Assim diz o Pai Nosso

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Octávio Caumo Serrano

Se quiser que o bom Deus sempre o perdoe,
Trate de perdoar o outro também;
Senão há de ficar rogando o bem,
Sem merecer que Ele o abençoe.

Quem quiser ir feliz, rumo ao além,
Seja sempre o primeiro que se doe,
Sem remoer por algo que o magoe
E sempre perdoar, não importa a quem!

Pedimos na oração dominical:
– Perdoa nossas dívidas e ofensas,
Desde que nós façamos tal e qual…

É um acordo com Deus para que, então,
Possamos exigir as recompensas
Dos bons gestos do nosso coração!

Jornal O Clarim abril 2020 

A quem estamos servindo?

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Para os colaboradores de centros espíritas; uma advertência.

Começamos nosso trabalho de expositor do Espiritismo lá pelos idos de 1973. Falávamos cinco vezes por semana para diferentes públicos em várias instituições de São Paulo.

Ao terminar o ano com uma classe, um aluno veio conversar conosco e argumentou: – Sabe, professor. Agora que terminou o curso, não venho mais às quintas-feiras. Passarei a vir apenas às segundas porque pretendo dar somente um dia para o Espiritismo. Afinal, tenho outros compromissos com a família e dando um dia já está bom. O senhor concorda?

– Claro meu caro confrade. Mas confesso-lhe que estou decepcionado… – Comigo? – Não, meu caro; comigo mesmo. A única coisa que me incomoda e mostra a minha incompetência é como pude dar aula para você durantes três anos e não consegui lhe informar corretamente o que é um trabalhador espírita. Não lhe expliquei que nada damos ao Espiritismo, porque ele é que tudo nos dá, a ponto de aceitar que sejamos participantes de sua doutrina apesar da nossa pouca capacidade, incompetência, pretensão e indisciplina. Não damos ao Espiritismo, nem a Jesus, a Deus, aos Espíritos ou à instituição que nos forma para o trabalho. Tudo o que damos é somente a nós e à nossa consciência que damos. Nossa prestação de contas não é com Deus, mas conosco mesmos. Deus não perdoa nem castiga; Ele fez a Lei e convidou-nos a viver mergulhados nela. O resto é decidido pelo nosso livre-arbítrio.

Por esse pouco entendimento é que raríssimas vezes encontramos trabalhadores espíritas comprometidos com a causa, já que nem se comprometem com a casa. A festa, o passeio, a visita, o feriado, a tv, ganham sempre do compromisso que o trabalhador assumiu, espontaneamente, com a instituição que frequenta. A garoa, o cansaço ou a preguiça, a indisposição física, ainda que ligeira, o trânsito, são argumentos poderosos para justificar a ausência no trabalho do centro. Mas oram pedindo ajuda e cura, invocando a fé que dizem ter; repetem o pedido de passes intensamente, querendo soluções milagrosas e imerecidas pelo comportamento. E note-se que a participação é de uma a duas vezes por semana! Somos frequentadores de centro espírita e, equivocadamente, nos julgamos Espíritas.

Não sei lhes informar que repercussão teve nosso argumento no dito “trabalhador”. Mas ele depois disso ficou informado um pouco mais sobre o que é ser espírita. Pena que a maioria que tem contato com este tipo de informação se rebela e se aborrece; detestam ser cobrados, embora o dirigente, como guardião da doutrina no seu Centro, tenha o dever de alertar as pessoas quanto ao seu comportamento descompromissado. Julgam-se, por ser colaborador voluntário e “gratuito”, com o direito de fazer o que lhes apraz, da maneira que mais gostam.  Por isso que há os que em vez de ser trabalhadores espíritas são atrapalhadores do Espiritismo. De minha parte, esforço-me para não ser mais um desses!

Jornal O Clarim – abril de 2020

Analfabeto moral

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Walkiria Araujo 

“281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal? “Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. O desejo que neles predomina é o de impedirem, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?”[1]

Viver em Deus, viver com Deus, vivenciar Deus. A mensagem Divina aporta-nos n’alma fazendo-nos transmutar o momento presente e enxergarmos num golpe de vista o futuro que nos aguarda. Saindo do analfabetismo moral que nos encontramos e permitindo-nos alfabetizarmo-nos na Lei de Amor.

“Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus”[2], já nos foi ensinado, mas entendamos que isto encontra-se como proposta de vida, pois ainda espíritos imperfeitos na busca da evolução, neste momento, só conseguimos lhe ter a intuição[3], competindo aos espíritos superiores à Sua compreensão[4]. Mais a pureza deve fazer parte de nossas vidas como meta e princípio que nos moldará os passos. O mesmo evangelista[5] vai mais além, nos coloca uma criança, dizendo-nos que o “…reino dos céus é para os que se lhes assemelham…”

Apresentando-nos uma proposta de vida interior de renovação, trazendo uma busca de sentimentos puros em todos os atos de nossas vidas. Uma crença mais profunda na existência da Lei de Deus e na sua execução, confiando no Pai Amado de todos nós. Sabendo que em todos os momentos Ele está presente em nossas vidas, nos acompanhando os passos, mesmo que caímos, isto faz parte do processo de aprendizado, que não deveremos temer, pois teremos sempre a figura amantíssima de Deus através de seus emissários, tendo em nosso anjo guardião, sua representação primeira, a nos amparar e encaminhar durante a encarnação.

Dia virá que teremos dúvidas, vacilaremos, nos encontraremos francos diante da caminhada e dos objetivos abraçados, criaturas desavisadas, que estão mais perdidas que nós, pois ainda não conseguem divisar a luz do clarão que vem a ser a Doutrina Espírita, a qual representa um verdadeiro divisor de águas em nossas vidas a nos esclarecer um porvir que só depende de nós, buscam nos entorpecer os passos, pois não acreditam serem capazes de fazerem a mesma caminhada.

São os que intitulamos analfabetos morais, são os que nos exigem caminharmos “mil passos com eles[6]. São os que nos exigem um entendimento que acreditamos que ainda não somos capazes de o fazer, mas somos. O que está sendo nos colocado é a prática de nossas palavras, aquilo que já sabemos em teoria, em virtude dos conhecimentos adquiridos. Buscam trazer-nos para baixo, vibratororiamente e em atitudes, já que o movimento ascensional não se forja da noite para o dia. É um processo longo e demorado, baseado em paciência, renúncia, dedicação e amor.

Cabe-nos esforçarmo-nos através da vigilância da oração e da manutenção das boas atitudes, pois “A irradiação mórbida de uma pessoa enviando à outra energia negativa, termina por contaminá-la, caso esta não possua fatores defensivos, reagentes, que procedam da sua conduta mental e moral edificante.”[7]

Lembrando que em tudo que fizermos, mas importante que a atitude, são os sentimentos colocados neles. A pureza de coração corresponde ao elã de amor e verdade que nos une ao Criador, fazendo-nos progredir como criaturas e atuando como elementos propulsores de progresso da humanidade. Não deveremos comportar como os escribas e fariseus que se preocupavam mais com o exterior que com o interior, produzir algo para que os outros vejam, mas sermos melhores ao ponto que os outros vejam, isto constitui-se na grande diferença.

Temos a opção de reclamarmos de quem somos ou utilizarmos as ferramentas que possuímos para crescermos. Nenhum dos que nos encontramos encarnados estamos nos estágio de perfeição, mas estamos em busca dela. Caminhamos com passos vacilantes, pois ainda não possuímos a fé inabalável, como nos já foi proposta, mas isto não serve de empecilho para a caminhada. Pararmos não nos impedirá o sofrimento, somente retardará o processo e consequentemente a evolução. Pois dia chegará que desejaremos ardentemente este progresso e buscaremos por ele.

A religião constitui-se como elemento propulsor de ajuda, não sendo meio de salvação como alguns apregoam é o facilitador que nos faz enxergar pontos que não temos o entendimento aclarado ou que nem víamos anteriormente. “O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu principio.”[8]

Sendo ponto de ajuda, não será o responsável pela modificação que deverá acontecer em nós. Trabalhemos por nós mesmo, modificando nossas atitudes, quem somos. Observemos o movimento religioso ou núcleo que estejamos vinculados e quais propostas nos estão sendo apresentadas. Se elas estão ou não de acordo com a mensagem do Cristo. O Cristo foi o exemplo do amor sublime, do perdão e da educação pelo exemplo. Da caridade em sua plenitude. São a estas mensagens que toda religião que está de acordo com a mensagem Crística deverá nos orientar.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2020

[1] Livro dos Espíritos

[2] Mateus, cap V, vv. 8

[3] Livro dos Espíritos, item 101

[4] Livro dos Espíritos, item 107

[5] Mateus, capítulo 18

[6] Mateus, capítulo 5, v 41

[7] Livro Plenitude, Psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual Joanna de Ângellis, capítulo 2 – Análise do Sofrimento

[8] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VIII, item 10

Não ponhais a candeia debaixo do alqueire

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Walkiria Araujo

“Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa.[1]

Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; – pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente.[2]

O movimento espírita é feito de pessoas as quais nos colocamos ou não à disposição daqueles que adentram após nós. Dizemos isto, pois alguns dos que já trilharam o caminho do conhecimento, mas não da experiência cristã, preferem guardá-la para si. Colocam a luz do conhecimento escondida, trazem-na somente para si.

Outros, a colocam tão alto, que espargem luz pelo caminho doando de si, levam a mensagem, sendo em si, a própria mensagem. Há 23 (vinte três) anos, um nobre casal descia nestas terras paraibanas e aos moldes da instituição espírita já fundada em São Paulo com o mesmo nome, em um 01 de abril, abre as portas da Instituição Espírita Os Essênios. Voltada principalmente para o estudo e divulgação da Doutrina Espírita que teve em D. Maria Alcântara Caúmo sua primeira Presidente e em seu Octávio Caúmo, o segundo e atual presidente.

Utilizamo-nos desta coluna para fazermos uma justa homenagem e agradecimento, a ambos, pois reclamamos no meio espírita das dificuldades de encontrarmos instituições e pessoas que nos ensinem, nos estimulem a caminhada e nos coloquem par e passo com a mensagem Cristã. De muitas conversas tidas com seu Octávio, trago a mensagem mais repita entre nós: o mais difícil é fazer o simples e transmitir a mensagem sem colocar nenhum condimento nosso. Pois quando transmitimos a mensagem, não somos nós quem estamos brilhando, é Jesus.

O Presidente de uma Instituição é o guardião da Doutrina, palavras de seu Octávio com as quais eu tenho similitude de pensamento e concordância plena. A Casa Os Essênios nunca fechou as portas, em nenhuma data. “A dor não tira folga”, raríssimas vezes vi um dos dois se ausentar do comando benfazejo da instituição. Pode parecer ao leitor uma propaganda da Instituição, mas não é. É uma justa homenagem, póstuma a D. Maria e em vida ao seu Octávio de pessoas que contribuíram e contribuem para a divulgação da mensagem.

Durante estes 23 (vinte e três) anos, dos quais tenho a alegria de compartilhar, ser testemunha do trabalho, esforço e parceira 20 (vinte) anos, sou uma das trabalhadoras que me foi ofertada a oportunidade em fazer palestras, indicação para fazer artigos e agora, subscrevendo esta coluna dando continuidade ao trabalho começado pelo seu Octávio. Todos que aportam a Instituição recebem as mesmas oportunidades, de acordo com as suas capacidades prosseguem neste ou naquele caminho. Informamos que as diretrizes que nos norteiam, são as diretrizes contidas nas obras básicas, as quais fazem parte dos nossos estudos semanais e da nossa palestra doutrinária baseada em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Há algumas décadas seu Octávio subscreve esta coluna, permitindo-se agora afastar-se. E com a modéstia que lhe é peculiar não desejaria que lhe fosse emitido nenhuma homenagem. Mais não poderíamos deixar que isto acontecesse. Quando nos foi ofertado o convite para dar continuidade, entendemos por bem enunciar algumas palavras sobre o trabalho até o momento executado.

O trabalhador espírita é forjado no decorrer do trabalho. Nos candidatamos ao trabalho pelo comprometimento que desenvolvemos e pela abnegação envolvida com ele. O bom e fiel trabalhador não reencarna pronto e não desencarna pronto. Mas coloca-se sempre à disposição do aprendizado e serve sempre como escada de iluminação ao próximo.

Assim, nos ensinou o Mestre Jesus. Todo aquele que se dispõe a ser fiel seguidor do Mestre sabe ser aquele que proporciona o conhecimento, mas como vaso imperfeito serve de receptáculo da mensagem para que os irmãos em Cristo possam caminhar pela estrada do bem. Muitos passaram pela Casa Os Essênios e a semelhança da Casa do Caminho trocaram suas roupas velhas, dessedentaram sua sede, alimentaram-se com o pão divino e foram-se. De nossa parte, ficamos felizes por termos realizado o trabalho. E nós, trabalhadores da casa Os Essênios, agradecidos pela convivência de amor com D. Maria e Seu Octávio, dizemos: Que Deus os abençoe!

Jornal O Clarim – abril 2020

[1] MATEUS, 5:15

[2] LUCAS, 8:16 e 17