Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

649 Em que Consiste a adoração?” Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma.

  1. Qual o caráter geral da prece? A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele. A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir, agradecer.[1]

O capítulo final de O Evangelho Segundo o Espiritismo contém uma coletânea de preces espíritas. Embora a Doutrina Espírita nos ensine que não há fórmulas para se orar, pois o que vale é o pensamento, os Espíritos trouxeram essa coleção de preces para facilitar aos que sentem dificuldade ao fazer uma oração ou que não acreditam nas suas próprias palavras por imaginar que elas não têm força suficiente para ajudar a si mesmo ou ao próximo.

Kardec divide em cinco partes a saber: Preces Gerais (Oração Dominical, Reuniões Espíritas, Para os Médiuns), Preces por Aquele Mesmo que Ora (Aos anjos guardiães e aos Espíritos Protetores, Para Afastar os Maus Espíritos, Nas Aflições da Vida, etc), Preces por Outrem (Preces por Alguém que esteja em aflição), Preces pelos que já não são da Terra (Por Alguém que Acaba de Morrer) e Preces pelos Doentes e pelos Obsediados (Pelos Doentes e Obsediados).

Entendemos que o Mestre Lionês foi muito feliz neste trabalho, pois antes de cada sugestão de prece ele faz uma explicação orientativa sobre do que se trata cada uma delas. Ao oramos, colocamo-nos em comunhão com Deus, num movimento de adoração, não contemplativa, mas de elevação do pensamento procurando mergulhar no psiquismo da Lei Divina, pensando , aproximando e nos comunicando com Ele, podemos absorver sua mensagem. Seja através de palavras já escritas ou formuladas por nós mesmos.

No livro Boa Nova, Humberto de Campos, relata uma conversa[2] de Simão Pedro com Jesus que vem a Desaguar na Oração Dominical que conhecemos. Conta-nos Humberto de Campos que a sogra de Simão Pedro foi curada por Jesus e vendo do que ela era capaz, pediu que Pedro solicitasse a intercessão do Mestre Rabi para a solução dos problemas matérias que eles possuíam. Afinal, eles foram dos primeiros a seguirem o Mestre.

Então, aguardando oportunidade certa, Pedro questiona o Jesus: “Mestre, será que Deus nos ouve todas as orações?” É uma questão delicada. Somos seres limitados tentando compreender e traduzir as atitudes de um ser ilimitado que é Deus. De acordo com a resposta do Mestre, temos a tendência de buscarmos o mais alto e necessitamos de comungar com essa experiência. É o que ocorre quando pedimos, louvamos ou agradecemos. Buscamos a Deus através de várias formas, não obrigatoriamente de palavras ditas, recitadas ou não, mas as nossas ações e os nossos sentimentos deverão corroborar o que estamos expressando naquele momento. Então, todas as nossas orações são ouvidas, mas o atendimento é para o espírito eternos, não para a criatura que vive sob a influência das vicissitudes materiais.

Pedro não se dá por vencido, assim como nós. E pergunta: “Se Deus ouve as súplicas de todos os seres, porque tamanhas diferenças na sorte?” Neste momento, Pedro começa a si comparar e comparar sua família a de outros, da mesma maneira que fazemos algumas vezes em nossas preces. Em vez de analisarmos a nós mesmos e o que podemos fazer para nos melhorarmos e alcançarmos o nosso objetivo. Jesus nos lembra que todos pertencemos a Deus, então, todos somos seus servidores. Cada um em seu campo de atuação contribuindo para o progresso e transformando a vida em uma perfeita oração de amor. Trabalhando no bem, pelo bem, no sentido do bem para todos.

Neste diálogo que se estabeleceu, Simão Pedro procura saber “… como deveremos interpretar a oração?” O Mestre nos orienta que “em tudo deve a oração constituir o nosso recurso permanente de comunhão ininterrupta com Deus.” Nos momentos bons, nos momentos ruins. Nas horas felizes, nas horas tristes. Termos na oração a companheira diária que nos apazigua a mente, nos acalenta a alma e nos ajuda a prosseguir. Nos ajudando a termos firmeza nos passos, equilibro nos pensamentos e certeza no processo de decisão.

Estar em comunhão com Deus e com a sua Lei não significa um movimento de corpo em que nos depomos ajoelhados ou que dizemos uma quantidade de palavras, ou tão pouco práticas exteriores que não condizem com o que estamos pensando ou sentindo. Pedro acreditava que estava de acordo e que mantinha inalterada a sua comunhão com Deus. Mas mesmo assim não lograva êxito. E mais uma vez questiona Jesus do porque não conseguir.

Mas, Jesus, que conhecia a alma humana, mais do que a própria criatura humana imagina, pergunta-lhe: “E que tens pedido a Deus?” A resposta não poderia ser diferente: “Tenho implorado à sua bondade que aplaine os meus caminhos, com a solução de certos problemas materiais.” Jesus, diante desta resposta, orienta a Pedro: “… enquanto orares pedindo ao Pai a satisfação de teus desejos e caprichos, é possível que te retires da prece inquieto e desalentado. Mas, sempre que solicitares as bênçãos de Deus, a fim de compreenderes a sua vontade justa e sábia, a teu respeito, receberás pela oração os bens divinos do consolo e da paz.”

Não nos é interditado solicitar bens materiais, mas que isso não seja objeto e objetivo único de nossas vidas. A mensagem do Mestre foi para o espírito eterno. Deveremos sempre solicitar bênçãos e compreensão do que está nos acontecendo naquele momento. Muitas vezes desejamos interromper algo que está servindo como experiência. Não podemos pular etapas. É da Lei. Neste momento Simão Pedro, também compreende isto e diz: “Senhor, ensina-nos a orar!…” Momento no qual, o Mestre Rabi pronuncia a Oração Dominical.

Revista Internacional de Espiritismo – RIE – janeiro 2020

[1] Livros dos Espíritos

[2] Capítulo 18 – Oração Dominical