro e sem requintes desnecessários. Se oferece iluminação e ventilação adequadas e assentos para acomodar seus frequentadores é suficiente. Nada de exageros, luxo, conforto em excesso, ar-condicionado, etc., que será pago por alguns para que outros, insensíveis, desfrutem. Não é um teatro, um cinema ou salão de festas. Não é um lugar para reuniões sociais, mas para divulgação doutrinária segura onde só se pede do frequentador respeito, disciplina e atenção. Não é supermercado onde se tenha por preocupação primeira a venda de produtos. Pode ter anexada uma livraria para estimular o frequentador a ler e adquirir conhecimento. Mas não como fonte de lucro e principal objetivo. Nem é lugar para excesso de cantoria, mesmo com a desculpa que são letras de cunho espírita. Como um entretenimento para os que aguardam a palestra aceita-se. Mas não como prato principal do banquete. Perdoem-me os discordantes. É a minha forma de ver e lidar com o Espiritismo. Cada minuto no centro é precioso e deve ser usado para levar conhecimento. O tempo é pequeno. Ninguém aprende sobre a doutrina indo à uma reunião de uma hora uma vez por semana. E se ainda prejudicamos esse tempo, restará muito pouco.

Em mais um período de finados, lembremos que os mortos estão vivos. Nos ajudam ou nos enganam, conforme deixamos e segundo a sua natureza. Orar e vigiar. Sempre e intensamente.

RIE – Revista Interacional de Espirtismo – novembro 2019