Barsanulfo

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O Mestre e o Discípulo
Octávio Caumo Serrano

Ia Barsanulfo pelo verde prado,
Quando avistou figura enternecida,
Sobre uma pedra, a pensar na vida,
Tendo tristeza em seu olhar inchado…

Era Jesus! Ao ver que havia chorado,
Sentiu de pronto a mente entristecida;
Aproximou-se, então, da alma querida
E perguntou àquele Amigo amado:

– Choras por quem, Senhor? Pelos sem fé?
– Por esses não, eu os respeito até
Porque ignoram o saber do além!…

Choro por quem já tem conhecimento
E, apesar disso, em nenhum momento
Está disposto a praticar o bem…

Os milagres

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante

“Na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar) significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente. A Academia definiu-a deste modo: Um ato do poder divino contrário às leis da Natureza, conhecidas. Na acepção usual, essa palavra perdeu, como tantas outras, a significação primitiva. De geral, que era, se tornou de aplicação restrita a uma ordem particular de fatos. No entender das massas, um milagre implica a ideia de um fato extranatural; no sentido teológico, é uma derrogação das leis da Natureza, por meio da qual Deus manifesta o seu poder. Tal, com efeito, a acepção vulgar, que se tornou o sentido próprio, de modo que só por comparação e por metáfora a palavra se aplica às circunstâncias ordinárias da vida.”[1]

 

Jesus é Aquele que nos ensinou que não iria derrogar as Leis, mas fazer cumpri-las, como então, ele produziria milagres no sentido teológico da palavra? Deparamo-nos aqui, como em outros momentos da vida de Jesus, com atos que a ciência comum não conseguia explicar e trazia um sentido sobrenatural que fazia calar as massas e evitar especulações exigindo deles explicação sobre o que eles mesmos não conheciam ou não desejavam conhecer.

A questão do conhecimento da Lei de é facultada a todos nós o que nos diferencia é o seu conhecimento[2]. Que é aprofundado na proporção do que avançamos na senda evolutiva da perfeição. Jamais um professor exigirá um conhecimento de física avançada a um estudante iniciante da matéria, mas para ele chegar ao final do processo necessitou aprender as quatro funções básicas da matemática.

Isto significa outro ponto importante. A ciência e a religião andam de mãos dadas. Não existe separação entre as duas. “A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra.”[3]. A imutabilidade e a inderrogabilidade traz-nos a estabilidade e a harmonia Universal. Assim sendo, a criatura cria bases sólidas no processo evolutivo.

A mediunidade que não é objeto único da doutrina espírita serve como mecanismo para trazer luz ao que parecia sobrenatural. Desmistifica as curas como um processo de transfusão de fluidos partindo-se dos efeitos para as causas, chegamos a origem dos fenômenos, trazendo-nos a certeza que a comunicabilidade nada mais é que um fato natural ocorrido de mente a mente entre as criaturas ditas mortas e os encarnados. Que vem nos provar mais uma vez que não há derrogação da Lei, mas o cumprimento dela em sua maior pureza.

Outros alegam nos fatos da mediunidade o charlatanismo. Nunca dissemos que a mediunidade não possa ser falseada, sempre solicitamos que os fenômenos fossem estudados para que houvesse uma separação do joio e do trigo, do falso e do verdadeiro, da mentira e da verdade. O embuste permeia a existência humana, mas a criatura desonesta só falseia o que é verdadeira, principalmente aquilo que gera respeito na criatura, mas que a mesma ainda não detém os meandros de sua execução. Parte-se de um princípio verdadeiro, justo e correto para falsear e levar-se vantagem sobre ele.

Mesmo nos tempos atuais, os fenômenos espíritas, em sua grande maioria, são espontâneos. Constamos, em muitas situações, com o detalhamento realizado por parte dos médiuns sobre os fatos, que eles jamais tiveram acesso anteriormente. Desconheciam a existência dos personagens e em alguns dos casos, tais situações fogem a realidade vivida atualmente. A inconsciência é outro fator a ser destacado. Mas, mesmo que tudo isto não fosse objeto de convencimento, imaginemos que Deus iria criar toda uma estrutura Universal, obra gigantesca, para depois modificar pequenas partes ao sabor do bel prazer? “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”[4]

Como a inteligência suprema iria ter ideias menores diante do todo? Como Ele iria mudar Sua Lei para beneficiar este ou aquele? Ele Justo e Bom para todos, fazendo-nos que estejamos imiscuídos na mesma Lei, diante das mesmas situações para termos as mesmas possibilidades de escolhas. Não há milagres, somente desconhecimento, ainda, da Lei. Pouco a pouco o véu do esquecimento se desvalerá da nossa visão espiritual e conseguiremos deslumbrar o que ainda não vemos com os olhos do espírito imortal.

Jornal O Clarim – junho de 2020

[1] Livro A Gênese, capítulo XIII, item 1

[2] Livro dos Espíritos, questão 619

[3] Livro Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 8

[4] Livro dos Espíritos, questão 1

Jugo Leve

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante 

“Neste pandemônio de perturbações de toda ordem, que decorrem da psicológica, faz-se inadiável a mais ampla divulgação do Espiritismo e de suas libertadoras propostas de lógica para contrabalançar a força ciclópica do materialismo que domina a sociedade. Ampliar as informações sobre a Espiritualidade e a Erraticidade, sobre a Lei de Causa e Efeito, é dever de todos aqueles que já despertaram para Jesus e a própria consciência, assim contribuindo em favor da humanidade e do seu próximo vencido pelas perturbações psicológicas ampliadas pelas obsessões. Ninguém, que se possa escusar desse dever de solidariedade humana e de conscientização dos próprios deveres ante a vida e Deus. Em assim procedendo, estará desincumbindo-se do dever de consciência, auxiliando hoje, conforme foi auxiliado oportunamente, quando, de alguma forma se encontrava em situação semelhante. [1]

Quando Jesus nos fez a proposta do fardo leve e do jugo suave mostrou-nos através do exemplo o caminho que deveríamos seguir. Exemplificou-nos o processo, mesmo não precisando ele mesmo passar, que era possível, diante dos percalços da vida, das tribulações, ajudarmos ao próximo e alçarmos voos rumo ao mais alto. Sendo esta temática desenvolvida em nosso artigo.

Momento grave que a humanidade vivenciamos. Impar, que podemos mudar a nossa e a história de nosso semelhante ou ficarmos esperando que mudem a nossa. Não somos mais os mesmos, queiramos ou não. Os profissionais da área podem dizer que arquétipos foram acordados diante das situações atuais, que memórias adormecidas foram afloradas e todos fomos colados em situação de decisão com relação a nós mesmos.

Sendo uma verdade muito bem dita a nosso ver e a luz do conhecimento espírita. Vivemos um período em que as informações nos chegam de forma avassaladora, live dos mais variados assuntos são projetadas, a criatura está exposta não só ao conhecimento, mas as fake News como nunca fomos antes.

Mas movimento singular também se interpõe a tudo isso: criaturas abnegadas, dos mais variados segmentos, doam-se de si, mais aquilo que estão doando materialmente ao próximo e seguem o exemplo do Mestre Rabi, transformando carregando seu jugo de forma leva e demonstrando que ele pode ser suave se carregado com amor a exemplo de Jesus.

“Se vos dizeis espíritas, sede-os.”[2] Chegou também o nosso momento de usarmos da luz aclaradora da mensagem redivida do Evangelho em nossas vidas e demonstramos o quão força ela tem em nossas vidas. Muito mais do que palavras e mensagens em rede de relacionamentos, deveremos demonstrá-la nas redes de relacionamentos físicos e familiares.

Momento em que somos convocados a volta ao lar, em que nos olhamos nos olhos de forma singular, compartilhamos de forma mais íntima com aqueles que víamos mais de relance, mesmo morando há anos, não compartilhávamos da intimidade. Conhecemos detalhes que antes haviam se perdido. Temos a oportunidade de dirimir situações mal resolvidas que faltavam somente um diálogo para a solução.

Sabemos, que outros tantos lares estão vivendo momentos cruciais de crise. Separações são debeladas. Mais nada que não estivesse, em sua maioria, em vias de ocorrer e que a ausência costumeira do lar deixasse na superfície tais situações permitindo-se que as criaturas envolvidas não se permitissem resolver o que era necessário fazer. O grande problema é a sintonia, o tom como está sendo realizado.

Sairemos transformado desta situação. Olharemos para os que nos circundam de maneira diferente, por que também tivemos a oportunidade de mergulharmos em nós mesmos e vermos quão diferentes somos daqueles que projetamos para os outros em virtude das várias personas que assumimos nas várias obrigações diárias.

Agora, somos a mesma pessoa dentro de casa que desempenhamos tarefas múltiplas nos relacionando com os de fora. Mergulhamos em nós mesmos e para surpresa de muitos, descobrimo-nos pessoas bem diferentes daquelas que gostávamos de projetar. Um dia, um jovem gerente a fim de conhecer a sua equipe, os levou para um parque. Queria ver como eles se comportavam diante dos brinquedos. Armámo-nos para nos defendermo-nos de nós mesmos, muitas vezes.

O momento atual mostra-nos que a necessidade de estarmos uns com os outros é maior que imaginávamos. De compartilharmos momentos felizes com que amámos é imprescindível para nós e que o considerávamos impossível de suportar representa um jugo leve e um fardo suave diante da perenidade da encarnação humana.

A busca do ser humano mudou desde quando começou este período de provação/expiação coletivo que nos encontramos. Cabe-nos escolher o que iremos fazer deste aprendizado: revoltarmo-nos, pior decisão a ser tomada; absorvermos e avançarmos no entendimento, forma madura de ultrapassarmos o momento. “Que importa ao soldado perder na refrega armas, bagagens e uniforme, desde que saia vencedor e com glória? Que importa ao que tem fé no futuro deixar no campo de batalha da vida a riqueza e o manto de carne, contanto que sua alma entre gloriosa no reino celeste?”[3]

 RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2020

[1] Livro: Reencontro com a Vida, psicografia Divaldo P. Franco, autoria espiritual: Manoel P. Mirarnda, cap. 2 – Perturbações Psicológicas

[2] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, item 14

[3] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, item 24