Walkiria Araujo 

“281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal? “Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. O desejo que neles predomina é o de impedirem, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?”[1]

Viver em Deus, viver com Deus, vivenciar Deus. A mensagem Divina aporta-nos n’alma fazendo-nos transmutar o momento presente e enxergarmos num golpe de vista o futuro que nos aguarda. Saindo do analfabetismo moral que nos encontramos e permitindo-nos alfabetizarmo-nos na Lei de Amor.

“Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus”[2], já nos foi ensinado, mas entendamos que isto encontra-se como proposta de vida, pois ainda espíritos imperfeitos na busca da evolução, neste momento, só conseguimos lhe ter a intuição[3], competindo aos espíritos superiores à Sua compreensão[4]. Mais a pureza deve fazer parte de nossas vidas como meta e princípio que nos moldará os passos. O mesmo evangelista[5] vai mais além, nos coloca uma criança, dizendo-nos que o “…reino dos céus é para os que se lhes assemelham…”

Apresentando-nos uma proposta de vida interior de renovação, trazendo uma busca de sentimentos puros em todos os atos de nossas vidas. Uma crença mais profunda na existência da Lei de Deus e na sua execução, confiando no Pai Amado de todos nós. Sabendo que em todos os momentos Ele está presente em nossas vidas, nos acompanhando os passos, mesmo que caímos, isto faz parte do processo de aprendizado, que não deveremos temer, pois teremos sempre a figura amantíssima de Deus através de seus emissários, tendo em nosso anjo guardião, sua representação primeira, a nos amparar e encaminhar durante a encarnação.

Dia virá que teremos dúvidas, vacilaremos, nos encontraremos francos diante da caminhada e dos objetivos abraçados, criaturas desavisadas, que estão mais perdidas que nós, pois ainda não conseguem divisar a luz do clarão que vem a ser a Doutrina Espírita, a qual representa um verdadeiro divisor de águas em nossas vidas a nos esclarecer um porvir que só depende de nós, buscam nos entorpecer os passos, pois não acreditam serem capazes de fazerem a mesma caminhada.

São os que intitulamos analfabetos morais, são os que nos exigem caminharmos “mil passos com eles[6]. São os que nos exigem um entendimento que acreditamos que ainda não somos capazes de o fazer, mas somos. O que está sendo nos colocado é a prática de nossas palavras, aquilo que já sabemos em teoria, em virtude dos conhecimentos adquiridos. Buscam trazer-nos para baixo, vibratororiamente e em atitudes, já que o movimento ascensional não se forja da noite para o dia. É um processo longo e demorado, baseado em paciência, renúncia, dedicação e amor.

Cabe-nos esforçarmo-nos através da vigilância da oração e da manutenção das boas atitudes, pois “A irradiação mórbida de uma pessoa enviando à outra energia negativa, termina por contaminá-la, caso esta não possua fatores defensivos, reagentes, que procedam da sua conduta mental e moral edificante.”[7]

Lembrando que em tudo que fizermos, mas importante que a atitude, são os sentimentos colocados neles. A pureza de coração corresponde ao elã de amor e verdade que nos une ao Criador, fazendo-nos progredir como criaturas e atuando como elementos propulsores de progresso da humanidade. Não deveremos comportar como os escribas e fariseus que se preocupavam mais com o exterior que com o interior, produzir algo para que os outros vejam, mas sermos melhores ao ponto que os outros vejam, isto constitui-se na grande diferença.

Temos a opção de reclamarmos de quem somos ou utilizarmos as ferramentas que possuímos para crescermos. Nenhum dos que nos encontramos encarnados estamos nos estágio de perfeição, mas estamos em busca dela. Caminhamos com passos vacilantes, pois ainda não possuímos a fé inabalável, como nos já foi proposta, mas isto não serve de empecilho para a caminhada. Pararmos não nos impedirá o sofrimento, somente retardará o processo e consequentemente a evolução. Pois dia chegará que desejaremos ardentemente este progresso e buscaremos por ele.

A religião constitui-se como elemento propulsor de ajuda, não sendo meio de salvação como alguns apregoam é o facilitador que nos faz enxergar pontos que não temos o entendimento aclarado ou que nem víamos anteriormente. “O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu principio.”[8]

Sendo ponto de ajuda, não será o responsável pela modificação que deverá acontecer em nós. Trabalhemos por nós mesmo, modificando nossas atitudes, quem somos. Observemos o movimento religioso ou núcleo que estejamos vinculados e quais propostas nos estão sendo apresentadas. Se elas estão ou não de acordo com a mensagem do Cristo. O Cristo foi o exemplo do amor sublime, do perdão e da educação pelo exemplo. Da caridade em sua plenitude. São a estas mensagens que toda religião que está de acordo com a mensagem Crística deverá nos orientar.

 

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2020

[1] Livro dos Espíritos

[2] Mateus, cap V, vv. 8

[3] Livro dos Espíritos, item 101

[4] Livro dos Espíritos, item 107

[5] Mateus, capítulo 18

[6] Mateus, capítulo 5, v 41

[7] Livro Plenitude, Psicografia de Divaldo Franco, autoria espiritual Joanna de Ângellis, capítulo 2 – Análise do Sofrimento

[8] Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VIII, item 10