Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“O pensamento é força viva e atuante, porque procede da mente que tem a sua sede no ser espiritual, sendo, portanto, a exteriorização da Entidade Eterna. Conforme o seu direcionamento, manifesta-se, no mundo das formas, a sua realização. A sua educação é relevante, porque se torna fator essencial para o enfrentamento dos desafios e encontro das soluções necessárias à vida saudável. … Modificando a estrutura psicológica, pelo sanear do conflito a que se apega, deve direcionar a força mental para a sua realização, a fim de que lhe surjam fatores especiais que o auxiliem na modificação das paisagens íntimas e das ocorrências externas, desde que está programado pelo Pensamento Divino para alcançar os patamares mais elevados da Vida. [1]

 

Eu não tenho fé! Afirmam alguns. Deus não me enxerga! Dizem outros. Faço tudo certo, mas a Divindade não faz nada por mim! Exclamam outros. Mas tais criaturas esquecem que nos foi dado o remédio orientativo: “Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á.”[2].

O processo de ajuda começa por nos ajudarmos a nós mesmos. Mas será que estamos pedindo certo? Partindo do princípio que Deus é Pai de todos, jamais irá nos atender num pedido que possa ir contra o cumprimento da Lei e/ou contra o nosso próximo e ao solicitarmos ajuda ela virá proporcional ao que estamos nos movimentando ao encontro Dela. Jamais sendo um processo de espera, fala-nos de uma atitude de auto ajuda, no qual nos enxergamos tal qual somos, assumindo a responsabilidade de nossos atos e entendendo que cada um de nós está vivendo o momento de experiência evolutiva necessário para o aprendizado e aprimoramento espiritual.

Mas além do merecimento, da necessidade espiritual, se não houver a modificação interior, por isso que precisamos saber bater à porta, não concretizaremos o objetivo de nossa prece. A reencarnação constitui-se em conflitos internos e externos que servem para podermos reflexionar e analisarmos as nossas vidas e voltarmo-nos para nós mesmos e verificarmos o que realmente tem importância. Isto posto, começamos a voltarmo-nos o nosso olhar para as verdades espirituais e permitirmos que Jesus faça-nos companhia, pois Ele sempre está conosco, mas nem sempre estamos com Ele.

Quando nos desarvoramos em atos que vão contra a Lei Divina, quando odiamos nosso próximo, quando conspurcamos de alguma forma os ensinamentos Dele, deixamos de ladeá-lo. Não sendo uma questão de escolha, mas de comportamento, isto define quais portas desejamos abrir e quais criaturas desejamos como companhias ao nosso lado. Não sendo somente uma afirmação que norteia nosso comportamento, serve como estímulo para explicar que a prece é o nosso sustentáculo diante das adversidades.

Durante a encarnação existem criaturas que exigem o máximo do nosso equilíbrio e de nossa paciência, as intempéries nos provocam preocupações, sendo a prece o amparo e a ligação com o Eu Divino que habita em nós. Mais ainda, serve como o querosene que alimenta a chama viva do Eu Divino em nós. Ajuda-nos a modificar a forma de pensar e enxergar os acontecimentos da vida e entender que por mais turva que a encarnação esteja transcorrendo em tudo existe a presença e o amparo de Deus.

Por sermos espíritas, sabemos da existência e ajuda dos espíritos. Em célebre passagem do Livro Obras Póstumas, na qual O Espírito Verdade responde a uma pergunta de Allan Kardec temos a mais bela prova de amor e presença dos espíritos em nossas vidas desde que queiramos estar com eles fazendo o bem e promovendo o desenvolvimento da sociedade: “Disseste que seríeis para mim um guia, que me ajudaria e me protegeria, concebo essa proteção e o seu objetivo numa certa ordem de coisas, mas gostaríeis de me dizer se essa proteção se estende também as coisas materiais da vida? Neste mundo, a vida material importa muito; não te ajudar a viver, seria não te amar.”[3]

Pensar bem não significa que todos os problemas de nossa vida irão ser resolvidos, mas significa que o nosso comportamento modificará diante das situações. Muitas vezes a Divindade repete a experiência para verificar se realmente aprendemos a lição. Quando estamos bem direcionados movimentando-nos e buscando os altos patamares evolutivos, não nos permitimos afetar ou afetamo-nos pouco em tais experiências. Não somos dados jogados ao acaso, esperando a boa-vontade da Divindade. Somos regidos pela Lei Natural provinda de Deus. Que nos rege a todos indistintamente.

Por fim, “Ninguém, no mundo terreno, vive em regime especial. O que parece, não excede a imagem, a ilusão.”[4] A dor nos visita a todos, a forma como enxergamos e nos conduzimos define-nos e define os próximos passos. Olhamos o próximo e acreditamos que a encarnação dele é melhor, mas não sabemos como é a sua encarnação. Para nós, espíritas, resta-nos a lição que podemos fazer algo de positivo enquanto transpomos o mar da encarnação; orarmos, nos conectarmos com a Divindade e auto iluminarmos para superarmos os percalços e rumarmos a perfeição.

 

Tribuna Espírita – Janeiro/Fevereiro 2020

[1] Vida – Desafios e soluções”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, O Pensamento Bem Direcionado.

[2] Mateus, cap. VII, vv 7 e 8

[3] 09 de abril de 1856

[4] Felicidade Possível, psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual de Joanna de Ângelis