Octávio Caumo Serrano

Quando estamos num templo, nossa participação vai além do que imaginamos. Pensamos ser apenas mais um na comunidade, que ali estamos sem qualquer compromisso, porque só desejamos ouvir a preleção, receber uma bênção (conforme a natureza da igreja) e cumprir um dever de aproximação com Deus ao menos uma vez por semana.

A espiritualidade age com recursos que estamos muito longe de imaginar. Como espíritas, dizemos que cada um que pisa a porta do Centro para adentrá-lo é um trabalhador que oferece e recebe conforme condições e necessidades. Por isso enfatizamos a importância de estar no Centro com respeito e pureza de pensamentos para ser um agente nessa organização, independente da nossa função nas hierarquias da casa. Mesmo sem estar cadastrados como trabalhador. A química e entrelaçamento dos fluidos é algo que está acima do nosso entendimento atual. Fornecemos energia a quem está mais fraco e recebemos também, quando necessitados, independente do passe do dia. Chegamos a ser operados pelos espíritos de enfermidades que nem sabemos ser portadores. Mas tudo em função de um quesito muito importante: MERECIMENTO!

Essa palavra mágica nos dá regalias conquistadas por conduta. Somos assíduos nas reuniões (o que comprova nosso interesse na ajuda) e temos comportamento respeitoso para oferecer fluidos benéficos aos demais que necessitam como nós. Não nos dispersamos observando a roupa ou as características das pessoas. Ali somos todos iguais; almas em aflição que buscam socorro e que também podem oferecer algo de bom.

Devemos ter trajes e ornamentos discretos, que não chamem à atenção pelo exagero, recato nos gestos e palavras, não querendo chamar para si atenções especiais nem atropelando a disciplina da casa. Se não nos ajudarmos os espíritos nada poderão fazer por nós. Já disse Jesus, “faz que o céu te ajuda”.

A disciplina inclui o tipo de conversa durante os trabalhos porque muitos estão em atendimento. Visíveis e invisíveis. E se enquanto um está sintonizado com o Plano Divino o outro está falando de compras, custo de vida, desmandos políticos ou problemas de natureza pessoal, o pensamento que deve funcionar como um feixe de varas será maculado e perderá sua força.

No nosso artigo da RIE deste mesmo mês de fevereiro tratamos do mesmo assunto com um pouco mais de detalhes. Insistimos porque pensamos ser algo muito importante e muito negligenciado no movimento espírita. Agradecemos aos leitores pela paciência.

Jornal O Clarim – fevereiro 2020