Walkiria Araujo

“Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa.[1]

Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; – pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente.[2]

O movimento espírita é feito de pessoas as quais nos colocamos ou não à disposição daqueles que adentram após nós. Dizemos isto, pois alguns dos que já trilharam o caminho do conhecimento, mas não da experiência cristã, preferem guardá-la para si. Colocam a luz do conhecimento escondida, trazem-na somente para si.

Outros, a colocam tão alto, que espargem luz pelo caminho doando de si, levam a mensagem, sendo em si, a própria mensagem. Há 23 (vinte três) anos, um nobre casal descia nestas terras paraibanas e aos moldes da instituição espírita já fundada em São Paulo com o mesmo nome, em um 01 de abril, abre as portas da Instituição Espírita Os Essênios. Voltada principalmente para o estudo e divulgação da Doutrina Espírita que teve em D. Maria Alcântara Caúmo sua primeira Presidente e em seu Octávio Caúmo, o segundo e atual presidente.

Utilizamo-nos desta coluna para fazermos uma justa homenagem e agradecimento, a ambos, pois reclamamos no meio espírita das dificuldades de encontrarmos instituições e pessoas que nos ensinem, nos estimulem a caminhada e nos coloquem par e passo com a mensagem Cristã. De muitas conversas tidas com seu Octávio, trago a mensagem mais repita entre nós: o mais difícil é fazer o simples e transmitir a mensagem sem colocar nenhum condimento nosso. Pois quando transmitimos a mensagem, não somos nós quem estamos brilhando, é Jesus.

O Presidente de uma Instituição é o guardião da Doutrina, palavras de seu Octávio com as quais eu tenho similitude de pensamento e concordância plena. A Casa Os Essênios nunca fechou as portas, em nenhuma data. “A dor não tira folga”, raríssimas vezes vi um dos dois se ausentar do comando benfazejo da instituição. Pode parecer ao leitor uma propaganda da Instituição, mas não é. É uma justa homenagem, póstuma a D. Maria e em vida ao seu Octávio de pessoas que contribuíram e contribuem para a divulgação da mensagem.

Durante estes 23 (vinte e três) anos, dos quais tenho a alegria de compartilhar, ser testemunha do trabalho, esforço e parceira 20 (vinte) anos, sou uma das trabalhadoras que me foi ofertada a oportunidade em fazer palestras, indicação para fazer artigos e agora, subscrevendo esta coluna dando continuidade ao trabalho começado pelo seu Octávio. Todos que aportam a Instituição recebem as mesmas oportunidades, de acordo com as suas capacidades prosseguem neste ou naquele caminho. Informamos que as diretrizes que nos norteiam, são as diretrizes contidas nas obras básicas, as quais fazem parte dos nossos estudos semanais e da nossa palestra doutrinária baseada em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Há algumas décadas seu Octávio subscreve esta coluna, permitindo-se agora afastar-se. E com a modéstia que lhe é peculiar não desejaria que lhe fosse emitido nenhuma homenagem. Mais não poderíamos deixar que isto acontecesse. Quando nos foi ofertado o convite para dar continuidade, entendemos por bem enunciar algumas palavras sobre o trabalho até o momento executado.

O trabalhador espírita é forjado no decorrer do trabalho. Nos candidatamos ao trabalho pelo comprometimento que desenvolvemos e pela abnegação envolvida com ele. O bom e fiel trabalhador não reencarna pronto e não desencarna pronto. Mas coloca-se sempre à disposição do aprendizado e serve sempre como escada de iluminação ao próximo.

Assim, nos ensinou o Mestre Jesus. Todo aquele que se dispõe a ser fiel seguidor do Mestre sabe ser aquele que proporciona o conhecimento, mas como vaso imperfeito serve de receptáculo da mensagem para que os irmãos em Cristo possam caminhar pela estrada do bem. Muitos passaram pela Casa Os Essênios e a semelhança da Casa do Caminho trocaram suas roupas velhas, dessedentaram sua sede, alimentaram-se com o pão divino e foram-se. De nossa parte, ficamos felizes por termos realizado o trabalho. E nós, trabalhadores da casa Os Essênios, agradecidos pela convivência de amor com D. Maria e Seu Octávio, dizemos: Que Deus os abençoe!

Jornal O Clarim – abril 2020

[1] MATEUS, 5:15

[2] LUCAS, 8:16 e 17